quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Mocimboa da Praia...ainda ! - VI

V e r t i c a l nº 914 de 22.09.2005 - O drama da Mocímboa da Praia

- LINK e LDH consternadas pelas violações.

Maputo - Doze pessoas mortas, 47 feridas, 116 casas incendiadas em Mocímboa da Praia e outras 77 em Muidumbe, para além de 36 detidos, incluindo 4 mulheres, uma delas com uma criança de um ano que é acusada de ter disparado mortalmente contra um elemento da Polícia da República de Moçambique (PRM) é o balanço preliminar de um trabalho levado a cabo em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, pelas organizações da Sociedade Civil moçambicana, nomeadamente, a LINK – fórum das ONGs, a Liga dos Direitos Humanos (LDH) e do Observatório da Paz, anunciou ontem em conferência de imprensa, o presidente da LINK, Reverendo Lucas Amosse.
Alice Mabota, presidente da LDH, organização que também participou no levantamento dos dados da Mocímboa da Praia, referiu que quanto às detenções, há um dado a ressalvar: “a detenção das pessoas não foi em flagrante delito.
Posteriormente, elementos da Polícia da República de Moçambique (PRM) vasculharam as casas das populações e onde encontraram armas brancas, ou seja, catana e machado, as mesmas foram arrastadas para a prisão. "Andam com catana ou machado, isto é, para a caça ou utilizar na machamba”. Por outro lado, segundo Alice Mabota, a presença da PRM foi positiva pois, serviu para minimizar maiores estragos e que tivesse contornos semelhantes aos ocorridos em Montepuez no ano 2000 e de outro modo, elogiando a atitude das autoridades prisionais em terem descongestionado a Cadeia, pois com capacidade para 30 detidos e havendo 60, alguns foram transferidos para a Cadeia de Pemba, capital de Cabo Delgado.
Tentando esclarecer melhor a situação ocorrida na Mocímboa da Praia, a boss da LDH sublinhou que “tanto a Frelimo, como a Renamo-União Eleitoral (RUE) tem responsabilidades.
Enquanto a Frelimo tenta mostrar a força que tem, a RUE por seu turno, tenta dar a entender que tem alguma força e quem sofre com isto são as populações” e acrescentando que o fantasma de Montepuez ainda não desapareceu: “pode ser que Montepuez volte a repetir-se”.
GOVERNO SOMBRA - Por aquilo que nos foi dado a entender na conferência de imprensa, o que precipitou a chacina da Mocímboa da Praia foi a tomada de posse do Governo Sombra da Renamo-União Eleitoral, sobretudo da nomeação do candidato derrotado pelo Amadeu Pedro da Frelimo e Mabota questiona: “qual é a natureza do Governo Sombra e porque razão em Maputo não há nenhum conflito?”.
Por outro lado, o Reverendo Lucas Amosse referiu que não foi do lado da RUE que veio a provocação, pois as pessoas que participaram nas cerimónias da tomada de posse do homem da RUE foram apanhadas em contra pé, porque segundo as nossas fontes no terreno, foram emboscadas por homens que traziam armas brancas e daí que “não se percebe”; de quem veio a provocação ninguém sabe, e acima de tudo, foi referido que a detenção das pessoas foi ilegal.
Victor Matsinhe - Via: Vertical
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MediaFax n. 3373 de 22.09.2005 - M. Praia: Exército assalta escritórios da Renamo.
-"Base militar instalada na sede da Renamo é temporária" diz Amadeu Pedro Francisco, presidente da edilidade de M. Praia.

Maputo – O ambiente de crispação mantém-se em Mocímboa da Praia (MP), no norte de Moçambique.
Ao efectivo policial juntaram-se unidades do exército, que tomaram de assalto os escritórios onde funciona a sede da Renamo, o maior partido da oposição, naquilo que é visto como o acirrar da posição do executivo, diante do clima de violência que caracterizou a vila, no início do mês de Setembro.
Os escritórios da Renamo em Nanduadue, foram semana passada convertidos em base de apoio das unidades do exército e montadas tendas de campanha, descreveu uma fonte segura ao mediaFAX, falando a partir de Mocímboa da Praia.
Foram igualmente derrubadas árvores de sombra, na área onde fica localizado o escritório, numa clara demonstração de força, e prenunciando dias difíceis na vila.
A denúncia da situação, foi feita pelo delegado provincial da Renamo em Cabo-Delgado, Armindo Milaco, falando algures a partir de Mocímboa da Praia com o mediaFAX.
Milaco "é procurado vivo ou morto", segundo ordem dada pelas autoridades, após os confrontos sangrentos que seguiram nos dias 5 e 6 de Setembro e que saldaram-se em 12 mortos e pouco mais de 50 feridos.
Milaco, que é igualmente deputado da Assembeleia da República considerou o assalto aos escritórios do seu partido uma violação à lei.
"A invasão domiciliária constitui um crime", denunciou Milaco, o braço de ferro que opõe a Frelimo, no poder e a Renamo, na oposição, que tem como epicentro a eleição intercalar de Maio, ganha pelo candidato da Frelimo, Amadeu Pedro Francisco.
Mas, a Renamo contestou o resultado, alegando ter havido viciação de resultados.
E desde Maio que a vila vive em sobressalto, com manifestações em massa da população afecta à oposição que se concentrava em Nanduadue.
Em Nanduadue, localiza-se o escritório da Renamo, e é tido como o bairro mais populoso da vila de Mocímboa da Praia, vivem pelo menos 18 mil habitantes, num universo de 47 mil pessoas.
A maioria da população professa a religião muçulmana.
Confrontado sobre a conversão do escritório da Renamo em base de tropas, uma fonte do Comando Provincial em Cabo-Delgado, Francisco Njomba, disse ao mediafAX que a informação sobre o assunto ainda não havia chegado à instituição militar.
"Esta informação ainda não chegou aqui no Comando, não podemos dizer nada quanto a isso", reagiu Njomba, que substitui o porta-voz do Comando, Alexandre Chigulane, que saiu forçado em gozo de férias, depois do seu pronunciamento público à imprensa.
O comandante das forças policiais em MP, Buanassuro Verdade, foi igualmente forçado a entrar de férias, logo a seguir as manifestações sangrentas do início do mês, e após ter dado ordens para matar os manifestantes e falhas no esquema de segurança da população.
Contudo, o presidente municipal da vila da Mocímboa da Praia, Amadeu Francisco Pedro, confirmou ao mediaFAX a transformação do escritório da Renamo em base militar: Pedro sublinhou que " a base militar instalada na sede distrital da Renamo, é temporária e será removida logo que a situação da vila estiver controlada".
A declaração de Pedro, confirma a volatilidade da situação em MP, com reforço de efectivos policiais vindos de várias paragens do país.
Dos confrontos de MP foram igualmente destruídas pelo menos de 50 habitações, entre material convencional e precário e cerca de 400 pessoas estão numa situação de deslocadas de guerra, nas regiões vizinhas de Montepuez e Macomia.
A situação neste momento em MP ainda inspira atenção, e, nota-se um regresso tímido de residentes que fugiram à saga que se seguiu no início do mês de Setembro, disse o Presidente do
Município entrevistado pelo mediaFAX a partir de Mocímboa da Praia.
Ele falou dos esforços em curso das autoridades com vista a capturar Armindo Milaco, tido como cérebro de toda a operação que desembocou em banho de sangue em MP.
"Continua intenso o desejo das autoridades em capturar o delegado político da Renamo, o autor moral do conflito violento que resultou em mais de uma dezena de mortes e destruições diversas", repetiu Amadeu Francisco.
Neste momento decorre um programa de apoio do município, em coordenação com o INGC, organismo governamental responsável pela canalização de ajuda, em roupa e produtos alimentares, aos afectados pelos violentos confrontos de 5 e 6 de Setembro.
"Ainda não apareceu outra entidade a solidarizar-se com as vítimas" queixou-se Pedro Francisco, apesar da liga dos Direitos Humanos, afirmar que no terreno está igualmente a providenciar socorro, o Serviço de Acção Social.
M.M e redacção - Via: mediaFAX
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Detidos em Mocímboa 37 indivíduos suspeitos - 2005/09/22

Pelo menos 37 indivíduos encontram-se desde há dias sob custódia policial na vila de Mocímboa da Praia, indiciados de envolvimento na desordem pública promovida pela Renamo, nos dias cinco e seis de Setembro corrente.

Em consequência destes tumultos, 12 pessoas perderam a vida, 47 ficaram feridas e dezenas de casas de habitação destruídas e/ ou incendiadas, para além de saques a estabelecimentos comerciais.Observando a `tolerância zero´, a Polícia prossegue com as buscas visando a captura dos principais mentores e autores da algazarra. As acções incidem fundamentalmente sobre os bairros periféricos onde se suspeita que estejam refugiados alguns dos mandantes da desordem pública.Fontes municipais diseram ao `Notícias´ que os detidos são maioritariamente indiciados de prática de crimes de ofensas corporais, fogo posto, desordem pública e tentativa de alterar a ordem política com recurso á violência. Alguns dos detidos estão a ser transferidos para a penitenciária provincial, na cidade de Pemba, segundo as mesmas fontes.A detenção destes indivíduos foi feita mercê da colaboração da população, parte da qual foi vítima das acções violentas protagonizadas por militantes e simpatizantes da `perdiz´ na sua tentativa vã de tomar o poder á força.Entretanto, instado telefonicamente a pronunciar-se sobre a situação na vila, duas semanas após o registo dos tumultos, o presidente do Conselho Municipal, Amadeu Pedro, disse que a vida voltou á normalidade.`A população já regressou à vila, já retomou as suas actividades normais, mas devo confessar que ficou o luto na aldeia, difícil de apagar. A forte presença policial desencoraja qualquer tentativa de pôr em causa a ordem e tranquilidade públicas na aldeia, considerou Amadeu Pedro...
fonte: NOTÍCIAS
Via: IMENSIS

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