terça-feira, 18 de outubro de 2005

Mocimboa da Praia...ainda ! - IX

Duas reportagens:

- A primeira, do MediaFAX n. 3389 de 18/10/2005:

Mocímboa da Praia no centro do parlamento.

Maputo – O presidente da Assembleia da República (AR), Eduardo Mulémbwè, considerou, segunda-feira em Maputo, que os acontecimentos registados na vila autárquica da Mocímboa da Praia (MP), revelam que subsiste intolerância no seio dos políticos.
Discursando na abertura da III Sessão Ordinária do parlamento, Mulémbwè, depositou um voto de esperança nos encontros que manteve com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama e cúpulas doutros partidos extraparlamentares na contribuição para a remoção daquele obstáculo à convivência pacífica.
Os acontecimentos de MP no início de Setembro provocaram a morte de pouco mais de uma dezena de pessoas inocentes e de 50 feridas, num confronto opondo simpatizantes
da Renamo e da Frelimo e a polícia.
A Plenária do parlamento aprovou por consenso, a proposta de agenda da presente Sessão destacando-se a revisão dos actuais símbolos nacionais, nomeadamente, a Bandeira Nacional e o Emblema da República. O programa inclui igualmente o informe sobre a situação geral da Nação, a ser dada pelo chefe do Estado, Armando Guebuza
Falando na abertura da sessão, o chefe da bancada parlamentar da Frelimo, Manuel Tomé, referiu-se igualmente aos acontecimento de MP, acusando a Renamo de ter manipulado a ignorância e a inocência de alguns cidadãos arrastando-os para o crime.
Tomé, considerou que era prenúncio dos desacatos a marcha de pessoas nuas organizadas pela oposição na vila de MP.
"Está claro para todos, que cidadãos conscientes daquela Vila não iriam se envolver em actos tão vergonhosos. Foram recrutados de fora da vila e do distrito", entende Tomé, enfatizando a religiosidade da população de MP com evidência clara para não tomada de tais atitudes. Maria Moreno, chefe da bancada parlamentar da Renamo-UE, apontou no seu discurso que o governo desperdiçou, em MP, uma oportunidade excelente para mostrar ao mundo e provar aos moçambicanos que a Democracia e a Justiça não são letra morta.
Mostrou-se preocupada pelo facto de o Conselho de Ministros ter de imediato reunido e produzir um comunicado onde condenava a acção da Renamo, ao invés de apurar a veracidade dos factos e condenar os verdadeiros responsáveis pelos homicídios.
"Onde estão os tribunais para que sejamos condenados quando infringimos as leis?", questionou.
A comissão independente, LDH e a LINK, que investigou os acontecimentos sangrentos de M.P denunciou a parcialidade da polícia ao deter apenas os membros e simpatizantes da Renamo.
Por outro lado, Moreno mencionou a questão da revisão do pacote eleitoral que segundo ela, por experiência, uma lei isenta de per si, não constitui garantia de eleições livres, transparentes e justas. Considerou que era preciso municiar os órgãos eleitorais que surgirem da nova
Legislação com os mecanismos que previnam a distorção da lei.
(Benedito Luís e redacção)
===================

- A segunda reportagem, do TribunaFAX n. 68 de 18/10/2005:

Devido às escaramuças de Mocímboa da Praia subsiste intolerância política moçambicana. - Eduardo Mulémbwè.

MAPUTO – O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Mulémbwè, disse que as manifestações de Mocímboa da Praia que culminaram com a morte e ferimento de várias pessoas, na sequência das eleições autárquicas intercalares, revelam que subsiste intolerância no seio da classe política moçambicana.
Mulémbwè, fez este pronunciamento durante as cerimónias de abertura da III Sessão Ordinária da AR que iniciou seus trabalhos, ontem, e que prolongar- se-ão até Dezembro próximo.
No entanto, manifestou seu optimismo com o encontro que manteve recentemente com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e cúpula de outros partidos extra-parlamentares, como forma de contribuição "para a remoção destes obstáculos à convivência pacifica que todos almejamos e para maior solidez dos nossos propósitos nos campos do aprofundamento da democracia e do progresso", disse Mulémbwè.
Prosseguindo, Mulémbwè anunciou que a III Sessão Ordinária do Parlamento moçambicano, vai receber o PR, Armando Guebuza, para fazer o balanço da vida económica, social e política do País, e traçar perspectivas da evolução da situação geral da nação no contexto do combate à pobreza absoluta.
Durante a sua alocução, o presidente do parlamento moçambicano enalteceu o envolvimento patriótico do povo nas suas diferentes esferas, no debate público a propósito da revisão dos símbolos nacionais, tendo referido que "resta apenas esperar com serenidade os resultados da apreciação em torno da informação da Comissão ‘ad hoc’ para a Revisão da Bandeira e do Emblema da República, na convicção firme de que esta magna casa saberá, no voto livre, dar provas de maturidade e responsabilidade social".
Na sua intervenção, o chefe da bancada da Frelimo, Manuel Tomé, teceu fortes críticas à oposição que, segundo ele, continua a fazer tudo à margem da lei, numa demonstração de força, fazendo alusão aos acontecimentos de Mocímboa da Praia "a Renamo não é um partido responsável e maduro, capaz de prestar serviços ao povo. E ainda não se libertou totalmente da mentalidade violenta" disse Tomé.
Sustentou que o desejo manifestado pelo Secretário Geral do Monamo, Máximo Dias, de se afastar da coligação " é sensacta de incompetência, de improvisação permanente e de irresponsabilidade.
Se por um lado, Tomé, manifestou-se apreensivo à informação da comissão "ad hoc" da revisão da legislação eleitoral face ao impasse em que se encontra, numa altura em que as contribuições da Sociedade Civil, Conselho Constitucional, Instituições públicas e privadas, observadores nacionais e internacionais " "permitem uma revisão célere", por outro lado, está optimista em se ultrapassar as posições divergentes, porque segundo ele, o consenso será alcançado. "A bancada da Frelimo legitimada pela sua maioria, saberá assumir suas responsabilidades", terminou.
Por seu turno, a chefe da bancada da Renamo-União Eleitoral, Maria Moreno, reiterou o compromisso feito no início da legislatura, de cooperar com o governo em acções que beneficiam
os moçambicanos, "desde que não se questionem suas condições políticas".
Embora Moçambique continue a ser considerado um dos países mais corruptos do mundo, Moreno lançou um apelo para uma mudança séria de atitude, " de modo a que possamos nos aproximar de alguns Objectivos do Milénio", observou sublinhando que "precisamos de aumentar a nossa esperança de vida e estarmos presentes quando Moçambique tiver sido relançado", finalizou.
(Nelson Nhatave)

Nenhum comentário: