segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Aniversário - Faculdade de Arquitectura em Maputo.



O Aniversário é dia 12 próximo.
Pela importância que tem, aqui ficam as felicitações e a nota:
Historial da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da U.E.M.
Um país como Moçambique, tão grande como 4 a 5 países da Europa juntos, com 18 ou mais milhões de habitantes e todo por construir.
Após a sua independência em 1975, ficou no espaço de poucos meses, deserto de capacidade projectual exactamente no momento em que mais a necessitava, no momento da mais aprofundada e generalizada consciência da importância social do "plano”.
Seria então de aceitar que este País ficasse, ou continuasse a ficar na dependência, da arquitectura de importação, da urbanística no papel, do planeamento regional do mapa e relatório? Ou seria que era necessário e urgente desenvolver, a consciência, a sensibilidade e a competência dos que estão a fazer a própria casa, construir a sua cidade, modelar e ordenar a sua paisagem e a sofrer ou a gozar as consequências dos seus próprios erros ou sucessos?
Duas possibilidades, não antagónicas, se ofereciam: enviar moçambicanos para escolas no estrangeiro e formá-los em Moçambique.
Ambas foram aceites e seguidas e ambas começam a dar, agora, os seus frutos.

A nossa Faculdade foi a materialização da idéia de que um país se define, cresce e consolida como entidade sócio geográfica através da sua cultura ou da sua evolução; da idéia de que a cultura de um povo é a expressão das relações entre os grupos, as classes, as atitudes e as religiões que formam esse mesmo povo e, a forma como ele faz a apropriação do seu meio natural.
Com a sua abertura em 1986 e a formação dos primeiros graduados em 1991, a F.A.P.F. iniciou um processo que já produziu até 2001 quase duas centenas de arquitectos-planificadores físicos, e que é o início da construção de uma cultura arquitectónica erudita endógena, tendo em conta que os problemas do espaço e da sua humanização são fundamentais à construção duma nação e não podem ser resolvidos por soluções de importação.
Surgiu assim também e consequentemente da idéia de que, uma cultura do espaço não se faz ad hoc ou a partir de instituições com vocação mais eminentemente técnica ou política como são os organismos estatais ou mesmo através, exclusivamente, de possíveis órgãos de classe, de qualquer maneira ainda inexistentes.
Pode, e quanto a nós deve, fazer-se primordialmente a partir da academia, da instituição que investiga, analisa, codifica, estrutura e difunde o conhecimento e o saber, isto é, a Universidade.
E de alguma maneira o foi fazendo e assim construindo a base de intelectualidade necessária, e ainda não suficiente, para que se estruturar uma nova componente do ethos moçambicano que conhece e pode dirigir a forma como o homem, nestes nossos 800.000 quilómetros quadrados, habita.

A muitos estamos devedores, a pessoas, a paises. As pessoas foram tantas que seria injusto não mencionar todas. Dos paises um merece a distinção: a Itália, por sorte nossa, o epicentro clássico duma das mais vastas culturas arquitectónicas universais: a ocidental.
Sem a Itália não teria havido esta Faculdade; sem a Itália ela não pode ainda continuar a existir, mas a Itália não é uma idéia abstracta. Ela é feita de pessoas e de instituições.
À Faculdade de Arquitectura da Universidade de Roma "La Sapienza" e aos seus Presidentes e ao comité cientifico, nela formado, vai a nossa mais profunda gratidão, como vai também para os sucessivos Embaixadores de Itália no Maputo em quem encontramos sempre o maior apoio e entusiasmo.
Neste historial cabe uma palavra essencial de agradecimento à direcção da nossa Universidade aos quatro sucessivos reitores que sempre souberam reconhecer o significado do nosso trabalho e as razões das nossas posiçnoes no senado Académico.
Mas, afinal uma faculdade mede-se pela qualidade dos seus estudantes e professores. Do nosso microcosmo fazem e fizeram parte pessoas que o tornaram respeitável e respeitada, necessearia e útil.
Estudantes, professores e funcionários não podem existir uns sem os outros.

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