sexta-feira, 6 de abril de 2007

Cabo Delgado - Turismo de qualidade só em 2013...



O grande sonho é este: ter em 2013, na área do turismo, uma força de trabalho local altamente qualificada para garantir a prestação de um serviço igualmente de alta qualidade em benefício dos visitantes; comunidades rurais que beneficiem dos impactos do turismo; recursos culturais e naturais que sejam bem conservados e melhorados em harmonia com as comunidades locais e pelos turistas; um sector público informado; o privado próspero, e, finalmente, uma reputação internacional como destino turístico.
Estas são as projecções trazidas pelos resultados apresentados à baila pelos consultores da Gestão dos Destinos Turísticos da Universidade de George Washington, num estudo encomendado pela USAID, no quadro do Plano de Desenvolvimento de Turismo Sustentável de Cabo Delgado.
Pretende-se que a província não só ultrapasse os actuais níveis de desenvolvimento do turismo, servido por uma rede de 45 estabelecimentos de acomodação, com a capacidade de 538 quartos e 930 camas, para uma realidade que permita corresponder à demanda e às exigências cada vez mais difíceis de satisfazer que o momento obriga.
Do número total de estabelecimentos hoteleiros, 31 são de preços que vão até 1.250,00 MT/noite e apenas 7 pertencem à qualidade que valem até 8.750,00 MT/noite, sendo que estamos perante uma média de 12 quartos e 21 camas por hospedaria, empregando 1077 trabalhadores.
É uma necessidade do Governo depois de reconhecer que a província de Cabo Delgado, apesar de poder vir a ser um destino obrigatório em matéria de turismo, este sector continua a registar um fraco desempenho, razão por que a saída encontrada nesta fase é o plano de desenvolvimento sustentável e integrado, formulando uma estratégia abrangente.
Pelo que foi dito, uma espécie de campanha acompanha os estudos visando encontrar o melhor caminho para que o turismo em Cabo Delgado continue a florescer e os passos propostos pelos consultores da Universidade George Washington, dos Estados Unidos da América, inclui um plano de marketing e de imagem da província.
“A imagem de Cabo Delgado deve ser a combinação singular entre a eco-costa das pequenas ilhas de aguas límpidas e o património cultural ímpar, sendo que o destino deve ser posicionado na extremidade superior do espectro, concentrando-se em dois segmentos, nomeadamente turismo de luxo (os bem viajados à procura de novos destinos exóticos que ofereçam a natureza e a cultura) e os exploradores activos (viajantes que pretendem viver a experiência natural e cultural activa e interactiva)”, sugere o referido estudo encomendado pela USAID.
A cultura, identificada como sendo uma das variadas vantagens competitivas que Cabo Delgado tem, é vista como não estando ainda acessível à maioria dos turistas. Fala-se na construção de um centro cultural na capital provincial, que seria como que uma oficina em que vários artesãos e artistas pudessem trabalhar, vender os seus produtos e até ministrar aulas aos turistas sobre a cultura local, onde a gastronomia estivesse presente e um recinto de espectáculos para a música, dança e grupos teatrais.
Trata-se de ma ideia que, coincidentemente, consta do plano estratégico de ma das mais sonantes associações culturais da cidade de Pemba, o Tambu Tambulani Tambu, que até já tem obras iniciais em curso no seu terreno, no sub-bairro de Nanhimbe.Para o Tambu Tambulani Tambu, o centro cultural vai, entre as suas três principais vocações, designadamente teatro, música e dança, introduzir nas crianças a arte de pintar e encontrar um pequeno departamento que se dedique a ensinar os turistas alguns elementos mais importantes da cultura local: modo de cumprimentar, noções da língua, etc.
MARCA DA IMAGEM

A província já tem, inclusive, os mercados de origem dos seus turistas no quadro do seu plano de desenvolvimento do turismo. Primeiro vai incidir em Portugal, África do Sul e Grã-Bretanha, que os considera actualmente de topo e que podem produzir resultados mais imediatos. Precisa, entretanto, de encetar esforços virados para os chamados mercados emergentes, como a Itália, França e os Estados Unidos.
As iniciativas de Marketing incluem a criação de uma marca da imagem, a produção de materiais publicitários, a melhoria da informação a dar aos visitantes, a realização de outras de âmbito promocional, o lançamento de campanhas nos órgãos de comunicação social e de relações públicas.
É assim que se prevê o lançamento de uma campanha com vista à obtenção da etiqueta internacional de certificação das praias e far-se-á esforços para que Pemba se torne membro do clube das baías do mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Ao mesmo tempo, vai-se trabalhar afincadamente para que a Ilha do Ibo venha a obter o estatuto de Património Mundial da UNESCO.
Por outro lado e num outro desenvolvimento um consórcio de empresas de consultoria nacionais e brasileira, começa a 16 de Abril corrente, a produção do Plano Integrado do Turismo em Cabo Delgado a convite do Governo provincial.
Trata-se das moçambicanas “Mundiserviços” e USEC, e empresa brasileira Ruschman Consultores que até Setembro próximo, devem entregar ao Governo de Cabo Delgado o Plano Integrado do Turismo desta província.
No entanto, a classe dos operadores turísticos acaba de se fortificar criando a Associação de Hotelaria e Turismo para se ir preparando ao encontro de uma realidade de muito mais exigência.
Há muitas necessidades a satisfazer, sobretudo em infra-estruturas aeroportuárias, portuárias, estradas, centros de turistas, sinalização, não esquecendo o grande dilema que a cidade de Pemba possui, que é a existência de muito lixo.
“Não podemos ficar fora da moda. Temos que estar sempre na moda”, di-lo Francisco Loureiro, director provincial do Turismo, em Cabo Delgado, que se congratula por muitos aspectos constantes do plano estarem a começar a ser feitos com sucesso.
70 TURISTAS ITALIANOS POR SEMANA
A primeira experiência, antes mesmo do plano ser aprovado, vem aí. No dia 15 de Abril, chega a Pemba, a primeira vaga de 70 turistas italianos. Agostinho Ntawale, presidente do Conselho Municipal, não tem mãos a medir, anda preocupado em “alojar” condignamente os seus hóspedes.
Ntawale confirmou ao “Notícias” que foi fruto de campanhas por ele feitas naquele país europeu , que culminaram com uma espécie de acordo, segundo o qual, a partir de Abril 70 turistas italianos visitarão a cidade de Pemba e não só.
“Trata-se do primeiro grupo que espero possa vir a ser bem recebido por esta população maravilhosa de forma a que de regresso vá contar quem somos nós. Nós, a nossa beleza natural, nós, a nossa hospitalidade, nós, as nossas diferentes formas de manifestação cultural. Nós Pemba, Cabo Delgado, Moçambique”, diz o edil em jeito de apelo.
O presidente do município da cidade de Pemba disse que o mesmo pode vir a acontecer também com Portugal, segundo contactos em curso nessa direcção e acha que todos somos obrigados a publicitar a cidade de Pemba, utilizando as bandeiras que existem em termos de diferenças ímpares que têm em comparação com outras paragens.
Os turistas italianos usarão a rota do Quénia, donde voarão nos aviões das Linhas Aéreas de Moçambique directamente para a capital de Cabo Delgado.
Os operadores turísticos também estão numa lufa-lufa virada para a procura de provisões suficientes que não os possam trair na hora da verdade. Vai ser, segundo eles, uma experiência única e uma introdução a um turismo cada vez mais agressivo.
Com a cidade cheia de covas e a rebentar pelas costuras, não tem sido despercebido o esforço que o município está a empreender nos últimos dias, apesar de muito cepticismo entre os seus residentes, dadas as proporções com que a cidade foi destruída pelas chuvas.
PEDRO NACUO - Maputo, Sexta-Feira, 6 de Abril de 2007:: Notícias

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