sábado, 12 de maio de 2007

Cabo Delgado - Economia em queda...


EXTRAS - Estamos a cair!!!
No dia 18 de Novembro do ano passado escrevíamos nesta página que a província de Cabo Delgado estava a baixar no seu desempenho económico. Na altura, estávamos a utilizar a informação que nos havia chegado duma apreciação crítica feita pelo Comité Central do Partido Frelimo e dos comentários em pleno congresso da mesma formação política, que estava a ter lugar em Quelimane, província da Zambézia.
Dizíamos igualmente que a província não havia conseguido namorar, em dois anos, um novo empreendimento e pelo contrário os que haviam, estavam a ficar rotos, a caminho de tipos diferentes de falência, como é o caso da Aquacultura de camarão (IOA), que hoje por hoje se encontra na sala de reanimação da qual se duvida muito que possa voltar ao convívio dos vivos.
Ficarão, na verdade, os projectos turísticos espalhados pelo Índico, que pouco dizem em termos de impacto imediato na vida das populações, e afinal muito havia por saber. Desta vez foi o próprio governo provincial a dizer, que estamos a baixar (cair) numa informação que deu ao Presidente da República.
Exportações baixaram em Cabo Delgado. E de que maneira! Sessenta e seis porcento abaixo, é obra de um azar que urge desvendar. Estamos a falar duma queda em cerca de dois terços. A justificação é a não exportação em toros de madeira. Não parece!
Não parece porque sábado passado publicamos um texto a falar da evolução do tráfego portuário no porto de Pemba e Mocímboa da Praia. O tráfego de contentores de madeira já está a mexer, dizem os gestores do porto de Pemba. Que não se trata apenas do volume absoluto, mas o tamanho do porto precisa de ser aumentado.
Pelo contrário, conforme o delegado do Porto de Pemba, a razão principal da subida do tráfego reside, exactamente na medida governamental de proibir a exportação de algumas espécies florestais em toros. É o contrário da justificação do governo que acha que a medida é que veio diminuir as exportações.
Por causa da medida que se quer culpar, o porto de Pemba passou a exportar muita madeira contentorizada, portanto serrada, ao invés de toros. Subiu a carga em termos de tonelagem, porque em toros, em termos de volume era muita carga, mas em termos de tonelagem, muito limitada.
Os exemplos práticos são muito eloquentes: em 2005 a madeira serrada e em toros foi de 595TUS. Já em 2006, depois que se começou a aplicar a medida governamental, subiu para 1.706 TUS. E a madeira, insiste-se, é a mais predominante das cargas que saem pelo porto de Pemba, seguida do algodão.
Então, isso a ser verdade, há que procurar outras razões da queda de exportações em Cabo delgado. O governo provincial deve reunir-se de novo para analisar as razões mais próximas da realidade, sendo que é só donde vem as receitas para a província viver.
Outra maneira de ver: como se explica que numa província onde as exportações baixaram em 66 porcento, se diga que na globalidade registou um crescimento global de 11 porcento? Que sectores conseguiram fechar a lacuna de 66 porcento, mesmo tendo em conta que a agricultura contribuiu em 57 porcento e os transportes em 19?
Ora, enquanto viajamos nessa dúvida algo parece que pode sustentar os receios de que, se em Novembro do ano passado estávamos a baixar, desta estamos a cair. O que não é bom!
Pedro Nacuo - Maputo, Sábado, 12 de Maio de 2007:: Notícias

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