sábado, 28 de julho de 2007

Cabo Delgado - Trocaram administradores e não avisaram...

Movimentações de administradores.
Registaram-se as esperadas mudanças dos administradores dos distritos de Quissanga, Muidumbe e Mecúfi. Esperadas, porque delas se falava há muito tempo. Não houve notícia, cerimónia presenciada por quem tem a responsabilidade de dizer aos outros o que aconteceu. A seguir, três a quatro dias depois chegou a confirmação.
Não é obrigatório que seja presenciada pela comunicação social a mudança de administradores mas, desta vez a coisa não foi muito normal e acaba encaixando a ideia de que se tratou de mudanças decididas a partir de fora de Cabo Delgado.
Alafo Abdala, professor que dirigiu a Educação durante muito tempo em Mocímboa da Praia, a partir de onde se lhe descobriram as qualidades administráveis, começou por dirigir o distrito do Ibo, naturalmente pacífico. Ninguém pode dizer se fez um bom ou mau trabalho naquela região insular de Cabo Delgado.
A aparente animosidade das gentes do litoral em relação ao partido de Alafo Abdala, fez com que, já na segunda legislatura lhe confiasse mais um distrito “mwani”, nomeadamente Quissanga, fronteiriço do Ibo. Fez o que fez, antes dos sete mil meticais terem vindo atrapalhar o senhor professor, a ponto de não saber justificar o que terá feito na verdade.
O problema do conceito de Conselho Consultivo, por quem o idealizou, não estando claro, acabou sendo o administrador a comer pela medida grande, pois não se compreende que sendo teoricamente colegial a decisão da utilização daquele bolo orçamental na hora de exigir contas não se faça ao grupo, mas sim a uma única pessoa. Fica por reter a ideia de quem acha que os Conselhos Consultivos não são nada diferentes de um grupo de pessoas, que não sabem o que por lá andam a fazer.
Alafo Abdala terá cumprido a sua missão, mas acabou por ser muito impopular no distrito de Quissanga. Já havia atingido o seu mínimo e agora terá que voltar às turmas ou à sua direcção. A política acabou encurtando o respeito consensual que se lhe conhecia o professor Alafo Abdala.
Manuel de Lima Mário desta vez... há muito que se falava deste quadro como candidato a administrador. De cada vez que se anunciavam novos administradores o seu nome esteve associado àquela possibilidade. O seu currículo inclui o facto de ter dirigido o Grupo da Dívida, AMODEG e muitas outras iniciativas. Vai ter que levar Quissanga também a criar, desenvolver.
O outro professor foi mais infeliz ainda. Remígio Muandumbwe. Aqui tudo o que aconteceu se adivinhava se bem que a dúvida não residiu no facto de ele ter sido substituído, mas sim persiste aquela da razão que levou aos órgãos decisores a apostarem num homem que estava como estava na direcção dos recursos humanos da Educação. Acabou sendo desviado para dirigir Muidumbe.
Pensou-se que por ser nativo, Muandumbwe haveria de dirigir Muidumbe, um distrito que vive das suas próprias “leis”, onde o homicídio ou matar alguém por qualquer contenda, não é problema! Num distrito onde um seu conterrâneo que era administrador, Lázaro Chikumene, morreu linchado pela população, seus conterrâneos!
Muandumbwe foi-se enterrar em Muidumbe, onde chegou a vias de facto para disciplinar um colega, electricista da administração do distrito, por haver interrompido o fornecimento em energia eléctrica em plena festa. Terá que voltar, provavelmente, à direcção dos homens do ministério que lhe fez homem.
Havia abraçado o cargo político que o rotulou como administrador mais efémero da história de Cabo Delgado. Não fez dois anos!Foi substituído por um outro professor, Rodrigo Puruque, conhecido pela sua competência que fez dele um director distrital da Educação nostálgico em Meluco e trabalhou em Namuno duas vezes (transferido para Meluco e de novo transferido para Namuno), antes de ser secretário permanente em Montepuez.
Agora estamos à espera que aquela maneira de ser, sempre de muito respeito para com os outros, flexível no tratamento das pessoas e dos seus problemas, aquela sua religiosidade, possam servir para dirigir o distrito em que nem a Polícia se respeita.
Adriano César, é o administrador que tendo dirigido Quissanga se pensava que poderia ser útil a Mecúfi. E não foi? Mas desde que pisou o solo mecufense pareceu que algo estranho lhe perseguia. É o administrador que durante muito tempo era o único a andar numa motorizada, uma “DT-125”. Agora que chegou uma viatura “novinha em folha” é que está a sair!Não se percebeu lá muito bem o que terá (ou não) feito o César para o recuo que deu. Cheio de cursos de Administração Pública, quadro de mão cheia, mas o cargo político traiu-lhe. Oliveira Lade Ibrahimo é a personalidade que vai substituir César. Vem do sector do Comércio.
Pedro Nacuo - Maputo, Sábado, 28 de Julho de 2007:: Notícias

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