sábado, 28 de julho de 2007

IMBONDEIRO - Árvore de Moçambique e de África ao som de uma marrabenta...

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IMBONDEIRO ou EMBONDEIRO em Moçambique ou BAOBÁ no Brasil.

O baobá, uma árvore de grande porte proveniente das estepes africanas e regiões semi-áridas de Madagascar, possui o nome científico de Adansonia digitata L.. A árvore existe, ainda, no continente australiano, e essa espécie é chamada Adansonia fony.
O baobá possui um tronco muito espesso na base, chegando a atingir até nove metros de diâmetro. O seu tronco vai se estreitando em forma de cone e apresenta grandes protuberâncias. As folhas brotam entre os meses de julho e janeiro, mas, se a árvore conseguir ficar umedecida, elas podem se manter durante todo o ano. Em geral, o baobá floresce durante uma única noite, apenas, no período de maio a agosto. Durante as poucas horas da abertura das flores, os consumidores de néctares noturnos - particularmente os morcegos -, procuram assegurar a polinização da planta.
Esse colosso vegetal pode atingir trinta metros de altura, e possui a capacidade de armazenar, em seu caule gigante, até 120.000 litros de água. Por tal razão, é denominada, também, de "árvore garrafa". No Senegal, o baobá é considerado como sagrado, inspirando poesias, ritos e lendas.
Segundo uma antiga lenda africana, por exemplo, uma vez que um morto seja sepultado dentro de um baobá, a sua alma irá viver enquanto a planta existir. E, curiosamente, essa árvore tem uma vida muito longa: entre um e seis mil anos. Em se tratando das espécies vegetais, só a seqüoia e o cedro japonês podem competir com a longevidade do baobá. Cabe salientar que essa planta foi amplamente divulgada no século XX, através da obra O Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Exupery.
Em 1445, os navegantes portugueses conduzidos por Gomes Piers chegaram à ilha de Gorée, onde descobriram o brasão de Dom Henrique gravado em árvores. Na metade do século XV, o cronista Gomes de Eanes Zurara assim descreveu a árvore em Chronica dos Feitos de Guiné (Lisboa, 1453): " Árvores muito grandes e de aparência estranha; entre elas, algumas tinham desenvolvido um cinturão de 108 palmos a seu pé (ao redor 25 metros). O tronco de um baobá não mais alto do que o tronco de uma árvore de noz; rende uma fibra forte usada para cordas e pano; queima da mesma maneira como linho. Tem um grande fruta lenhosa como abóbora cujas sementes são do tamanho de avelãs; pessoas locais comem a fruta quando verde, secam as sementes e armazenam uma grande quantidade delas ".
Antes de 1500, o baobá não existia na flora brasileira. A hipótese mais plausível para a sua presença em Pernambuco é a de que tenha sido trazida pelo conde Maurício de Nassau, no século XVII, durante a invasão holandesa, com o objetivo de fazer parte do seu Jardim Botânico particular, que foi construído próximo à atual
Praça da República.
Uma segunda versão, porém, credita a presença do baobá às aves migratórias: suas sementes teriam sido trazidas por elas. E alguns estudiosos, ainda, como Câmara Cascudo, consideram uma terceira possibilidade: a de que as sementes foram carregadas da África, e plantadas no Brasil, pelos escravos africanos.
Por sua vez, de São-Louis, no Senegal, o pesquisador francês Michel Adanson trouxe desenhos e descrições datados de 1749, de uma viagem que fez àquele país. E escreveu em seus registros: Chamou-me à atenção uma árvore cujo tamanho era incrível. Era uma árvore que tinha frutos com formatos de abóboras, de nome "pão de macaco" no qual os Wolots diziam 'goui' no idioma deles. Provavelmente a árvore mais útil em toda a África... a árvore universal para os nativos».
A partir de então, Bernard de Jussieu (do Museu de Paris) e Charles de Linné tributaram para Michel Adanson o nome latino dado ao baobá (Adansona digitata). E a Enciclopédia de Diderot e d'Alembert adotou essa denominação, na França, desde 1791.
A árvore mítica e solitária da savana africana faz parte da família das bombacácea (palavra derivada de Bomba, uma linguagem falada na Guiné Equatorial, que já foi oficializada). Esse nome muda, porém, de acordo com a língua de cada país. Em Angola, por exemplo, chama-se imbondeiro; e, na Guiné-Bissau, chama-se pólon.
Datado de 1853, existe um outro registro da presença do baobá no continente africano. O Padre David Boilat escreveu sobre a já legendária árvore, observando-a na região de Mbour:
"... as árvores são surpreendentemente grandes e muito numerosas: Eu medi algumas e o cinturão era de 60 a 90 pés (20 a 30 metros). Não só é esta árvore útil para os nativos, também é essencial, eles não sobreviveriam sem ela. Com suas folhas secadas, eles fazem um pouco de pó que eles chamam de lalo o qual eles misturam o "kouskous". Eles usam as raízes como um purgante; eles bebem chá quente que curam doenças torácicas. A fruta chamada " o pão " de macaco é usada para coalhar leite e também é servida com a comida que eles chamam de " lack " ou " sangle " (...). Esta árvore às vezes é escavada para formar casas...
O Padre David Boilat declarava, ainda, ter visitado um baobá, na África, cujo tronco era extraordinário: 26 metros. No tronco dessa árvore, segundo ele, havia dois quartos que eram usados como casa e loja.
Tudo no baobá serve para a sobrevivência do ser humano. Vale ressaltar que essa árvore, inclusive, se constitui em uma fonte preciosa de medicamentos. Suas folhas são usadas como um poderoso anti-diarréico e para combater febres e inflamações. Um pó feito de folhas secas vem sendo utilizado para combater a anemia, o raquitismo, a desinteria, o reumatismo, a asma, e é usado, ainda, como um tônico.
As folhas podem servir, também, como uma fonte de alimentação, sendo trituradas e misturadas em sopas (com aveia ou mingau de aveia), ou secas (lao ou alo) e misturadas com cereais, já que são ricas em cálcio, ferro, proteínas e lipídios.
Por outro lado, a polpa e a fibra de seus frutos são capazes de combater a diarréia, a desinteria, o sarampo e a catapora. O cerne da fruta combate a febre e inflamações no tubo digestivo; e suas sementes estão repletas de óleo vegetal, podendo ser assadas e consumidas.
A polpa da fruta, chamada "pão de macaco", pode ser consumida crua ou triturada em sopas de aveia, servindo como um alimento precioso para as crianças. Pode ser misturada com a água, também, tornando-se uma bebida semelhante ao leite de coco. As raízes das mudas jovens do baobá, quando são devidamente cozinhadas, podem servir como alimento da mesma maneira que os aspargos.
No que diz respeito à construção e carpintaria, o baobá só é utilizado quando não há um outro material mais adequado. Entretanto, a sua madeira serve para a construção de instrumentos musicais e, o seu cerne, rende uma fibra forte usada na fabricação de cordas e linhas. E as conchas dos seus frutos são utilizadas pelas pessoas como tigelas.
Na capital de Pernambuco, os raros baobás que resistiram ao desmatamento e à depredação ambientais, foram tombados pela Prefeitura da Cidade e pelo IBAMA, em 1986. Na cidade do Recife, essas árvores podem ser apreciadas na Praça da República (em frente ao Palácio do Governo); na Praça da SUDENE (no bairro de Santo Amaro); na rua Coronel Urbano Ribeiro Sena (no bairro do Fundão); na rua Madre Loiola (em Ponte d’Uchôa) e no
Poço da Panela, nos terrenos limítrofes de duas casas que se situam, respectivamente, nas ruas Professor Edgar Altino e Bandeira de Melo.
Fora da Região Metropolitana do Recife, alguns poucos baobás escaparam da destruição. Eles podem ser observados na praia de Porto de Galinhas e na Vila de Nossa Senhora do Ó (ambos no município de Ipojuca); no Engenho Poço Comprido (em Vicência); na área do complexo portuário de Suape (no município do Cabo); na Usina Ariepibu (em Ribeirão); no Sítio Capivarinha (em Sanharó); na Fazenda Pitombeiras (em Serra Talhada) e no município de Tacaratu.
Por Semira Adler Vainsencher - Pesquisadora do Instituto de Pesquisas Sociais da Fundação Joaquim Nabuco

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