segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Os países em desenvolvimento e a criminalidade urbana.

Medo da criminalidade urbana cria mais divisão social, diz ONU.
LONDRES (Reuters) - A criminalidade está aumentando nas metrópoles dos países em desenvolvimento, mas a sensação de insegurança das pessoas supera a realidade, e o problema provoca ainda mais divisões sociais, disse na segunda-feira uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU).
Embora 60 por cento dos moradores de cidades de países em desenvolvimento tenham sido vítimas de crimes nos últimos cinco anos, o medo geral de sofrer um ataque criminal (ou terrorista) é desproporcional em relação ao atual nível da violência, de acordo com o relatório anual da agência Habitat-ONU.
Isso leva autoridades e população a darem muito mais ênfase à segurança pessoal do que o necessário, provocando -- literalmente -- a construção de muros entre os que têm posses e os que não têm.
"As percepções são piores que a realidade", disse a diretora-executiva da Habitat-ONU, Anna Tibaijuka. "Vai ser difícil, senão impossível, gerar desenvolvimento sustentável se as pessoas estão assustadas. Não podemos ter uma civilização que vive com medo. Temos de encontrar formas de construir sociedades mais confiantes", afirmou.
O relatório, programado para coincidir com o Dia Mundial do Habitat, diz que a pobreza, a precariedade da posse fundiária, a exclusão social, o mau planejamento e a corrupção estão na raiz do problema no mundo todo.
Os governos, diz o texto, precisam dar atenção urgente a todas essas áreas, sob risco de enfrentarem uma explosão social.
E as coisas estão piorando, já que neste ano a população urbana mundial deve superar a rural -- até 2050, dois terços da população mundial devem ser urbanos.
Desastres naturais e provocados pelo homem estão agravando os problemas, de modo que as mudanças de clima devem ampliar a pressão sobre as autoridades, alerta o relatório.
"A África será a mais afetada pelas mudanças climáticas...e precisa urgentemente construir uma resistência a desastres naturais", afirmou Tibaijuka.
Já há mais de 1 bilhão de favelados no mundo (um terço da população urbana), principalmente em países pobres. Muitas das grandes cidades do planeta ficam à beira-mar, e por isso são particularmente ameaçadas pelo aumento do nível dos mares, em consequência do aquecimento.
A criminalidade parece especialmente preocupante nas grandes cidades da América Latina (onde 80 por cento da população é urbana) e da África (40 por cento de população urbana), segundo o relatório.
"A violência urbana destrói o capital social dos pobres. A insegurança afeta os pobres mais intensamente, rompe os laços socioculturais e impede a mobilidade social, contribuindo, portanto, com o desenvolvimento de guetos urbanos", destacou Tibaijuka.
Jeremy Lovell - Reuters, Segunda-feira 1 de Outubro, 2007 11:49 GMT

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