quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Ronda pela net...A saga de mulheres africanas que cruzam o oceano para comprar roupas no Brasil.

(Imagem daqui)
Encontrei no "Repórter Brasil" de 05/04/07...
Pelo tema e atualidade, neste mundo sem fronteiras ou oceanos que nos dividam, transcrevo:
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Parte I - Bairro da região central de São Paulo é o destino de angolanas que vêm ao Brasil para comprar peças que estão na moda por aqui, e que serão revendidas em seu país de origem. Negócios são desenvolvidos com bastante discrição.
No número 37 de uma rua antiga de São Paulo fica um hotel em que é possível comer pratos típicos angolanos, como galinha com muamba, calulu e costela de boi com fungi, entre outros.
Algumas quadras adiante fica uma loja que vende sapatos no atacado.
No seu interior, há uma grande bandeira de Angola pendurada.
Ainda próximo dali está sediado outro hotel onde trabalha um recepcionista de meia idade, cabelos brancos e uma generosa barriga.
De tanto conviver com seus hóspedes, adquiriu um curioso trejeito africano no seu modo de falar, entoando palavras com sons mais abertos e incorporando expressões do português lá do outro lado do Atlântico, como "fixe", que quer dizer "legal".
Finalmente, bem ao lado desse hotel fica uma exportadora chamada Kwanza Sul - kwanza é o nome do maior rio de Angola e da moeda do país.
Esses quatro endereços estão localizados no bairro paulistano do Brás, um dos maiores pólos de venda de roupas no atacado da cidade de São Paulo.
Estão lá para atender a uma fiel clientela: as centenas de sacoleiras angolanas que quase diariamente atravessam o Atlântico e desembarcam em São Paulo à procura de produtos para serem revendidos em seu país de origem.
Elas compram quantidades enormes, despachadas por transportadoras.
O lucro obtido com a transação paga a passagem de avião, que custa mais de mil dólares, e ainda garante o sustento dessas mulheres.
O Brás é um lugar de migrantes, mistura de bolivianos, paraguaios, nordestinos, paulistanos, guinenses, libaneses e, também, de angolanos.
Por onde quer que se ande, nas lojas, nas ruas, entre os camelôs, nos mercados, na feira da madrugada - um mercado aberto que começa às 3h30 da manhã -, nos hotéis ou nos restaurantes, a presença desses últimos é quase sempre notável, seja pelo colorido das roupas e o primor dos penteados das mulheres, nas vozes com sotaque que estão quase sempre a falar alto e, principalmente, comemorada pelos dólares que trazem do seu país natal.
Alguns, geralmente estudantes, vivem em São Paulo.
Mas a maioria está apenas de passagem.
Apesar de numerosos, é grande a dificuldade para conseguir qualquer informação sobre o assunto.
Basta se apresentar como jornalista para rapidamente portas se fecharem, sorrisos se apagarem, rostos se virarem e irem embora, para a conversa terminar subitamente.
Esse tema é um tabu.
Em alguns momentos, a hostilidade é óbvia, porém silenciosa.
Em outros, mais direta. "Já está na hora da senhorita ir embora daqui", insistiu uma turma de amigos angolanos que mora no Brasil e costuma se encontrar no Brás.
Alguns dias depois, foi a vez de a dona de um hotel afirmar nervosa, por telefone: "não tenho nada a declarar sobre isso".
No dia anterior, a repórter esteve no seu estabelecimento na companhia de um angolano, sem se identificar como jornalista, e a situação foi bastante diferente.
Ela conversou com a dona, comeu comida típica e ouviu os cozinheiros dizerem que aprenderam a fazer os pratos africanos e acabaram gostando.
"As angolanas são maioria no nosso hotel. Temos de fazer de tudo para satisfazer os clientes, né?", afirmou, na ocasião, uma das cozinheiras.
A razão para essa espécie de pacto de silêncio é uma só.
Os lucros trazidos com as compras das sacoleiras são fartos.
Acontece que, sob o ponto de vista jurídico, muita coisa é feita de maneira informal: parte do dinheiro é trazido ao Brasil sem ser declarado, compras são feitas sem nota fiscal e, apesar de a maioria dos produtos serem remetidos por meio de exportadoras, muitas mulheres levam o que compraram nas suas próprias malas.
Para os comerciantes, é um dinheiro que ninguém quer perder.
Para as angolanas, é um meio de ganhar a vida.
Por isso, fornecer quaisquer informações que possam comprometer essa atividade econômica tão importante para ambos os lados é desnecessário e arriscado.
Por cerca de um mês, a Repórter Brasil percorreu as ruas do Brás na tentativa de conhecer um pouco da história dessas sacoleiras.
Depois de muitas portas fechadas, algumas se abriram.
Foi possível, então, perceber que há muito mais aspectos envolvidos nesse processo do que uma simples relação comercial.
Mais importante do que saber quantos dólares elas têm no bolso ou investigar se o dinheiro foi ou não declarado é compreender as mudanças que esse vultoso comércio está trazendo às duas partes envolvidas.
Pois o ser humano, sempre que se coloca em contato com outro diferente, sofre e provoca transformações.
Nesse caso específico, elas aparentemente podem parecer superficiais, mas são profundas.
Por Juliana Borges
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Clique abaixo para ler outras partes da reportagem:
Parte II - Das novelas brasileiras aos mercados populares da África

Um comentário:

Anônimo disse...

REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !

Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
quilombonnq@bol.com.br