quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Diversificando - Em Portugal, no governo Sócrates, espanhóis cuidam da saúde de portugueses...

Dois mil portugueses vão ser submetidos a cirurgias em duas clínicas de Espanha, no âmbito do programa de eliminação das listas de espera.
As duas clínicas, uma de Vigo e outra de Pontevedra, foram seleccionadas na sequência de um concurso público aberto pelo Ministério da Saúde.
Assim, a Clínica Fátima, em Vigo, e o Sanatório Domínguez, em Pontevedra, vão contribuir para reduzir as cirurgias em lista espera de determinadas especialidades durante quatro anos.
Recorde-se que, em 1999, aquelas duas clínicas ganharam um concurso público internacional lançado pela ministra da época, Maria de Belém, para a realização de operações, a maioria das quais às varizes e próteses das ancas.
O jornal galego «La Voz de la Galícia» admite a hipótese de mais de dois mil portugueses (dos pelo menos 126.800 que aguardam uma operação nos hospitais portugueses) se deslocarem à Galiza para serem operados.
Na Clínica Fátima serão assistidos pacientes nas especialidades de traumatologia, oftalmologia, urologia, cirurgia geral, vascular, plástica e reparadora.
A direcção da instituição acredita que cheguem a Vigo cerca de mil pacientes portugueses.
Já o Sanatório Domínguez acolherá utentes portugueses com necessidade de cirurgia de traumatologia e otorrinolaringologia e espera receber cerca de 500 pessoas.
Contudo, o negócio português com a Galiza, permitido pela lei comunitária, está ainda em curso.
Aguardam-se os resultados de outros concursos, que podem representar a visita de mais de 500 utentes do Serviço Nacional de Saúde a Espanha.
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Listas de espera devem-se ao fecho de unidades de saúde e de serviços nos hospitais.
O elevado número de doentes em lista de espera para primeira consulta nos hospitais públicos deve-se ao fecho de unidades de saúde e perdas de valências nos hospitais, considera o Movimento de Utentes na Saúde.
As listas de espera para primeira consulta nos hospitais públicos atingem 380 mil doentes, segundo dados de um inquérito aos hospitais realizado no ano passado pela Inspecção-Geral do Ministério da Saúde e divulgado TVI.
Comentando a notícia, Manuel Villas-Boas, do Movimento dos Utentes da Saúde (MUS), lembrou que "a questão das listas de espera não é de agora". "Temos alertado por diversas vezes o Ministério da Saúde, mas este teima em dizer que estão no bom caminho, apesar de não terem resolvido o problema até agora", sublinhou o mesmo responsável.
Para Manuel Villas-Boas, o problema está também relacionado com "o fecho de muitas unidades de saúde e a perda de valências nos hospitais públicos".
Manuel Villas-Boas considerou que é necessária uma mudança profunda em todo o sistema de funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, o que, em sua opinião, não está a acontecer.
"Há um mal-estar geral na área da Saúde. E depois há situações caricatas. Fecham unidades na área pública porque não existem condições de funcionamento e logo a seguir vêm os privados tomar conta", criticou.
O responsável do MUS afirmou que "há o intuito de acabar com o Serviço Nacional de Saúde, em vez de o promover".
Um total de 382.866 doentes espera uma primeira consulta com um médico especialista hospitalar, em regra marcada depois de um diagnóstico de doença ou suspeita de doença nos Centros de Saúde, segundo o inquérito da Inspecção-Geral do Ministério da Saúde.
Somando consultas e cirurgias, há quase seiscentos mil doentes em lista de espera nos hospitais públicos, mais de cinco por cento da população.
O Ministério da Saúde está a implementar um programa de combate às listas de espera para consultas externas, semelhante ao que existe para as cirurgias, que passa pela informatização de todos os hospitais e Centros de Saúde e pela gestão centralizada de informação.
Fonte do gabinete de Correia de Campos disse hoje à Lusa que estes números podem não ser fiáveis pela possibilidade de se contabilizar, por exemplo, um mesmo pedido de consulta em dois hospitais diferentes.
Um levantamento mais exaustivo das inscrições para primeira consulta está a ser feito, segundo a mesma fonte, no âmbito do programa "Consulta a Tempo e Horas".
Fonte RTP- © 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal.

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