sexta-feira, 28 de março de 2008

Ronda pela net: África - Acontece no Zimbabwe do ditador Mugabe...

(Imagem original daqui)
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Dois grandes jornais americanos publicaram na semana passada reportagens datadas do interior do Zimbabwe, algo de pouco vulgar devido ás restrições que pelo menos até agora o governo zimbabwiano tinha imposto á entrada de jornalistas estrangeiros.
Craig Timberg do Washington Post escreveu uma reportagem datada de Norton em que faz notar que devido ás distorções da economia o governo está agora a dar prioridade à fabricação de comida para cães que é exportada em vez de usar os cereais ali consumidos para alimentar a população. Timberg faz notar que a quantidade de cereais que é usada na produção desses alimentos esta muito longe de poder aliviar as faltas crónicas de alimentos, mas as noticias sobre a fabricação do produto tornou se num símbolo das prioridades do governo.
Barry Bearak do NY Times escolheu analisar em detalhe as próximas eleições no pais, particularmente a entrada na corrida presidencial de Simba Makoni. Isso faz com que haja agora três candidatos, nomeadamente Makoni, o líder da oposição Morgan Tsvangirari e Robert Mugabe o que segundo alguns analistas citados no artigo leva a possibilidade de uma segunda volta nas presidenciais.
Bearak descreve a corrida de Makoni como intrigante recordando que este foi membro do governo de Mugabe entre 200 e 2002 e foi membro do bureau político do partido até ser expulso o mês passado.
(Imagem original daqui)
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Escreveu o correspondente do NY Times:
”Embora poucos destacados membros do partido tenham apoiado publicamente Makoni alguns analistas acreditam que este tem o apoio tácito de vários membros da hierarquia militar e dos serviços secretos, as pessoas com quem Mugabe tem contado para efectuar fraudes nas eleições. Alguns especulam sobre se os votos falsos serão desta vez divididos”.
Palavras de um artigo de Barry Bearak do NY Times sobre as eleições no Zimbabwe. O correspondente deste diário americano abordou nesse mesmo artigo a situação económica no país fazendo notar que de acordo com o programa alimentar mundial quase meio milhão de pessoas estão sub nutridas, os principais hospitais deixaram de fazer cirurgias por falta de anestesia e a inflação destroi os frutos do trabalho.
Escreveu o correspondente que quando a 18 de Janeiro o banco central do Zimbabwe pôs em circulação uma notar de 10 milhões de dólares isso era suficiente para comprar uma galinha, mas agora já só compra alguns ovos tendo o valor de 40 cêntimos americanos. Acrescentou Bearak:
"A inflação no Zimbabwe é oficialmente um numero acompanhado de muitos zeros algo que poucos indícios fornece dos males que isso causa. O economista John Robertson afirma que a nova nota perde o valor de 70 dólares zimbabwianos por minuto. Dinheiro ganho tem que se rapidamente convertido em dinheiro gasto; só bens que se podem comercializar e dinheiro estrangeiro mantém o seu valor”.

(Imagem original recolhida na net - Garoto com dinheiro suficiente para comprar um pão.)

Palavras de uma reportagem de Barry Bearak do NY sobre a situação no Zimbabwe. A reportagem era datada de Harare e titulada Em crise o Zimbabwe pergunta: pode Mugabe perder?
A analista Francis Kornegay do centro de estudos políticos em JHB na África do sul escreveu uma analise sobre a situação no Quénia em que afirma que a violência que ali eclodiu é símbolo de um mal político africano que segundo afirma afecta o desenvolvimento do continente.
Para Koernegay o continente tem a tendência de seguir a via de ditaduras autoritárias ou monarquias absolutas. Essas hegemonias, acrescentou são reforçadas por cliques de natureza étnica, de clãs ou de natureza regional em que a política é um processo de ou tudo ou nada.
Para Francis Kornegay há uma solução:
"A integração regional na África oriental e no continente é a única esperança para a paz, segurança e estabilidade. Para a política dos Estados Unidos e do ocidente para África ter alguma relevância no fortalecimento da estabilidade, uma maior ênfase deve ser dado ao fortalecimento da integração regional como um corolário de governação efectiva “.
Palavras de um comentário de Francis Kronegay do Centro de Estudos Políticos da África do Sul. O comentário foi publicado no Christian Science Monitor com o titulo de ”Porque é que o Quénia é vital para o futuro de África”. In VOANews - Por João Santa Rita 10/03/2008

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