sábado, 5 de julho de 2008

Ronda pela imprensa lusa: O que escreve Albano Loureiro - ESTÁ A MUDAR!

Não tenho jeito para futurologia embora o lamente por aquilo que ouço sobre o que ganham os que lêem na bola de cristal, ou nas cartas. Estava pois longe de adivinhar que das duas entrevistas muito na berra, aquela que mais haveria de gostar era da… terceira.
Mesmo sem poderes adivinhos, já sabia que Ferreira Leite não teria descanso.
A entrevistadora sabia ao que ia e levava boa encomenda. Ela não estava era à espera de tanta franqueza. Lá se foi o discurso do politicamente correcto. Do agradar a gregos e troianos. Do embuste para cair nas graças do votante. Falou-se olhos nos olhos. É intelectualmente desonesto, para ser benigno, quem desmentir que houve pressão forte e que quiseram carregar pesado em cima da entrevistada. Apesar de tudo, as respostas foram sempre claras e sem fugir. Elogiou-se o governo quando era para elogiar. Criticou-se quando era para criticar. Foi tudo afirmado com verdade e sem falsos pudores. E porque os entrevistadores estão habituados a que os políticos comecem a tergiversar quando são apertados com questões delicadas, não podia faltar a pergunta sobre a homossexualidade e a pretensa homofobia. Outra resposta sem equívocos. Respeita a opção sexual mas não admite tratar coisas diferentes de forma igual. Claro, os do costume já por aí andam a clamar contra a descriminação, preconceito e tudo o mais que inventam. Mas quantos políticos que conhecemos na nossa praça seriam capazes de dizer o mesmo que Ferreira Leite? Esses, que em privado são campeões da escola de piadas e anedotas sobre homossexuais, teriam respondido com o politicamente correcto e que fica sempre bem na fotografia. Ferreira Leite pode até não ganhar eleições com o seu discurso. Mas pelo menos começamos a ver qualquer coisa de diferente na política portuguesa.
Depois foi a entrevista de Sócrates. È importante serviço público dar-lhe tempo de antena porque ele tem pouco. Já aqui falei sobre estas entrevistas montadas e com teleponto. Sobre entrevistadores encomendados e de uma macieza que não deixam margem para dúvidas de quem lhes paga. A subserviência é doentia e não demora muito, ainda pedem desculpa por fazer alguma pergunta mais complicada. Quando a tv do Estado entender que é do interesse de todos nós, o público, ouvirmos a Dra. Manuela, sabe-se lá quando será, pode ela estar descansada que não vai encontrar a mesma atitude seráfica dos entrevistadores nem a disposição de todo o marketing televisivo para aparecer bem no boneco. Vai ser tudo bem diferente deste tipo de conversas em família do Eng. Sócrates. Lá avançou com mais algumas medidas de propaganda que depois no concreto, logo veremos não ter nenhum efeito. E porque já estou vacinado contra isso, nada me espantou, nem o facto de tanta gente me ter dito que estava pouco interessada em ouvir o chefe do governo.
Estava nestas cogitações e no zapping do costume e aparece-me o Prof. Medina Carreira. O que é que ele está a dizer? O primeiro-ministro manifesta incompetência porque devia dedicar-se à sua função em vez de andar a distribuir computadores. O ministro devia deixar-se de palhaçadas como aquela de andar a fiscalizar preços no supermercado como se fossem essas as suas competências. A comunicação social é irresponsável porque anda atrás deles a dar cobertura a essa propaganda de trazer por casa. Os entrevistadores do primeiro-ministro foram incompetentes e incapazes de lhe colocarem as questões essenciais para o país. Sou contra o TGV. Sou pela Portela. Quando todo esse investimento tiver de ser pago já esses senhores se terão posto a andar mas nós cá estaremos para pagar sem sabermos como. Sem papas na língua. Em completa liberdade. E, ainda por cima, muito bem justificado por números e argumentação. A resposta do jornalista foi bem exemplificativa da mediocridade reinante. “Temos de o fazer porque se não formos nós, outros serão”. A falar assim, Medina Carreira não pode pensar em ir à televisão do Estado tão cedo. Não é do interesse público. Nem do poder reinante, digo eu. Ficou-se pela pequenina SIC-Notícias, pouco vista. Mesmo assim cresce a minha esperança de que está a mudar o redondo do discurso político. Está mais livre da grilheta eleitoralista.
Por falar em liberdade, não posso deixar de me congratular com a libertação de Ingrid Bettancourt. Com maior satisfação por ficar demonstrado que um tal de Chavez não é imprescindível quando há vontade de liberdade.
Albano Loureiro-Advogado
- O "Primeiro de Janeiro" de 04/07/2008
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O Autor é advogado, nascido em Porto Amélia/Pemba, filho dos antigos residentes Sr. Loureiro (A. Teixeira) e da Professora D. Ana Alcina, sobrinha do Administrador do posto de Metuge (na época colonial), próximo a Bandar e à Companhia Agricola de Muaguide, Fernandes Pinto. Escreve periódicamente para jornal diário "O Primeiro de Janeiro" - Porto, na coluna Opinião.
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Textos anteriores de Albano Loureiro reproduzidos neste blogue:
  • 06/06/2008 - Mais Português - Aqui!
  • 28/04/2008 - Triste comemoração - Aqui !
  • 15/12/2007 - Triste recorde - Aqui !
  • 05/04/2005 - Uma das muitas histórias do Dr. Alves da Farmácia - Aqui !
  • 14/08/2007 - Opinião - Monotonia - Aqui !
  • 28/08/2007 - Opinião - Universidade de Verão - Aqui !
  • 08/09/2007 - Opinião - Que Luiz ? - Aqui !

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