terça-feira, 26 de agosto de 2008

China acusada de manipular cobertura de Olimpíada.

Boicote os jogos Olímpicos de Pequim 2008
Falta de liberdade na China:
Tela negra
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A
organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras emitiu um comunicado nesta terça-feira acusando o governo da China de emitir uma diretiva "politizando" e manipulando a cobertura da Olimpíada.
A lista de diretrizes contém 21 pontos que a imprensa chinesa foi obrigada a seguir durante os Jogos, sob pena de ser notificada pelo Departamento de Propaganda do governo.
O jornal de
Hong Kong South China Morning Post
já havia mencionado a existência do documento em uma reportagem publicada há duas semanas, mas somente agora a ONG conseguiu ter acesso ao conteúdo das diretrizes, que foram postadas na Internet por um blogueiro chinês.
"Nós pedimos que o Comitê Olímpico Internacional, COI, investigue essa diretiva de censura, que é uma violação das garantias dadas em 2001 e um desrespeito ao livre fluxo de notícias na China", afirma o comunicado da RSF.
Segundo a organização, o documento revela que "o Partido Comunista, organizador dos Jogos, estava claramente com medo de que o evento fosse atrapalhado por notícias sobre esporte, política e internacional".
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Regras.
A lista de 21 pontos detalha tópicos que a imprensa chinesa teve de evitar mencionar durante a cobertura do evento - alguns assuntos são claramente delicados, mas outros não apresentam razão para polêmica à primeira vista.
"Não é surpresa que o departamento de censura do Partido Comunista tenha banido a cobertura sobre demonstrações de grupos pró-Tibete ou a existência de áreas para protesto em Pequim, mas as instruções relativas à segurança alimentar e aos resultados da equipe chinesa são espantosas", afirmou a organização.
O ponto 21 da diretriz proíbe os jornalistas de questionar o desempenho dos atletas e o processo de seleção para o time olímpico chinês. Na prática, vários talentos são recrutados muito jovens e vão para campos de treinamento quando ainda são crianças.
Segurança também é outra preocupação do governo. No item 17, o documento pede que a imprensa se detenha à versão oficial dos fatos publicada pela agência estatal Xinhua, ao reportar incidentes envolvendo estrangeiros.
Um exemplo disso foi o caso do turista americano esfaqueado no segundo dia da Olimpíada na Torre do Tambor em Pequim. Jornalistas chineses chegaram a apurar informações independentemente, mas tiveram seus blocos de notas apreendidos por agentes do governo.
No ponto 19 a diretriz repete claramente o pedido de que os jornalistas reportem de maneira "positiva" as questões de segurança.
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Limite.
Os limites impostos pelo departamento de Propaganda no ponto 13 sugerem que os jornalistas se abstenham de dar notícias sobre Mianmar, Darfur e Coréia do Norte, tópicos da política externa chinesa que são visto com reprovação pelo ocidente.
A diretriz também proíbe qualquer menção à existência de alimentos cancerígenos na capital (ponto 8), o desbloqueio de sites censurados na Internet, incluindo o da RSF (ponto 2), e críticas à cerimônia de abertura (ponto 10).
A cerimônia foi um tema amplamente discutido pela imprensa ocidental, que se mostrou surpresa após a revelação de que a artista mirim que cantou na abertura estava apenas fingindo, já que a canção era na verdade uma gravação com a voz de outra menina.
O assunto chegou a ser noticiado pela imprensa estatal - mas assim que usuários da internet começaram a expressar em fóruns da rede revolta com o ocorrido, o governo suspendeu a cobertura da polêmica.
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BBC Brasil/Terra
-26/08/08.
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