quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ntelela: o campo da vergonha e da morte...

Porque continuam a existir lobos travestidos de inofensivos cordeiros, porque diversos criminosos ainda não pagaram seus crimes para com a sociedade moçambicana e desfilam impunes entre a elite do poder e porque é preciso informar o povo jovem de Moçambique convenientemente pouco esclarecido, transcrevo do "Moçambique para Todos":

""Ntelela: era um pequeno posto avançado militar português transformado em lager pela Frelimo. Um dos mais terríveis campos de reeducação criados para arrasar a resistência dos opositores políticos... ...

... ...Uma sensação que se tornava sempre aguda para mim cada vez que, com o padre Fernando Rocha, missionário da Consolada, passava na área de floresta que encerrava o segredo de Ntelela. Era então espontâneo falar do padre Estevão Mirassi, de Joana Semeão, fundadora de um partido de oposição, de Ché Mussa, chefe islâmico de Lichinga, todos desaparecidos no nada após a deportação para Ntelela.

... ...Cada um de nós pensava nas notícias de tortura e eliminações sumárias filtradas naqueles anos e a quanto tinha revelado um semanário moçambicano pouco tempo antes. Com engano foram carregados sobre um camião um considerável grupo de prisioneiros dizendo-lhes que se ia para a liberdade e em vez disso foram queimados vivos numa vala comum escavada num dos tantos trajectos secretos que conduziam ao campo... ...

... ...Por muitos anos, o regime obrigou crianças e adultos a desprezar pessoas como Joana Simeão, Uria Simango, Cavandame, como se quase fossem criminosos e não vítimas de uma ideologia de estado que não hesitou eliminar, torturar e deportar inocentes nos campos de extermínio. Como esquecer as duas levas de gente, em meados dos anos 70, nas quais milhares de mulheres, incluindo mães de família e rapariguinhas, foram deportadas, acusadas injustamente de prostituição? Ou então a Operação Produção de 82 quando 70.000 pessoas do sul foram aviadas na Sibéria verde do norte onde mais de metade morreu de miséria? Muitos dos sobreviventes regressaram a casa, por obra especialmente da Caritas, mas muitíssimos vivem ainda no Niassa, desenraizados e mal tolerados... ...""

- Nota do Macua de Moçambique Fernando Gil:
Escreve a irmã Dalmazia Colombo: "No poder de facto ainda estão os mesmos homens, e o famigerado director do campo, que se vangloriava das suas atrocidades, ainda está no activo. "Escrevia-o em 1996. Mas em 2008 ainda continuam os mesmos... Que país é este?

4 comentários:

c valente disse...

Passei e deixo saudações migas

gotaelbr disse...

Agradeço e retribuo,C. Valente.

Um abraço,

Jaime

B.A. disse...

Consta que em Bilibiza também foi criado um campo desta natureza.

Um abraço, Jaime,

B.A.

gotaelbr disse...

E certamente em outros locais também B. A.
O que impressiona e dá voltas ao estômago é a impressionante facilidade com que determinados "revolucionários de meia-tigela" e "intelectualóides de fundo de quintal" que proliferam como nunca no Moçambique de hoje e até na blogosfera moçambicana, julgam e condenam sem parcimónia alguma, quem é "do contra" e não comunga de suas "desinterias progressistas fedorentas" e inocentam e endeusam esses carrascos comunistas causadores de dor, tristeza, sangue e morte!
Cedo ou tarde terão de ser julgados pela sociedade Moçambicana e mundial também, para que se faça Justiça e não deixem a História ficar com a mancha podre de sua presença!

Jaime