terça-feira, 30 de junho de 2009

Governador de Manica dá ultimato a desmandos de estrangeiros

Ronda pela net - Imensis de 30/06/09:

O Governador de Manica, Maurício Vieira, instou semana passada aos estrangeiros residentes no distrito de Manica a respeitarem as leis e as instituições moçambicanas e ameaçou com medidas duras contra aqueles que não abandonarem os desmandos e continuarem a viver em desarmonia com os princípios legalmente estatuídos na República de Moçambique.

`No que se refere à política externa, a Constituição da República de Moçambique consagra o princípio de solidariedade com os outros povos. Porém, que fique claro que nesta convivência, queremos harmonia entre os moçambicanos e os estrangeiros, queremos que respeitem as leis e os cidadãos moçambicanos e não abusem da pobreza destes para humilhá-los na sua própria terra´ – disse o governador, num encontro com os estrangeiros residentes na cidade de Manica.

`Falta apenas uma gota para o copo transbordar. Estamos saturados. Eu próprio, governador, vim aqui para vos dizer que estou preocupado com as vossas falcatruas. Demos tempo para pensarem, reunimo-nos convosco para vos consciencializar. Se não mudarem usaremos as leis para repor a ordem e a tranquilidade aqui na cidade´ – advertiu-lhes o governador, visivelmente agastado.

No distrito de Manica, limítrofe com o Zimbabwe, prolifera um sem-número de estrangeiros provenientes de quase todos os países africanos, que se deslocam àquela cidade à procura de recursos minerais como ouro e diamantes e para realizar uma infinidade de negócios, muito dos quais ilícitos.

Estatísticas oficiais indicam a presença em Manica de estrangeiros de origem nigeriana, somali, senegalesa, mauritana, maliana, congolesa, serraleonesa, gambiana, zambiana, sul-africana, zimbabweana e de outros provenientes de Guiné-Conacry e Guiné Equatorial.

De fora do continente estão em Manica libaneses, franceses e belgas, dos continentes asiático e europeu, respectivamente.

Dados oficiais apontam para 108 o número de estrangeiros legalmente estabelecidos em Manica, mas informações avançadas por fontes diversas indicam a presença naquela urbe de mais de cinco mil estrangeiros, na sua maioria libaneses, zimbabweanos e nigerianos, os quais, com o pretexto de realizar negócios, cometem uma série de ilegalidades, desde contrabando de minérios preciosos como ouro, diamantes e turmalinas de diversas espécies, drogas, negócio transfronteiriço ilícito, entre outras transacções consideradas `sujas´.

Durante a sua permanência no distrito, para além dos referidos negócios ilícitos, violam sexualmente crianças, incentivam a prostituição através de cenas de pornografia envolvendo raparigas de tenra idade, praticam uma série de contravenções e transgridem as regras de trânsito automóvel, circulando à alta velocidade na cidade, desrespeitando as leis, regulamentos comerciais e migratórios, cometem poluição sonora nas suas casas ou através das suas viaturas, entre outras irregularidades.

Para além disso, e no tocante aos estrangeiros de cor branca, há registo de situações de racismo nos jogos praticados no Pavilhão dos Desportos da cidade, restrigem a nacionais o acesso a alguns serviços de restaurantes e bares, impedem o consumo de álcool em locais não proibidos, não permitem a entrada em casas que arrendam, dos seus arrendatários, remodelam a estrutura arquitectónica para conformá-la aos seus gostos, superlotam casas, danificando-as, e criam uma série de problemas na sua convivência com os moçambicanos de cor negra.

Para monitorar os desmandos que estão a ser cometidos pelos estrangeiros em Manica, Maurício Vieira criou uma comissão multissectorial constituída pelas direcções provinciais da Indústria e Comércio, Recursos Minerais e Energia, Mulher e Acção Social, Polícia da República de Moçambique e Migração.
- fonte: Notícias.

Um comentário:

Odele Souza disse...

Cometer desmandos em qualquer lugar é um absurdo, mas em terras estrangeiras o absurdo é maior.

Deixo um abraço.