quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Governo de Moçambique pratica política ambiental que destrói a natureza

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"Vai acontecer-nos como a China, que só se preocupou com desenvolvimento e destruiu florestas, hoje as pessoas morrem com poluição diariamente e estão num ponto em que começaram a ver que o ambiente é importante. Agora estão a voltar para trás mas os danos já estão feitos - e agora vêm para o nosso país buscar recursos que eles não têm".

Moçambique - Ong acusa governo de adoptar "políticas ambientais erradas" - Maputo - A organização não-governamental (ONG) moçambicana Justiça Ambiental acusou terça-feira o Governo de Moçambique de adoptar "políticas ambientais erradas" ao concentrar as atenções no desenvolvimento, sem ter em atenção um balanço com as áreas social e económica.

Em declarações à agência Lusa, à margem do lançamento do filme a "Era da Estupidez", em Maputo, Anabela Lemos disse recear pelo caminho que as autoridades moçambicanas decidiram seguir, o de alcançar "desenvolvimento a todo o custo".

"Em Moçambique, estamos em risco com a questão da poluição, minas e iminente exploração de petróleo, que está a começar, mega-barragens ...

Pensar só em mega-projectos como solução de desenvolvimento não é a maneira certa de caminharmos", disse Anabela Lemos.

"Vai acontecer-nos como a China, que só se preocupou com desenvolvimento e destruiu florestas, hoje as pessoas morrem com poluição diariamente e estão num ponto em que começaram a ver que o ambiente é importante. Agora estão a voltar para trás mas os danos já estão feitos - e agora vêm para o nosso país buscar recursos que eles não têm", afirmou.

Em 2006, o Executivo de Maputo indicou a empresa brasileira Camargo Corrêa para estruturar a construção da barragem de Mpanda Nkuwa, obra que está no topo das prioridades do governo, e que pretende vender o excedente da energia produzida a outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A Justiça Ambiental tem tentado dissuadir os bancos chineses de prosseguirem com o financiamento da mega-barragem de Mphanda Nkuwa, advertindo para as consequências ambientais no Vale do Zambeze.

Recentemente, o governo de Maputo autorizou também a Oilmoz a construir uma refinaria em Maputo, avaliada em 8 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros), um projecto também contestado devido ao impacto que poderá causar a biodiversidade.

Aliás, devido à proximidade do projecto a uma reserva de elefantes, os investidores viram-se forçados a mudar a localização prevista para aquela infra-estrutura.

Um dos argumentos usados a favor da viabilidade deste projecto, que tem uma capacidade de produção prevista de 350 mil barris por dia, mais de 20 vezes o consumo diário moçambicano, é a possibilidade de exportação para os países vizinhos, sobretudo para a África do Sul, a maior economia da região.

Já no ano passado, a Ayr-Petro-Nacala, da norte-americana Ayr Logistics, anunciou a construção de uma refinaria na cidade portuária de Nacala, na Província de Nampula, Norte de Moçambique.

"Estamos a chegar a um ponto que ninguém leva em consideração os problemas que estarmos a ter e que teremos se continuarmos nesse caminho: desenvolvimento a todo o custo, que é o nosso receio", comentou Anabela Lemos.

"O caminho que estamos a seguir não é certo. O pensamento só no desenvolvimento sem ter em consideração um balanço entre a área social, ambiental e económica, não chega. Não há desenvolvimento sem um balanço entre as três áreas. Nós estamos só preocupados com o desenvolvimento, o que é errado", avisou a ambientalista.

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