quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Retalhos da imprensa moçambicana: Eleições e Tráfico de influências?


MédiaFax, Maputo, Quinta-feira, 15.10.09 *Nº4393 - Frelimistas fornecem material eleitoral à CNE - (Maputo) Empresas pertencentes a membros seniores do partido Frelimo ganharam concurso para fornecer material eleitoral à Comissão Nacional de Eleições (CNE) e ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE). Trata-se do grupo Académica que tem como accionista principal Mahomed Rafik, membro do Comité Central da Frelimo e sócio do candidato da Frelimo, Armando Guebuza, no jornal Diário de Moçambique. A outra empresa seleccionada é o grupo Sotux presidido por Álvaro Massingue, homem de confiança de Joaquim Chissano. (Redacção)

CanalMoz, Ano 1 * N.º 58 * Maputo, Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009 - Daviz Simango (MDM) recebe apoio de 26 partidos da oposição - “Daviz Simango é o candidato da esperança, o candidato batalhador, o candidato da juventude, que percorre todo o país a pé e de carro, enquanto os outros andam a sobrevoar os problemas do povo, gastando em aluguer de helicópteros, avultadas somas de dinheiro, que tanta falta fazem ao povo moçambicano” – Francisco Campira, representante dos 26 partidos
 
“A Renamo não vê problema em um partido da oposição apoiar o outro da oposição, pois isto fortifica a democracia, numa altura que se tenta asfixia-la, numa tentativa de retorno ao sistema de partido único. O mau e perigoso é formar supostos partidos da oposição para combater a verdadeira oposição” – refere Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo.
 
Maputo (Canalmoz) – Um grupo de 26 partidos e coligações políticas, excluídos parcial ou totalmente da corrida eleitoral de 28 de Outubro próximo pela CNE, convocou ontem a imprensa para anunciar, de forma aberta, o seu apoio incondicional ao candidato presidencial, engenheiro Daviz Mbepo Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).Na conferência de imprensa, o representante dos partidos excluídos, que também é presidente do PASOMO, Francisco Campira, disse que o apoio a Daviz Simango não se estende ao seu partido MDM, pois cada presidente ficará na direcção das actividades dos seus partidos, mas pelo conteúdo do seu manifesto, e o carácter do líder do MDM, estes partidos políticos decidiram dar-lhe apoio incondicional.
 
Campira disse que a decisão tomada por aquele grupo de partidos extraparlamentares, tem em vista manifestar a sua recusa em ver este País multipartidário a ser empurrado para um sistema monopartidário, que outrora foi liderado pela Frelimo, segundo ele “de muito triste memória, ainda bem fresca”.
 
Mais de 3 milhões apoiam Daviz - Com essa aliança ao candidato do MDM, “serão mobilizados para apoiar Daviz Simango, mais de 40 mil candidatos que anteriormente estavam inscritos na CNE, e três milhões de membros”, segundo estimativas destes partidos.
 
No dia 28 do corrente mês, sensivelmente daqui a duas semanas, realizam-se simultaneamente as 3 eleições: Presidenciais, Legislativas e Provinciais.
 
Às presidenciais concorrem 3 candidatos: Daviz Simango, presidente do MDM e actual presidente do Município da Beira, a segunda maior cidade do País; Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, e o actual chefe de Estado e presidente da Frelimo, Armando Guebuza.
 
Ontem declararam apoio a Daviz Simango, o mais jovem candidato, os seguintes partidos: CDU, PARENA, PAREDE, PASOMO, PACODE, PASDI, PSDM, PARTONAMO, PUMILD, PUPI, MPD, PANAOC, PRDS, SOL, UNAMO, PANADE, Coligação UD, UMI, FL, PCD, UM, PAZ´s, PRD, UDF, PRD, e PEMO.
 
É uma decisão consciente - Questionado se a sua decisão teria a ver com o facto de três dos partidos que se pressupunha serem da oposição já terem anunciado apoiar, também de forma incondicional, o presidente da Frelimo, Armando Guebuza, Campira respondeu nos seguintes termos:
 
- “a nossa decisão não é influenciada pela mudança de alguns partidos em apoio a Guebuza. É uma decisão consciente e não fomos influenciados por ninguém.”
 
Porquê aposta em Daviz? -  De acordo com Campira, o apoio a Daviz Simango surge “após uma análise profunda ao actual cenário político democrático do País caracterizado pela hegemonia, intolerância e exclusão políticas protagonizadas pelos dois maiores partidos nacionais”, a Frelimo e a Renamo.
 
“Decidimos que a nossa melhor resposta e contribuição para a continuação da democracia multipartidária em Moçambique é apoiarmos de forma aberta e incondicional, a candidatura presidencial do engenheiro Daviz Mbepo Simango”.
 
As razões apontadas para apoio a candidatura de Simango foram muitas. Destaca-se, segundo anunciou aquele grupo de partidos, o facto de, entre os três candidatos a presidência da República, “ser apenas Daviz Simango que inspira esperança para a juventude, que garante um Moçambique verdadeiramente inclusivo, um Moçambique para todos e não para alguns, como acontece hoje em dia”.
 
Renamo encara apoio a Daviz com naturalidade - Procuramos ouvir o maior partido da oposição, sobre o que tem a dizer sobre o apoio ao candidato do MDM. Fernando Mazanga, porta-voz deste partido, congratulou-se com a decisão destes partidos, que até a considerou “sábia”. “A Renamo não vê problema em um partido da oposição apoiar o outro, pois isto fortifica a própria democracia, numa altura que se tenta asfixia-la, numa tentativa de retorno ao sistema de partido único” disse Mazanga acrescentando que “o mau e perigoso é formar supostos partidos da oposição para combater a verdadeira oposição”. (Borges Nhamirre Matias Guente)
 
Frases: 
  • - “A Frelimo está a ser rejeitada pelo povo” “Alguns partidos políticos da praça política moçambicana, estão a capitular perante o dinossauro moribundo”, disse ontem Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo;
  • - Fernando Mazanga, considera que o apoio declarado há dias por três partidos da oposição, ao candidato presidencial da Frelimo, Armando Guebuza, “é uma tentativa de enganar o povo, pois na verdade, estes partidos são criação da Frelimo”;
  • “Ser democrático não significa que vai se deixar espezinhar, tem que haver reciprocidade e respeito mútuo entre os intervenientes. Os membros da Frelimo não podem pensar que são os mais fortes...” - Fernando Mazanga, porta-voz da Renamo;
  • Sibindy, Mabote e Massango são vergonha nacional - A maior força política da oposição, Renamo, considera de vergonha nacional a decisão tomada pelo Partido Independente de Moçambique (PIMO), de Yacub Sibindy, do Partido Trabalhista (PT), de Miguel Mabote e do Partido Ecologista de Moçambique/Movimento de Terra (PEC-MT), de João Massango, ao assumir apoio total e incondicional ao candidato da Frelimo, Armando Guebuza, no escrutínio de Outubro. (Diário do País, quinta-feira, 15 de Outubro de 2009, edição 579, ano III). 

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