quinta-feira, 30 de julho de 2009

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Piscina municipal

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Pelo mundo não democrático: Ditadura do Irã continua destruindo a liberdade. Mas o povo resiste!

(Imagem original daqui)

Diz o Estado de São Paulo de hoje: ""Polícia faz Mousavi deixar ato e prende manifestantes no Irã.

Cerimônia nesta quinta-feira em homenagem aos mortos durante os protestos de junho é considerada ilegal.

Teerã - A polícia iraniana impediu nesta quinta-feira, 30, que o líder da oposição Mir Hossein Mousavi participasse de uma cerimônia em homenagem aos mortos em atos violentos ocorridos em protestos contra os resultados da eleição presidencial no mês passado. Segundo testemunhas, policiais obrigaram Mousavi a voltar para seu carro e deixar o cemitério Behesht-e Zahra, onde participantes do ato foram detidos.

As autoridades não deram permissão para realização da cerimônia. Atos em homenagem aos mortos são chamados de Arbayeen no Irã e geralmente ocorrem 40 dias após o falecimento. Entre os mortos que serão homenageados nesta quinta está Neda Agha Soltan, uma jovem iraniana cuja morte foi filmada por uma câmera celular. O vídeo circulou por todo o mundo através da Internet e Neda tornou-se símbolo dos protestos iranianos. Ela foi morta com um tiro quando assistia aos protestos.

De acordo com os relatos, Mousavi conseguiu deixar seu carro e ir até o túmulo de Neda. "Mousavi não pôde, no entanto, recitar os versos do Corão tradicionalmente proferidos em tais ocasiões e foi imediatamente cercado pela tropa de choque e levado de volta a seu carro", disse uma testemunha. "Ao mesmo tempo, quem estava ali cercou o carro e não permitiu que ele fosse embora. A polícia então começou a empurrar os manifestantes", prosseguiu a testemunha. Depois disso, Mousavi deixou o cemitério.

Ainda segundo as testemunhas, dezenas de pessoas foram detidas durante a homenagem.

"Centenas estavam reunidos ao redor do túmulo de Neda Agha Soltan para lembrar a sua morte e de outras vítimas quando a polícia os prendeu. Centenas de policiais antidistúrbio chegaram no local e tentaram dispersar a multidão", afirmou uma testemunha para a agência Reuters. Mais cedo, os líderes da oposição confirmaram que participariam da cerimônia, desafiando o governo e a Guarda Revolucionária iraniana.

O general de brigada Abdollah Araghi, comandante da Guarda Revolucionária em Teerã, alertou para o risco de confrontos caso os reformistas insistam em realizar qualquer concentração. "Não estamos brincando. Vamos confrontar os que quiserem lutar contra a instituição clerical", disse Araghi na quarta-feira, segundo a agência semioficial de notícias Fars.

Segundo a BBC, as autoridades do Irã deram sinais de que podem ceder um pouco às pressões da oposição. Alguns integrantes da oposição que estão presos serão liberados, depois de acusações de maus-tratos a alguns dos detentos - e até mortes. Além da libertação dos detidos o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, ordenou o fechamento de um centro de detenção em Teerã no qual manifestantes oposicionistas eram mantidos. A razão para o fechamento do centro, segundo o governo, teria sido a violação dos direitos dos detidos por parte da administração.

Para o líder supremo as medidas equivalem a uma nova humilhação. A ordenação do fechamento de uma prisão é uma tarefa geralmente executada pelo presidente ou pelo ministro do Interior.

Com a cerimônia de posse do presidente Ahmadinejad prestes a acontecer nos próximos dias, a pressão sobre o governo deve apenas aumentar.""
- Estado de São Paulo, quinta-feira, 30 de julho de 2009.

Teerã hoje:

  • Vídeo com a morte da jovem Neda no YouTube (cenas fortes) - Aqui!

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Mini cinema

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Panorâmica aérea

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ecos da imprensa moçambicana: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do sul revolucionários?

Um texto que retrata e expôe claramente um dos "cancros" que levam, pós independência de 1975, ao Moçambique dependente de hoje, socialmente dividido em elites minoritárias e maiorias pobres sob a administração de um partido de raizes antidemocráticas, violentas, segregacionista até, onde prevalecem o apadrinhamento, perseguição política disfarçada, o medo e a censura camuflada, etç. Poucos, dentro de Moçambique, têm a coragem de "falar" como o lúcido Adelino Timóteo:

Beira (Canalmoz) - Em miúdo, na rádio, em casa dos meus pais, em Macurungo, eu ouvia uma canção que dizia: “Joana é reaccionária, Guambe é reaccionário, Simango é reaccionário, Murrupa é reaccionário, Unhai é reaccionário, Gwengere é reaccionário…” Era uma canção entoada por pessoas cujas vozes me pareciam estridentes, sombrias, ao mesmo tempo uníssonas.

No rol das palavras que compunham o vocabulário, então, reaccionário era uma palavra recorrente. Outros termos recorrentes eram Nação, Povo e Tribalismo e Luta. Como miúdo que era a princípio custou-me entender o que seria aquilo de reaccionário. Mas pelo timbre da voz dos cantantes daquela canção da autoria do partido Frelimo dava para entender que aquele epíteto estampado àquelas figuras não era coisa boa.

Os mais velhos me contaram que a canção amiúde entoada nos feriados como 3 de Fevereiro, 1.º de Maio, 7 de Abril, 25 de Junho, 25 de Setembro, visava censurar aquelas pessoas. E ninguém mais falava do assunto.

Um dos temas mais difíceis de abordar, por me parecer delicado, é aquestão do tribalismo. Em Moçambique, já desde há muito, tenho ouvido uns políticos tratarem por tribalistas uns aos outros. Igualmente, tenho percebido que o termo tribalismo alinha com o símbolo reaccionário, escamoteando-se a verdade. Logo, pela história recente, percebi que todos aqueles nomes que nomeei acima eram indivíduos do centro e norte.

Nunca falei nenhuma língua nacional, por razões que não interessa aqui evocar, mas que é conhecida de toda agente que comigo lida. Por isso, nunca tomei posição neste assunto delicado, mas que é amiúde evocado.

Um dia, quando lia um dos livros do Doutor Hélder Martins notei que numa das passagens ele se referia a um assunto que extravasava nesta melindrosa questão, porque por suposta ligação com Simango a Frelimo matou o meu pai. E Barnabé Lucas N’como, no seu livro Uria Simango Um Homem Uma Causa dissecara-a voltando ao assunto, entornando o caldo, pois defendendo que a Frelimo matou o meu pai por ele ser da etnia de Simango e mataram Simango, esposa e outros seus companheiros do cativeiro por uma questão de efeito e causa: serem de uma etnia diferente.

Seja como for, os reaccionários foram mortos por linchamento e enterrados numa vala comum de M’telela. A Frelimo mantêm-nos presos, prolongando a pena de morte a que os votaram.

Ninguém os quer restituir à sorte de merecerem de um funeral condigno, apesar da injustiça da história que os tratou mal por serem do norte e centro.

Só os revolucionários, que por colação são heróis do meu país, logo do Sul, têm direito a uma parcela do Estado, um lugar na cripta.

É isto que me ocorre dizer da história corrente deste país. E pelo que tenho percebido, dizer a verdade aqui é correr o risco de receber etiquetas, os apelidos reaccionário e tribalista.

Também eles, por tabela, em miúdo, me chamaram de reaccionário.

Sou filho de um assassinado a quém chamavam reaccionário.

Barnabé Lucas N’como teorizou que aquelas personalidades que então denominavam reaccionários e continuam sendo vaiadas apesar de mortos, foram vítimas de uma situação social que ninguém pode escolher: o ser do norte, sul ou centro.

Nenhum teórico do sistema conseguiu até hoje responder a uma pergunta que talvez vai-nos acompanhar até à morte: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

Nem o tristemente célebre Sérgio Vieira, nas suas rotineiras aparições, nunca sustentou a sua famosa teoria das traições que resvalaram no genocídio que se cometeu contra muitos filhos deste País (leia-se que disse País e não região/partido porque o País, a Nação, é um elemento Superior).

Quando há pouco menos de um mês me encontrava na Áustria acompanhei pela comunicação social que o partido Frelimo recorreu ao Tribunal Administrativo pretendendo chumbar o nome Praça André Matsaingaíssa atribuído à rotunda da Chipangara. E da modorra do meu silêncio voltou a acordar a pergunta: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

Há poucos dias, assistindo a TVM, chamou-me atenção o deputado frelimista Manuel Tomé a chamar tribalista a Viana Magalhões, da Renamo, em virtude deste ter questionado a exclusão a que são votados os cidadãos de outras etnias neste processo de consolidação da Unidade Nacional.

Há um grande nome do protonacionalismo, da Beira, Kamba Simango, que serviu de inspiração a Eduardo Mondlane, que a história de Moçambique tem renegado. E de novo apetece-me perguntar: Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

É pena que os nossos políticos continuem a perder tempo chamando-se tribalistas uns aos outros, no lugar de reflectirem sobre o aprofundamento da unidade nacional.

Enquanto o termo tribalismo for usado para a exclusão e discriminação do outro continuaremos a falar de uma nação que não será una, e jazerá sem alicerces, pois as zangas do passado ainda são latentes.

Os detractores de Uria Simango continuam zangados com o “tribalismo”(falso) de Simango e outras vítimas que o acompanharam ao infortúnio por serem do centro e norte. Porquê os cidadãos do centro e norte são reaccionários e os do Sul heróis e revolucionários?

Não vamos continuar a tapar o Sol com a peneira. É urgente uma efectiva Unidade Nacional e Reconciliação.
- Adelino Timóteo, CanalMoz, Ano 1, N.º 5, Maputo, Quarta-feira, 29 de Julho de 2009.

“Engenharia Sem Fronteiras” alarga assistência à Saude em Cabo Delgado

A “Engenharia Sem Fronteiras”, uma federação de Oorganizações não-governamentais espanhola, tem alargado a sua assistência ao sector de saúde na provincia de Cabo Delgado, agora com a entrega de mais unidades sanitárias no distrito de Ancuabe, posto administrativo de Meza, a par da dotação de água e saneamento do meio, energia e comunicações naqueles estabelecimentos sanitários considerados de periferia, também nos distritos de Balama, Montepuez e Namuno.

Fonte daquela organização disse ao nosso jornal que se espera que no fim do programa a “Engenharia Sem Fronteiras” conclua 18 unidades sanitárias naqueles distritos, com serviços apropriados de água, energia, saneamento ambiental e comunicações, bem como o aumento do acesso sustentável a serviços melhorados de abastecimento de água e saneamento básico em lugares públicos das comunidades priorizadas dentro das zonas de influência das unidades sanitárias objecto do projecto, o que perfaz 16.500 pessoas.

Por outro lado, conforme a fonte, pretende-se com a intervenção da “Engenharia Sem Fronteiras” melhorar o sistema provincial de manutenção das infra-estruturas sanitárias, para o que se espera o reforço da capacidade do sector empresarial que presta serviços de manutenção, assim como do próprio sistema que guia à Direcção Provincial de Saúde para permitir a durabilidade das suas infra-estruturas.

“Também estamos empenhados em melhorar o sistema de informação sanitária na provincia, a assistência técnica aos diferentes actores de cooperação do sector de saúde e um programa de educação para a saúde, a realizar-se na Espanha” disse a fonte. Para tanto, a “Engenharia Sem Fronteiras” dispõe de um orçamento de 4820.580 euros, para o periodo 2007-2010.

Esta federação, segundo soubemos, compromete-se a reforçar a capacidade institucional das autoridades públicas e o envolvimento dos beneficiários directos no desenho e execução dos programas, e destacando-se a valorização do género em todas as suas vertentes.
- Maputo, Quarta-Feira, 29 de Julho de 2009, Notícias.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mau Exemplo: Mancebos vandalizam propriedades em Montepuez.

Mancebos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), do último curso do Centro de Preparação Básica Militar de Montepuez, na província de Cabo Delgado, rebelaram-se na noite de segunda-feira, protagonizando actos de vandalismo contra propriedades públicas e privadas, em alegados protestos contra o não encerramento do seu curso, que deveria ter ocorrido no princípio da semana, entretanto adiado por razões desconhecidas.

Eles puseram-se a manifestar pelas ruas de Montepuez, tendo destruído alguns bens dum estabelecimento comercial e vandalizado uma viatura da Direcção Provincial da Saúde. À Polícia, através do porta-voz do Comando Provincial, Henrique Seliano, confirma os factos, mas remeteu para os próximos dias esclarecimentos mais detalhados sobre o caso. Adiantou, contudo, que a situação está controlada do ponto de vista disciplinar, havendo alguns mancebos detidos e a sua corporação continua no encalço de outros.
- Maputo, Quarta-Feira, 29 de Julho de 2009:: Notícias.

Diversificando: Relembrando o raid aéreo Lisboa - Macau de 1986

- Jorge Cruz Galego, ex-residente em Nampula - Moçambique e autor do livro "Moçambique-Vôo para a Liberdade" organizou e comandou este raid. Nasceu em Coimbra em 16 de Junho de 1943. Cumpriu os serviços militares nos Comandos em Angola onde obteve a licença de paraquedista civil e na Guiné onde passou à disponibilidade e continuou iniciando a actividade profissional como piloto nos Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa. Em 1968 foi residir para Nampula-Moçambique onde, para além de piloto de táxi-aéreo foi Director de Escola e Membro Directivo do Aero Clube de Nampula durante 7 anos. Em 1976 regressa a Lisboa e em 1994 faz a travessia do Atlântico Norte, na companhia do Comandante Faria e Mello (único piloto português paraplégico a completar a volta ao Mundo), num pequeno monomotor "Bonanza" desde do Rio de Janeiro, S.Paulo, Recife-Sal (12h34 sem escala) e Sal-Lisboa (11h30 sem escala).

- Álvaro M. Prata Mendes nasceu em Lisboa a 23 de Março de 1946. Coronel Engenheiro Aeronáutico no activo da Força Aérea Portuguesa frequentou o ensino secundário no Instituto Técnico Militar dos Pupilos do Exército onde obteve a Licença de Piloto Particular de Aeroplanos e os estudos superiores na Academia Militar. Cumpriu uma comissão de serviço militar em Moçambique-Nampula, onde obteve Licença de Paraquedista Civil.

- Arnaldo Alves Leal nasceu em Lisboa em 20 de Novembro de 1932. Ligado ao mundo industrial nos ramos automóvel e imobiliária , tem a Licença de Piloto Particular de Aeroplanos, tendo desempenhado funções directivas no Aero Clube de Portugal. Era proprietário do monomotor "SAGRES", usado na "aventura".

- A aeronave: Monomotor "Sagres"MOONEY SUPER 21 (M-20E):
  • Matrícula: CS-ALG
  • Ano de Construção: 1965, S/N nº 553, Ano 1964
  • Peso Vazio: 758 Kg
  • Peso Máximo: 1168 Kgs
  • Motor: LYCOMING IO-360-AIA-200HP
  • Velocidade máxima ao nível do mar: 317 Kms/h - 171 Kts
  • Velocidade Máxima de cruzeiro: 301 Kms/h - 162 Kts
  • Velocidade económica de cruzeiro: 270 Kms/h - 146 Kts
  • Corrida na descolagem: 760 Ft - 232 Mts
  • Envergadura: 10,67 Mts
  • Comprimento: 7,06 Mts
  • Altura: 2,54 Mts
  • Autonomia: + ou - 5 horas
  • Raio de ação sem reservas: 1450 Kms - 782 MN
  • Combustível: gasolina 100 LL 52 USGAL -197 Lts
  • A aeronave encontra-se em praça pública, como monumento comemorativo deste raid, em Granja - Macau, perpetuando e relembrando o feito.

Tempos:

  • Tempo total de vôo: 65h30 em 27 dias
  • Horas de vôo noturno, sem visibilidade: 40h45
  • Aterragens: 23
  • Distância percorrida: 8.150 MN ou 15.000 KMS

Outros detalhes importantes de ler, incluindo chegada e permanência em Macau e o retorno acidentado a Portugal:

  • Raid Aéreo Lisboa-Macau de Jorge Cruz Galego - Aqui!
  • Blog "Macau Antigo" - Aqui!
  • CAMBETA BANGKOK MACAU O MAR DO POETA - Aqui!

sábado, 25 de julho de 2009

Em São Paulo/Brasil: Campanha fotográfica África em Nós

Agradecendo a anuência de Juliana Sardinha, médica e blogueira sábia que tenho a dita de conhecer em meu "recanto bucólico", e "sigo" na net lendo diáriamente seu "Dicas Blogger", transcrevo, tentando ampliar a divulgação desta campanha interessante, que envolve a África de muitos de nós e os laços intensos que a irmanam ao país Brasil:

""Fui procurada pela assessoria de imprensa da campanha fotográfica África em Nós, criada pela secretaria de Estado da cultura de São Paulo, para a publicação deste release.¹

Como se trata de um projeto cultural muito bacana, concordei em apresentá-lo para vocês.

A matéria abaixo, é de autoria da própria assessoria da campanha e foi distribuída a diversos outros meios de comunicação.

A campanha fotográfica África em Nós, criada pela secretaria de Estado da cultura de São Paulo convoca toda população paulista a participar através da fotografia, no que ela vê, sente e compreende sobre a presença e a herança africana no dia a dia.

O tema é a própria África, o continente mãe. Como perceber os sinais africanos? Quais os sinais perceptíveis em nossa cultura? Cada participante deve realizar sua foto mostrando como vê e sente esta África que existe perto de nós.

Visite o site da campanha http://www.africaemnos.com.br/ para ler o regulamento e participar.

Fotógrafos amadores ou não podem mandar suas fotos até dia 15 de Setembro.

O curador responsável é o fotógrafo renomado Walter Firmo.""
- ¹ Release: Informação preparada pela assessoria de imprensa e encaminhada aos veículos.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para além de fragilizada na sua participação, juventude moçambicana está alienada e atrelada ao governo.

Diário de Notícias, Maputo, quinta-feira, 23 de Julho de 2009 – Edição 1436 - “Juventude está alienada e atrelada ao governo” -advogam analistas, associações juvenis e jovens estudantes, sustentando que os jovens parlamentares não são produtivos.

Numa altura em que se aproxima o período eleitoral, agendado para Outubro que se avizinha, a massa juvenil, que representa amaioria da população moçambicana, é chamada a posicionar-se em relação aos processos políticos, para além dos sistemas de gestão pública do país.

Nesse âmbito, abrem-se muitos campos de debate e análise, entre eles na imprensa, para discutir o modo como os jovens podem influenciar as decisões políticas em Moçambique.

Facto curioso, é que os próprios jovens são manietados pelos “mais velhos” governantes para proferir discursos enganadores contra outros jovens, principalmente quando chegam épocas de campanhas e eleições políticas.

Segundo jovens de diversas sensibilidades, dentre os quais, o Analista, Venâncio Mondlane; o actor e ex-Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Gilberto Mendes; o jovem músico, Azagaia, entre outros, a juventude moçambicana está sendo alvo de manipulações ideológicas onde, por causa disso, os que podem decidir tomam como base disciplinas partidárias. Estes afirmaram ainda que “a nossa juventude é alienada e atrelada aos interesses do governo”.

Estas declarações foram avançadas, terça-feira última, em Maputo, durante um programa televisivo da privada STV que pretendia discutir “o papel dos jovens na influência das decisões políticas”, o qual foi marcado por desvios constantes do foco do tema, para além de se dar enfoque à defesas ideológicas sobretudo, partidárias e muitos tumultos.

Para Dalfino Guila, representante do CNJ, os jovens encontram-se fragilizados na sua participação, e, por exemplo, os representantes da juventude na casa do povo não são produtivos nem respondem aos interesses dos jovens.

Ainda sustentando esta ideia, Gilberto Mendes afirmou que o problema é falarem o politicamente correcto e não exigem nada.

Por sua vez, o jovem músico MC Roger, disse que a solução para a problemática que aflige a juventude é o resgate da auto-estima, que muitos jovens não possuem. Disse que os jovens devem procurar trabalhar e parar de reclamar.

Ainda no debate, um jovem fez o que muitos que exibiram capacidade de retórica não foram capazes de o fazer, que é apresentar acções concretas e projectos que podem tirar os jovens do actual cenário de desemprego. O referido jovem apresentou o projecto “Mudjoco” que resgata e insere socialmente ex-meninos de rua, aliás, ele apresentou-se como sendo menino da rua.

Venâncio Mondlane tentou dar uma solução ao debate, afirmando que “para mudarmos o actual cenário devemos erradicar as células partidárias nas instituições públicas”.

De salientar que, os participantes do “Debate da Nação” fugiram radicalmente do tema, mostraram a desorganização juvenil por discutirem eficácia partidária e alguns a proferirem insultos contra outros intervenientes, como o MC Roger, que insistentemente, o chamaram de boçal por almoçar ou jantar com o Presidente da Repúbica
- André Manhice.
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Acrescento: Não só a juventude moçambicana está em grande parte alienada, "presa" por conveniência e subserviente por obrigação ou "dívida" ao domínio do partido no poder, como tal "vírus" se espalha por todo o Moçambique, "infetando" a maioria da população pobre, política e socialmente inculta além de desinformada e desinteressada em todos os sentidos, sem outra opção melhor que a motive. E, "em terra de cegos, quem tem um olho é rei", sim senhor!

Engenheiro Daviz Simango - “Minha candidatura é por um Moçambique para todos”

Canal de Moçambique, Maputo, sexta-feira, 24 de Julho de 2009 - Daviz Simango já se inscreveu no CC – disse o presidente do MDM, momentos depois de apresentar sua candidatura à presidência da República, no Conselho Constitucional “Vamos priorizar a Habitação, Saúde, Educação, ajuda ao Antigos Combatentes, quer da Luta de Libertação Nacional, quer os da luta pela democracia”.

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, oficializou, ontem, na sede do Conselho Constitucional (CC), a sua candidatura à presidência da República. Entre outros requisitos exigidos por lei, Daviz Simango entregou 17.210 assinaturas de cidadãos que suportam a sua candidatura. A margem mínima é de 10 mil assinaturas, e 20 mil, no máximo.

No final do acto, disse aos jornalistas que massivamente acorreram para assistir ao acto de formalização da sua decisão, que se candidatava à Presidência da República por um Moçambique para todos.

“Acabamos de realizar um acto nobre. Pensamos que acabamos de depositar uma candidatura da nova geração, aglutinadora, de Moçambique para todos”, disse Daviz aos jornalistas que se acotovelavam para ouvir as suas primeiras declarações como candidato à presidência da República, oficialmente registado. Evitando falar de metas, o até agora segundo candidato oficialmente inscrito no CC, disse que os eleitores irão definir nas urnas quem irá presidir o País.

Quanto a ele, “a expectativa é trabalho, trabalho, até 28 de Outubro” data já marcada para a realização das 4.ªas Eleições Gerais e 1.ªas para as Assembleias Provinciais.

Como apelo aos moçambicanos, Daviz recomendou para todos se prepararem para votar, inscrevendo-se nos postos de recenseamento eleitoral na actualização do recenseamento que decorre e deverá terminar como previsto a 29 de Julho corrente, isto é na próxima 4.ª feira. “Independentemente das dificuldades que enfrentamos, quer das distâncias, seja das avarias das máquinas, vamo-nos recensear”, apelou o presidente do MDM, engenheiro Daviz Simango. Linhas gerais do Programa de governação Muito aberto às perguntas de jornalistas, Daviz Simango aceitou dar a conhecer as linhas gerais do seu programa de governação. “Vamos priorizar a Habitação, Saúde, Educação, ajuda ao Antigos Combatentes, quer da Luta de Libertação Nacional, quer os da luta pela democracia”.

“Nada impede que ele possa concorrer”, disse, por sua vez, ao CanalMoz, José Manuel de Sousa, mandatário de candidatura de Daviz. O esclarecimento surge pelo facto de haver quem equacionava a possibilidade de a Daviz Simango poder vir a ser vedada a possibilidade de se candidatar à presidência da República pelo facto de ser presidente do Município da Beira. “A Constituição da República não impede à candidatura de presidentes de municípios à presidência da República, mas é obvio que caso venha a vencer o escrutínio, terá que abandonar a direcção do Município”.

Há esperança para mudar a cena política... Instada pelo CanalMoz a comentar a sua passagem da Renamo para o MDM, Maria José Moreno, que foi chefe da Bancada da Renamo na Assembleia da República até início do corrente ano, e membro do partido liderado por Afonso Dhlakama a que também renunciou, disse que a sua atitude “revela a esperança na possível mudança da actual forma de se fazer política em Moçambique”.

“Há muita esperança para a mudança da actual cena política em Moçambique em que as cosias estão bipolarizadas, ou seja, em que até aqui vínhamos tendo dois partidos tidos como de maior expressão”, disse e acrescentou: “agora, com este partido, está aberto mais um espaço para um trabalho mais sério em prol dos moçambicanos.

O exemplo da Beira elucida que um povo decidido pode tomar decisão. E isso vai ser determinado no dia 28 de Outubro”.

O candidato que ontem se inscreveu no CC, é filho do histórico líder da Frelimo, Uria Simango, que se tornou no primeiro e único vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique. Foi ele quem substitui interinamente Eduardo Mondlane, da presidência do partido, quando este foi assassinado em 1969, em Dar-es-Salam, em circunstâncias ainda não devidamente esclarecidas, na Residencial da secretária de Janet Mondlane, a amercicana Betty King.

A literatura disponível diz que o pai de Daviz Simango foi assassinado pelos seus colegas da Frelimo comunista, devido à divergência de ideias quanto à condução dos destinos do País, depois da independência.

A tese do partido Frelimo, no entanto, é bem diferente. Sucede, porém, que até hoje não foi divulgado das investigações da Polícia tanzaniana sobre o sucedido.
- Borges Nhamirre e Emildo Sambo – CANALMOZ.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Blogosfera Moçambicana: Em Argel Eyuphuro e o “Tufo da Mafalala”, lado a lado com Manu Dibango

A banda Eyuphuro e o “Tufo da Mafalala” foram encarregues de abrir o concerto musical na noite de sexta-feira na esplanada Riadh el feth, palco principal do Festival Panafricano da Cultura, que decorre em Argel, capital da Argélia.

Durante quarenta e cinco minutos o Eyuphuro, no qual pontifica a diva da música macua, passeou a sua classe com o ritmo que lhe é característico, comunicando-se sempre com o público de forma natural como se de amigos de longa data se tratasse.

A condimentar, a dança do grupo “Tufo da Mafalala”, também arrancou ruidosos aplausos do público que questionava sobre a sua origem, ao mesmo tempo que comentava em francês “Ce bon, ce bon”, o mesmo que dizer “É bom”.

Terminada a performance dos moçambicanos, seguiu-se a presença do camaronês Manu Dibango, esse virtuoso do seu saxofone, naquilo que viria a ser o inicio de outras emoções, catapultadas pela sua performance de multi instrumentista e dono de uma voz singular.

Enfim, Manu Dibango fez jus a fama e terminou o espectáculo com o célebre Soul Makossa.

Em conferencia de imprensa concedida logo após a sua actuação, Manu Dibango, fez uma apreciação positiva a música africana, referindo que o continente negro tem boa música e bons interpretes, faltando apenas o intercâmbio entre os músicos para evitar a estagnação.

Sobre a musica de Moçambique, o “careca” disse ter gostado de partilhar o mesmo palco com o grupo o Eyuphuro, considerando que foi uma oportunidade para conhecer parte de Moçambique e do que faz na área cultural.

Manu Dibango fez um apelo a organização do Festival Panafricano para que não se espere mais 40 anos para a realização do próximo evento, impondo-se que o terceiro seja preparado para acontecer o mais breve possível.

A noite de sexta-feira não se limitou a música e a dança, pois foi também do cinema moçambicano, com a curta metragem “Hospedes da Noite” do realizador Licínio de Azevedo a ser projectada foi exibida numa das salas da capital argelina.

No ultimo dia do PANAF2009, segunda-feira, 20, os Eyuphuro e a cantora Pureza Wafino terão a responsabilidade de manter ou elevar o extraordinário nível de apresentação que lhes é peculiar, carimbando com o selo “Made In Mozambique” - com chave de ouro - a sua participação no festival em APC Kouba, um dos 25 espaços de exibição programados para este evento da festa da cultura africana.

Cinema africano perde público para música e exposições - Os apreciadores de arte e cultura africana não aderem à exibição dos filmes do Festival de Cinema Africano que decorre em Argel desde o passado dia 6 de Julho, inserido no PANAF 2009.

Em todas as salas preparadas para a exibição, na maioria dos casos a média dos espectadores é de 40 pessoas por sessão o que corresponde a 3% da capacidade de cada uma das salas.

O público queixa-se da falta de divulgação dos filmes, sua origem e história e locais de exibição. Do outro lado temos os realizadores que, perante esta realidade, se sentem frustrados, apontando as culpas para a organização que, acreditam, nada faz para reverter o cenário, limitando-se a observar o decorrer dos eventos.

Paralelamente às exibições realizou-se de 10 a 11 um Simpósio sobre o Cinema onde, de entre vários pontos, os cineastas e parceiros discutiram a problemática da promoção, financiamento e distribuição de filmes africanos.

Ao que tudo indica as recomendações saídas deste encontro levarão muito tempo para serem postas em prática.

Ao contrário do cinema, a música e exposições de arte, património material e imaterial, são os mais concorridos neste festival.

Apesar do calor intenso nesta parcela do deserto do Sahara o público não arreda o pé dos palcos e pavilhões apreciando o melhor da arte africana.
  • Post's anteriores deste blogue sobre música e cultura moçambicanas - Aqui!

Intervalo: Subjazz - bloom solo

YouTube - Solo from Subjazz´ full lenght performance "bloom". Premiered at Ridehuset, Akershus Festning - Oslo Norway, April 1st 2009In this video clip: Camilla Spidsøe Cohen.

Empresa chinesa quer mais área para explorar madeiras em Inhambane, Moçambique

(Clique na imagem para ampliar)

Simples e "inofensiva", aqui fica a nota:

Inhambane, Moçambique [ABN NEWS/Macauhub] - A empresa chinesa Oriental Overseas Mozambique poderá obter uma concessão para exploração florestal na província meridional de Inhambane, apurou a macauhub junto da direcção provincial de florestas e fauna bravia.

A Oriental Overseas pertence a dois empresários chineses e foi constituída em Abril de 2008.

A empresa opera fundamentalmente no sectores dos recursos florestais, comércio por grosso e actividades pesqueiras e mineiras.

A China tem estado envolvida em muitas áreas de interesse sócio-económico em Moçambique, sendo de destacar o sector madeireiro.
- ABN, 21/07/2009 22:20.

  • Alguns post's anteriores que referem o tema "desmatamento" - Aqui!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Ecos da imprensa Moçambicana - Prejuízos causados por desastres naturais ascendem a USD 370 milhões/ano

(Clique na imagem para ampliar - Imagem original daqui.)

Correio da Manhã, Ano XIII, Nº 3115, Maputo, terça-feira, 21/Julho/2009 - Prejuízos causados por desastres naturais ascendem a USD 370 milhões/ano, O CORRESPONDENTE A 6,1% DA PRODUÇÃO GLOBAL DE MOÇAMBIQUE - A degradação do meio ambiente causada por cheias, secas e ciclones tem provocado prejuízos estimados em cerca de 370 milhões de dólares norte americanos, em média anual. O valor corresponde a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), realçando, entretanto, que, apesar de a pressão sobre os recursos naturais ser baixa, “o país é fortemente vulnerável a mudanças climáticas, reflectindo-se no seu crescimento económico”.

Os actuais indicadores de crescimento económico usados por Moçambique, como as poupanças nacionais brutas, “negligenciam os efeitos económicos da degradação dos recursos naturais”, alerta a mesma agência, ajuntando que a abordagem da trajectória de desenvolvimento de Moçambique não é sustentável “pois as poupanças líquidas ajustadas revelam uma maior destruição da riqueza do que a sua acumulação, pondo em perigo o futuro crescimento e bem-estar da população”, no entender igualmente da AFD.

Para inverter o cenário, a Agência Francesa de Desenvolvimento aponta que vai desembolsar, até 2010, cerca de 16 milhões de euros, para apoiar programas governamentais relacionados com a conservação de áreas protegidas, de forma a “salvar” várias espécies ameaçadas devido ao impacto negativo das mudanças climáticas.

Os parques nacionais do Limpopo, em Gaza, e das Quirimbas, na província de Cabo Delgado, são algumas das áreas protegidas que deverão merecer a intervenção daquela agência do Governo da França.
- J. Ubisse.

  • Visite Pemba também aqui!

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia - Uma cidade em crescente progresso.

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Ecos da imprensa Moçambicana: Daviz Simango candidata-se a Presidente da República


Canal de Moçambique, Ano 4 - N.º 866 Maputo, Terça-feira, 21 de Julho de 2009 - Esta 5.ª Feira no Conselho Constitucional Daviz Simango candidata-se a Presidente da República - confirmou ontem ao Canal de Moçambique o seu mandatário que é também mandatário do MDM.

Beira (Canal de Moçambique) -Daviz Simango vai na quinta-feira formalizar a sua candidatura à Presidência da República no Conselho Constitucional, em Maputo. O acto, segundo fonte do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), de que o candidato é presidente, vai decorrer às 14h45h do dia 23 de Julho.

O mandatário do candidato Daviz Simango é José Manuel de Sousa que é simultaneamente o mandatário do MDM. A Lei 7/2007 prevê que o candidato a presidente da República apresente a sua candidatura ao Conselho Constitucional. Já as listas de candidatos à Assembleia da República são submetidas à Comissão Nacional de Eleições (CNE).

A Lei prevê que o número de proponentes de cada candidato a Presidente da República não seja inferior a dez mil cidadãos (10.000) com capacidade eleitoral e devidamente recenseados, nem superior a vinte mil (20.000). Menos um ou mais um para além dos limites mínimo e máximo que a lei admite, é suficiente para o processo todo ser considerado nulo.

Qualquer candidato que anuncie ter proponentes em número abaixo ou acima dos limites previstos na lei aplicável estará apenas a pretender influenciar politicamente o eleitorado a favor da sua própria figura.

Até este momento está inscrito no Conselho Constitucional como candidato apenas o actual chefe de Estado e presidente do Partido Frelimo, Armando Emílio Guebuza.

O mandatário do MDM confirmou-nos ontem que antes do prazo limite, isto é antes de 29 de Julho corrente o MDM formalizará também na CNE as listas de candidatos e respectivos suplentes, quer para as eleições legislativas, quer para as primeiras eleições provinciais. Lembrar ainda que a Lei prevê que depois de submetidas as candidaturas, os mandatários poderão se notificados de eventuais anomalias e depois de notificados pelos organismos competentes têm cinco dias para as suprirem.

Frelimo - Entretanto, a Frelimo entregou ontem na Comissão Nacional de Eleições os processos que formalizam as suas listas de candidatos às Assembleia da República e às Assembleias Provinciais. A mandatária de Armando Guebuza e do Partido Frelimo é Verónica Macamo. -(Redacção).

Apontamentos do Tito Xavier: Imagens de Porto Amélia - Serviço Médico Aéreo de Porto Amélia

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.
  • Post's no "Voando em Moçambique" que referem Tito Xavier, outras figuras de importância na aviação de Cabo Delgado e o serviço médico aéreo sediado em Porto Amélia-Cabo Delgado até 1975 - Aqui!

Buscando no tempo lá pelo Douro: Memórias dos bombeiros em Poiares com os Salesianos

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

O que mais conta na memória do presente retrato, com este grupo de garbosos bombeiros da Régua, impecavelmente fardados a rigor, constituído pelo Chefe Joaquim Laranja, José Melo, Joaquim Espírito Santo - o grande Trovão - e o António Monteiro, é o seu acto de generosidade em benefício da Congregação dos Salesianos: um peditório, realizado em Poiares, em 10 de Novembro de 1963, destinado a angariar fundos para a construção de um moderno Seminário.

Assim, relembra-nos ainda o ambiente do princípio dos trabalhos, com as máquinas por perto, o olhar das crianças no desfile, numa jornada de caridade e solidariedade organizada para ajudar na obra da grande família salesiana, que tem como seu patrono o São João Bosco.

Os bombeiros da Régua, entendo o seu dever cívico, fizeram-se representar na sua força, enviando os seus melhores homens do Corpo Activo e as suas viaturas mais antigas, como o carro de fogo Buick, onde foram afixados dois cartazes com estes simples apelos: “Pedimos, Construímos e Repartimos” e “ O Vosso Pouco Representa Muito”.

Os generosos bombeiros que aqui recordamos, com nostalgia, contribuíram de forma exemplar nessa recolha de donativos necessários para se começasse a edificar o novo Seminário. Este destinava-se a substituir o velho e antiquado, sem condições que, desde 1924, funcionava na casa paterna do Arcebispo Primaz de Braga, o reguense D. Manuel Vieira de Matos, que generosamente tinha doado à instituição.

A construção do novo Seminário de Poiares iniciou-se em 21 de Outubro de 1962. Nesse dia, foi solenemente benzida e lançada a primeira pedra. Dizem os escritos desse tempo que foi um dia festa para a população da freguesia. Estiveram presentes o Vigário Geral da Diocese, Monsenhor Libânio Borges, em representação do Bispo da Diocese de Vila Real que se encontrava no Concílio Vaticano II, o Dr. Manuel dos Santos Carvalho, governador civil do distrito, o Dr. Rui Machado, Presidente da Câmara da Régua e o Padre Armando da Costa Monteiro, Provincial dos Salesianos. Havia na assistência muito povo da freguesia e das freguesias vizinhas que não deixou de participar e apoiar a iniciativa. A banda de música do Colégio de Izeda animou as ruas de alegria, enquanto se ouviram muitos foguetes, para assinalar a importância da data.

Em 1975, depois de um longo interregno nas obras, os salesianos haviam abrir as portas aos alunos do novo Seminário, designado do Sagrado Coração de Jesus, que em 1982 se passaria a chamar de Colégio Salesiano de Poiares. Mas tarde, o antigo seminário foi restaurado e transformado numa obra social, sob a gerência dos salesianos, dedicada à memória do arcebispo e em benefício do povo da freguesia: Centro Social D. Manuel Vieira de Matos.

Os bombeiros da Régua sempre colaboraram nas causas sociais organizadas por outras instituições de solidariedade social, desportivas, culturais e educativas da sua cidade.

Em certos momentos da sua história, foram até os primeiros a ajudar os pobres e os mais desfavorecidos da sociedade reguense. Com frequência, era habitual organizarem à sua conta espectáculos musicais e recreativos, nas suas instalações, com o objectivo de reunirem alimentos e roupas para entregarem aos mais desvalidos, ao que sabemos foram sempre muitos, como aconteceu no “Sarau Infantil”, realizado na noite de 22 de Abril de 1950, em “benefício dos pobres”.

No mundo em que vivemos, cada vez mais desumanizado, o papel dos bombeiros volta a ganhar mais sentido ético e uma maior dimensão social na nova ordem.

Se neste nosso mundo se encontrassem mais Reinos Maravilhosos - que sempre houve e haverá como nos revela o poeta Miguel Torga - a vida poderia ser mais generosa para com quem precisa de ajuda para apenas viver condignamente.

Acreditem que, só mesmo nesse lugar é que existem os verdadeiros homens e as mulheres de bem, de uma generosidade e doação que é levada ao sacrifício da sua própria vida, disponíveis para acudir e ansiosos por socorrer apenas sob o lema humanitário: Vida por Vida.

Para melhor se entender os gestos desses seres especiais, recordamos um belo texto escrito em 2006 pelo Dr. Manuel Prazeres, antigo Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real e da Associação Humanitária Cruz Verde, que sublimemente exprime as ideias seguintes:

“Contrariamente ao Reino Maravilhoso que Torga, de forma tão sublimada nos descreve, o Reino Maravilhoso que eu pretendo exaltar não fica no alto de Portugal, nem, como os ninhos nem no mais alto das árvores. Este, de que vos falo, dissemina-se por todo este nosso país, do lugar mais recôndito à urbe mais moderna, e encontra-se por aí, mesmo à mão de semear, por forma a tornar-se sempre mais acessível e a que a lonjura não o torne absolutamente nada impossível a quem dele, a cada passo, necessita.

O reino Maravilhoso de que vos falo é feito de homens e mulheres de bem, de uma generosidade e doação por vezes levada ao sacrifício da própria vida, que, nas suas horas vagas, vestem a sua farda de trabalho e se apresentam na sua outra casa: prontos para aprender, disponíveis para acudir, ansiosos por socorrer.

A sua família maior é o seu semelhante e a sua obstinação é a vida e os bens de todo um Povo que, há séculos, nele confia a sua salvaguarda.

Este mar de pedra que primeiro vislumbramos – a sociedade egoísta em que vivemos – faz parte do seu mundo, mas não é, definitivamente, o seu mundo. O seu mundo é, tão simplesmente, um coração aberto, humano, generoso, solidário.

E de nada vale interrogar esse grande oceano megalítico, porque o nome invisível ordena: Vai. Salva. Socorre, Ajuda.

Tal como no Reino Maravilhoso de Torga se ordena, entre, sem qualquer preocupação de saber quem é, também neste reino de que vos falo alguém o pergunta. Não interessa…é o que menos interessa…

Ouve-se apenas o som estridente da sirene. Sente-se um calafrio. Que chamamento, oculto e silencioso, desperta aquele impulso pronto e contido?

É, como se uma qualquer força misteriosa e divina, naquele momento, injectasse nas entranhas daqueles corpos força desmedidas que humanamente jamais poderiam conter. Fiéis à sua própria vontade, e em obediência estrita ao juramento feito, honrado sempre a divisa que a bandeira deste Reino Maravilhoso obstinadamente ostenta: Vida por Vida.

Embora haja muita gente que diga que não, sempre houve e haverá Reinos Maravilhosos neste Mundo. O que é preciso, para os ver e merecer, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e, depois, o coração e razão não hesitem."

Entrem agora, sem pressas algumas, no reino maravilhoso de Poiares. Caminhem devagar pela aldeia vinhateira que fica no cimo de uma esplendorosa montanha duriense, envolvida numa harmoniosa paisagem de socalcos de vinhas, a descerem pelas suas íngremes encostas até à foz do rio Corgo ou até as margens do rio Douro, mas sem antes passarem à porta do novo Colégio dos Salesianos, visitarem a singela Capela da Senhora da Graça, contemplarem as velhas ruínas de um casarão que já foi o Convento da Ordem dos Templários, junto à Igreja Matriz, mandado construir antes de 1225, onde se pode olhar à entrada da Casa da Comenda uma cruz em granito, com 900 anos de história.

Nada melhor do que fazerem uma paragem obrigatória…em Poiares.

Deixem-se envolver na magia dos seus amanheceres e na poesia dos encantos que se avistam desse lugar: “O Douro...bem lá em cima, ele encosta-se com força à base das montanhas, para as segurar. Depois esfrangalha-se nos bicos das rochas franzinas para cair num novo sono e deixar-se envolver nos lençóis da sua antiga pousada”.

Vão ver que não se arrependem…!
- Peso da Régua, Julho de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • As vidas que não se esquecem nos Bombeiros - Aqui!
  • Os bombeiros de escritório - Aqui!
  • Bombeiros Semi-Deuses - Aqui!
  • As "madrinhas" dos Bombeiros - Aqui!
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui!
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Os bombeiros no velho Cais Fluvial - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui

Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ecos da imprensa moçambicana: Administração da Justiça em Moçambique - Manchada de ineficiência e corrupção!

Canal de Moçambique - Ano 4 - N.º 865, Maputo, Segunda-feira, 20 de Julho de 2009: Administração da Justiça em Moçambique manchada de ineficiência e corrupção – aponta o Relatório do MARP sobre a avaliação do desempenho de Moçambique. E acrescenta que a questão da separação de poderes continua precária.

“O sistema legislativo judicial é ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. “Infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP).

Maputo (Canal de Moçambique) – O acesso aos tribunais, o direito à defesa e à assistência jurídica são garantidos constitucionalmente. Contudo, “infelizmente, a administração da justiça moçambicana é manchada pela ineficiência e pela corrupção, assim como pelo tratamento preferencial dos ricos em detrimento dos pobres” – aponta o Relatório do Mecanismo Africano de Revisão de Pares, (MARP), na sua avaliação do país. Precisa igualmente que a questão de separação de poderes e autonomia dos poderes executivo, legislativo e judicial “está a enfrentar dificuldades em Moçambique”. “Isto resulta da estrutura constitucional que estabelece um sistema em que o Presidente é forte e poderoso, apoiado pelo executivo e, do outro lado, se encontra um sistema legislativo judicial ineficaz, fraco e desprovido de recursos”. Em conformidade com a prática em vigor nos países falantes da língua portuguesa, ainda de acordo com o relatório, o presidente tem poder de nomear o presidente do Tribunal Supremo e os presidentes do Conselho Constitucional e do Tribunal Administrativo, “cujo poder a Assembleia da República não está em condições de contestar”.

Os mecanismos com vista a garantir a responsabilização, a transparência e o controlo horizontal são limitados. Entre outras constatações ou entraves apontados pelo relatório do MARP, está o facto de na história política moçambicana “não haver registo de qualquer conflito institucional relevante entre os dois órgãos soberanos, o que dificulta a avaliação das alegações e das percepções de tentativa do poder executivo e legislativo de influenciar o judicial”.

Um outro impedimento que se coloca à boa governação e ao estado de direito – aponta o MAR – é o equilíbrio de forças instável que existe entre a Frelimo e Renamo. “O país e as suas estruturas políticas estão claramente divididos entre os baluartes de cada um dos partidos e a intolerância política é frequente”. Nesse contexto, constatou-se ainda que tanto na capital do país como nas províncias, as opiniões políticas não são expressas livremente. “Foi manifestado que a opinião de que a Assembleia da República não se sente manietada pela brecha existente entre os dois principais partidos, facto que contribui para a sua incapacidade de oferecer mecanismos credíveis de fiscalização e controlo a um executivo forte”.

Outras constatações negativas descritas no relatório em alusão, têm a ver com o facto de AR realizar as suas sessões em regime de tempo parcial e ter um número limitado de dias para a executar as suas funções de fiscalização. “O trabalho legislativo da Assembleia da República é feito dentro de um período de três meses (duas sessões no máximo de 45 dias cada), um máximo de 35 dias para o trabalho do eleitorado e 15 a 25 dias para as funções de fiscalização durante as quais os deputados são pagos”, escreve o relatório acrescentando que “durante o resto do ano (sete meses), os deputados têm de se desenvencilhar.

Os deputados da Frelimo na Assembleia da República têm melhores possibilidades pois são nomeados para conselhos de administração e comissões onde obtêm um rendimento adicional, mas tal não acontece com os deputados da oposição”.

Concluindo a esse respeito, aponta-se que os 15 a 25 dias por anos destinados ao trabalho de fiscalização “são terrivelmente inadequados. A explicação dada para o curto período de tempo atribuído às funções de fiscalização prende-se com constrangimentos de ordem financeira”.

Governo ignora Assembleia da República - Entretanto, tendo em conta as reclamações que inúmeras vezes têm sido avançadas pelos deputados da Frelimo e da Renamo, escreve documento, conclui-se que “o Governo não está a dar a devida atenção à Assembleia da República no contexto do orçamento do Estado”. E mais, refere-se que para um país como Moçambique, com enormes problemas de corrupção e de mecanismos inadequados de responsabilização, “não é desejável que a Assembleia da República tenha limitações na realização das suas funções de fiscalização devido à exiguidade de recursos financeiros”.

Um outro constrangimento que se coloca à eficácia da AR, “é o facto de ser nova como instituição democrática”.

Recomendações - Face às constataçõe anteriormente descritas, recomenda-se que Moçambique despolitize a nomeação de juízes de modo a proteger a integridade do poder judicial.

Deve ainda realizar “acções de formação do judicial e matéria de ética, responsabilização e transparência e garanta também que a Assembleia da República tenha o seu próprio orçamento, o qual deve ser aumentado com vista a um maior envolvimento”.

No relatório recomenda-se que se garanta ainda que o trabalho dos deputados da AR seja em tempo inteiro e que “se aumente o número de dias destinados à fiscalização”.

Recomenda-se também que se proceda de forma a “melhorar as capacidades da Assembleia da República através da formação dos deputados em matéria de análise das políticas e nas funções de fiscalização”.
- Escreveu Emildo Sambo.

domingo, 19 de julho de 2009

Ronda pela net: Cabaret at The Moçambique

Andando pela net encontrei hoje no "Soul Safari":

""Uma bela manhã, em outubro de 1955 Antonio Amaral chegou a Joanesburgo vindo de Lourenço Marques, incapaz de compreender uma única palavra da lingua local. Apesar das dificuldades linguísticas comprou um restaurante nesse mesmo dia, em local modesto na Simmonds Steet - Joanesburgo onde começou a servir refeições com pratos recheados de qualidade em sabor e condimentados a piri-piri. Em fins de 1958, mudou-se para o atual endereço em Noord Street, e é para comemorar o primeiro aniversário deste novo restaurante, "O Moçambique", que apresenta especialmente esta "gala cabaré" de artistas importados de Portugal:

  • Elsa Vilar é uma das cantoras mais populares em Portugal. Depois de apenas dois anos no showbusiness, ela agora é uma estrela com início invejável e uma reputação que transforma em sucesso tudo que apresenta. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 2,81 MB)
  • Maria Adalgisa ensaiada pelo grande cantor português Tomas Alcaide é uma soprano excelente que dá côr à musica folclórica de Portugal, sendo igualmente proficiente em composições clássicas. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 3,29 MB)
  • Moniz Trindade é um dos principais intérpretes do mundo do 'fado-canção'. Nascido em Lisboa, a casa do 'fado', é procurado em todo o Portugal e Espanha para apresentações nos palcos, televisão e rádio. Conhecido e bom compositor é autor de tudo que canta. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 1,91 MB)
  • David Pantoja é o instrumentista do grupo. Com acompanhamentos brilhantes de acordeão dá sabor autêntico às canções portuguesas. - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 6,68 MB)

O diretor musical de "O Moçambique" é Benny Baker, pianista britânico de nascimento e líder da banda. Embora mais conhecido na África do Sul por suas gravações tipo "pop", Benny é um brilhante expoente da "Latin American and Continental dance music". Pouco tempo antes de vir para a África do Sul, dirigiu algumas das mais destacadas boates da Europa e, por duas temporadas, a Orquestra da famosa "Palm Beach Casinos" em Cannes, França.""( from the original liner notes of the album “Cabaret at The Moçambique” Gallotone GALP 1067)

Acrescento - É bom salientar que o texto acima, adaptdo para português, se refere a fatos ocorridos entre 1955/58 aproximadamente. Não se trata de "saudosismo" ou "nostalgia", como determinadas figuras e tendências intelectualóides obtusas, auto intituladas progressistas(?), conhecidas também por seu oportunismo descarado, subserviente ao "políticamente-correto", tentam "diminuir" idiotamente quando se evoca o passado. Trata-se sómente de documentar e divulgar com fidelidade, sem sofisma, a beleza e arte da música popular portuguesa levada além fronteiras lusas, praticada e vivenciada no tempo, na História e na África colonial sim senhor, mas África colonizada de forma diferente, ou como quer que apelidem, do status político-económico-social repleto de defeitos, injustiças, miséria, corrupção, contradições, etç. que a dominam atualmente.

  • E, "de bandeja", o nosso sempre respeitado e conhecido luso-moçambicano João Maria Tudela com o Joe Kentridge Trio... - Salve aqui e depois escute! (formato mp3 - 3,51 MB)

- Com a devida vénia e créditos a Soul Safari - Music treasures from Africa.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

De Norte a Sul - Moçambique que vi e ouvi!

Existe um outro Moçambique para além do mundo virtual da internet, das redes sociais emergentes minoritárias, elitizadas e por regra mais preocupadas com o "eu" do que com o "nós" ou o "ao redor". Existe o Moçambique das maiorias... das maiorias pobres, sem informação, sem carro de luxo ou griffe da moda, existe o Moçambique da majoritária miséria, da doença, da impossibilidade de frequentar e até sorrir feliz em locais badalados de saraus, restaurantes, praias, piscinas e festas que se vêm ou lêm nas colunas e redutos sociais da bela Maputo ou de qualquer outra cidade moçambicana! E é esse Moçambique majoritário, carente que precisa ser destacado, noticiado, mesmo que não gostem as tais minorias privilegiadas e dominantes:

- No final de uma longa viagem por terras moçambicanas, o coração transborda e escrevo algumas imagens e impressões em flashes breves e rápidos.

“Não há problema” e “está tudo bem” são expressões que ouvi muitas vezes durante quatro semanas. A realidade é bem diferente. Saúde, habitação, má alimentação, pobreza, vias de comunicação, são problemas reais de Moçambique.

O salário mínimo de um trabalhador não qualificado é de 2.200 meticais, equivalente a mais ou menos 57 euros, por mês. Há quem receba 900 e até 500. Ao passo que um litro de leite pode custar 55 meticais, um quilo de arroz do mais barato 14, um livro escolar 570.

Dez horas é o tempo gasto a percorrer os cerca de 400 quilómetros que separam Cuamba de Nampula, em carrinhas com tracção às quatro rodas. Em tempo de chuvas pode demorar muito mais. Para apanhar uma estrada alcatroada é preciso desviar do caminho e fazer mais 100 quilómetros.

Deslocações de avião, só para estrangeiros ou uma minoria de moçambicanos.

A cidade de Cuamba, com 56800 habitantes, não tem uma única estrada alcatroada. Nesta cidade está a funcionar a Faculdade de Agronomia da Universidade Católica de Moçambique. A cidade está situada no distrito com o mesmo nome, na província do Niassa, norte de Moçambique.

Doença do século, como é aqui designada, a Sida mata a eito e deixa muitas crianças órfãs e seropositivas. Mas também a malária e a cólera matam. O hospital ou o centro de saúde, muitas vezes ficam longe e não há dinheiro para os medicamentos.

A maior parte dos alunos para estudar e fazer os trabalhos de casa tem que ir à biblioteca, único sítio onde há livros escolares. Nas aulas só cadernos para tirar apontamentos.

Em Entre-os-Lagos, localidade próxima da fronteira com o Malawi, na escola secundária, os alunos assistem às aulas sentados no chão. Não há cadeiras nem mesas.

Outro grave problema é a má alimentação que dificulta a aprendizagem, para não falar das distâncias que algumas crianças e jovens percorrem a pé para irem à escola. O transporte é caro, mesmo os «chapas», carrinhas de nove lugares sempre superlotadas. Não admira que andem sempre à procura de boleia.

As mulheres, também elas muitas vezes mal alimentadas, carregam tudo às costas e à cabeça. Os filhos, o pote de água, o molho de lenha. Trabalham na machamba, a semear o que a terra dará para comer, se a chuva ajudar. Quantas nunca viram uma agulha ou uma linha para coser a roupa. Muito menos a máquina de costura. Usam a capulana que é um pano que serve para tudo, até para guardar o dinheiro.

Maputo, a capital, onde há muitas diferenças sociais, vive mais de um milhão de pessoas, em 347 quilómetros quadrados. Casas luxuosas, com guardas armados, arame farpado e electrificado, mas ao virar da esquina muito lixo amontoado, muita pobreza, pessoas que vendem artesanato na rua para ganhar a vida.

O missionário da Consolata, padre Artur Marques, que vive há muitos anos em Moçambique e conhece muito bem o país, afirma que já foi muito pior. Nota-se a reconstrução e reabilitação das estruturas da cidade.

Moçambique depende muito da ajuda internacional, mas só cinco a sete por cento do valor dessa ajuda, chega ao seu destino.

Apesar de todas as dificuldades, alegria e boa disposição é o que não falta ao povo moçambicano.

Ainda conseguem cantar depois de seis horas seguidas sentadas na parte de traz de uma carrinha de caixa aberta.
- Ana Paula FÁTIMA MISSIONÁRIA 16-07-2009 • 17:30.

The First MicroBank Mozambique (Rede Agha Khan) terá sede em PEMBA!

Rede Agha Khan abre banco de micro-crédito no norte do país - Maputo - A Rede Agha Khan para o Desenvolvimento anunciou hoje (sexta-feira) que vai abrir em Novembro o primeiro banco de micro-crédito no norte de Moçambique, a região mais pobre do país.

Num discurso por ocasião do 49º aniversário da ascensão de Agha Khan IV ao trono de líder da comunidade ismaili, um dos ramos do islamismo, o embaixador da Rede Agha Khan em Moçambique, Nazim Ahmad, afirmou que o banco terá a sede em Pemba, capital da província de Cabo Delgado.

"Esta nova instituição financeira estará sedeada em Pemba e planeia desenvolver a sua presença geográfica no norte de Moçambique, incluindo as províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia", disse Nazim Ahmad.

"O enfoque no norte é propositado, pois deve-se ao facto de aí se encontrarem as taxas de pobreza mais elevadas", sublinhou o embaixador da Rede Agha Khan para o Desenvolvimento em Moçambique.

Segundo Nazim Ahmad, a nova instituição, que será denominada The First MicroBank Mozambique, irá incorporar as acções de micro-crédito que a Rede Agha Khan já tem vindo a desenvolver na província de Cabo Delgado.

Ao fazer um balanço das actividades implementadas pela Rede Agha Khan para o Desenvolvimento em Moçambique, desde o início das suas acções, em 1998 no país, Nazim Ahmad destacou as intervenções na agricultura, educação, turismo e obras públicas.
- Angop, 17-07-2009 14:16.

Buscando no tempo lá pelo Douro: As vidas que não se esquecem nos bombeiros

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Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Esta fotografia tira um grande instante do tempo, ao fixar a vida no dia 13 de Maio de 1970, em que D. Sylvia Gomes Ferreira assinava o Livro de Honra da Associação Humanitária dos Bombeiros do Peso da Régua, depois de receber as honras de uma homenagem em memória do seu marido, o grande benemérito Comendador Delfim Ferreira. A representar os órgãos sociais dos bombeiros encontrava-se ao seu lado, o Eng. Diamantino Moreira da Silva que, sem ninguém esperar, faleceu com 72 anos de idade, no passado dia 23 de Junho, na cidade de Leça da Palmeira.

Com a notícia da sua morte inesperada para muitos de nós, esta imagem ganhou uma nova actualidade de dor e luto: a perda de um homem que marcou no seu tempo a vida dos bombeiros e, em especial, a vida de muitos reguenses, alguns dos quais ficaram eternamente seus amigos.

Em respeito pela sua memória é tempo de aqui e agora de o evocar num sincero elogio de gratidão. O Eng. Diamantino Moreira da Silva foi uma personalidade distinta e invulgar. Como homem de singular qualidades morais tinha uma maneira de ser reservada e discreta. Soube ganhar a sua notoriedade pelo seu trabalho empenhado, minucioso e rigoroso que realizou como chefe do Departamento Técnico de Obras da Câmara Municipal. A sua pessoa não foi indiferente a ninguém, mas suscitou respeito, elogios e admiração quer dos políticos com quem trabalhou quer do cidadão anónimo que dele precisou. Era inteligente, dinâmico, de bom trato, afável, apaixonado pelas emoções do futebol e muito determinado nas convicções. Como técnico foi ouvido atentamente pela sua grande experiência e reputada competência nas áreas do urbanismo. Exerceu nos bastidores a sua influência nas questões que considerava importantes para o desenvolvimento urbano da cidade e do concelho. Ao culminar a sua carreira profissional (1963-1999) é reconhecido pelos autarcas de então com a Medalha de Ouro da cidade, que recebeu orgulhosamente.

Resta dizer que uma parte da sua vida dedicou-a com elevado dever cívico a servir a causa dos bombeiros da Régua. Desempenhou, durante algumas décadas, cargos sociais em vários elencos directivos. A sua missão de cidadania activa, com preocupações sociais, é uma faceta da sua vida pouco conhecida para muitos que o conheceram. Mas ela não foi a esquecida por quem ele fez o bem. Da parte dos bombeiros da Régua é merecedora de um justo reconhecimento, os quais se sentem honrados e prestigiados por tudo que ele fez. Para eles, o Eng. Diamantino Moreira da Silva é um dos ilustres cidadãos que contribuíram e ajudaram a engrandecer a história da associação.

Esta fotografia regista ainda um grande momento na história dos bombeiros da Régua: a homenagem a um ilustre cidadão, ao Comendador Delfim Ferreira, conhecido como um empresário da indústria têxtil no Vale do Ave e proprietário da grande quinta do Douro, a Quinta dos Frades, situada em Armamar, mas essencialmente reconhecido como um grande benemérito da Régua e, em especial, da Santa Casa da Misericórdia e dos bombeiros, que sempre ajudou com avultadas quantias na realização de obras ou compras de carros de fogo ou ambulâncias.

Cumprindo uma dívida de gratidão, a Câmara Municipal do Peso da Régua, presidida pelo Dr. Rui Machado patrocinou e apoio esta iniciativa ao inaugurar no então Largo Dr. Oliveira Salazar, um busto a perpetuar o homenageado, enquanto que no edifício dos bombeiros era descerrada uma placa a designa-lo com o nome de “Quartel Delfim Ferreira”.

Da singela homenagem efectuada pela direcção da associação, comando e corpo activo, a este notável cidadão benemérito, o jornal da associação “Vida por Vida”, na sua edição de Maio de 1970, contava o seguinte:

“Os corações dos reguenses sentiram o quanto de justa foi a homenagem prestada a esse grande benfeitor que foi Delfim Ferreira. Não foi uma festa qualquer, daquelas que se festejam anualmente com mais ou menos exuberância (…). Foi antes um testemunho público de reconhecimento bem merecido para aquele que em vida tanto ajudou a diminuir as dificuldades constantes com que a todo o momento se debatem a Santa Casa da Misericórdia e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários (…)

A homenagem prestada a Delfim ferreira não foi mais do que um acto de gratidão que há muito se vinha impondo. Mas o tempo passa e com ele vem normalmente, o amadurecimento das coisas ou dívidas que contraímos, salvo se houvesse ingratidão por parte de quem está à frente dos destino das instituições que receberam tão valiosas dávidas, o que, de maneira alguma, seria de admitir, como aliás ficou provado.

Foi uma homenagem modesta por expressa vontade de sua Exma viúva D. Sylvia Gomes Ferreira que era acompanhada pelo seu Exmo filho Dr. Alexandre Ferreira, mui digno e ilustre continuador da obra de seu querido e saudoso pai.

Finalmente e para fechar o programa da sua curta visita à Régua, dignou-se aquela ilustre senhora, acompanhada de toda a comitiva visitar a sede dos Bombeiros Voluntários, onde descerrou uma placa alusiva à deliberação de tornar patrono do nosso quartel esse grande homem que foi Delfim Ferreira.

Antes do descerramento da placa “Quartel Delfim Ferreira”, o Sr. Joaquim Lopes da Silva Júnior, vice-presidente da direcção, usou da palavra para afirmar que nesta Casa será lembrado perpetuamente este grande benemérito, acrescentando que a direcção decidiu atribuir o seu prestigioso nome, inscrito a oiro numa lápide comemorativa, ao seu quartel”.

São mais duas vidas que não se esquecem nos bombeiros da Régua. Dois homens especiais que fizeram o melhor pela sociedade em que viveram. Não esquecem as suas dávidas generosas e muito menos os seus gestos nobres de um enorme carácter solidário e fraterno. Cada um deles ajudou como pode e cada um deles, à sua maneira, deu o seu melhor de si. A sua imensa generosidade contribuiu para tornar felizes outros homens, que estão na vida apenas para ajudar quando deles precisamos.

Eles não morreram no coração dos bombeiros da Régua. Enquanto forem lembrados com saudade permanecem vivos nas nossas vidas, e nas de quem alguma vez foi “soldado da paz”.

Louvamos o exemplo destes dois homens que o tempo já juntou nos caminhos da eternidade.Que Deus os guarde em suas mãos…em paz.
- Peso da Régua, Julho de 2009, José Alfredo Almeida.

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Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!