sábado, 8 de abril de 2006

Poetas Vivos Moçambicanos - Virgílio de Lemos.


Diz Inez Andrade Paes - Para que não se esqueçam dos Poetas vivos, transcrevo um poema do Moçambicano Virgílio de Lemos há longos anos residindo em França:
Do livro - Negra Azul
Edição - Instituto Camões
Eu feito Romeiro
falando da tua essência
não afectada
mas transfigurada.

Assim procuro
com os pés no presente
de areias soltas e quentes
cajus e canhos,
casas que são palácios
meninas que são princesas
em suas diferentes naturezas,
ódios, alcóois e ópios,
tecer um véu cheio de nós
fusão natural
expressão de um povo
não resignado
com sangue novo.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

África é motivo de polêmica no novo Museu da Língua Portuguesa.



Não há igual no mundo.
Um museu totalmente dedicado a um idioma, com seus sotaques, origens e influências.
Mais que isso, ele vai muito além do tradicional conceito de museu, já que traz todo o conteúdo ligado à mais alta tecnologia.
Há jogos interativos com palavras, vídeos exibidos em telões gigantescos, instalações interativas. Uma "viagem sensorial pelo idioma", segundo os diretores do Museu da Língua Portuguesa, inaugurado no último dia 20 na Estação da Luz na região central de São Paulo.
Entretanto, uma polêmica poderia manchar projeto tão caprichado.
No totem multimídia denominado "Português no Mundo" há, segundo uma especialista, diversos "erros" sobre a história de Angola, Moçambique e outras ex-colônias portuguesas na África.
Na tela, há um mapa-múndi onde todos os países de língua portuguesa estão em destaque.
Ao se clicar, por exemplo, em Angola, tem-se a informação que sua guerra civil terminou em 1999.
Na verdade, o fim do conflito deu-se apenas em 2002.
Datas relativas às independência em países como São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau também estão incorretas.
Quem garante é a professora de Língua e Literatura Africanas do departamento de Letras Clássicas da USP, Rita Chaves, que visitou o museu e se mostrou inconformada ao observar as imprecisões.
"Justamente por ser esse um museu tão extraordinário é que esse descuido e esse desconhecimento me surpreendem. Será que ninguém revisou as informações?"
O jornalista Marcelo Macca, responsável pelos dados no tal totem, afirma tudo foi checado e rechecado.
"Trabalhei como roteirista do museu. Meu papel foi adaptar o material bruto que recebemos, complexo e acadêmico, para uma linguagem mais popular", explica.
E de onde veio esse material?
Uma boa parte foi retirada dos dados fornecidos por Ivo Castro, professor de Português e chefe do departamento de Lingüística da Universidade de Lisboa.
"Muitos angolanos consideram que o conflito terminou em 2002, mas também alguns pensam que o primeiro ato foi a retirada das tropas da ONU em 1997. Pelo meio, o processo teve muitas peripécias. Importante é que a guerra civil esteja mesmo acabada", diz Castro.
A reportagem apurou que, entre os consultores dessa seção do museu, não há nenhum historiador.
Angolanos visitando o museu também seriam surpreendidos ao ler que 40% da população de seu país falam português.
De acordo com a professora Rita Chaves, no mínimo 70% dos angolanos falam o idioma.
"Sem dúvida, isso acontecerá num futuro talvez não muito distante", se defende Ivo Castro. "Mas não conheço nenhuma estatística que aponte para tal número nos dias de hoje. As estatísticas não são fiáveis em Angola, sendo prudente proceder por analogia com Moçambique: neste país, há poucos anos calculava-se que 40% dos moçambicanos falavam português. Este mesmo número encontro em várias fontes aplicado a Angola."
In "O Povo" - (da Agência Estado) - 04/04/2006

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Pobre África que tem tais lideres...!!! - Ainda a SIDA (AIDS).


Banho evita aids, diz ex-vice-presidente sul-africano !!!!!!!
Quinta, 6 de abril de 2006, 09h57 Atualizada às 10h11 :
O ex-vice-presidente da África do Sul Jacob Zuma disse em depoimento, prestado na última terça-feira, que tomou banho após manter uma relação sexual para evitar a contaminação com o HIV, o vírus causador da aids.
Acusado de estuprar uma portadora do HIV, Zuma alegou que o sexo com a mulher de 31 anos foi consensual.
Zuma foi exonerado em 2005, por suspeita de corrupção.
Quando estava no governo, ele chegou a chefiar o Conselho Nacional da aids, que promove campanhas governamentais de combate à síndrome, que mata cerca de mil pessoas por dia no país.
A África do Sul tem a maior população infectada do mundo, cerca de 6 milhões de pessoas.
"Ele passa aos jovens a impressão muito errada de que no sexo sem proteção os riscos são pequenos", disse Nokhwezi Hoboyi, porta-voz da Campanha de Ação no Tratamento.
A falta de informação sobre a aids é geral o país.
O próprio presidente Thabo Mbeki pôe em dúvida a relação entre o HIV e a aids, além de dizer que nunca conheceu ninguém que tenha morrido vítima do vírus.
Em pesquisa feita pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas, 66% das pessoas não se consideravam sob risco de infecção - mais da metade dos que tiveram teste positivo para HIV responderam assim.
Quanta ignorância...!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Dizem-nos de Maputo...Futebol !


F. C . PORTO VEM A MAPUTO.

O Futebol Clube do Porto vem a Maputo no próximo mes de Maio, no quadro de uma digressão que o levara igualmente à vizinha Africa do Sul.

Os “dragões” realizarão uma única partida entre nós, no dia 21, defrontando uma selecção de estrelas moçambicanas, que basicamente serão os “Mambas”, no Estádio da Machava, onde também estará o brasileiro Edson Arantes de Nascimento, o rei Pele, que apadrinha a prova.

NOTICIAS 06/04/06 Pag22

BENFICA TAMBÉM EM MAIO

No próximo mes de Maio, Maputo, será de facto capital de dois clubes emblemáticos do futebol português e europeu. O anuncio da deslocação do FC Porto acontece depois de, em Dezembro ultimo, o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, ter garantido a vinda a Moçambique da formação “encarnada”, para defrontar o Costa do Sol.

Filipe Vieira esteve em Moçambique a convite dos “canarinhos”, no quadro dos laços de amizade existentes entre os dois clubes, tendo na ocasião anunciado a viagem do Benfica, para o rigozijo dos seus milhares de adeptos.

NOTICIAS 06/04/06 Pag22
Da AIM por cortesia da A. S.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Moçambique - SIDA = Epidemia nacional...

SIDA: parceiros criticam governo na alocação de fundos.

Parceiros internacionais do governo moçambicano na luta contra o HIV/SIDA dizem que as metas apresentadas no PARPA pelo Executivo são muito modestas. [02-04-2006].

Numa altura em que o SIDA foi declarado epidemia nacional, os parceiros internacionais questionam a decisão do governo de retirar do PARPA as metas para o tratamento pediátrico e o plano de acção relativo a crianças órfãs e vulneráveis.

Este descontentamento foi manifestado, na última Sexta-feira, pelos parceiros durante a sessão anula de avaliação, que juntou o governo, ONG’s e doadores para analisar o desempenho do Conselho Nacional de Combate à Sida (CNDS) em 2005 e desempenhar estratégias para 2006.

“Constatamos com preocupação que as alocações do Orçamento Geral do Estado ao CNS nos últimos três anos têm estado a diminuir ano após ano”, disse Márcia Colquhoun, representante dos parceiros.

No entanto, o encontro foi dirigido pela primeira-ministra e presidente do CNCS, a qual pediu para que os participantes tivessem um debate aberto que possa ajudar a instituição a melhorar o se4u desempenho.

Num outro desenvolvimento, Diogo Milagre, director executivo adjunto do CNCS, não concorda com algumas criticas lançadas contra a instituição.

Disse ser uma meta ambiciosa quando o PARPA prevê a redução dos índices de infecção por HIV de 500 infecções diárias para 350.

No "Zambeze" em 05/04/06.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Miriam Makeba - O adeus maroto...


O adeus maroto da rainha Mama África.
Debochada, com alergia a clichês e frases feitas, a artista que revolucionou o canto africano, Miriam Makeba , reuniu 10 mil pessoas em festival de jazz na Cidade do Cabo e aproveitou para anunciar aposentadoria: "Quero ir mais devagar".
Diziam que a rainha estava engavetando a coroa.
Cerca de 10 mil pessoas foram na noite de sábado (01/04/06) ao Cape Town International Jazz Festival, o maior evento do gênero no continente, para conferir.
Jornalistas da Nigéria, Zâmbia, Quênia, Moçambique, África do Sul: toda a imprensa africana está na Cidade do Cabo para falar com a cantora sul-africana Miriam Makeba, que muitos chamam de Mama África.
E, de fato, a maior estrela da música africana confirma: está saindo de cena.
Com classe, sem muito alarde.
Seu show intitula-se Grand Finale Tour.
Mama África não quer mais sair pelo mundo excursionando.
Vai restringir-se ao seu próprio continente.
-"Estou com 74 anos. Decidi que não faço mais, que não irei mais a todos os países. Quero parar de ir e vir, gostaria de ir mais devagar", disse ela.
-"Sinto-me feliz. Vivi bastante. O suficiente para cantar, voltar para casa e ainda poder viver cantando. Agradeço ao senhor e aos meus ancestrais. Quero viver o suficiente para ver meus bisnetos", afirmou a cantora, fazendo um balanço forçado da carreira frente ao batalhão de jornalistas ávidos.
-"Muitas coisas eu gostaria de ter feito, mas não fiz. Não sou um anjo, também tenho meus esqueletos no armário, como todo mundo. Algumas coisas a gente tem de esquecer. Bebi bebidas alcoólicas, ainda bebo. Também já fui muito moderna, mas não é divertido."
Bombardeado pelo pop, rock e R&B de língua inglesa, algum desavisado pode perguntar: mas quem é essa Miriam Makeba?
Bom, poucos terão direito de desconhecê-la.
Basta lembrar que ela tornou hit internacional uma canção composta em 1956, Pata Pata (no Brasil, a música ganhou uma versão popular infame que tinha enxertados os versos "Tô com pulga na cueca/Já vi, vou tirar").
Mas é muito mais que isso.
Inspirou centenas de cantoras no continente, divas como Angelique Kidjo.
Cantando em inglês, francês, árabe, português, kiswahili, shona e bambara, ela conquistou o mundo.
Miriam mantém em Johanesburgo o Makeba Center for Girls, que recolhe meninas das ruas da cidade, vítimas de violência sexual, abusos, drogas e prostituição.
-"Mulheres são os pilares da Nação", diz ela.
-"É preciso cuidar delas. Nós temos uma tendência a dizer: é o governo, é responsabilidade do governo. Quem é o governo? Nos somos o governo. Ao Inferno com o governo. Como indivíduos, nós devemos fazer algo, como sociedade civil. Os líderes mundiais? Eles estão nos liderando. Há muitos problemas", afirmou. "Não sou política. Se a minha verdade se torna política, aleluia."
EXÍLIO E BARBÁRIE
Ela conta que, chegando à Cidade do Cabo, os motoristas das vans em que andou se espantavam com sua presença.
-"Mama Makeba! Mesmo os turistas que vêm aqui querem saber aonde você esta cantando!", disse ela, reproduzindo fala do seu chofer.
Essa turnê tem a intenção de levar Makeba aos lugares onde cantou durante a carreira, para agradecer aos seus fãs.
Ela cantou ao lado de Dizzy Gillespie, Paul Simon, Harry Belafonte (com quem ganhou um Grammy, em 1960).
Filha de um curandeiro sangoma da tribo Xhosa, ela já nasceu diferente: antes mesmo de nascer, quando sua mãe estava grávida, ficou seis meses na cadeia.
O curandeirismo era proibido.
Estreou em 1953, com The Manhattan Brothers.
Ficou três décadas exilada por suas posições políticas contra o regime do apartheid.
Contra o horror da segregação, discursou na ONU em 1964 e 1975.
Só pôde voltar à África do Sul em 1990.
No sábado, na Cidade do Cabo, com um anel de pedra amarela do tamanho de um ovo de galinha no dedo, Miriam mostrou por que a tratam como uma rainha eterna.
Nada de fel no discurso.
Enalteceu as vozes que se ergueram contra a barbárie racial, mas, ao final, disse que era preciso esquecer.
-"É por isso que vocês são tão bonitos. Porque vocês sabem perdoar" disse à platéia.
-"Não tenho palavras para descrever a importância dessa artista", anunciou o apresentador, com a voz embargada.
Dizem que a saúde da cantora não está boa, e seria esse o verdadeiro motivo pelo qual está se retirando.
De fato, nota-se que está poupando a voz, passando a vez para os vocalistas de apoio (entre eles, sua neta, Zenzile Lee) e convidados.
Mas continua marota, insolente, gozadora, espirituosa.
-"Alguns dizem que o que eu faço é world music. Bom, todo mundo canta e todos estamos no mundo. Então, tudo é world music. Uma vez me apresentaram como cantora de world music e eu disse: estou feliz de fazer parte do mundo."
No show, quando Makeba cantou Malaika, de Fadhili Williams, uma canção do folklore queniano, o fundão virou um baile funk (mas sem baixaria), com a platéia fazendo coreografias irresistíveis. Depois, o mundo veio abaixo com Pata Pata.
Mama África ainda esta com a tábua das regras debaixo dos braços.
E isso era tudo que o povo queria ver.
Marota, debochada, com alergia a clichês e frases feitas, Miriam Makeba brincou com seus próprios prognósticos para o futuro.
-"Só farei (shows) em ocasiões especiais.
E por um montante de dinheiro muito especial", diverte-se.
-"Muitas vezes tento lembrar um nome e o nome não vem. É por isso que digo que é hora de parar."
Jotabê Medeiros-Enviado especial à Cidade do Cabo do Jornal Estado de São Paulo - 03/04/06