quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Em Namuno e Mogovolas : Mais de mil alunos não fizeram exames.


Mais de mil alunos da 7a classe, distribuídos em dez centros de exames, ficaram sem fazer as respectivas provas finais de Português e Ciências Naturais programados para a segunda-feira, primeiro dia, no distrito de Namuno, em Cabo Delgado, devido à avaria registada na viatura que levava as provas da sede distrital aos locais de realização. Em Mogovolas, Nampula, perto de 50 alunos da 5a classe não fizeram igualmente os exames por avaria da motorizada que era usada para o transporte dos enunciados.
O Ministério da Educação e Cultura está a estudar a forma de reparar, sem prejudicar os alunos, esta situação e outras que provavelmente poderão ter ocorrido noutros centros, devendo dar as mesmas oportunidades que outros tiveram. Segundo Jafete Mabote, da Comissão Nacional de Exames, trata-se de um problema logístico que deverá ter uma solução rápida e favorável para os alunos. Conforme disse, existem duas possibilidades para a solução do problema. A primeira seria esperar pela segunda chamada, e a segunda seria o ministro da Educação e Cultura decidir pela realização de uma prova extraordinária para os alunos afectados. Tirando este incidente e de uma forma geral, os exames estão a decorrer em todo o país num ambiente satisfatório, apesar de a chuva estar a cair em muitos pontos das diversas províncias. Ainda sobre as faltas acontecidas no primeiro dia, a cidade de Maputo registou uma ausência de pelo menos 942 alunos da 5a classe no primeiro exame de Português e 708 no de Ciências Naturais, o que dá uma média de oito alunos por escola, enquanto que na 7a classe faltaram 322 alunos nas duas provas, o que corresponde a sete alunos faltosos por escola. No total, faltaram 1264 na cidade de Maputo, o que corresponde a 1.4 porcento dos 90.100 examinandos previstos para os dois subsistemas. "Neste caso, os alunos deverão ficar à espera da segunda chamada", disse Mabote. Já na Beira, as notícias que nos chegam dão conta de que está tudo a correr conforme o previsto, estando a ser submetidos aos exames 16.860 alunos da 5a classe e 13.927 da 7a. No que diz respeito aos exames de Alfabetização e Educação de Adultos, que deverão decorrer entre quinta e sexta-feira, estão inscritos na Beira 5.322. Em Tete, pelo menos 36 alunos da 5a classe não compareceram ao único exame de Matemática programado para o dia de ontem, devido às fortes chuvas que estão a cair naquela província, tendo as autoridades da Educação assegurado que deverão fazê-lo na segunda chamada. Embora sem informação do número de alunos que provavelmente terão faltado ao exame, sabe-se que a província de Niassa está também sob fortes chuvas, que poderão ter criado problemas ao processo. Informações provenientes de Gaza dão conta de se ter registado a falta de pelo menos quatro alunos no primeiro dia, sendo dois em Mazivila e outros dois em Hókwè. Aponta-se como razões a movimentação de alguns pais para a África do Sul. Fonte da Direcção Provincial da Educação e Cultura disse ser uma situação frequente sempre que se regista seca ou outros desastres naturais, com as pessoas a deslocarem-se àquele país em busca de sustento. O assunto deverá, nos próximos tempos, ser alvo de análise entre o sector e as comunidades. Notícias que nos chegam de diversas partes do país dão conta de que registam-se chuvas torrenciais, o que pode comprometer as metas traçadas para estes exames, devido às dificuldades de acesso, bem como às condições das salas de aulas e falta de mobiliário nalgumas escolas.
Maputo, Quarta-Feira, 15 de Novembro de 2006:: Notícias
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Assaltantes roubam oito biliões em Pemba.
Assaltantes á mão armada roubaram na noite do último domingo pelo menos oito biliões de meticais nas instalações da empresa privada de segurança Alfa Segurança, na cidade de Pemba.O valor era destinado á agência do Standard Bank na capital de Cabo Delgado.O dinheiro, segundo fonte fidedigna, que preferiu o anonimato, vinha transferido de Nampula para aquela agência bancária em Pemba, operação normalmente confiada à Alfa Segurança que, tendo-o recebido no domingo, guardou-o nos seus cofres para entregar ao banco na manhã de ontem.Por volta das 22:30 horas de domingo, três homens fardados, ainda não identificados e a monte, empunhando uma pistola e armas do tipo AKM, assaltaram os cofres da Alfa Segurança, depois de espancarem o guarda em serviço, Avião José Boene, ora hospitalizado na maior unidade sanitária de Cabo Delgado.A porta-voz da PRM, Malva, em contacto, confirmou o acontecimento, mas disse não poder entrar em pormenores quanto aos valores envolvidos, bem como as circunstâncias reais em que tal teve lugar.`Estamos num estado muito avançado á procura da verdade, só que não nos é conveniente entrar agora em pormenores. Aconteceu, isso é verdade´, disse a porta-voz.Outras fontes disseram, ao fim da tarde de ontem, que pelo menos quatro agentes de segurança naquela empresa encontram-se detidos em resultado do trabalho policial em curso visando o esclarecimento do crime.O gerente da agência do Standard Bank, Mário Gaspar, confirmou, por seu turno, a ocorrência, mas igualmente, disse não poder precisar o valor envolvido. `Nós apenas sabemos que estávamos à espera de fundos, porque na verdade os requisitamos, mas não podemos dizer exactamente quanto dinheiro era, porque a nossa responsabilidade só começa quando a Alfa Segurança nos dá o dinheiro, por isso estamos em iguais circunstâncias´, disse Gaspar.
Não foi possível contactar o comandante da Alfa Segurança.
NOTÍCIAS - 14.11.2006

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Parabéns Lourenço Marques...aliás Maputo !


Maputo celebra hoje 119 anos de elevação à categoria de cidade.
Fundada por volta de 1877 com a chegada de uma expedição de Obras Públicas de Lisboa, que elaborou o primeiro plano de urbanização, a urbe irá marcar a passagem de mais um aniversário com a realização, na Praça da Independência, de um festival cultural, cujo epicentro será a feira de promoção de produtos "Made in Mozambique", que contará com a participação de cerca de mil expositores e a final do concurso de batuque que vinha decorrendo a nível dos distritos municipais.
A celebração do 10 de Novembro como Dia da Cidade, decretada pela Assembleia Municipal, através da Resolução 2/87, de 3 de Novembro de 1989, acontece numa altura em que a urbe enfrenta diversos constrangimentos derivados da precariedade e gestão deficiente de infra-estruturas, construções desordenadas, falta de habitação, desemprego, criminalidade, entre outros males que tiram brio ao estatuto de capital política, económica e social do país. Entretanto, o presidente do município, Eneas Comiche, na sua mensagem por ocasião da efeméride, afirma que desde Fevereiro de 2004 que assumiu a nobre tarefa de conduzir os destinos de município algumas mudanças estão a ser operadas na perspectiva de mudar a imagem da cidade. A reabilitação de vias de acesso e valas de drenagem no bairro da Mafalala, a reabilitação das avenidas 10 de Novembro, da Malhangalene e Fernão Magalhães, a reabilitação da Rua Irmãos Roby, o tapamento de buracos em várias artérias, a reabilitação dos passeios da Avenida 24 de Julho, do parque de estacionamento do Mercado Central, a construção do descarregador de águas pluviais na Avenida Julius Nyerere, recuperação das placas centrais da "Julius Nyerere", do Jardim dos Namorados, em parceria com o sector privado, são alguns dos sinais demonstrativos do compromisso eleitoral "Tu e Eu Vamos Mudar Maputo", afirma. Comiche aponta ainda a resselagem da Praça da Independência, a intervenção na Praça 25 de Junho, a reabilitação do Jardim Dona Berta (em curso), o lançamento do programa de plantio de 100 mil árvores de sombra, a intervenção nas placas centrais da Avenida Kenneth Kaunda, a renovação da sinalização gráfica vertical nas ruas da cidade, a construção de 96 bancas novas no Mercado Central após o incêndio de 2005, o início da segunda fase de construção do Mercado de Matendene, a reabilitação da Casa Agrária das Mahotas, o apoio ao repovoamento pecuário da Catembe, o desassoreamento do rio Mulaúze, a construção de sanitários em vários mercados e a construção de 630 latrinas melhoradas. "A instituição do prémio literário 10 de Novembro, a realização do 1º festival do batuque, que hoje termina, a realização das I e II edições do festival internacional de música de Maputo, em colaboração com diferentes parceiros, são apenas alguns dos exemplos dos resultados positivos alcançados durante a presente governação", diz Comiche na sua mensagem alusiva ao Dia da Cidade. Entretanto, reconhece que o caminho a percorrer ainda é longo e difícil e que vai exigir de todos paciência, muito trabalho e comprometimento. Como perspectivas imediatas, Comiche aponta os trabalhos em curso de renovação dos semáforos e de conclusão das obras do mercado grossista transitório do Zimpeto, bem como os trabalhos a iniciar nas próximas semanas em valas de drenagem e a reabilitação de estradas. Indica, igualmente, a implementação da nova estratégia de gestão de resíduos sólidos urbanos a partir do próximo ano.
Maputo, Sexta-Feira, 10 de Novembro de 2006:: Notícias

CABO DELGADO : População de Quissanga céptica quanto ao fim da pobreza absoluta...


Disseram a Lázaro Mathe que, como ele próprio afirmou, representava o presidente da República. A população de Quissanga não acredita que a pobreza (ainda que não seja absoluta) venha a acabar no seu distrito, sendo que, na sua opinião, o seu combate não passa de um slogan que pretende apenas mostrar o que seria bom para as populações daquele ponto de Cabo Delgado.
Um dos intervenientes à reunião popular dirigida pelo governador de Cabo Delgado, na localidade de Nivigo, Moisés Dias Air, disse que não se vê a seriedade do que se fala em torno da pobreza, que na sua opinião não pode acabar com uma agricultura de subsistência, em que o homem e a sua mulher todos os dias vão à machamba apenas para conseguirem, uma vez por ano, certas quantidades de comida que nem sequer cobrem todo o período. Dias Air acrescentou que o trabalho destes dois só dá para não morrerem de fome, o que não significa o fim da pobreza, pelo que o Governo, se quiser implementar o seu sonho, deve criar condições para a reintroduçao da agricultura mecanizada, se bem que este sector continua a base de desenvolvimento do país. "Nunca vamos desenvolver com a enxada de cabo curto, sem tractor, quando para se ter acesso ao crédito bancário exigem-se garantias que quem as tem não é pobre. Exigem casas de alvenaria, carros, motorizadas, tudo isso como garantia. Ora, quem tem isso tudo não faz parte do grupo dos pobres que deveriam ser apoiados para saírem da pobreza", sustentou Moisés Dias Air. Em Nivigo, localidade pertencente ao posto administrativo de Bilibiza, em Quissanga, tudo falta, apesar de estar no corredor da estrada Pemba/norte da província, exactamente em Modja. Uma loja encontra-se encerrada desde a guerra dos 16 anos. Vive-se de algumas barracas que os residentes dizem não satisfazer porque, conforme Emilio Abdala, nem sequer vendem pano branco, tradicionalmente usado para funerais. "Quando alguém morre temos que percorrer grandes distâncias à procura de pano branco, normalmente no distrito de Ancuabe. Quando regressa a pessoa já é tarde, razão porque os funerais de Nivigo realizam-se quase sempre à noite" exemplificou Abdala, que gostaria que o Governo local contemplasse a reabilitação das mesquitas no quadro do seu programa com os sete biliões de meticais alocados aos distritos. Aidar Salimo, por seu turno, convida o Executivo a repensar na sua atitude de protecção aos elefantes, que entretanto são a razão principal por que em Nivigo as pessoas passam fome. "Desde a independência nós produzíamos muito arroz nas margens do rio Montepuez. Produzíamos também bananas e batata-doce. Mas agora, com estes elefantes que vocês dizem para serem protegidos, estamos mal. Se fossem do nosso tio haveríamos de matar para mais tarde resolvermos o problema com ele", queixou-se Aidar Salimo. Pires Ássimo Sahá secunda o seu conterrâneo e acrescenta que várias áreas de cultivo de Nivigo, Bilibiza, Ntingue, Tororo e Mauá foram arrasadas impiedosamente e o panorama pode vir a complicar-se nos próximos dias, quando se entrar na (re)abertura das machambas para a safra seguinte. Para quem está a conseguir entrar na sua antiga machamba, fá-lo depois das 10 horas, altura em que os elefantes se retiram, mas para mais logo retomarem a reocupação das áreas de cultivo. "É que os elefantes já tomaram de assalto as áreas de cultivo e ninguém os pode expulsar. O Parque Nacional das Quirimbas diz que são mais importantes que nós", ironizou. A 500 metros do rio Montepuez, Nivigo não tem água potável, os poços da região não escaparam à fúria dos elefantes e há poucas informações sobre vítimas humanas provocadas por aqueles paquidermes.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias
CABO DELGADO : População céptica nas teorias de desenvolvimento rural.
Também existem problemas com os elefantes igualmente na localidade de Cagembe, pertencente ao posto administrativo de Mahate, ainda no distrito de Quissanga Fernando Pia diz que não se percebe que se continue a proteger o elefante enquanto a vida das pessoas está em permanente perigo e jura que Moçambique não se vai desenvolver com elefantes.
"O que está na machamba não é nosso, o que está em casa, também não é nosso. Matam cabritos em casa, juntam-se os ladrões que temos aqui e limpam-nos a casa. Na machamba é outra vez o elefante. Elefante! Elefante! Elefante, senhor governador"! Lázaro Mathe, impotente ante as evidências de graves problemas que concorrem para o empobrecimento das populações, pediu ao povo que acreditasse na vitória sobre a pobreza absoluta, tal como havia acreditado que os moçambicanos seriam capazes de expulsar o colonialismo e combater a guerra dos 16 anos. "Temos uma boa liderança do presidente Armando Emílio Guebuza, que por sua vez escolheu homens firmes para as diferentes frentes de batalha. Havemos de vencer a pobreza. Podem acreditar que havemos de acabar com a pobreza", assegurou Mathe. A população nem sequer acredita nas diferentes teorias sobre o desenvolvimento rural. Disse a Lázaro Mathe que igualmente não vê com bons olhos o trabalho desenvolvido pela Fundação Aga Khan. "Nós não estamos a ver nada. As sementes são caras, mandam técnicos para nos ensinar a semear e vão embora. Não há mais acompanhamento e continuamos na mesma". A experiência recente com a "Maharishi Mozambique Global Administration", ainda na região de Nivigo, aumenta as suspeitas sobre a seriedade dos programas da Aga Khan. O "Notícias" apurou que há cerca de quatro anos, um projecto da "Maharishi" sonhava na utilização futura de 100 mil hectares, para o que dizia haver um investimento na ordem de 100 milhões de dólares norte-americanos a serem aplicados num prazo de cinco anos no desenvolvimento de uma agricultura orgânica e agro-industrial virada à plantação de fruteiras diversas, plantas medicinais e aromáticas, bem como legumes e vegetais, para além da exploração de variedades de madeireiras. Do valor global, segundo soubemos, 400 mil dólares representariam o investimento estrangeiro directo do projecto e seriam aplicados num ano, o mesmo que aconteceria com o investimento nacional directo para o mesmo período. Por outro lado, 99 milhões de dólares seriam realizados sob forma de empréstimos e o Banco de Moçambique seria responsável pela emissão de pareceres sobre os créditos solicitados. Porém, tudo não passou de utopia, incluindo a promessa de empregar, em tais situações, 417 trabalhadores moçambicanos que já haviam começado a devastar as matas da região de Modja (em Nivigo), que entretanto pararam nos 700 hectares, assim que se começou a duvidar da seriedade do projecto.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias
CABO DELGADO : Um sonho adiado
Com o aborto do projecto, os moçambicanos, na maioria de Nivigo e da aldeia Mauá, viram o seu sonho adiado e ninguém ainda foi ao local explicar as circunstâncias em que tal aconteceu, deixando uma dívida que custa esquecer no seio da população.Na verdade, segundo dados reunidos pelo "Notícias", o fim do projecto veio anunciar-se quando a "Maharishi" não conseguiu desalfandegar o equipamento que trazia para o seu início, nomeadamente tractores, buldozeres, pás-escavadoras, máquinas de furo para abastecimento em água, charruas, entre outros.
As razões evocadas pelas autoridades aduaneiras assentavam no facto de maior parte do equipamento ser em segunda mão e outro sem nenhuma relação com as actividades inscritas, como por exemplo, mil câmaras frigoríficas. Por outro lado, a "Maharishiri" impunha ao Governo moçambicano a introdução de um sistema fiduciário não comum entre nós, nomeadamente que na área de influência do projecto, os distritos de Quissanga, Meluco, Montepuez, Ancuabe e Macomia, que se trataria como zona franca, não se usasse a moeda nacional nem outra qualquer, mas sim, circulassem cupões (senhas) para todo o tipo de troca. Numa altura em que ainda não haviam sido apresentadas à parte moçambicana as garantias da existência de dinheiro em algum banco do mundo e a "Maharishi" defendia que as árvores e o que fosse possível fazer como riqueza é que eram o sustento do projecto, o vínculo acabou se dissolvendo, tendo o projecto sido transferido para Madagáscar, onde foi aceite. Esta história, com todo o requinte a que se lhe emprestou, ficou na retina da população dos distritos que seriam abrangidos pelo projecto, mas muito particularmente do distrito de Quissanga, onde se localizava a sua sede, a menos de um quilómetro da localidade Nivigo. E a mensagem de Nivigo de que a pobreza não se pode eliminar nas actuais circunstâncias, veio a repetir-se em quase todos os lugares por onde passou o governador Lázaro Mathe. Reitera sempre que combater este flagelo só pode ser possível se forem tomadas acções muito concretas na área da agricultura, base da economia nacional. Também dizem que não se combate pobreza com a manutenção da medida que proíbe o abate dos elefantes que devastam as suas machambas. Os sete biliões alocados ao distrito de Quissanga são, outrossim, o ponto à volta do qual reinam muitas desconfianças. O administrador distrital, Alafo Abdala, é acusado de decidir sozinho sobre o destino daquele bolo orçamental. A população quer saber a quem vai beneficiar o dinheiro e em que áreas de desenvolvimento, facto que levou a que Alafo Abdala reagisse, em jeito de esclarecimento. "O Conselho Consultivo do Distrito reuniu-se e encontrou algumas prioridades, como seja a construção de um centro de Saúde de Macoba, uma fonte de água na aldeia Linde, reabilitação da residência do secretário permanente do distrito", disse o administrador do distrito de Quissanga. De acordo com o governante, o centro de Saúde vai custar 4,5 milhões meticais da nova família, a fonte de água 350 mil MTn. Entretanto, o distrito foi desaconselhado a reabilitar a casa do secretário permanente, por o dinheiro não se destinar à reabilitação de infra-estruturas do Estado. Sendo assim, conforme apurou o nosso Jornal, o dinheiro foi reorientado para outras acções, como a compra de um atrelado para tractor, charruas, grades e capineiras, já requisitado. Pensa-se igualmente na criação de uma loja a entregar a um comerciante que tenha a capacidade de comprar e vender produtos em grandes quantidades, já encontrado na sede do distrito, a quem se lhe deu 350 mil MTn. A aquisição de bombas pedestais, em Maputo, a compra de 261 caprinos para 87 famílias, para o fomento, redes para associações de pescadores de Bilibiza, Mahate e sede do distrito e o financiamento a associações de carpinteiros, constam das prioridades do Conselho Consultivo Distrital para a utilização do valor de 2,15 milhões MTn. "Mas são ideias nossas. Como não sabíamos ainda dos custos, corremos o risco de não concluir todos os projectos; é pouco o dinheiro que resta" diz Alafo Abdala. É aqui onde residem as desconfianças da população. Já na sede do posto administrativo de Mahate, onde teve lugar a sessão extraordinária do Governo do distrito, vozes se levantaram de dentro do Conselho Consultivo a negar que tenham conhecimento dos projectos anunciados pelo administrador, deixando a nu o facto de que a sua participação foi nula.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Feliz Aniversário D. Nair...


Dedico com imensa saudade a D. Nair Gabão, lá na Régua do belo Douro.
Feliz 81. aniversário D. Nair:

ORELHA DO MAR - 2

tão quieta escutando
serena luzindo

o sol se derrama
sobre o teu vestido

o que vens buscar
nesta areia morna

segredos que vais
pela maré alta
levar aos corais

ou lágrimas soltas ?

In "Algures no Tempo" - Glória de Sant'Anna

Moçambique - Crime sem dó !


Uma missionária portuguesa e um padre brasileiro foram assassinados ontem de madrugada durante um assalto ocorrido em Fonte Boa, Moçambique. Outros dois missionários, um português de 50 anos natural do Porto e um moçambicano de 65 anos ficaram ligeiramente feridos.
Idalina Neto Gomes, de 30 anos, natural de Fonte de Arcadinha, Aguiar da Beira, foi esfaqueada, asfixiada e espancada até à morte quando fugia aos ladrões que, sob ameaças de armas, assaltaram diversas habitações de padres e freiras.Segundo o CM apurou, os assaltantes chegaram à aldeia em quatro jipes todo-o-terreno e introduziram-se nas habitações pelo telhado (as janelas estavam protegidas por grades). Espalharam o pânico, obrigando os residentes a fugir por onde podiam. Idalina foi por um lado e dois outros missionários portugueses (Sérgio e Filipa) por outro. Foi nessa altura que um dos ladrões interceptou a portuguesa e a assassinou. O padre brasileiro foi morto a tiro. A Polícia de Investigação Criminal de Tete diz que tudo aponta para que os assassinatos tenham sido um “ajustes de contas”: “Há poucos meses, numa tentativa de furto de um veículo na missão, um dos assaltantes foi morto. Acreditamos que este assalto tenha sido uma retaliação.”Idalina Gomes era missionária da Leigos para o Desenvolvimento, organização não governamental católica que desenvolve missões de apoio. Trabalhava na Missão Fonte Boa, na Angónia, província de Tete (onde o seu corpo aguarda repatriamento), centro de Moçambique e perto da fronteira com o Malaui, de onde se presume sejam os criminosos.A jovem, que estava em Moçambique desde Outubro do ano passado e vinha dentro de poucos dias em férias a Portugal, fazia de tudo: geria um projecto agrícola, trabalhava no campo, dava aulas e catequese e ajudava a Fonte Boa, aldeia com problemas económicos e sociais.A notícia da morte da missionária chegou manhã cedo a Fonte de Arcadinha, em Aguiar da Beira. Os pais e os quatro irmãos ficaram revoltados e em choque, sentimentos que se espalharam a toda a população, para quem Idalina Gomes “era o exemplo de uma pessoa empreendedora e com bom coração”.Nos contactos que semanalmente tinha com a família e amigos, por telefone ou ‘e-mail’, a missionária disse sempre que “estava muito feliz” e a concretizar “aquilo que mais queria na vida: ajudar os mais pobres”. Já tinha sido assaltada uma vez mas não se amedrontou nem desistiu.“Ela já era para ter vindo embora mas ficou mais um mês. Vinha de férias mas voltava por mais um ano porque era lá que se sentia bem”, diz lavada em lágrimas Catarina Gomes, irmã. Os pais, Nélson Gomes, de 57 anos, e Maria Andrade, de 54, estão “revoltados” porque a filha “não merecia um fim destes”. “Ela morreu em defesa dos pobres”, desabafou a mãe.
ERA A ADVOGADA DOS POBRES
A morte de Idalina deixou os habitantes de Aguiar da Beira consternados não só pelas circunstâncias mas por se tratar de uma jovem “espectacular e fora do comum”. “Ela era a santidade em pessoa e morreu a ajudar os famintos. Era conhecida como a advogada dos pobres”, diz Maria Loureiro, amiga da família e mãe do ex-deputado Dias Loureiro. A ida de Idalina para Moçambique apanhou todos de surpresa, até mesmo os pais e irmãos, a quem só comunicou o facto um dia antes de partir. “Ela sentia-se lá realizada, estava a concretizar um sonho”, diz a irmã, Catarina Gomes. “Era uma jovem com um futuro profissional e pessoal espectacular à sua frente. Decidiu deixar tudo para trás e foi como voluntária ajudar os outros”, diz Helena Mendes, advogada patrona da jovem com quem partilhou um escritório de advocacia. FAZIA LEITURAS E ERA DO CORO
Idalina deixou a Universidade de Coimbra há sete anos com o diploma de Direito na mão. Ainda exerceu a profissão na zona de Coimbra e em Aguiar da Beira, sua terra natal, mas sempre soube que a sua missão era ajudar os outros. Durante o curso, quando passava os fins-de-semana em casa dos pais, ajudava no trabalho agrícola. Não falhava a missa de domingo, onde fazia as leituras e cantava no coro. Idalina completava 31 anos no dia de Natal. E, há pouco mais de um ano, decidiu ir ao encontro daquilo que realmente a realizava. Depois de conhecer a associação Leigos para o Desenvolvimento não hesitou em fazer a formação e partir para uma missão em Moçambique – onde se dedicava a projectos ligados à agricultura e à pecuária e era responsável pela Ludoteca. Hilário David, presidente da associação, falou com Lina, como era carinhosamente chamada, quatro dias antes de ela ser brutalmente assassinada. “Disse-me que estava muito feliz e que ia prolongar a missão por mais um ano.”
Luís Oliveira, Viseu / S.S - Correio da Manhã de 07/11/2006

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Moçambique - Pesticidas obsoletos: Operação de recolha inicia 2ª feira no norte do país.


Inicia-se hoje a recolha de cerca de 118 toneladas de pesticidas obsoletos identificados nas províncias da Zambézia, Nampula, Niassa e Cabo Delgado.
Trata-se da segunda fase de um projecto que já permitiu a identificação, remoção e armazenamento de um total de 227 toneladas daquelas substâncias perigosas ao nível das regiões centro e sul do país.
De acordo com Samson Cuamba, coordenador do projecto, depois de concluída esta etapa, em Março de 2007, o Governo moçambicano tem projectada a realização de uma conferência internacional de doadores com vista à mobilização dos fundos necessários para a reexportação dos pesticidas.
Tomando como base os dados do inventário realizado na primeira fase do projecto, Samson Cuamba disse que na província de Nampula serão removidas 78 toneladas de pesticidas obsoletos, sete toneladas em Cabo Delgado, dezasseis no Niassa e dezassete na província da Zambézia.
Na prática, segundo a nossa fonte, estes números podem vir a variar considerando que parte dos pesticidas pode ter sido usado desde a altura em que se fez o inventário a esta parte.
Tal como aconteceu nas região sul, onde os pesticidas recolhidos foram acondicionados num armazém central no disrito de Boane, e na zona centro num armazém localizado na cidade da Beira, no norte os gestores do projecto escolheram os armazéns do Instituto de Investigação Agronómica, em Nampula, para conservar os pesticidas a serem recolhidos nas restantes três províncias.
Para a escolha de Nampula, segundo Samson, concorreu o facto de ser a região com a maior quantidade de pesticidas identificados, além de oferecer melhores condições para o posterior escoamento, nomeadamente através do Porto de Nacala.
Considerando que a existência de grandes quantidades de pesticidas representa um risco, Samson Cuamba disse que a estratégia adoptada para a região norte é iniciar a recolha na província de Nampula, numa acção que deverá decorrer em simultâneo na província da Zambézia.
"Vamos começar a recolha na 2ª feira na cidade de Nampula. Depois iremos sucessivamente a Nacala, Namialo, Eráti, Malema, Rapale, Ribauè e Mogovolas. Só depois é que vamos arrancar para a província do Niassa e, por fim para Cabo Delgado. Apesar de fazer parte da região centro incluimos a Zambézia nesta etapa para evitar transportar os pesticidas até à cidade da Beira, sujeitos a atravessar o rio Zambeze. Por outro lado, ainda não foi coberta a província de Manica pelo que, depois de terminarmos o trabalho em Cabo Delgado, vamos avançar para Manica para concluirmos o trabalho de recolha", explica Samson Cuamba.
A operação de recolha e armazenamento de pesticidas na zona Sul foi concluída em Agosto de 2006 enquanto que na zona centro o trabalho se prolongou até finais de Setembro.
Espera-se que na zona norte a operação dure até Março de 2007 considerando as dificuldades que se esperam pelo facto de estarmos a entrar para a época chuvosa, o que vai influenciar negativamente o estado das rodovias, além de que são longas as distâncias entre os pontos onde os pesticidas serão recolhidos e o armazém central onde serão acondicionados.
Orçado em cerca de 1,5 milhão de dólares americanos financiados pelo Japão, o projecto de recolha de pesticidas obsoletos tem assistência técnica da FAO, estando o Governo representado pelos Ministérios da Agricultura e da Coordenação da Acção Ambiental (MICOA).
Maputo, Segunda-Feira, 6 de Novembro de 2006:: Notícias