sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Cólera atinge populações de Cabo Delgado e Moçambique

Cólera mata centena de pessoas no país - Cerca de 150 pessoas perderam a vida vítimas da cólera no país desde Janeiro ao presente mês de Outubro, de um universo de dezanove mil casos diagnosticados no mesmo período. Esta informação foi ontem dada a conhecer na capital moçambicana, Maputo, pelo porta-voz do Ministério da Saúde (MISAU), Leonardo Chavana, no decurso de uma conferência de imprensa, que visava essencialmente dar informações actualizadas sobre os níveis de infecção pela Gripe A no país.

Segundo Chavana, neste momento as autoridades sanitárias estão com as atenções viradas para os distritos de Mocímboa da Praia e Montepuez na província nortenha de Cabo Delgado, zonas onde a doença registou um recrudescimento na semana passada, provocando dois óbitos. Na referida conferência, explicou que na província de Cabo Delgado foram registados na semana passada 163 casos de cólera dos quais 145 no distrito de Montepuez e os restantes 18, no de Mocímboa da Praia. Acrescentou que neste período de temperaturas elevadas, a cólera tem maior campo de actuação, ressalvando que para contrariar a doença os cidadãos moçambicanos devem redobrar esforços no que respeita aos cuidados de higiene. Instado a se pronunciar sobre as principais causas do recrudescimento da cólera naqueles dois pontos da província de Cabo Delgado, apontou factores como a não observância das regras mais elementares de higiene, a fraca disponibilidade da água potável e ainda a existência de pessoas que mesmo sem estarem doentes vivem com o vimbrião da cólera, o que abre espaço para contaminação dos outros em caso de falta de observância dos cuidados de higiene, recomendados pelas autoridades sanitárias.

Falando concretamente sobre os casos de Gripe A no país, o porta-voz do Ministério da Saúde disse que de acordo com a última actualização, as autoridades sanitárias moçambicanas registaram um incremento de casos suspeitos, em cerca de 10, tendo passado de 90 registados até a semana finda para os actuais 100 casos. Disse que os casos confirmados da doença continuam na fase estacionária, uma vez que continuam a ser os 42 registados desde que casos da doença surgiram no país, acrescentando que foi registado mais um caso negativo, passando este tipo de casos de 35 para 36.

Referiu que a província e cidade de Maputo continuam a liderar o número de casos suspeitos da doença, com 20 e 80 casos registados, respectivamente.

Da lista das províncias com registo de casos suspeitos da Gripe A, consta a província de Gaza com dois casos, assim como de Tete e Inhambane, cada uma com o registo de um caso.

Chavana disse ainda que a cidade de Maputo é a única que tem o registo de casos positivos, acrescentando que as autoridades sanitárias do país continuam a redobrar cuidados.
- Bernardo Mbembele, Diário do País, Maputo, 6º feira, 09 de Outubro de 2009- Edição nº 575 Ano III.

Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro

O outro lado da "festa" que a mídia "comprometida" pouco fala ou escreve, em trabalho da jornalista Alessandra Corrêa da BBC Brasil em São Paulo:

Para críticos de Olimpíada, Rio deveria ter outras prioridades. - A escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 recebeu críticas de especialistas que consideram a realização do evento uma inversão de prioridades.

"O Brasil tem outras prioridades e carências sociais para serem resolvidas, como educação, saúde, esporte para todos, habitação", diz o advogado Alberto Murray Neto, ex-membro do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne (Suíça), e um dos principais críticos da realização da Olimpíada no Rio.

O alto custo do evento, calculado em mais de R$ 25 bilhões, as carências na infraestrutura do Rio em áreas como transporte e habitação, a falta de políticas públicas para o esporte e o temor de que os investimentos não se revertam em benefícios mais duradouros para a população são alguns dos problemas apontados por críticos.

“Eu entendo a opção do governo brasileiro como meio de propaganda, de projetar uma imagem mais favorável do próprio Rio, das repercussões econômicas para o turismo. Mas o custo é muito elevado”, diz o economista Gustavo Zimmermann, professor de Economia do Setor Público da Unicamp.

Segurança - Zimmermann diz reconhecer os benefícios que os Jogos trarão em termos de projeção de auto-estima do Brasil, mas considera muito pouco frente aos gastos necessários.

“Os recursos são escassos, e o Rio tem outras prioridades. Por exemplo, o estabelecimento de um plano de segurança”, afirma.

A segurança é considerada um dos principais gargalos na estrutura do Rio para abrigar um evento como os Jogos Olímpicos. O economista Daniel Motta, professor de Economia e Estratégia do Insper (ex-Ibmec/SP), cita o exemplo dos Jogos Pan-Americanos, realizados na cidade em 2007, como mostra de que é possível garantir a segurança de um evento de grande porte. “Nos bastidores, sabemos que o Exército teve que atuar, a polícia teve um esforço concentrado. Mas não tivermos nenhum incidente com segurança”, afirma. No entanto, segundo Zimmermann, a segurança durante os Jogos Olímpicos não será mantida depois do término do evento. “Não vai proteger o cidadão no dia-a-dia”, diz.

Infraestrutura - O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, diz ter torcido pela escolha do Rio e estar satisfeito com a vitória, mas afirma que a cidade não está preparada para os Jogos de 2016.

“É um problema que não começou agora, vem de mais de 20 anos de descaso com alguns setores importantes da cidade”, diz. Guerreiro cita o setor de transportes, que diz considerar deficiente. “Houve um abandono na área de transportes, que privilegiou ônibus e vans em detrimento de metrôs e trens. É um sistema que, para a Olimpíada, somente funcionará se houver mudança radical”, afirma.

Outro setor deficiente apontado pelos especialistas ouvidos pela BBC Brasil é o de habitação e hotelaria. “A rede hoteleira tem uma deficiência incrível de leitos”, diz o presidente do Crea-RJ. “Temos seis anos pela frente, acho que é possível. Mas teremos de tirar o atraso de mais de 20 anos de descaso na área habitacional, de abandono das favelas, do saneamento.” Guerreiro afirma que o principal problema é a falta de recursos. No entanto, o presidente do Crea-RJ diz acreditar que a maioria dos investimentos realizados para os Jogos Olímpicos serão permanentes.

Benefícios temporários - O economista da Unicamp discorda dessa avaliação. Zimmermann afirma que a maior parte das obras e melhorias serão temporárias e trarão benefícios apenas durante o evento. Zimmermann cita o caso de várias instalações esportivas construídas para os Jogos Pan-Americanos, que não são utilizadas atualmente. O professor da Unicamp cita ainda a poluição da Baía de Guanabara, onde serão realizadas provas de iatismo. “Por que não despoluir para o cidadão comum? Vamos despoluir temporariamente para provas de vela?” Alguns defensores da realização dos Jogos no Brasil afirmam que certos investimentos, como a capacitação de mão-de-obra, permanecem depois de encerrado o evento. Zimmermann, porém, diz não concordar com essa avaliação. “Pode acontecer, mas não vi acontecer nos Jogos Pan-Americanos. Faz parte exatamente da incrível incompetência das nossas autoridades esportivas em fazer políticas públicas que ampliem a participação”, afirma Zimmermann.

Exemplo - Segundo Murray, o Brasil deveria aprender com os erros cometidos durante os Jogos Pan-Americanos. "Chegou o momento de a gente olhar os erros do Pan e garantir que não se repitam", diz. "O Rio precisa de resgate social. No Pan, nenhuma obra de infra-estrutura foi feita. O grande legado foi o superfaturamento de obras." O advogado afirma que, como a escolha da cidade já foi decidida, o melhor agora é garantir que todos os gastos sejam feitos de forma transparente. "Amanhã mesmo, o Comitê Olímpico e o governo deveriam criar um site para escancarar as contas desses Jogos", diz.

Esporte - De acordo com Murray, as obras precisam estar atreladas a um programa de recuperação social do Rio, e os governos deveriam aproveitar o momento para criar uma política de esporte de longo prazo. "É preciso fazer escolinhas, criar uma mentalidade olímpica, criar um marco regulatório para o esporte", afirma o advogado. O economista da Unicamp também critica o que considera a falta de políticas para o esporte no Brasil. “Temos uma tremenda concentração de atletas, que são preparados normalmente por organizações privadas, concentrados na Região Sudeste. Mas falta uma política pública para preparar atletas das outras unidades da Federação”, diz Zimmermann. “Se for para fazer a Olimpíada e ter todas essas iniciativas, seria absolutamente saudável. Mas não vi e não vejo nenhuma declaração de dirigentes no sentido de alterar as políticas públicas”, afirma.

Herta Muller - sobrevivente de ditadura comunista que ganha Prémio Nobel da Literatura 2009

Herta Muller, escritora radicada na Alemanha desde 1987, nascida na Romênia e que viveu 30 anos sob intensa ditadura comunista, vence o Nobel de literatura 2009.

Herta Muller venceu o Prêmio Nobel 2009 na categoria literatura nesta quinta-feira, por conta de uma obra "com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, que descreve a paisagem dos excluídos''.

- Minha escrita sempre tratou de como uma ditadura surge, como uma situação pode ocorrer em que um punhado de pessoas poderosas dominam um país e o país desaparece, e só resta um Estado - disse Muller à Reuters.

- Acho que a literatura sempre emerge de coisas que fizeram dano a alguém, e há um tipo de literatura em que os autores não escolhem seu assunto, mas lidam com um que lhes foi lançado - não sou a única escritora assim.
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Muller, que imigrou para a Alemanha após deixar a então comunista Romênia em 1987, fez sua estreia em 1982 com uma coletânea de contos intitulada ''Niederungen'', que foi prontamente censurada pelo governo romeno. O livro relata a vida em um vilarejo na região de Banat, na Romênia, onde ainda vive uma minoria que fala alemão, língua em que a autora sempre escreveu. Em 1984, uma versão sem censura foi publicada na Alemanha e seu trabalho foi devorado pelos leitores.
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- Este país me salvou. Quando cheguei, em 1987, pude finalmente respirar - afirmou. - E quando a ditadura caiu, senti que não estava mais ameaçada. Eu me sinto livre no presente, e as coisas que aconteceram não foram canceladas, estão na minha cabeça. Só tenho uma cabeça, essa que levo por aí, e ela contém tudo aquilo com que cheguei a este país.
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O livro foi seguido por ''Oppresive tango'', lançado na Romênia. Por conta de suas críticas abertas ao governo romeno, e à sua temida polícia secreta, a escritora e seu marido deixaram o país em 1987.

Sua obra é marcada por suas experiências de estranhamento e perseguição política, como no livro "O compromisso", lançado no Brasil pela editora Globo, em que narra as adversidades e humilhações sofridas na Romênia comunista.
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- Não sei se o prêmio tem a ver com os 20 anos do fim do regime comunista. Mas tudo o que escrevi tem a ver com o que tive que viver durante 30 anos sob uma ditadura, disse Herta, em entrevista coletiva, ao ser perguntada sobre o possível caráter político da concessão do Nobel.

- Para as pessoas que viveram nas ditaduras as coisas não terminam quando mudam os tempos, explicou Herta. "Há gente que morreu como vítima da ditadura. Tive amigos que morreram e a queda da ditadura não os reviveu", disse a escritora. Segundo ela, esse é o tema de todos os seus livros e a escritora acredita que "toda a literatura tem a ver com as coisas que fizeram dano às pessoas".

A obra da autora reflete em grande parte o destino das minorias na Alemanha e nos países da Europa Central que, após o fim da Segunda Guerra Mundial, em muitas ocasiões tiveram que pagar duplamente pelas culpas do nacional socialismo em seus países.

Muller, que vive em Berlim desde 1987, nasceu em Nytzkydorf, na Romênia, em 1953 em uma família de minoria alemã - da qual faziam parte outros escritores como Oskar Pastior - e desde muito cedo tentou fazer a ponte entre as duas culturas a quer pertencia. Ela estudou filologia germânica e romena para se aprofundar no conhecimento das duas literaturas das quais se sentia parte.

"Niederungen", seu primeiro livro de contos, foi publicado em 1982, depois de ficar quatro anos na editora e de sofrer cortes impostos pela censura na Romênia do ditador Nicolae Ceaucescu. Antes de se lançar como escritora, Muller chegou a ser demitida de seu cargo de tradutora em uma fábrica de máquinas por negar-se a colaborar com o serviço secreto comunista.

A obra de Muller é uma combinação de uma linguagem especial, por um lado, e o fato de que ela tem uma história para contar sobre como é crescer em uma ditadura, em uma minoria, em outro país. E de como crescer como estrangeira em sua própria família", declarou o secretário da Academia Sueca após o anúncio do Nobel. "É uma escritora fenomenal", concluiu.
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Em seu romance mais recente, "Atemschaukel", Muller conta a história de um jovem de 17 anos que, após a Segunda Guerra Mundial, é levado pelos russos a um campo de trabalhos para ajudar na reconstrução da União Soviética - destino que foi compartilhado por muitos membros da minoria alemã na Europa Central. Os russos acreditavam que, com isso, os alemães estariam pagando suas dívidas por terem sido "cúmplices de Hitler", sem se dar conta que alguns deles também haviam sido vítimas do nazismo.

A obra é uma tentativa de Herta Muller de revelar o que se escondia por trás do silência de sua mãe e de outros romeno-alemães de sua geração que não se atreviam a falar nunca do tempo que haviam passado nos campos de trabalho-escravo soviéticos.

Esta é a primeira vez desde 2003 que o prêmio vai para uma autora em língua alemã, após o recebido pela austríaca Elfriede Jelinek, naquele ano. O último alemão que ganhou o prêmio foi Günter Grass, em 1999. O Nobel da Literatura é entregue anualmente desde 1901. Entre os escritores que já venceram o prêmio estão Thomas Mann, Herman Hesse, Ernest Hemingway, Samuel Beckett, Gabriel García Márquez, José Saramago e J.M. Le Clézio, ganhador do prêmio em 2008.
- Fontes de dados: portal "G1" e "O Globo".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eleições 2009 Moçambique: Últimas Notícias...

:: Boletim publicado pela CIP e AWEPA ::


Na Imprensa Moçambicana:

Canal Moz, Ano 1, n.º 52, Maputo, Quarta-feira, 07 de Outubro de 2009:

  • Prosseguem actos de violência e intimidação por parte do partido no poder -
    Maputo (Canalmoz) - Os actos de intimidação e violência, perpetrados fundamentalmente pelo partido no poder em Moçambique, contra formações políticas da oposição, continuam a manchar a campanha eleitoral em curso. Não obstante o presidente da República, Armando Guebuza, ter recentemente minimizado os incidentes que se repetem amiúde em diversos pontos do país, o facto é que essas graves irregularidade põem em causa a autenticidade do acto eleitoral que, por princípio, deveria ser livre, justo e transparente. Se em eleições anteriores um Sebastião Mabote dizia abertamente que “em Gaza o bandido não tem campo”, hoje, a intimidação por parte de quadros partidários e de funcionários de um Estado que sente dificuldade em se despartidarizar; a repressão exercida por militantes que ostensivamente envergam camisetas do Parti do Frelimo; e o abuso de poder por parte de dirigentes governamentais a nível local, servem para ilustrar a vocação totalitária de uma formação política que, sob a fachada da democracia, está apostada em manter-se no poder com recurso a todo o género de tropelias. Notícias que nos chegam de Tambara dão conta da ocorrência de fluxos populacionais em direcção ao vizinho Malawi como consequência de actos de intimidação desencadeados por elementos afectos ao partido no poder. A violação de domicílios, os espancamentos de civis “suspeitos” de serem membros de partidos da oposição, o rapto e as prisões arbitrárias de pessoas filiadas em partidos como o MDM e a Renamo caracterizam o ambiente que se vive em Machaze. Para além da dramática situação vivida na Província de Manica, na cidade de Tete uma fonte da Renamo afirmou que cerca de três dezenas de militantes desse partido “desapareceram de uma cadeia local, depois de terem sido arbitrariamente presos”. Estão, pois, reunidas as condições para mais um acto eleitoral controverso, que em nada beneficia a imagem de um país arrancado, ainda recentemente, a ferro e fogo das grilhetas da opressão. Para o candidato Armando Guebuza, “os focos de violência que se registam um pouco por todo o país” poderão “não afectar a imagem de Moçambique”, mas para os cidadãos de toda a Nação, crentes numa democracia sã, o que se está a passar tem necessariamente de pôr em risco a legitimidade democrática de um processo que, à partida, está a ser submetido a vicissitudes várias. Para um regime que por tradição se colocou sempre acima da lei, desrespeitando, por índole, os mais elementares direitos dos cidadãos, os actos de intimidação e violência em curso poderão constituir algo de normal. Todavia, para a grande família moçambicana, a situação prevalecente vem confirmar a existência de um esquema de cariz totalitário que acabará, inevitavelmente, por pôr à prova a tolerância e a flexibilidade democráticas das pessoas de bem desta Pátria que deve ser de todos, mas que um punhado teima em tratá-la como feudo à mercê de uma seita política apostada na perpetuação de sistemas caducos. (Redacção)

Correio da Manhã, Ano XIII, n.º 3168, Maputo, Quarta-feira, 07 de Outubro de 2009:

  • CAVALO DE BATALHA DE GUEBUZA “COXO”- Corrupção está em crescendo: Aquele que foi dos mais evidentes “cavalos de batalha” política de Armando Guebuza na sua corrida eleitoral ao mandato na sua fase terminal, a luta contra a corrupção, parece estar “coxo”, a avaliar pelos relatórios dos mais variados organismos de prestígio mundial. Para além dos dados da pesquisa da Fundação Mo Ibrahimo que faz manchete nesta edição, outro dado publicado esta semana dá conta de que o nível de corrupção em Moçambique aumentou nos últimos 12 meses. De acordo com os dados da Transparência Internacional, Moçambique está em 126º lugar, cerca de 15 lugares abaixo da classificação obtida no ano passado.
    Com um total de 180 países avaliados a lista é encabe çada mais uma vez pela Dinamarca, seguida da Nova Zelândia, Suécia e Singapura, num cenário em que dos lusófonos o Cabo Verde foi o único país a melhorar a classificação subindo de 49º para o 47º lugar.
    No relatório anterior Moçambique ocupava o 111º lugar. O mais recente (Set.09, vide Cm 3154, pág. 3) relatório sobre ambiente de negócios à escala mundial revela que Moçambique baixou a sua performance a nível da SADC, quando comparado com o relatório imediatamente anterior. (Redação)

12 DE OUTUBRO: Dia das Crianças...

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Lendo que:

-Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.” - Art. 5º. Estatuto da Criança e do Adolescente - Brasil.

- Prostituição Infantil e Pedofilia - O Unicef denuncia que, a cada ano, pelo menos um milhão de menores (três mil ao dia) são introduzido no mercado do sexo, mas alguns pesquisadores acreditam que o número deva ser quatro vezes maior porque ainda não existem dados estatísticos totalmente confiáveis. Segundo estimativas da ONU, no ano passado um total de 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos foram abusados sexualmente no mundo todo.

- Estatísticas da Organização Mundial do Trabalho (OIT) mostram que 1,8 milhão de crianças e adolescentes são abusados sexualmente no mundo, a cada ano. No Brasil, as cifras mostram que 100 mil meninos e meninas são vítimas de exploração sexual.

- Fome e desnutrição: Cerca de 6 milhões de crianças morrem a cada ano pela fraqueza de seu sistema imunológico causada por fome e desnutrição, o que as torna incapazes de superar doenças infecciosas curáveis, como diarréia, sarampo e malária.

- 63% das crianças dos meios rurais em Moçambique vivem em pobreza extrema e 34% das famílias não conseguem garantir uma alimentação estável e enfrentam fome permanente.

- Todos os dias, mais de 850 milhões de pessoas vão se deitar com fome; dentre elas, 300 milhões são crianças.

- A cada cinco segundos, uma delas morre de fome.

- Trabalho Infantil: A UNICEF estima que existem 158 milhões de crianças menores de 15 anos vítimas de trabalho infantil em todo o mundo e que mais de 100 milhões, quase 70 por cento da população laboral infantil, trabalham na agricultura em áreas rurais onde o acesso à escola e ao material educativo é muito limitado.

- No Brasil, cerca de 4 milhões de crianças trabalham no meio rural e somente 29% delas recebem remuneração. Entre as crianças de 5 a 9 anos, somente 7% recebem remuneração e um grande número não têm acesso à educação.

- Na Ásia, a situação ainda é mais grave, pois 61% das crianças trabalham.

- Na África, em cada cinco crianças, duas trabalham.

- Analfabetismo: Em pleno século 21, o Brasil ainda tem 680 mil crianças que não freqüentam a escola. No Brasil, 11,5% das crianças de oito e nove anos são analfabetas, segundo o IBGE. O percentual supera a média nacional entre adultos, de 10%. No Nordeste, o índice infantil vai a 23%. No Maranhão atinge o pico nacional: 38%.

- Pelo menos 100 milhões de crianças em idade escolar esperam por uma vaga em colégios nos países pobres, regiões em que o fornecimento de educação básica está entre as “Metas do Milênio” estabelecidas pela ONU.

- “Temos mais de 100 milhões de crianças sem escola no mundo, dos quais 58 milhões são meninas".

- Vítimas da violência e guerra: Estima-se que, só no Brasil, 18 mil crianças são vítimas de espancamento e uma a cada minuto de algum tipo de violência: emocional, física ou sexual .

- Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para uma taxa de 53 mil crianças mortas todos os anos por homicídio no mundo. Segundo dados da Unicef, entre 133 milhões e 275 milhões de crianças são vítimas ou testemunhas de violência em casa. Em muitas sociedades, a violência contra a criança é tolerada, já que ganha uma conotação de “medida de disciplina”. O medo de denunciar os autores da violência é o que faz a violência contra crianças continuar escondida. Nas escolas, orfanatos e, principalmente, centros de detenção juvenil a situação é ainda pior.

- Segundo o relatório, 1 milhão de crianças estão presas no mundo. Uma estimativa das Nações Unidas (ONU) revela que mais de 250 mil crianças são recrutadas para a guerra no mundo e que, pelo menos em 13 países do mundo, o recrutamento e uso de crianças nos conflitos armados é válido. Presas no inferno dos conflitos armados, as crianças são forçadas a testemunhar as atrocidades cometidas contra seus pais, ou, ainda, são detidas, separadas de suas famílias, pressionadas a servirem como soldados ou até mortas.

- Acidentes graves e mortes: Os acidentes, ou lesões não-intencionais, representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. No total, cerca de 6 mil crianças até 14 anos morrem e 140 mil são hospitalizadas anualmente segundo dados do Ministério da Saúde, configurando-se como uma séria questão de saúde pública. Estimativas mostram que a cada morte, outras quatro crianças ficam com seqüelas permanentes que irá gerar, provavelmente, conseqüências emocionais, sociais e financeiras à essa família e à sociedade. De acordo com o governo brasileiro, cerca de R$ 63 milhões são gastos na rede do SUS – Sistema Único de Saúde.

- Doenças e Mortalidade Infantil: A AIDS deixou órfãs 15 milhões de crianças; Mais de 500 mil crianças nasceram com o HIV, o vírus causador da Aids, no ano passado. Entre elas, cerca de 20 mil crianças brasileiras. “Centenas de milhares de crianças nascem com HIV todos os anos, quando isso é algo que pode ser evitado, e muitos deles morrem no primeiro dia de nascidos”.

- Todos os anos, 11 milhões de crianças, a maioria com menos de cinco anos morrem devido a doenças como a malária, a diarréia e a pneumonia.

- A cada 30 segundos, uma criança africana morre por causa da malária, o que significa mais de 1 milhão de crianças mortas por ano.

- A cada hora uma criança morre vítima de alguma espécie de câncer no Brasil, segundo pesquisa divulgada pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer). Dez mil crianças e adolescentes acima de quatro anos morrem de câncer anualmente no Brasil, número que poderia ser bem menor se o governo ampliasse os recursos destinados à compra de medicamentos. É a doença que mais mata crianças e adolescentes no país.

... Há muito pouco para comemorar no próximo dia 12 de Outubro, DIA DAS CRIANÇAS!

  • UNICEF Moçambique.
  • No Brasil - Disque 100, Denuncie! - O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), em parceria com a Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras) e o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria). Por meio do 100, o usuário pode denunciar violências contra crianças e adolescentes, colher informações acerca do paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares. O serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, num prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo. “Se deixarmos de fazer o que precisamos para proteger uma criança, que diferença teremos daqueles que as violentam?” (Jefferson Drezett).

- Fontes: SEGS e Google.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Diversificando: Os centenários bondes elétricos de Santos

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

Anualmente, dia 23 de Setembro é o Dia Municipal do Bonde em Santos, estado de São Paulo, Brasil, data que, depois de quase 30 anos de esquecimento e abandono, marca o retorno dos bondes elétricos às ruas e ao centro antigo da cidade, em linha turística que passa por várias edificações-monumentos testemunhas de uma época de muita riqueza.

Em 2005 a cidade do Porto em Portugal doou 3 exemplares de bondes elétricos para Santos. Em 24 de Janeiro de 2006 foi inagurado o primeiro veículo totalmente recuperado e de cor amarela. Em 23 de Setembro de 2008 foi inaugurado, a meio de muita comemoração, o segundo veículo, desta vez de cor verde. Nas oficinas de bondes, ainda há mais um bonde português, 1 norte-americano e 2 italianos. Os bondes estão sendo reformados e circularão nas linhas turísticas que contam com 5kms. de extensão no total, no centro histórico de Santos.

Os três bondes doados pela cidade do Porto, em Portugal, tiveram seus sistemas totalmente adaptados para poder rodar nas linhas santistas, junto aos dois procedentes da Escócia e um reboque. Ainda estão sendo restaurados dois exemplares italianos, doados pela cidade de Turim. Um deles funcionará como restaurante sobre trilhos. Completam o acervo, outros dois exemplares norte-americanos doados pelo Sesc-Bertioga, somando 10 carros, incluindo o que funciona como ponto de informações turísticas na praia do Gonzaga. Assim, em quatro anos, o acervo passou de três para dez unidades.

Paralelamente, a ampliação da linha turística contemplará 40 pontos de interesse histórico, artístico e cultural. Para que tudo isso se tornasse realidade, foi necessário superar inúmeros desafios técnicos num esforço conjunto da Prefeitura Municipal e da Companhia Santista de Transportes Coletivos - CET, responsável pela recuperação dos sistemas originais de funcionamento dos antigos veículos. O serviço representou um grande desafio técnico e as informações elétricas e mecânicas necessárias foram fornecidas pela Companhia de Transportes Coletivos do Rio de Janeiro, auxiliada pela Fundação Arquivo e Memória de Santos, na recuperação de documentos, fotos e plantas.

O desfile dos bondes pelos trilhos da cidade de Santos representa um verdadeiro museu a céu aberto, dotado de peças representantes de vários países, que encanta, a preço simbólico de R$1,00, quem os utiliza e aprende a conhecer o passado importante de Santos, e emociona quem, como eu, teve a felicidade de neles andar, ainda jovem estudante, pelas ruas da Invicta Cidade do Porto, rumo a Campanhã, às Antas, à Praça ou até à Foz do rio Douro...

  • Outros post's deste blogue sobre os Bondes de Santos - Aqui!
  • Quase tudo sobre os Bondes de Santos no Blogue "Muito Bem!" de Emilio Pechini!
  • Bondes sobreviventes no Brasil (pdf).

Um video sobre o 23 de Setembro, Dia Municipal do Bonde de Santos, onde poderemos observar os restaurados "portuenses" 193 (10) e 224 (14) circulando pelas ruas antigas da cidade santista:

- Fontes de dados: Youtube, Revista Beach & Co., Google e blogue "Muito Bem".

  • Centenário 1909 - 2009: No dia 28 de abril de 1909 os bondes elétricos começaram a circular em Santos, operados pela empresa The City of Santos Improvements Company. Até então, os veículos eram puxados por animais ou movidos à vapor.
    A novidade marcava a modernização do sistema de transporte público do município, o qual exerceu importante papel no crescimento da economia e o surgimento de novos bairros ao longo do seu trajeto.
    Cem anos depois, o bonde é uma das principais atrações turísticas da cidade, transportando santistas e visitantes numa viagem inesquecível pelos trilhos da Linha do Centro Histórico. Mais de 830 mil pessoas já fizeram o passeio! - Bonde Turístico de Santos; Prefeitura Municipal de Santos.