8/26/08

Ex-Combatentes do Ultramar - Ignorados, desconhecidos, desprezados e agora também abandonados!

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui.)
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Envolvido por uma juventude vivenciada em Pemba-Moçambique-colónia, recebo diáriamente o news letter de um portal - "Guerra do Ultramar" onde se fala e tenta manter viva a memória e a HISTÓRIA de muitos heróis de uma guerra acontecida no ex-ultramar português até Abril de 1975.
Normalmente, as nações, colocando de lado ideais políticos de esquerda ou direita, reverenciam, homenageiam, respeitam, prestigiam e acarinham com destaque, porque são exemplos que honram, enobrecem e fazem parte da HISTÓRIA, seus ex-combatentes, seus heróis sofridos, mutilados, arruinados psicológica e fisicamente, quando vivos, assim como cuidam das campas e protegem as famílias dos que morreram com glória e coragem em defesa da Pátria.
Lamentávelmente, parece que isso não vem acontecendo no Portugal de agora, onde, segundo leio e vejo no portal referido acima e na reportagem do passado dia 10 de Agosto do diário português "Correio da Manhã" que transcrevo em parte devido à extensão do texto, mas que poderá ser lido integralmente aqui, os heróis portugueses da antiga guerra do ultramar vivem o presente do culminar de suas vidas, nas ruas da amargura e do abandono que envergonha e humilha. Pois aqui fica:
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10 Agosto 2008 - 00h00 - Ultramar - A luta na rua.
Ser sem-abrigo é estar na condição de alguém que esgotou todos os recursos para resolver as vicissitudes da vida. É uma luta inglória que cerca de 200 veteranos da Guerra do Ultramar vivem hoje, apesar de a esta terem sobrevivido. Vale-lhes a caridade.
É preciso coragem para viver duas guerras: a de ter combatido no Ultramar e a de ser sem-abrigo. Deitado colado à montra do posto dos Correios da rua dos Caminhos de Ferro, junto a Santa Apolónia, Lisboa, repousa um antigo primeiro-cabo na Guerra Colonial hoje sem morada para receber correspondência. José Freitas foi obrigado a defender a pátria em Angola. Como ele, combateram cerca de 1,2 milhões de efectivos, dos quais 700 mil estão vivos. Quase dez mil morreram em batalha e têm os nomes inscritos no Monumento ao Combatente, perto da Torre de Belém. Regressaram 30 mil com o corpo ferido, deficiente. Pela cabeça de metade passam traumas e stress de guerra. Estima-se, por fim, que 200 sejam sem-abrigo – mas quem cuida destes?
Todas as noites há rondas da Comunidade Vida e Paz – e de outras instituições – na rotina dos sem-abrigo de Lisboa. Por ser Verão basta um saco-cama para enrolar José Freitas.
'Vim parar à rua porque sou da rua', diz, emocionado. 'Não tenho rendimento mínimo, não tenho nada. O que tenho é de arrumar carros.' O seu corpo está visivelmente debilitado. Muito magro.
'A única memória que tenho da guerra é que fui para a mata no Toto. Estive ali 17 meses até que saí para Luanda onde ia embarcar, mas fiquei lá sete meses', recorda, levantando a manga para mostrar a tatuagem. As suas palavras são vagas. E estas são as curtas memórias que se podem ouvir de José quando fala deste período da sua vida, entre 1972 e 74. 'Não sofro com nada, só que gosto de andar sozinho. Tenho muitos amigos – e aponta para os dois sem-abrigo ao seu lado – só que, às vezes, gosto que não falem comigo' – afirma. Depois, confessa que 'antes de ir para a tropa não era assim'. Dizem os técnicos que o acompanham que nos últimos dez anos se tem degradado física e emocionalmente – é o alcoolismo.
Não é fácil fazer com que um sem-abrigo conte o que se passou na tropa. António Bengaló, 63 anos, era o soldado 33 446 em Moçambique. Embarcou em 1965 e regressou, precisa, a 14 de Março de 68. 'A mágoa que sinto é uma coisa muito íntima. Acredito que haja muitos [ex-combatentes] que se façam de malucos só por interesse.' Mas este não aceita essa ‘alcunha’. 'Estive um ano na Zambézia. Não havia lá guerra nenhuma. No Sul havia a chamada guerra subversiva e no Norte é que já havia zona de combate. Quando fui para aí lembro-me de um rapaz que era alcunhado de ‘Alho’ – até parece que o estou a ver – e havia outro rapazola perto de nós que com um estilhaço na garganta morreu aos meus pés...'
As pernas de António já fraquejam. Garante que não é alcoólico e que só ganha 180 euros do Rendimento Social de Inserção. Servem para pagar o quarto. Alimentação é o que lhe vai aparecendo com o apoio aos sem-abrigo. 'Já sei que não sou desprezado.' Pelo menos diz isso porque exclui a família. Da mulher divorciou-se e 'os filhos aproveitam a deixa para ser livres e, depois, o velho não presta para nada.' Da profissão de dourador (trabalho com peças antigas de sacristia) e, depois do 25 de Abril, de pintor da construção civil, ainda não recebe qualquer reforma... ...
- A reportagem na íntegra no "Correio da Manhã"!

  • Guerra do Ultramar: Guerra na Rua - Aqui!


  • Combatentes mortos na guerra colonial... - Aqui!


  • retornados de África; A mancha que não se apaga - Aqui!

E, é bom lembrar aos "senhores do agora", que a HISTÓRIA se fará. E não perdoará quem não a respeita nem honra!

China acusada de manipular cobertura de Olimpíada.

Boicote os jogos Olímpicos de Pequim 2008
Falta de liberdade na China:
Tela negra
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A
organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras emitiu um comunicado nesta terça-feira acusando o governo da China de emitir uma diretiva "politizando" e manipulando a cobertura da Olimpíada.
A lista de diretrizes contém 21 pontos que a imprensa chinesa foi obrigada a seguir durante os Jogos, sob pena de ser notificada pelo Departamento de Propaganda do governo.
O jornal de
Hong Kong South China Morning Post
já havia mencionado a existência do documento em uma reportagem publicada há duas semanas, mas somente agora a ONG conseguiu ter acesso ao conteúdo das diretrizes, que foram postadas na Internet por um blogueiro chinês.
"Nós pedimos que o Comitê Olímpico Internacional, COI, investigue essa diretiva de censura, que é uma violação das garantias dadas em 2001 e um desrespeito ao livre fluxo de notícias na China", afirma o comunicado da RSF.
Segundo a organização, o documento revela que "o Partido Comunista, organizador dos Jogos, estava claramente com medo de que o evento fosse atrapalhado por notícias sobre esporte, política e internacional".
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Regras.
A lista de 21 pontos detalha tópicos que a imprensa chinesa teve de evitar mencionar durante a cobertura do evento - alguns assuntos são claramente delicados, mas outros não apresentam razão para polêmica à primeira vista.
"Não é surpresa que o departamento de censura do Partido Comunista tenha banido a cobertura sobre demonstrações de grupos pró-Tibete ou a existência de áreas para protesto em Pequim, mas as instruções relativas à segurança alimentar e aos resultados da equipe chinesa são espantosas", afirmou a organização.
O ponto 21 da diretriz proíbe os jornalistas de questionar o desempenho dos atletas e o processo de seleção para o time olímpico chinês. Na prática, vários talentos são recrutados muito jovens e vão para campos de treinamento quando ainda são crianças.
Segurança também é outra preocupação do governo. No item 17, o documento pede que a imprensa se detenha à versão oficial dos fatos publicada pela agência estatal Xinhua, ao reportar incidentes envolvendo estrangeiros.
Um exemplo disso foi o caso do turista americano esfaqueado no segundo dia da Olimpíada na Torre do Tambor em Pequim. Jornalistas chineses chegaram a apurar informações independentemente, mas tiveram seus blocos de notas apreendidos por agentes do governo.
No ponto 19 a diretriz repete claramente o pedido de que os jornalistas reportem de maneira "positiva" as questões de segurança.
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Limite.
Os limites impostos pelo departamento de Propaganda no ponto 13 sugerem que os jornalistas se abstenham de dar notícias sobre Mianmar, Darfur e Coréia do Norte, tópicos da política externa chinesa que são visto com reprovação pelo ocidente.
A diretriz também proíbe qualquer menção à existência de alimentos cancerígenos na capital (ponto 8), o desbloqueio de sites censurados na Internet, incluindo o da RSF (ponto 2), e críticas à cerimônia de abertura (ponto 10).
A cerimônia foi um tema amplamente discutido pela imprensa ocidental, que se mostrou surpresa após a revelação de que a artista mirim que cantou na abertura estava apenas fingindo, já que a canção era na verdade uma gravação com a voz de outra menina.
O assunto chegou a ser noticiado pela imprensa estatal - mas assim que usuários da internet começaram a expressar em fóruns da rede revolta com o ocorrido, o governo suspendeu a cobertura da polêmica.
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BBC Brasil/Terra
-26/08/08.
  • Sobre os jogos Olímpicos de Pequim - Aqui e Aqui!