11/18/06

Moçambique - Dinamarca financia II fase de fibra óptica.


O reino da Dinamarca acaba de colocar à disposição do Governo de Moçambique cerca de 15 milhões de euros para o financiamento da segunda fase do projecto da rede nacional de transmissão, ligação em fibra óptica.
O acordo para a concessão deste crédito misto (inclui uma parte de donativo), a uma taxa de juro de zero porcento, foi rubricado ontem em Maputo pelo Ministro das Finanças, Manuel Chang, e pelo primeiro vice-presidente do Nordea Banc da Dinamarca, Egil Rindorf. Trata-se de um projecto a ser implementado pela empresa Telecomunicações de Moçambique (TDM) e que compreenderá a ligação em fibra óptica entre as cidades de Cuamba-Lichinga, Nampula-Pemba e Chimoio-Tete-Caia, enquadrado no programa de desenvolvimento de infra-estruturas do sector dos Transportes e Comunicações. Segundo dados divulgados na ocasião pelo presidente do Conselho de Administração da TDM, Joaquim de Carvalho, os trabalhos no terreno deverão começar entre Abril e Maio do próximo ano. Espera-se que a primeira fase do projecto, ora em curso e avaliada em 13 milhões de euros (também financiados pela Dinamarca), esteja concluída até ao final do primeiro trimestre do próximo ano. Com a conclusão das duas fases, em finais de 2008, Moçambique terá todas as capitais provinciais ligadas por fibra óptica. O passo seguinte será aquilo que se chama, em linguagem de telecomunicações, "redundância", ou seja, criação de ligações alternativas para serem usadas em caso de avaria. Falando momentos após a assinatura do acordo, Manuel Chang disse que o financiamento representa o reconhecimento do Governo dinamarquês da importância do desenvolvimento do sector de infra-estruturas dos Transportes e Comunicações. Disse, igualmente, que o financiamento enquadra-se no programa quinquenal do Governo e nos esforços para promover o crescimento e reduzir a incidência da pobreza absoluta no país, onde, para este sector, se elegem, dentre outras prioridades, a reabilitação de infra-estruturas, incentivo à melhoria de qualidade na prestação de serviços e o desenvolvimento de uma rede de transmissão em banda larga para satisfazer as necessidades do mercado de comunicações. Enquanto isso, o primeiro vice-presidente do Nordea Banc da Dinamarca reiterou o compromisso da sua instituição no financiamento de iniciativas no sector dos Transportes e Comunicações e não só. A assinatura do acordo foi testemunhada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, António Munguambe.
Maputo, Sábado, 18 de Novembro de 2006:: Notícias

11/16/06

Quase um "elétrico" chamado Amizade...


Quem diria...
Por quase dois dias convivemos, neste lado do mar, com velhos Amigos que nos trouxeram o calor da Amizade de sempre e antigas recordações de Moçambique e Porto Amélia, hoje Pemba.
Revivemos com o David Ribeiro nosso tempo de "tropa" no Moçambique do passado...
Voltamos a viver com a Maria José Costa a lembrança dramática do assassinato por emboscada covarde da Frelimo a 80 kms de Porto Amélia, na fatídica tarde de 31 de Janeiro de 1973, de seus indefesos Pais António Costa e Conceição Maria Simões Costa, comerciantes e agricultores em Bilibiza, quando, depois de a deixarem com sua irmã no Colégio de São Paulo de Porto Amélia regressavam ao interior de Cabo Delgado acompanhados por um empregado que também foi assassinado sem dó nem piedade...
Soubemos notícias, através do jovem Nuno Mendes, nascido em Nampula e que "aportou" no Brasil com um ano de idade, como vão lá por Ribeirão Preto sua Mãe Adelina Mendes e o Tio José Manuel B. S. Mendes, "herdeiros" do saudoso e sempre impecável no trato Sr. Mendes da Sagal-Montepuez, que veio para o Brasil nos idos de 75...
Enfim..."acordamos" saudades do inesquecível solo do norte de Moçambique, falamos do recanto luso e também apreciamos, nos escassos e valiosos dois dias que nos ofereceram, algumas das inigualáveis belezas e sabores do litoral paulista deste imenso Brasil...
A esta hora, para nossa contrariedade, estão "voando" (o casal David e Maria José) de volta ao Porto lusitano. E, mais uma vez, ficou o vazio da emoção que nasce das despedidas...Mas ficou também a certeza da genuína Amizade das antigas gentes de Pemba e de futuros reencontros quem sabe agora, desse lado do mar imenso e azul.
Na foto, ao fundo, vê-se um dos elétricos já recuperados e em funcionamento, que a invicta cidade do Porto ofereceu e mandou de navio, alguns meses atrás, para a cidade de Santos no Brasil. E funcionam que é uma beleza, para alegria dos turistas.

11/15/06

Em Namuno e Mogovolas : Mais de mil alunos não fizeram exames.


Mais de mil alunos da 7a classe, distribuídos em dez centros de exames, ficaram sem fazer as respectivas provas finais de Português e Ciências Naturais programados para a segunda-feira, primeiro dia, no distrito de Namuno, em Cabo Delgado, devido à avaria registada na viatura que levava as provas da sede distrital aos locais de realização. Em Mogovolas, Nampula, perto de 50 alunos da 5a classe não fizeram igualmente os exames por avaria da motorizada que era usada para o transporte dos enunciados.
O Ministério da Educação e Cultura está a estudar a forma de reparar, sem prejudicar os alunos, esta situação e outras que provavelmente poderão ter ocorrido noutros centros, devendo dar as mesmas oportunidades que outros tiveram. Segundo Jafete Mabote, da Comissão Nacional de Exames, trata-se de um problema logístico que deverá ter uma solução rápida e favorável para os alunos. Conforme disse, existem duas possibilidades para a solução do problema. A primeira seria esperar pela segunda chamada, e a segunda seria o ministro da Educação e Cultura decidir pela realização de uma prova extraordinária para os alunos afectados. Tirando este incidente e de uma forma geral, os exames estão a decorrer em todo o país num ambiente satisfatório, apesar de a chuva estar a cair em muitos pontos das diversas províncias. Ainda sobre as faltas acontecidas no primeiro dia, a cidade de Maputo registou uma ausência de pelo menos 942 alunos da 5a classe no primeiro exame de Português e 708 no de Ciências Naturais, o que dá uma média de oito alunos por escola, enquanto que na 7a classe faltaram 322 alunos nas duas provas, o que corresponde a sete alunos faltosos por escola. No total, faltaram 1264 na cidade de Maputo, o que corresponde a 1.4 porcento dos 90.100 examinandos previstos para os dois subsistemas. "Neste caso, os alunos deverão ficar à espera da segunda chamada", disse Mabote. Já na Beira, as notícias que nos chegam dão conta de que está tudo a correr conforme o previsto, estando a ser submetidos aos exames 16.860 alunos da 5a classe e 13.927 da 7a. No que diz respeito aos exames de Alfabetização e Educação de Adultos, que deverão decorrer entre quinta e sexta-feira, estão inscritos na Beira 5.322. Em Tete, pelo menos 36 alunos da 5a classe não compareceram ao único exame de Matemática programado para o dia de ontem, devido às fortes chuvas que estão a cair naquela província, tendo as autoridades da Educação assegurado que deverão fazê-lo na segunda chamada. Embora sem informação do número de alunos que provavelmente terão faltado ao exame, sabe-se que a província de Niassa está também sob fortes chuvas, que poderão ter criado problemas ao processo. Informações provenientes de Gaza dão conta de se ter registado a falta de pelo menos quatro alunos no primeiro dia, sendo dois em Mazivila e outros dois em Hókwè. Aponta-se como razões a movimentação de alguns pais para a África do Sul. Fonte da Direcção Provincial da Educação e Cultura disse ser uma situação frequente sempre que se regista seca ou outros desastres naturais, com as pessoas a deslocarem-se àquele país em busca de sustento. O assunto deverá, nos próximos tempos, ser alvo de análise entre o sector e as comunidades. Notícias que nos chegam de diversas partes do país dão conta de que registam-se chuvas torrenciais, o que pode comprometer as metas traçadas para estes exames, devido às dificuldades de acesso, bem como às condições das salas de aulas e falta de mobiliário nalgumas escolas.
Maputo, Quarta-Feira, 15 de Novembro de 2006:: Notícias
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Assaltantes roubam oito biliões em Pemba.
Assaltantes á mão armada roubaram na noite do último domingo pelo menos oito biliões de meticais nas instalações da empresa privada de segurança Alfa Segurança, na cidade de Pemba.O valor era destinado á agência do Standard Bank na capital de Cabo Delgado.O dinheiro, segundo fonte fidedigna, que preferiu o anonimato, vinha transferido de Nampula para aquela agência bancária em Pemba, operação normalmente confiada à Alfa Segurança que, tendo-o recebido no domingo, guardou-o nos seus cofres para entregar ao banco na manhã de ontem.Por volta das 22:30 horas de domingo, três homens fardados, ainda não identificados e a monte, empunhando uma pistola e armas do tipo AKM, assaltaram os cofres da Alfa Segurança, depois de espancarem o guarda em serviço, Avião José Boene, ora hospitalizado na maior unidade sanitária de Cabo Delgado.A porta-voz da PRM, Malva, em contacto, confirmou o acontecimento, mas disse não poder entrar em pormenores quanto aos valores envolvidos, bem como as circunstâncias reais em que tal teve lugar.`Estamos num estado muito avançado á procura da verdade, só que não nos é conveniente entrar agora em pormenores. Aconteceu, isso é verdade´, disse a porta-voz.Outras fontes disseram, ao fim da tarde de ontem, que pelo menos quatro agentes de segurança naquela empresa encontram-se detidos em resultado do trabalho policial em curso visando o esclarecimento do crime.O gerente da agência do Standard Bank, Mário Gaspar, confirmou, por seu turno, a ocorrência, mas igualmente, disse não poder precisar o valor envolvido. `Nós apenas sabemos que estávamos à espera de fundos, porque na verdade os requisitamos, mas não podemos dizer exactamente quanto dinheiro era, porque a nossa responsabilidade só começa quando a Alfa Segurança nos dá o dinheiro, por isso estamos em iguais circunstâncias´, disse Gaspar.
Não foi possível contactar o comandante da Alfa Segurança.
NOTÍCIAS - 14.11.2006

11/10/06

Parabéns Lourenço Marques...aliás Maputo !


Maputo celebra hoje 119 anos de elevação à categoria de cidade.
Fundada por volta de 1877 com a chegada de uma expedição de Obras Públicas de Lisboa, que elaborou o primeiro plano de urbanização, a urbe irá marcar a passagem de mais um aniversário com a realização, na Praça da Independência, de um festival cultural, cujo epicentro será a feira de promoção de produtos "Made in Mozambique", que contará com a participação de cerca de mil expositores e a final do concurso de batuque que vinha decorrendo a nível dos distritos municipais.
A celebração do 10 de Novembro como Dia da Cidade, decretada pela Assembleia Municipal, através da Resolução 2/87, de 3 de Novembro de 1989, acontece numa altura em que a urbe enfrenta diversos constrangimentos derivados da precariedade e gestão deficiente de infra-estruturas, construções desordenadas, falta de habitação, desemprego, criminalidade, entre outros males que tiram brio ao estatuto de capital política, económica e social do país. Entretanto, o presidente do município, Eneas Comiche, na sua mensagem por ocasião da efeméride, afirma que desde Fevereiro de 2004 que assumiu a nobre tarefa de conduzir os destinos de município algumas mudanças estão a ser operadas na perspectiva de mudar a imagem da cidade. A reabilitação de vias de acesso e valas de drenagem no bairro da Mafalala, a reabilitação das avenidas 10 de Novembro, da Malhangalene e Fernão Magalhães, a reabilitação da Rua Irmãos Roby, o tapamento de buracos em várias artérias, a reabilitação dos passeios da Avenida 24 de Julho, do parque de estacionamento do Mercado Central, a construção do descarregador de águas pluviais na Avenida Julius Nyerere, recuperação das placas centrais da "Julius Nyerere", do Jardim dos Namorados, em parceria com o sector privado, são alguns dos sinais demonstrativos do compromisso eleitoral "Tu e Eu Vamos Mudar Maputo", afirma. Comiche aponta ainda a resselagem da Praça da Independência, a intervenção na Praça 25 de Junho, a reabilitação do Jardim Dona Berta (em curso), o lançamento do programa de plantio de 100 mil árvores de sombra, a intervenção nas placas centrais da Avenida Kenneth Kaunda, a renovação da sinalização gráfica vertical nas ruas da cidade, a construção de 96 bancas novas no Mercado Central após o incêndio de 2005, o início da segunda fase de construção do Mercado de Matendene, a reabilitação da Casa Agrária das Mahotas, o apoio ao repovoamento pecuário da Catembe, o desassoreamento do rio Mulaúze, a construção de sanitários em vários mercados e a construção de 630 latrinas melhoradas. "A instituição do prémio literário 10 de Novembro, a realização do 1º festival do batuque, que hoje termina, a realização das I e II edições do festival internacional de música de Maputo, em colaboração com diferentes parceiros, são apenas alguns dos exemplos dos resultados positivos alcançados durante a presente governação", diz Comiche na sua mensagem alusiva ao Dia da Cidade. Entretanto, reconhece que o caminho a percorrer ainda é longo e difícil e que vai exigir de todos paciência, muito trabalho e comprometimento. Como perspectivas imediatas, Comiche aponta os trabalhos em curso de renovação dos semáforos e de conclusão das obras do mercado grossista transitório do Zimpeto, bem como os trabalhos a iniciar nas próximas semanas em valas de drenagem e a reabilitação de estradas. Indica, igualmente, a implementação da nova estratégia de gestão de resíduos sólidos urbanos a partir do próximo ano.
Maputo, Sexta-Feira, 10 de Novembro de 2006:: Notícias

CABO DELGADO : População de Quissanga céptica quanto ao fim da pobreza absoluta...


Disseram a Lázaro Mathe que, como ele próprio afirmou, representava o presidente da República. A população de Quissanga não acredita que a pobreza (ainda que não seja absoluta) venha a acabar no seu distrito, sendo que, na sua opinião, o seu combate não passa de um slogan que pretende apenas mostrar o que seria bom para as populações daquele ponto de Cabo Delgado.
Um dos intervenientes à reunião popular dirigida pelo governador de Cabo Delgado, na localidade de Nivigo, Moisés Dias Air, disse que não se vê a seriedade do que se fala em torno da pobreza, que na sua opinião não pode acabar com uma agricultura de subsistência, em que o homem e a sua mulher todos os dias vão à machamba apenas para conseguirem, uma vez por ano, certas quantidades de comida que nem sequer cobrem todo o período. Dias Air acrescentou que o trabalho destes dois só dá para não morrerem de fome, o que não significa o fim da pobreza, pelo que o Governo, se quiser implementar o seu sonho, deve criar condições para a reintroduçao da agricultura mecanizada, se bem que este sector continua a base de desenvolvimento do país. "Nunca vamos desenvolver com a enxada de cabo curto, sem tractor, quando para se ter acesso ao crédito bancário exigem-se garantias que quem as tem não é pobre. Exigem casas de alvenaria, carros, motorizadas, tudo isso como garantia. Ora, quem tem isso tudo não faz parte do grupo dos pobres que deveriam ser apoiados para saírem da pobreza", sustentou Moisés Dias Air. Em Nivigo, localidade pertencente ao posto administrativo de Bilibiza, em Quissanga, tudo falta, apesar de estar no corredor da estrada Pemba/norte da província, exactamente em Modja. Uma loja encontra-se encerrada desde a guerra dos 16 anos. Vive-se de algumas barracas que os residentes dizem não satisfazer porque, conforme Emilio Abdala, nem sequer vendem pano branco, tradicionalmente usado para funerais. "Quando alguém morre temos que percorrer grandes distâncias à procura de pano branco, normalmente no distrito de Ancuabe. Quando regressa a pessoa já é tarde, razão porque os funerais de Nivigo realizam-se quase sempre à noite" exemplificou Abdala, que gostaria que o Governo local contemplasse a reabilitação das mesquitas no quadro do seu programa com os sete biliões de meticais alocados aos distritos. Aidar Salimo, por seu turno, convida o Executivo a repensar na sua atitude de protecção aos elefantes, que entretanto são a razão principal por que em Nivigo as pessoas passam fome. "Desde a independência nós produzíamos muito arroz nas margens do rio Montepuez. Produzíamos também bananas e batata-doce. Mas agora, com estes elefantes que vocês dizem para serem protegidos, estamos mal. Se fossem do nosso tio haveríamos de matar para mais tarde resolvermos o problema com ele", queixou-se Aidar Salimo. Pires Ássimo Sahá secunda o seu conterrâneo e acrescenta que várias áreas de cultivo de Nivigo, Bilibiza, Ntingue, Tororo e Mauá foram arrasadas impiedosamente e o panorama pode vir a complicar-se nos próximos dias, quando se entrar na (re)abertura das machambas para a safra seguinte. Para quem está a conseguir entrar na sua antiga machamba, fá-lo depois das 10 horas, altura em que os elefantes se retiram, mas para mais logo retomarem a reocupação das áreas de cultivo. "É que os elefantes já tomaram de assalto as áreas de cultivo e ninguém os pode expulsar. O Parque Nacional das Quirimbas diz que são mais importantes que nós", ironizou. A 500 metros do rio Montepuez, Nivigo não tem água potável, os poços da região não escaparam à fúria dos elefantes e há poucas informações sobre vítimas humanas provocadas por aqueles paquidermes.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias
CABO DELGADO : População céptica nas teorias de desenvolvimento rural.
Também existem problemas com os elefantes igualmente na localidade de Cagembe, pertencente ao posto administrativo de Mahate, ainda no distrito de Quissanga Fernando Pia diz que não se percebe que se continue a proteger o elefante enquanto a vida das pessoas está em permanente perigo e jura que Moçambique não se vai desenvolver com elefantes.
"O que está na machamba não é nosso, o que está em casa, também não é nosso. Matam cabritos em casa, juntam-se os ladrões que temos aqui e limpam-nos a casa. Na machamba é outra vez o elefante. Elefante! Elefante! Elefante, senhor governador"! Lázaro Mathe, impotente ante as evidências de graves problemas que concorrem para o empobrecimento das populações, pediu ao povo que acreditasse na vitória sobre a pobreza absoluta, tal como havia acreditado que os moçambicanos seriam capazes de expulsar o colonialismo e combater a guerra dos 16 anos. "Temos uma boa liderança do presidente Armando Emílio Guebuza, que por sua vez escolheu homens firmes para as diferentes frentes de batalha. Havemos de vencer a pobreza. Podem acreditar que havemos de acabar com a pobreza", assegurou Mathe. A população nem sequer acredita nas diferentes teorias sobre o desenvolvimento rural. Disse a Lázaro Mathe que igualmente não vê com bons olhos o trabalho desenvolvido pela Fundação Aga Khan. "Nós não estamos a ver nada. As sementes são caras, mandam técnicos para nos ensinar a semear e vão embora. Não há mais acompanhamento e continuamos na mesma". A experiência recente com a "Maharishi Mozambique Global Administration", ainda na região de Nivigo, aumenta as suspeitas sobre a seriedade dos programas da Aga Khan. O "Notícias" apurou que há cerca de quatro anos, um projecto da "Maharishi" sonhava na utilização futura de 100 mil hectares, para o que dizia haver um investimento na ordem de 100 milhões de dólares norte-americanos a serem aplicados num prazo de cinco anos no desenvolvimento de uma agricultura orgânica e agro-industrial virada à plantação de fruteiras diversas, plantas medicinais e aromáticas, bem como legumes e vegetais, para além da exploração de variedades de madeireiras. Do valor global, segundo soubemos, 400 mil dólares representariam o investimento estrangeiro directo do projecto e seriam aplicados num ano, o mesmo que aconteceria com o investimento nacional directo para o mesmo período. Por outro lado, 99 milhões de dólares seriam realizados sob forma de empréstimos e o Banco de Moçambique seria responsável pela emissão de pareceres sobre os créditos solicitados. Porém, tudo não passou de utopia, incluindo a promessa de empregar, em tais situações, 417 trabalhadores moçambicanos que já haviam começado a devastar as matas da região de Modja (em Nivigo), que entretanto pararam nos 700 hectares, assim que se começou a duvidar da seriedade do projecto.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias
CABO DELGADO : Um sonho adiado
Com o aborto do projecto, os moçambicanos, na maioria de Nivigo e da aldeia Mauá, viram o seu sonho adiado e ninguém ainda foi ao local explicar as circunstâncias em que tal aconteceu, deixando uma dívida que custa esquecer no seio da população.Na verdade, segundo dados reunidos pelo "Notícias", o fim do projecto veio anunciar-se quando a "Maharishi" não conseguiu desalfandegar o equipamento que trazia para o seu início, nomeadamente tractores, buldozeres, pás-escavadoras, máquinas de furo para abastecimento em água, charruas, entre outros.
As razões evocadas pelas autoridades aduaneiras assentavam no facto de maior parte do equipamento ser em segunda mão e outro sem nenhuma relação com as actividades inscritas, como por exemplo, mil câmaras frigoríficas. Por outro lado, a "Maharishiri" impunha ao Governo moçambicano a introdução de um sistema fiduciário não comum entre nós, nomeadamente que na área de influência do projecto, os distritos de Quissanga, Meluco, Montepuez, Ancuabe e Macomia, que se trataria como zona franca, não se usasse a moeda nacional nem outra qualquer, mas sim, circulassem cupões (senhas) para todo o tipo de troca. Numa altura em que ainda não haviam sido apresentadas à parte moçambicana as garantias da existência de dinheiro em algum banco do mundo e a "Maharishi" defendia que as árvores e o que fosse possível fazer como riqueza é que eram o sustento do projecto, o vínculo acabou se dissolvendo, tendo o projecto sido transferido para Madagáscar, onde foi aceite. Esta história, com todo o requinte a que se lhe emprestou, ficou na retina da população dos distritos que seriam abrangidos pelo projecto, mas muito particularmente do distrito de Quissanga, onde se localizava a sua sede, a menos de um quilómetro da localidade Nivigo. E a mensagem de Nivigo de que a pobreza não se pode eliminar nas actuais circunstâncias, veio a repetir-se em quase todos os lugares por onde passou o governador Lázaro Mathe. Reitera sempre que combater este flagelo só pode ser possível se forem tomadas acções muito concretas na área da agricultura, base da economia nacional. Também dizem que não se combate pobreza com a manutenção da medida que proíbe o abate dos elefantes que devastam as suas machambas. Os sete biliões alocados ao distrito de Quissanga são, outrossim, o ponto à volta do qual reinam muitas desconfianças. O administrador distrital, Alafo Abdala, é acusado de decidir sozinho sobre o destino daquele bolo orçamental. A população quer saber a quem vai beneficiar o dinheiro e em que áreas de desenvolvimento, facto que levou a que Alafo Abdala reagisse, em jeito de esclarecimento. "O Conselho Consultivo do Distrito reuniu-se e encontrou algumas prioridades, como seja a construção de um centro de Saúde de Macoba, uma fonte de água na aldeia Linde, reabilitação da residência do secretário permanente do distrito", disse o administrador do distrito de Quissanga. De acordo com o governante, o centro de Saúde vai custar 4,5 milhões meticais da nova família, a fonte de água 350 mil MTn. Entretanto, o distrito foi desaconselhado a reabilitar a casa do secretário permanente, por o dinheiro não se destinar à reabilitação de infra-estruturas do Estado. Sendo assim, conforme apurou o nosso Jornal, o dinheiro foi reorientado para outras acções, como a compra de um atrelado para tractor, charruas, grades e capineiras, já requisitado. Pensa-se igualmente na criação de uma loja a entregar a um comerciante que tenha a capacidade de comprar e vender produtos em grandes quantidades, já encontrado na sede do distrito, a quem se lhe deu 350 mil MTn. A aquisição de bombas pedestais, em Maputo, a compra de 261 caprinos para 87 famílias, para o fomento, redes para associações de pescadores de Bilibiza, Mahate e sede do distrito e o financiamento a associações de carpinteiros, constam das prioridades do Conselho Consultivo Distrital para a utilização do valor de 2,15 milhões MTn. "Mas são ideias nossas. Como não sabíamos ainda dos custos, corremos o risco de não concluir todos os projectos; é pouco o dinheiro que resta" diz Alafo Abdala. É aqui onde residem as desconfianças da população. Já na sede do posto administrativo de Mahate, onde teve lugar a sessão extraordinária do Governo do distrito, vozes se levantaram de dentro do Conselho Consultivo a negar que tenham conhecimento dos projectos anunciados pelo administrador, deixando a nu o facto de que a sua participação foi nula.
PEDRO NACUO - Maputo, Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2006:: Notícias

11/07/06

Feliz Aniversário D. Nair...


Dedico com imensa saudade a D. Nair Gabão, lá na Régua do belo Douro.
Feliz 81. aniversário D. Nair:

ORELHA DO MAR - 2

tão quieta escutando
serena luzindo

o sol se derrama
sobre o teu vestido

o que vens buscar
nesta areia morna

segredos que vais
pela maré alta
levar aos corais

ou lágrimas soltas ?

In "Algures no Tempo" - Glória de Sant'Anna