12/06/06

Aberto inquérito em Macomia por falcatruas nos exames...



O governador de Cabo Delgado, Lázaro Mathe, ordenou segunda-feira última, a abertura de um inquérito para o apuramento das razões porque na Escola Secundária de Macomia-Sede, mais de metade de alunos da 10ª classe reprovou nos exames recentemente realizados, depois de uma queixa pública apresentada por um estudante em pleno comício popular.
O estudante denunciante, de 16 anos de idade, de nome Bonga Issa Agostinho, acusou os seus professores de falta de transparência, pois, entre os alunos que passaram de classe, constam suas três mulheres e um sobrinho de um deles, sobre os quais ele desafia que se tratou de estudantes que durante o ano lectivo tiveram um aproveitamento péssimo.
"Peço que se faça uma investigação para sabermos o que aconteceu na escola porque muitos alunos que chumbaram foram aplicados e o seu aproveitamento ao longo do ano foi muito bom e entre os que passaram, há alunos que sabemos não terem sido bons em toda esta época", disse Bonga.
Bonga Issa não consta dos alunos reprovados, pois passou para a 11ª classe.
Disse estar a tentar defender os seus colegas com quem batalhou durante o ano e que não mereciam tal tratamento.
O estudante queixoso apresentou os nomes dos professores a quem acusa de corrupção e nepotismo e desafiou as autoridades ligadas à Educação a aprofundar a questão, convicto de que hão-de encontrar muitas falcatruas no processo dos exames.
"Há razões suficientes para que a questão não termine com o simples recurso à segunda época, porque os meus colegas, apesar de não apresentarem o problema, têm muita razão", disse Bonga Agostinho, falando depois a jornalistas.
A Escola Secundária de Macomia tinha na 10ª classe 86 alunos, dos quais 45 não conseguiram terminar o ano com bom aproveitamento, conforme os resultados publicados depois da realização dos exames.
Consta que os exames de Macomia foram corrigidos na Escola Secundária de Mueda e o nosso jornal soube de outras fontes de que há indícios de ter havido fotocópias de alguns deles, como sinais evidentes de outros terem sido feitos com a mesma caligrafia.
O governador provincial, no mesmo comício, ouviu publicamente um professor que não conseguiu contrariar o estudante, bem como pôs a falar o director distrital da Educação e Cultura, Francisco Saíde, que disse ter encaminhado o caso à direcção provincial respectiva que ordenou a que todos os chumbados fizessem os exames da segunda época, na tentativa de resolver a aparente injustiça.
Mas para Lázaro Mathe, a segunda época não resolve o problema que Bonga Issa Agostinho apresentou como denúncia, pelo que interessa que se apure com profundidade os termos da queixa do estudante, para o que deixou ficar em Macomia, o representante da Educação e Cultura, na sua comitiva que ainda está a efectuar visitas aos distritos, o porta-voz da mesma, Castro João Balão.
Balão vai chefiar a comissão de inquérito que inclui o director distrital da Educação e Cultura, o da escola visada, o estudante queixoso e um popular que se ofereceu durante o comício a fazer parte da mesma.
Maputo, Quarta-Feira, 6 de Dezembro de 2006:: Notícias

12/03/06

Sonho...


- Quase todas as noites sonho.
Sonho com o passado, com os locais de minha infância, com a Família distante, com as traquinices e "aventuras" de minha adolescência, com as maçanicas "roubadas" no quintal do vizinho, com o "moleque" e "mainato" de nossa casa desaparecidos no tempo, com as gazelas saltitantes lá pelo mato à volta de Porto Amélia e com grasnar dos corvos pretos de minha rua, com o anoitecer no miradouro de nossa cidade, com o som do mar e dos batuques que o vento trazia nas quentes madrugadas de sábado, com os Amigos espalhados pelo mundo que vivem presentes nesses belos sonhos, com os bailes de minha escola e colégio, com o grupo de colegas sentados e reunidos nos muros frontais de nossas casas ao final de noites quentes de cacimbo, com meu saudoso Pai e seus "raspanetes" que me educaram e ajudaram a ser um homem de algumas qualidades e muitas imperfeições e com todos os AMIGOS que já partiram para reino dos espíritos...
Sonho e continuarei a sonhar, teimosamente, todas as noites da vida que ainda viverei, pois o sonho é a constante bela e presente que ainda tenho e o acordar é a realidade de um mundo que desilude, magoa e agride.
J. L. G. - 3 de Dezembro de 2006 - Brasil

Porto Amelia-Pemba no Google Earth...

Eis a magnífica Porto Amélia-Pemba vista por satélite, no Google Earth :







Baixe o Gooogle Earth aqui - http://earth.google.com/
Cortesia de Fernando Leal - Canadá

HERÓIS ESQUECIDOS - Governo português vai rever subsídio que seria atribuído aos combatentes !


O Governo português prepara-se para rever o suplemento de pensão de reforma que iria ser atribuído aos antigos combatentes do Ultramar, segundo adiantou ontem o ministro da Defesa, Severiano Teixeira.
O responsável governamental fez estas declarações ontem de manhã, na Base Aérea nº 6, no Montijo, durante a recepção à força de fuzileiros da Marinha de Guerra e das tripulações dos C-130 da Força Aérea, que regressaram da missão no Congo.
Severiano Teixeira foi confrontado com as declarações do chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Mendes Cabeçadas, que em entrevista ao DN/TSF levantou dúvidas sobre a capacidade financeira do Estado em cumprir com o suplemento da pensão de reforma para os ex-combatentes, uma promessa que considerou ser demagógica "Digo isto sem hipocrisia nenhuma.
Fiz três comissões, vi morrer, vi combater, mas o país não tem recursos para todos os problemas".
O ministro da Defesa esclareceu que o suplemento da pensão "é uma das várias questões que estão em cima da mesa e em que o Governo está a trabalhar".
Severiano não esclareceu em que sentido poderá avançar a decisão governamental, mas deixou fortes pistas "Naturalmente é preciso fazer opções porque os recursos não são ilimitados". Prometeu, no entanto, que a decisão final estará para "breve", que "há várias opções técnicas e estamos a estudar cada uma delas".
A ser assim será mais um motivo de discórdia com as associações e representantes de militares no activo e na reforma, uma situação que tem levado a protestos e à punição do sargento-morte David Pereira, vice-presidente da Associação Nacional de Sargentos, que começou a cumprir na quarta-feira cinco dias de detenção, determinados pelo chefe de estado-Maior da Armada.
O tribunal administrativo de Leiria determinou a suspensão do cumprimento da sanção, que não foi, no entanto, acatada pela Marinha. Severiano Teixeira, no entanto, deixou bem claro que a "competência disciplinar das Forças Armadas é das chefias militares e o ministro da Defesa não tem que comentar", parecendo dar assim razão à decisão da chefia da Armada.
Assim não o entende, no entanto, a Associação Nacional de Sargentos (ANS), que ontem à tarde entregou uma petição na Presidência da República e elaborada por David Pereira, "solicitando a S.Ex. o Presidente da República e comandante Supremo das Forças Armadas, que no rigoroso cumprimento cumprimento das responsabilidades que lhe estão cometidas faça prevalecer os despachos" judiciais para suspensão da medida disciplinar.
Mas a crer na resposta de Severiano Teixeira é de crer que a solitação junto da Presidência não venha a surtir efeito.
O ambiente de tensão que se vive nas Forças Armadas em vários escalões não se limita, no entanto, às questões profissionais e de direitos, uma situação criada na sequência da divulgação pública de uma carta de Mendes Cabeçadas ao ministro da Defesa, onde dava conta das preocupação das chefias face à forma como o poder político estava a gerir os cortes nos direitos. No entanto, Mendes Cabeçadas continua no entanto preocupado com a forma como a carta chegou à Comunicação Social "Não levanto suspeição nenhuma, eu sei como apareceu".
O ambiente parece, de facto, confuso, numa altura em que se preparam também mudanças na chefia do Exército e talvez igualmente da Força Aérea.
E nem uma nem outra foram publicamente esclarecidas.
Uma missão reservada.
A força portuguesa que regressou do Gabão, no âmbito da monotorização das eleições no Congo, era constituída por unidades especiais do Corpo de Fuzileiros e tripulações de C-130 e foi realizada no âmbito da União Europeia.
E o facto de grande parte desses elementos ser constituída pelo Destacamento de Acções Especiais justificou que na Base Aérea do Montijo, a maioria dos militares recém-chegados de África viessem encapuzados.
Foi uma medida de precaução face à presença da comunicação social, para não divulgar o rosto de homens que muitas vezes são usados em missões, no mínimo, de carácter reservado.
Mais uma vez assim aconteceu, tanto que o ministro da Defesa saudou a capacidade dos militares em realizar algumas missões de carácter complexo, mas sem deixar escapar qualquer pormenor.
E o mesmo aconteceu com o comandante da força especial, um total de cerca de 30 homens, que admitiu algumas dificuldades na realização de determinadas missões, mas recusando também entrar em elementos concretos. É que a força portuguesa estava também integrada num módulo de operações especiais, algo que não é comum, mas que reforça a reserva da missão.

Carlos Varela - 3-12-2006 - Jornal de Notícias
Via - Grupo MSN "BarreirenseI.Costa"

12/01/06

Cabo Delgado-Caju, riqueza roubada por tanzanianos...


Tanzanianos contrabandeiam castanha de caju.
A Direcção Provincial de Agricultura de Cabo Delgado, através dos Serviços Provinciais do Caju (SPC), acusa comerciantes informais tanzanianos de estarem a participar ilegalmente no processo de compra de castanha de caju a produtores dos distritos nortenhos de Cabo Delgado, sendo o produto, posteriormente, contrabandeando para o país vizinho.
Segundo o chefe dos Serviços Provinciais do Caju (SPC), Adelino Tadeu, o fenómeno deve-se à fragilidade de controlo nas zonas fronteiriças, resultando na saída ilegal de castanha de caju da província.
Não há muito tempo, eram os produtores moçambicanos que levavam a castanha para a vizinha província tanzaniana de Ntwara.
Havia duas razões para isso: a falta de compradores no mercado local e o baixo preço praticado no acto da compra.
De acordo com Tadeu, a partir da campanha de comercialização da castanha de caju são comerciantes informais tanzanianos que invadem ilegalmente Cabo Delgado e fixam postos móveis de compra de castanha nas comunidades rurais dos distritos de Nangade, Mueda e Palma, escoando depois, no final da campanha, o produto para Tanzânia.
A monitoria
Felizarda Macome, engenheira dos Serviços do Instituto Nacional de Fomento do Caju (INCAJU) na província de Cabo Delgado, acredita que as quantidades da castanha de caju que a província regista anualmente no final de cada campanha de comercialização deste produto não correspondem à realidade. lsto porque há muita castanha que sai com os comerciantes informais das vizinhas províncias tanzaniana de Ntwara e moçambicana de Nampula.
Felizarda exemplificou que, nas campanhas anteriores, os comerciantes informais de Nampula montavam os seus postos de compra de castanha na ponte sobre o rio Lúrio, que separa a província de Cabo Delgado da de Nampula.
Estes postos foram desmantelados graças à intervenção dos governos provinciais.
Face a isto, optaram por entrar nas comunidades rurais de Chiure, Montepuez, Namuno, Balama, Mueda, Nangade e Palma, onde participam ilegalmente no processo de compra de castanha de caju.
A castanha comprada é escoada para Nampula.
O mesmo acontece com os comerciantes informais tanzanianos.
Estes compram nos distritos de Mueda, Nangade e Palma, havendo ainda casos em que estes estrangeiros montam postos de compra da castanha de caju nas margens do Rio Rovuma.
Para fazer face a esta situação, foi montado um sistema de monitoria envolvendo todos os intervenientes da cadeia produtiva de castanha de caju, desde a produção até à comercialização. Tudo para permitir uma forma articulada de recolha de informação sobre o processo de comercialização e as quantidades vendidas.
Actualmente foram treinados chefes dos postos administrativos, administradores e técnicos de agricultura.
Cada um deles tem a seu cargo a coordenação do controlo das quantidades comercializadas na zona.
Também junto das alfândegas e da guarda de fronteira, está a efectuar-se um trabalho de vigilância no sentido de impedir a saída da castanha de caju para a Tanzânia.
Essa vigilância está a ser efectuada nas travessias de Namoto, no distrito de Palma, Namatil e Negomano no distrito de Mueda, e Nangade.
Sualehe Saide, produtor da castanha de caju na Comunidade Rural Litingina, no distrito de Nangade, vende a sua produção na província tanzaniana de Ntwara devido aos bons preços da venda do produto naquela zona e à falta de mercado a nível local.
O administrador de Mueda, Leôncio Julai, vê na degradação das vias de comunicação do interior do distrito o principal entrave para a venda da castanha de caju naquela região.
Outra razão é a falta de mercado para a venda deste produto.
Recorde-se que Cabo Delgado prevê comercializar este ano 7 mil toneladas de castanha de caju, contra as 4 mil da campanha do ano passado.
A província conta apenas com duas fábricas de processamento de castanha de caju, uma localizada na cidade de Pemba e outra no distrito de Chiure.
SAVANA – 01.12.2006 - Via "Moçambique Para Todos"

Pemba continua sob chuva intensa.

As chuvas intensas voltaram a fustigar a cidade de Pemba durante o dia de ontem, embora com algumas interrupções, mas foram suficientes para deteriorar ainda mais as condições habitacionais nas zonas tradicionalmente propensas a inundações.
Trata-se dos bairros Natite, muito particularmente no sub-bairro de Namavi, Cariocó, em Lioze e no popular Chibuabuari.
Em Chibuabuari os habitantes não conseguiram sair para os seus locais de trabalho na cidade de Pemba, uma vez que os solos tornaram-se lamacentos e não permitem que os residentes circulassem nem mesmo para irem aos mercados locais.
As entradas urbanas ficaram cheias de lama e arreias arrastadas pela corrente da água, constituindo obstáculos para a circulação de viaturas, sobretudo na zona da Marginal, no bairro Paquitequete, que liga o porto de Pemba ao resto da província.
Enquanto isso, esta ainda por começar o trabalho de tapamento da cratera formada nesta estrada, junto ao tribunal, que devido ao perigo que representa se encontra sinalizada para chamar a atenção dos automobilistas.
Durante o dia e noite é colocado um corpo de guardas para evitar possíveis acidentes na enorme cova que se formou na via a partir do mar.
O Governador da Província, Lázaro Mathe, que esteve no local, disse que a situação resultou de alguma desatenção por parte dos responsáveis municipais, pois as condições existiam para prever e evitar o estado em que a cidade de Pemba se encontra neste momento, prometendo que um trabalho conjunto poderá minimizar o problema a breve trecho.
Até ao fim do dia de ontem, o tempo continuava a denunciar a continuação das chuvas, ao mesmo tempo que os serviços de meteorologia informavam que a perturbação tropical ainda se mantinha na costa litoral norte, muito precisamente na província de Cabo Delgado, cujos efeitos deverão continuar a incidir na cidade de Pemba.
Entretanto, a cidade de Quelimane está também sob fortes chuvas desde a madrugada de ontem, mas os meteorologistas afirmam que não estão associadas ao temporal que fustiga Cabo Delgado.
De acordo com o director da Estação Meteorológica da Zambézia, Alberto Colarinho, trata-se de chuvas normais previstas na presente época.
Não foram reportados até ao momento danos a lamentar, mas a vida dos munícipes esteve perturbada devido às dificuldades de circulação causadas pelas inundações associadas ao mau funcionamento do sistema de drenagem.
Maputo, Sexta-Feira, 1 de Dezembro de 2006:: Notícias