4/02/08

Navio de guerra francês vai escalar PEMBA dias 9 e 10 de Abril !

Ano 3 - N.º 542, Maputo, Quarta-feira, 02 de Abril de 2008 -Canal de MoçambiqueO navio patrulha «P690» da Marinha de Guerra Francesa, «La Rieuse» efectua uma escala de rotina ao porto da cidade de Pemba, na capital da província de Cabo Delgado nos próximos dias 9 a 10 do corrente mês.
O mesmo vaso francês vai igualmente escalar o porto de Maputo nos dias 14 a 17 de Abril.
De acordo com uma nota da embaixada francesa, «La Rieuse» é comandado pelo primeiro tenente Jérônimo Bonglet e possui um efectivo de 4 oficiais, 16 oficiais marinheiros e 12 membros da tripulação e participa entre outras missões na fiscalização do canal de Moçambique. Durante a sua permanência nas águas de Pemba, um grupo de oficias da Marinha de Guerra Moçambicana, segundo referido, juntar-se-á à tripulação francesa para a prática de exercícios de fiscalização ao longo da costa marítima moçambicana. Esta ação enquadra-se no âmbito da cooperação militar entre Moçambique e a França.
O comandante do navio e o Adido de Defesa da Embaixada francesa têm agendado encontros com as autoridades moçambicanas, segundo a fonte.
Redação Canal de Moçambique.

MUEDA passa a ter estatuto de município !

43 novos municípios em Moçambique, entre os quais Mueda em Cabo Delgado.
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Maputo, 01 Abr (Lusa) - O Governo moçambicano aprovou hoje(01/Abril) em Maputo a criação de 10 novas autarquias no país, devendo a medida ser ratificada pela Assembleia da República, para que o país passe a ter 43 municípios.
Reunido hoje na sua VIII Sessão Ordinária, o Conselho de Ministros de Moçambique decidiu elevar ao estatuto de município as seguintes vilas: Namaacha, Macia e Massinga, no sul do país, Gorongosa, Gondola, Alto Molócué, e Ulóngué, no centro do país, e Ribaué, Mueda e Marrupa, no norte do país.
O ministro moçambicano da Administração Estatal, Lucas Chomera, disse aos jornalistas no final da sessão, que na mira desta decisão, estão as eleições autárquicas previstas para o ano em curso, cuja data ainda não foi indicada pelo chefe de Estado, como impõe a legislação eleitoral moçambicana.
  • Leia a íntegra da notícia aqui!

Angola elege Miss Mina Terrestre...II

(Clique na imagem para ampliar. Imagens das candidatas - aqui !)
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Angola: "Misses" amputadas por minas terrestres sobem ao palco para iluminar luta contra a discriminação.
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Luanda, 01 Abr (Lusa) - Maria Teresa Jacob, 18 anos, Margarida José, 32, Albertina Rosa, 37, têm em comum a nacionalidade angolana, serem mulheres e um passado onde uma mina lhes amputou o corpo e condicionou a vida para sempre
Para o futuro contam com a condição de "Miss Sobrevivente de Minas" como instrumento para melhorar a vida, abandonar a ideia de serem meras sobreviventes e lutar contra a discriminação, que, como contou Maria Teresa à Agência Lusa, a "miss" de Benguela, "muitas vezes é mais fatal" do que os engenhos explosivos.
É já na quarta-feira, no Hotel Trópico, de Luanda, local onde muitos dos dirigentes mundiais que visitam Angola pernoitam, que as 18 "misses", uma por cada província angolana, esperam poder convencer o "mundo possível" - esta expressão é de Margarida José - a apoiar todos aqueles que lutam "mais contra a discriminação" do que contra "o azar" de terem visto a vida "decepada" por um inimigo "traiçoeiro e invisível".
O momento é quando as 18 mulheres subirem ao palco mostrando o "glamour" que as escondidas minas terrestres "não conseguiram apagar", como lembrou Maria Teresa Jacob. Aos 18 anos, a estudar na 10ª classe, vê, assim, "cumprir um sonho que não sabia que tinha", o de se passear num concurso de beleza, mesmo quando falava "com as amigas de beleza e moda", uma "paixão antiga".
O inimigo "traiçoeiro e invisível" apareceu no caminho de Maria Teresa quando tinha sete anos, em Kalekembe, Huila, durante um passeio com a sua avó. Ficou sem uma perna, mas não deixou de "caminhar" para "ir construindo a vida", mesmo que "tenha sido muito difícil manter a escola".
O grande problema de Maria Teresa é poder sustentar a sua ambição de continuar a estudar e lança para a conversa com a Lusa "a maka (problema) do dinheiro", porque é disso que se trata, quando não existem outros apoios, para poder "ir fazendo" o tal caminho.
Maria Teresa é, apesar de tudo, uma privilegiada, tendo em conta que das 18 "misses" é a única que conseguiu chegar "longe" na escola.
"É muito triste reparar que muitas destas pessoas" - apontando para as outras 17 concorrentes - "nem sequer foram à escola ou então não passaram da segunda classe por causa disto". E "isto" são as pernas e os corpos amputados.
Com uma postura díspar da de Maria Teresa, Margarida José é lacónica quando confrontada com a questão sobre o futuro: "Ainda não melhorou nada na minha vida" a condição de "miss minas". Mas deixa cair para o fim da frase"ainda!", palavra que dita solta em Angola pressupõe uma expectativa de que algo mude em breve.
Margarida José tinha 20 anos quando, a caminho da lavra, na província do Zaire, norte de Angola, viu a sua perna esquerda estilhaçada por uma mina. "Caí de manhã cedo, cheguei ao hospital à noite."
Para os dias vindouros, Margarida José não quer muito. Alguma independência para si e para a sua filha de 14 anos. Para isso espera que a participação neste concurso lhe permita angariar apoios para uma ideia antiga.
"Quero poder criar uma cantina no Zaire onde as pessoas possam ir comer. Que possam ter a certeza de que têm uma refeição antes de poderem pensar em soluções para as suas vidas". Eventuais apoios? "Espero que o governo provincial me apoie, apoiando também todos os outros necessitados."
Albertina Rosa repete uma história de vida tão trágica quanto as outras. Tantas vezes contada que, como diz, parece que "quanto mais se conta mais se esquece".
Albertina ficou sem o seu membro esquerdo inferior em 1995, quando a viatura em que viajava accionou uma mina. "Saía da casa dos meus pais, na comuna do Lucapa, para o Dundo (capital da província) quando... pummm."
Na altura tinha 24 anos. "Senti-me muito mal depois do acidente, não conseguia imaginar como iria ser a minha vida depois daquilo", disse.
Mas este sentimento, segundo Albertina, passou e a esperança voltou quando em 1997 surgiu a possibilidade de ir a Luanda, capital de Angola, colocar uma prótese.
"Antes eu andava de muletas e era tudo muito difícil, mas depois com a prótese passei a encarar a minha vida com mais facilidade", frisou.
A prótese é fundamental. Se não muda uma vida, este aparelho pode pelo menos mudar a forma esta é encarada.
O prémio para a candidata que ganhar o concurso Miss Sobrevivente de Minas é uma moderna prótese.
Só que para Albertina, "ser moderno é não discriminar. É apoiar quem precisa apenas de uma oportunidade..."
Na quarta-feira, o Hotel Trópico, no centro de Luanda, assiste à tentativa de mudança de vida destas 18 mulheres que dizem representar as milhares de vítimas das minas terrestres em Angola, "um bocadinho hoje, muito amanhã", como disse à Lusa a concorrente de Benguela, Maria Teresa.
Apesar de todos os esforços do programa de desminagem, as Nações Unidas alertam para a existência de dezenas de milhares de minas que permanecem espalhadas pelo território de Angola, considerado o país com mais campos minados de todo o continente africano.
Segundo dados do último relatório sobre as minas em Angola, da Electronic Mine Information Network (uma rede de informação sobre minas), mais de dois milhões de pessoas foram afectadas por explosões de engenhos explosivos no país.
Por ano, entre 300 e 400 pessoas morrem ou perdem membros do corpo em Angola.
Elsa Cristina Neto, da sub-comissão de Apoio à Reinserção Social da Comissão Nacional Intersectorial de Desminagem e Assistência Humanitária em Angola, sabe que não se podem apagar do mapa todos os engenhos enterrados por todo o país há mais de 40 anos.
Mas sabe que se pode combater o estigma social a que as amputações sujeitaram estas mulheres. E lembra que esta iniciativa tem esse objectivo.
O projecto Miss Sobrevivente de Minas 2008 foi idealizado pelo artista norueguês Morten Traavik, seguindo a tradição de concursos de beleza em Angola.
O concurso de beleza, Miss Sobrevivente de Minas 2008, conta com a colaboração do governo angolano, através da comissão nacional intersectorial de desminagem e assistência humanitária (CNIDAH).
Financiado pela União Europeia, a mais bela será conhecida quarta-feira, dia 2 de Abril, no Hotel Trópico de Luanda, onde as candidatas vão ser avaliadas pelo juri.
Hoje termina a votação pela Internet (http://www.miss-landmine.org/).
"Temos que dar uma atenção especial às mulheres vítimas de minas porque a sua condição de género já é por si um problema e são elas as principais vítimas deste problema", frisou.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-04-01 17:55:03-In "Noticias.rtp.pt"
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  • Angola elege Miss Mina Terrestre I...post de 15/Jan/2008 - Aqui !

4/01/08

SE MENTES ? - A propósito do primeiro de Abril...

(Clique na imagem para ampliar - Imagem original daqui)
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SE MENTES? - 01 de Abril de 2008
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hoje é dia das mentiras e no entanto todos os dias se mente
se mente na liberdade
se mente na glória
se mente com armas na mão
se mente com o punho cerrado em socos poderosos no tampo de uma secretária
se mente por um nada
se mente por um todo
e mais um ano volta-se a mentir porque é o dia das mentiras e até se ensina aos pequeninos, que é só naquele dia que se mente
no entanto esse menino que é a semente volta a cerrar o punho e a dividir a sua mais crua realidade
a da vida
numa outra mente

se mente por um pão
se mente por um chão
se mente por um dia ausente

outra semente ausente desta sina existe
e não mente
mesmo no dia das mentiras

Inez Andrade Paes - 2008 - In blog " Arte de Inêz Andrade Paes".
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Inez Andrade Paes - Pintura - Palavras - Fotografia
Foi na terra do mar que Inez pôs em primeiro lugar as suas mãos. Daí sairam conchas, algas, pequenos grãos de areia que se introduziam entre os dedos e embora fizessem uma ligeira impressão traziam consigo o nácar dos peixes e o azul do Mar. Foi com estes olhos que Inez se arrelampou com o primeiro pôr do sol, com o primeiro arco iris, com a primeira onda agreste que lhe deitou o mar por cima e lhe deixou sal nos lábios. Foi com estes olhos que Inez viu a terra vermelha, aquela onde até se podiam plantar pedras. Mas foi com estes olhos que Inez recompôs a saudade e mergulhando as mãos na terra adversa, daí tirou tudo, fez compotas, adoçou a família e os amigos, e como se não bastasse, meteu a imaginação pelo meio para criar coisas que aos nossos olhos se tornaram surpreendentes. Foi com estes olhos que Inez abraçou o pasto com a mesma ternura que abraça os poetas, o mesmo amor que abraça a alma. E foi com estes olhos que Inez viu a liberdade dos pássaros e os reproduziu fielmente, para que eles os pássaros pudessem ir para além do vôo, naquilo que os pássaros ensinam as pessoas em trajectórias para além do circulo. E as mãos de Inez estão aqui. No tudo que nos leva ao caminho duma descoberta plena. Por favor Inez não deixes que as tuas mãos saiam do nosso coração.
Teresa Roza D’Oliveira - Julho de 2004 (Pintora nascida na Ilha de Moçambique).

Inez Andrade Paes, natural de Pemba - Moçambique e residente em Portugal é também, além de poetisa, artista plástica e escritora.
Alguns de seus trabalhos podem ser apreciados na net aqui:

3/29/08

A ORIGEM... ou Como surgiu o povo MaKonde !

A ORIGEM
Por Allman Ndyoko (Francisco Absalão)
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Não havia em todo planalto makonde um homem tão erudito como Alupeke. Ele era um homem simples de estatura baixa, robusto, escuro, cabeça calva e olhos castanhos de um tom aproximado ao cacau. Pertencia à linhagem namakongo* e tinha tatuado a cara, o tórax, o abdómen, a região renal e os braços. A sua tatuagem tinha um carácter decorativo do corpo com desenhos coloridos como acontecia com os demais makondes. Para além da tatuagem tinha os dentes afiados e este processo não fora de nascença, tinha sido feito no likumbi* quando era criança.
Como dizia, a sua erudição havia bebido dos velhos antigos makondes e uma boa parte contada pelo seu avô materno quem havia lhe feito crescer. O homem era por excelência um exímio contador de estórias antigas e tinha conquistado em todo planalto uma invejável fama e simpatia de gente humilde de todas idades. Nas festividades das aldeias Alupeke era o convidado de honra e lá delirava o auditório con suas narrativas heróicas grandiosas tendo no meio das façanhas personagens makondes valentes e destemidos.
Entretanto, um certo dia um grupo de jovens da povoação de Antupa irrompeu à casa do chefe da aldeia, que também se chamava Antupa, para pedir que intervisse numa contenda banal de dois jovens que discutiam sem consenso acerca da origem do povo makonde. Achando interessante a discussão, o chefe Antupa convocou todos os sábios da sua povoação para encontrar a verdadeira estória sobre a origem dos makondes. Porém, o dia aprazado para a reunião foi sábado à tarde. Era inverno. A tarde estava nublada, fria e agradável. A chitala* de Antupa em tão pouco tempo ficou repleta de jovens ávidos de ouvir estórias antigas transmitidas de boca em boca, séculos e séculos, sem que perdesse na totalidade o sentido que as perpetua de geração em geração. O terreiro, por sua vez, ficou abarrotado de gente, ruidoso, vivo e impressionante como nunca, e, dir-se-ia que uma competição de mapico* estava prestes a desenrolar-se.
No entanto, o velho Antupa apresentou ao auditório quatro sábios, dentre os quais, o afamado Alupeke. Os jovens ulularam de alegria, aplaudiram incansavelmente e assobiaram. Depois, chamou o primeiro sábio para contar o que sabia à propósito da origem do povo makonde. O terreiro gelou de silêncio que era tão profundo ao ponto de se ouvir a respiração compassada da multidão. Um velho baixinho, de rosto redondo e tatuado, de dentes afiados e barba desleixada atravessou o centro da roda humana e deteve-se no centro com ar cerimonioso.
- Sei muito pouco sobre a história da nossa origem. – Confessou o velho tímido e sem precipitar-se. Depois, continuou. – Contudo, rezam os relatos antigos que o nosso berço ficava no lado do planalto que pende para o rio Rovuma e lá a terra era coberta de mato grosso. Um certo dia desse mato saiu um homem que não se banhava e bebia e comia muito pouco. Este homem, um dia foi a uma floresta vizinha, onde esculpiu uma figura humana no pau-preto e trouxe onde vivia. Ao anoitecer, a figura esculpida despertou para a vida e tornou-se mulher.
O velho interrompeu a narração para respirar e de seguida, prosseguiu no ponto onde havia interrompido:
- Na mesma noite, os dois desceram ao rio Rovuma para se banhar e aqui a mulher deu luz uma criança que nasceu morta. Sairam dali, atravessaram o rio, subiram o planalto pelo meio até uma certa região, onde se fixaram. Aqui a mulher deu luz outro bebé que também nasceu sem vida. Depois disto voltaram ao Rovuma. Aqui nasceu o terceiro filho, vivo e saudável. Viveram aqui até gerarem muitos filhos que formaram a família makonde.
O velho girou pelos calcanhares e foi-se acomodar. Os dois que seguiram não trouxeram novidades, apenas subscreveram a estória narrada pelo primeiro sábio. E para terminar, foi convidado o famoso Alupeke para contar o que sabia à propósito do assunto que os reunia. O auditório animou-se repentinamente, criou-se um murmúrio ensurdecedor que cessou assim que Alupeke posicionou-se no centro balouçando a cabeça.
- O que vou contar não vem de mim. – advertiu Alupeke com uma voz viva, alegre e solene. – Foi contado por homens eruditos makondes que guardaram na sua memória um legado historico muito importante do nosso povo.
Alupeke baixou os olhos, pestanejou e manteve-se calado por uns breves instantes, durante os quais esteve a ressuscitar em pensamento as narrativas dos sábios antigos. Depois, como se acordasse de um sonho, acrescentou:
- Por isso, guardem no coração tudo o que de mim ouvirem porque tudo é verdadeiro como o orvalho que se forma nas madrugadas frígidas de inverno.
Todos riram satisfeitos pelas suas palavras belas e sábias. Porém, sem gaguejar e nem precipitar-se, Alupeke, continuou deixando um ofuscante relâmpago de sincero orgulho brilhar nos olhos:
- Há muito, muito tempo, o nosso povo no seu todo vivia lá para as bandas do lago Niassa. Um certo dia, veio naquelas bandas um povo estranho chamado Ngoni* que expulso pelos povos dos reinos lacustres do Lago Victória veio até às terras habitadas pelo nosso povo à procura de terras para habitar. – Sorriu e prosseguiu com uma entoação vocal embaladora. – Temendo um confronto sangrento com aqueles estranhos, o nosso povo veio a fixar-se no vale do rio Rovuma, à volta do Negomano, permanecendo pelas baixas do rio, onde havia abundância de caça. Contudo, aqui o povo foi expulso por uma terrível seca e fome. A fome que se seguiu era tanta que as pessoas foram obrigadas a alimentar-se de carne humana.
O silêncio em redor continuava pesado, a atenção aumentava à medida que o narrador contava os episódios históricos e o estado melancólico tornava-se evidente no auditório sempre que os factos penetrassem em cenários tristes.
- O nosso povo não se conteve. Caminhou à procura de alimentos até que, por sorte, encontraram desabitado o planalto onde hoje temos a honra de viver e aqui fixou-se. Contudo, neste planalto não havia água, mas a terra era fresca e produtiva. Daí em diante, os nossos ancestrais trabalharam a terra e, com ajuda da chuva e fortes orvalhos tiveram abundância de alimentos. A partir desse momento, o nosso povo, que não tinha o nome que hoje tem, ficou conhecido por vamakonde* que significa pessoas que vivem em terras sem água mas férteis.
Alupeke calou-se, retirou-se do centro da moldura humana para se juntar ao grupo de outros sábios e nesse momento houve uma chuva de aplausos que encheu o terreiro sem parar. A multidão irrompeu o centro cantando alegre e o erudito Alupeke foi imediatamente carregado pelos populares endoidecidos pela sua recente narrativa. O terreiro voltou a encher-se de murmúrios e assobios. Um largo sol aclarou a povoação e um grupo de jovens satisfeitos improvisou uma sessão de mapico* para homenagear o génio.
Por Francisco Absalão-01/04/2007.
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*Glossário:
- Namakongo –
Linhagem Namakongo;
- Likumbi – Rito de iniciação;
- Chitala – Local de convívio social dos homens;
- Mapiko – Dança de máscara;
- Vamakonde – Makondes;
- Ngoni – Grupo étnico dessidente dos Zulus que por volta de 1834 veio a fixar-se na zona do lago Niassa vindo do lago Victória, provavelmente, expulso por alguns reinos lacustres.
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O Autor:
-Francisco Absalão;
-Nome artístico -Allman Ndyoko;
-Nasceu em 11 de Abril de 1977 na cidade de Pemba, província de Cabo Delgado em Moçambique;
-Residência actual - Maputo;
-e.mail's - frank_absalao@yahoo.com.br ou frank_absalao77@yahoo.com.br.
  • Leia "O Turbilhão Lendário", texto de Francisco Absalão publicado no ForEver PEMBA em 24/Outubro/2007 - Aqui !
  • Leia "O Nó Sagrado", um conto de Allman Ndyoko (Francisco Absalão) - publicado no ForEver PEMBA em 19/Março/2008 - Aqui !

3/28/08

A Amazónia, os biocombustíveis e o meio ambiente...

(Imagens originais daqui e daqui)
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Repito o que já afirmei em post anterior sobre biocombustíveis:
Estão na moda!
Muito se fala, confabula em todos os níveis intelectuais e até nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento.
Apontam-se com imensos benefícios e poucas contra-indicações.
Apresentam-se como a salvação do planeta, milagreiros na geração de empregos, incentivadores do mundo industrial, preponderantes na gestão do aquecimento global.
Eufóricos, governantes viram arautos entusiasmados destas novas fontes de energia.
Justificam até a volta da energia nuclear e passam por cima do terrível acidente de Chernobil ocorrido dia 26 de abril de 1986 na Ucrânia.
Moçambique não foge a este emergente e entusiasmado fenómeno globalizado.
Entretanto, não esqueçamos por favor os aspectos ecológicos consequentes, ressaltados por ambientalistas conscientes.
Consciência é o mínimo que se exige.
Nossos filhos e netos agradecem, pois é este o único planeta que lhes deixaremos.
Gotael
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Para ler e refletir:
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Brasil vive efeito destrutivo dos biocombustíveis, diz Time.
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Bruno Garcez da BBC Brasil em Washington - 27 de março, 2008 - 20h27 GMT - A mais recente edição da revista Time afirma, em reportagem que ilustra a sua capa, que o Brasil oferece um exemplo "vívido da dinâmica destrutiva dos biocombustíveis".
A reportagem, intitulada "O Mito da Energia Limpa", afirma que políticos e grandes empresas estimulam bicombustíveis como alternativas ao petróleo, mas isso está provocando uma alta do preço de alimentos, intensificando o aquecimento global e fazendo o contribuinte pagar a conta.
A reportagem afirma que o desmatamento na Amazônia está sendo acelerado por uma "fonte improvável: os biocombustíveis".
De acordo com o texto, "uma explosão da demanda por combustíveis agrícolas tem provocado uma alta recorde do preço mundial de colheitas, o que tem causado uma expansão dramática da agricultura brasileira, que está invadindo a Amazônia em um ritmo alarmante".
A reportagem diz que apenas uma pequena fração da floresta vem sendo usada para o plantio da cana-de-açúcar que gera o etanol brasileiro, mas acrescenta que o desmatamento resulta de uma "reação em cadeia tão vasta que chega a ser sutil".
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Efeito em cadeia.
E
sse efeito em cadeia, de acordo com a Time, tem início nos Estados Unidos, com o cultivo do milho usado para a fabricação da versão americana do etanol.
Segundo a revista, os fazendeiros americanos estão destinando um quinto do milho que cultivam para a produção de etanol, o que obriga os produtores de soja dos Estados Unidos a trocarem sua colheita tradicional pela do milho.
Essa transição vem fazendo com que fazendeiros de soja no Brasil expandam seus terrenos de cultivo, tomando áreas antes destinadas a pastos de gado. E obrigando produtores de gado a levarem suas fazendas para a Amazônia.
O artigo afirma que "é injusto pedir a países em desenvolvimento que deixem de desenvolver regiões sem dar qualquer compensação".
Mas acrescenta que, mesmo com incentivos financeiros suficientes para manter a Amazônia intacta, os elevados preços de commodities estimulariam o desmatamento em outras partes do mundo.
  • Alguns post´s anteriores sobre "biocombustíveis" - Aqui !