6/03/09

GLÓRIA DE SANT' ANNA: UMA REFERÊNCIA CULTURAL DE CABO DELGADO

(Clique na imagem para ampliar. Um pouco na penumbra, podemos vislumbrar a também já falecida poetisa moçambicana Noémia de Sousa)

Com o seu passamento, perdeu-se uma muito ilustre e incansável estudiosa que muito trabalhou para divulgar, especialmente, através da poesia, as memórias das gentes e terras de Cabo Delgado, que muito amou.

Para além de Porto Amélia, hoje, Pemba, dedicou especial atenção às Ilhas de Querimba, com especial relevo, para a histórica ilha do Ibo, que visitou inúmeras vezes, para melhor se informar sobre a sua realidade sociocultural.

Recordo, com saudade algumas dessas suas visitas destinadas à recolha de algumas lendas e tradições, e, como a minha homenagem e, em sua memória, seja-me permitido que do seu livro "Algures no tempo" extraia o poema Quirimbas, dedicado a Ingamo Moja, geronta mwane, que então entrevistou, na ilha do Ibo, em 1969:

QUIRIMBAS
A Ingamo Moja(1)

tranquila
índicas nos véus do tempo
guardam faces
de verdes olhos
e em segredos
de transparentes mantos
falam de búzios e oiro
e dos necangas
contam histórias
da história de memória
e vestem-se de lendas
e de encantos.

(1) Mulher velha do Ibo, de uma beleza intensa. As feições, os olhos profundos, tudo emana um denso magnetismo de mistério e sabedoria. (p.26)

No seu livro "Ao Ritmo da Memória" que nos relata a dita visita, Glória de Sant'Anna, fornece-nos um excelente perfil da sua ilustre entrevistada:

"... ... ... ... E entra na sala uma mulher velha vestida de panos de tons escuros. Usa um lenço do mesmo tecido, posto como um turbante leve com uma ponta caída.

É Ingamo Moja.

Magra, pequena, de malares levemente marcados, de uma beleza deslumbrante que se concentra nos olhos rasgados para as fontes, profundos, que de repente me parecem claros. Nariz perfeito. Boca firme e de contorno alongado. pele de cor de cobre escuro.

Uma presença calma, de ínicio vagamente desconfiada e desdenhosa, mas imediatamente tornada uma personalidade forte e cativante de que recolho sem saber porquê, uma ternura súbdita." (p.24)

Termino estes breves, mas sentidas notas, enviando a seus filhos e demais familares os nossos sentidos pêsames.
Que Deus tenha em descanso a alma da nossa querida poetiza e amiga Glória de Sant'Anna.
- Carlos Lopes Bento, Almada - Do blogue "São Paulo o Colégio", 03 de Junho de 2009
  • Quirimbas o Paraíso - Aqui!
  • Glória de Sant'Anna - Aqui!

Buscando no tempo lá pelo Douro - Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: FIDALGO E CAVALEIRO DOS BOMBEIROS DA RÉGUA

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:
.
Datada de 13 de Fevereiro de 1955, esta imagem documenta um momento feliz na vida do comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros (1949-1959): o dia em que foi agraciado pelo governo com a comenda de cavaleiro da Ordem da Benemerência.

A cerimónia de entrega desta grande condecoração a tão insigne personalidade – que galardoa o mérito civil em geral, manifestado no exercício de funções públicas e por actos de natureza beneficente – realizou-se no salão nobre da Câmara Municipal do Peso da Régua, numa sessão solene, sob a presidência de Manuel Alves Soares, presidente da edilidade, e que foi assinalada pela presença de bombeiros, directores e muito dos seus melhores amigos.

Com alegria estampada no seu rosto, a imagem regista o instante seguinte a esse acto, o regresso ao quartel do Comandante, já com o colar ao peito, acompanhado pelos directores da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua (AHBVPR), dr. Júlio Vilela, -distinto advogado e saudoso presidente da instituição - Noel de Magalhães e Teófilo Clemente, para além de outras personalidades locais que muito estimavam o homenageado.

Esta célebre consagração ao comandante completa uma parte da história da Associação que faz do seu passado uma ponte indispensável para entender o presente e melhor projectar o seu futuro, seguindo os princípios dos fundadores que se resumem num objectivo constante para todos: torná-la cada vez maior e mais eficiente nas missões de socorro.

O exemplo deste notável comandante revela a nobreza do seu carácter, o qual legou o melhor do seu esforço, da sua abnegação e sacrifício ao Corpo de Bombeiros da Régua, durante 63 anos da sua vida. Dizendo melhor: dedicou toda a sua vida aos bombeiros da Régua, onde por sua vontade desejava morrer, ao lado dos seus homens, num humilde quarto do quartel.

No seu livro “Pátria Pequena”, o escritor João de Araújo Correia na crónica intitulada “Delicadeza”, de Dezembro de 1959, esboça-lhe este invulgar retrato:

“Faleceu a 12 do corrente, nos subúrbios desta vila, um homem delicado. Melhor dizendo, faleceu a 12 do corrente, nos subúrbios desta vila, um homem que exerceu, durante mais de oitenta anos, a delicada arte de ser delicado.

Parece que o exercício dessa função espiritual o conservou moço até ao limiar da cova. Tinha oitenta anos como se tivesse apenas cinquenta, mas, direitos e elegantes como guias de salgueiro.

Toda a gente sabe ou advinha que o nosso morto é o Lourenço de Almeida Pinto Medeiros, o Lourenchinho, como lhe chamávamos todos, consoante o uso no Norte. O inho, entre nós, não é mau signo de equívoca personalidade, é tributo que se paga em moeda de afectivo respeito, a um homem que o mereça.

O Lourenchinho, reguense nato, inteligência circunscrita a ideias intramuros, coração transbordante de paixões locais, Bombeiros e Festas do Socorro, foi excepção na Régua devido à sua ingénita delicadeza.
Por esse motivo, além de outros, faz imensa falta a este burgo comercial, tão atarefado, que não considerou que cortesia é sinal de civilização.

Terra que não saiba cumprimentar, que não perdoe pequenas fraquezas a naturais e estranhos, que não dissolva mesquinhos ressentimentos, não vença a iníqua antipatia que lhe inspiram os melhores filhos, é terra de esboço colonial de provável povoação.

É tempo de a Régua se orgulhar de cidadãos polidos como o Lourenchinho. Ele e poucos mais, que felizmente por aí ficaram, uns ricamente vestidos, outros pobremente vestidos, provam que a Régua não é árida de cortesia como a pintam os seus hóspedes mais sensíveis.

O Lourenchinho, foi fidalgo de natureza, que é maneira menos falível de ser fidalgo”
.

O escritor duriense, como mais ninguém o fez, deixou-nos este elogio de uma personalidade forte e singular, que se notabilizou pelos seus valores éticos e morais.

A sua entrega e dedicação em prol dos outros durante a sua existência são comoventes. Não admira que este homem, a quem haviam chamado de fidalgo de natureza, tenha sido consagrado como um cavaleiro da benemerência. Esse reconhecimento, só por si, faz que o seu exemplo de vida constitua uma excepcional referência para todos os bombeiros.

Seguindo de perto aquelas palavras escritas em sua homenagem devemos acrescentar: o comandante Lourenchinho não só honra a história dos bombeiros da Régua como, acima de tudo, permanece vivo na memória colectiva das sucessivas gerações.

Como recorda o ilustre escritor ainda nessa sua crónica: “É tempo de a Régua se orgulhar de cidadãos polidos como o Lourenchinho”. E, a melhor maneira de mostrar orgulho por ele, quando vão passar cinquenta anos depois da sua morte, seria de atribuir o nome do “Senhor Lourenchinho, o Senhor Comandante dos Bombeiros da Régua” – como era conhecido no seu tempo – a uma nova rua da cidade.
Honrando o comandante, homenageamos o cidadão, filho da terra, delicado e generoso que, em mais de meio século da sua vida, se dedicou a servir a Régua, como “fidalgo” e “cavaleiro” dos bombeiros.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.
- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Uma instrução dos bombeiros no cais fluvial da Régua - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

6/02/09

GLÓRIA DE SANT'ANNA - A eterna poetisa do mar azul de Pemba.

(Clique na imagem para ampliar)

Partiu esta madrugada nossa Querida Professora, Amiga e Poetisa, Glória de Sant'Anna.
A notícia veio até mim por este pequeno e simples texto:

"... É com profunda dor, que te venho anunciar o falecimento da nossa Mãe.
Morreu às 4 horas da madrugada do dia de hoje..."

Não é fácil falar ou comentar quando o coração está apertado, amargurado com mais esta passagem da vida que envolve e atinge um ser humano de valor sentimental imensurável para muitos de nós que aprendemos a caminhar na vida pela força e ensinamentos recebidos de suas delicadas mãos sempre dadas às nossas, desde os tempos da infância.

Só consigo dizer que jamais esquecerei seu olhar terno, suave, sua voz tranquila, meiga mas firme e de palavras inteligentes, doces, sempre doces, repletas de poesia e sabedoria...

Jamais deixarei de a considerar minha Querida Professora, quase uma segunda Mãe...

Jamais deixarei de a considerar a minha Querida e Eterna Poetisa do Mar Azul de Pemba...

E é com lágrimas nos olhos, com imensa tristeza, com uma tremenda saudade que não tem fim, que, aqui de longe, a revejo no meu imaginário no meu último abraço, no meu último adeus terreno, ciente que a reencontrarei sempre em meus sonhos e na poesia de todos os entardeceres que aprendi a descobrir com a beleza de seus versos e com a generosidade que emanava de seu coração de poetisa, professora e Mãe.
- J. L. Gabão, 02 de Junho de 2009.

Em tempo: Que a beleza e força espiritual de D. Glória (como sempre e carinhosamente por nós era chamada), que são eternas, nos inspire a todos, seus Amigos, assim como a seus Filhos e Familiares, a superar a saudade que fica!

Quando o n'pure chega
É madrugada e o n'pure voltou e canta
para o vermelho-laranja do horizonte
e o silêncio em volta dos telhados
é longo e doce
Uma linha de fumo branco sobe
da fogueira do guarda envolto na capulana escura
e a folhagem parada freme de súbito
ao grito do n'pure
Em redor dos troncos tombaram
as primeiras-tímidas flores da acácia rubra
durante a noite (penso)
ou soltas pelas asas leves do n'pure
- Glória de Sant'Anna - "Amaranto".

  • Da Literatura: GLÓRIA DE SANT'ANNA 1925-2009 - Aqui!
  • 7 registos de Glória de Sant'Anna (Fundação Calouste Gulbenkian) - Aqui!
  • Batuque ao longe - Aqui!
  • Egoísmo - Aqui!
  • Glória de Sant'Anna - Aqui!
  • Glória de Sant'Anna - uma mulher sensível - Aqui!

Ecos da Imprensa brasileira: Baía de Pemba entre as baías mais bonitas do mundo.

Pemba, a baía que aprendemos a idolatrar em nossa infância africana e a dimensão de sua beleza ímpar continuam a ser divulgados e falados sem favor e por mérito pelo mundo:

""Baías mais bonitas do mundo - Para estar neste grupo, não basta ser apenas bonita. É preciso ter importância no país, um porto em atividade e um valioso patrimônio histórico. Cumpridos todos esses requisitos, Cartagena de Índias, na Colômbia, Hue, no Vietnã, e Pemba, em Moçambique, conseguiram entrar, no mês passado, para o seleto clube das baías mais bonitas do mundo.

Nunca ouviu falar? Então, conheça agora esse time de enseadas que fazem questão de honrar o título.

A associação The Most Beautiful Bays in the World tem sede em Vannes, na França, e existe há pouco mais de dez anos. A intenção do grupo é eleger os pontos mais bonitos do mundo e, dessa forma, provocar uma reflexão sobre preservação ambiental e promover o turismo sustentável.

Atualmente, são 29 baías eleitas, de 23 países, entre elas a brasileira Praia do Rosa, em Imbituba, Santa Catarina, que recebeu o título em 2003.

AS ESCOLHIDAS - A única representante da América do Sul que se uniu à associação neste ano conta com elementos de sobra para estar na cobiçada lista. Banhada pelo mar turquesa do Caribe, Cartagena de Índias, tem um impecável centro histórico rodeado por muralhas erguidas no século 16. Além de casario antigo e belas pracinhas que serviram de inspiração e de cenário para as fantásticas histórias do Nobel de literatura colombiano Gabriel García Márquez.

Do outro lado do mundo, Hue, que também faz sua estreia na lista, não se parece em nada com o Caribe, mas tem atrativos em quantidade. Rica em história, Hue serviu de lar para 7 dos 13 imperadores da dinastia Nguyen (1802-1945). Até hoje há vestígios desse período, como templos magníficos e tumbas reais.

Em Pemba, mais apelo histórico e muita natureza. Ao norte dessa baía há 200 quilômetros de costa com belas praias e o grandioso arquipélago das Quirimbas, com 32 ilhas.

Para ver a lista completa das 29 baías, visite o site da associação: http://www.world-bays.com/.

Na página, encontre, também, os próximos eventos que ocorrerão nas praias.

  • Já na família das mais belas baías: Os desafios e ambições de Pemba - Não há muita informação dos cidadãos moçambicanos a respeito do que seja o clube das Mais Belas Baías do Mundo, à qual passou formalmente, a partir de 16 de Maio, a pertencer a nossa querida Pemba, no norte de Moçambique, conhecida, dentre muitas razões, sobretudo por ter características que muitas vezes se confundem, fazendo o mesmo em relação a quem não esteja atento. - Maputo, Quarta-Feira, 3 de Junho de 2009, Notícias - Aqui!
  • O que já se vem afirmando hà algum tempo, neste blogue, sobre a magnífica e exclusiva Baía de Pemba - Aqui!
  • A também bela cidade de PEMBA, num portal que revela imagens dos anos 60 e 70, quando Moçambique era colónia de Portugal - Aqui!

5/28/09

Diversificando: "Despida de Direitos Humanos"...

(Clique na imagem para ampliar. Imagem original daqui)

Pelo inusitado transcrevo do BlueBus:

"Tirou a roupa para se dizer 'Despida de direitos humanos'.
A mensagem 'Stripped of human rights' (Despida de direitos humanos) foi exibida por Helaine Gawlica durante a passeata de protesto contra a decisão da Suprema Corte da Califórnia de manter a Proposição 8, que tornou ilegal no estado o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A manifestação e a marcha aconteceram na 3ª. feira, em São Francisco."
A imagem e o texto original abaixo são da Jezebel:

  • SAN FRANCISCO - MAY 26: Helaine Gawlica stands with a spray painted message on her body during a march and rally following the California Supreme Court's ruling to uphold Proposition 8 May 26, 2009 in San Francisco, California. The Court voted 6-1 to uphold proposition 8 which makes it illegal for same-sex couples to marry in the state of California. More than 18,000 same-sex couples that wed before prop 8 was voted in will still be legally married. (Photo by Justin Sullivan/Getty Images)

5/27/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: A força do voluntariado nos bombeiros

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:

Esta imagem do início da década de 1960 mostra um grupo de garbosos bombeiros do Peso Régua, os principais responsáveis pela afirmação da vitalidade da Associação que se fundou e cresceu na força do movimento de adesão à causa do voluntariado.

Ela referencia uma das sucessivas gerações de generosos bombeiros que, com o seu espírito de dedicação e de abnegação, contribuíram em inúmeras missões de socorro, para segurança das nossas vidas e bens.

O valor de uma instituição, como a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, com o peso de 128 anos de história, define-se essencialmente pelos homens que a representaram ou a representam e souberam dar o melhor contributo para o seu engrandecimento.

Ao contrário do que muitos afirmam, nunca estará esgotada a missão de uma associação humanitária que nasceu da vontade do povo e para servir o povo. Para além do seu fim principal – manter um Corpo de Bombeiros – esta intuição proporciona à população da sua comunidade a participação em actividades da área cultural, recreativa, musical e desportiva.

Uma organização social e humanitária só pode permanecer viva e actuante se, no seu seio, tiver cidadãos de elevada dimensão moral e ética, empenhados na defesa de valores fundamentais para a realização humana.

Podemos recordar, através desta imagem, com nostalgia e saudade, formados à entrada da porta principal do Quartel Delfim Ferreira, excelentes bombeiros como Francisco Ferreira, Diamantino Peixe, José Pinto, Manuel Figueiredo, Joaquim Espírito Santo, o Trovão, todos já falecidos, e entre nós, o Agostinho Narciso, o Zé Grande.

Um dia, com mais tempo, do generoso bombeiro Zé Grande havemos de contar a sua engraçada história – há quem diga que é verídica - para obter uma “carta de condução” para conduzir uma grua de construção civil, na extinta firma A Construtora do Douro, onde em jovem trabalhou como servente.

No tempo actual, afectado de grandes crises económicas e dificuldades sociais de vária ordem, o exemplo de dedicação e de solidariedade destes homens – inesquecíveis bombeiros voluntários - deve ser uma referência para os jovens. A eles, a comunidade pede uma maior participação cívica nesta causa do voluntariado nos bombeiros, pilares na salvaguarda da segurança colectiva.

Devemos ter a consciência que vivemos num mundo vulnerável, cada vez com maiores riscos e situações de catástrofes, que fazem com que haja mais pessoas desprotegidas, à espera da ajuda de um bombeiro voluntário.

Neste contexto, visando reforçar e valorizar a causa do voluntariado nos bombeiros, recordarmos que o Conselho Executivo da Liga dos Bombeiros Portugueses divulgou na opinião pública, durante o ano de 2008, uma importante mensagem de que destacamos estas ideias principais:

“O voluntariado nos bombeiros é um meio de integração e inclusão social que contribui para a construção de uma sociedade coesa e solidária. Através do voluntariado nos Bombeiros, os indivíduos adquirem e desenvolvem competências, no contexto de uma formação cada vez mais exigente e diversificada, sendo, por isso, um instrumento de aprendizagem ao longo da vida.

Por outro lado, representa uma forma de as pessoas de todas as religiões, convicções políticas e origem socioeconómica poderem contribuir para a defesa de vidas e bens, o mesmo é dizer, exercem uma cidadania activa e responsável, alicerçada nos valores de solidariedade, da partilha, do trabalho em equipa, da eficácia no cumprimento de uma missão”.

Para que sejam cumpridos os princípios aqui enunciados estamos convencidos que os jovens reguenses aceitarão este desafio proposto, de generosamente assumirem a causa do voluntariado como “soldados da paz”, seguindo os ideais do 1º Comandante do Corpo de Bombeiros do Peso da Régua, Manuel Maria de Magalhães.
- Peso da Régua, Maio de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

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  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
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  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
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  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
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  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!