7/24/09

Para além de fragilizada na sua participação, juventude moçambicana está alienada e atrelada ao governo.

Diário de Notícias, Maputo, quinta-feira, 23 de Julho de 2009 – Edição 1436 - “Juventude está alienada e atrelada ao governo” -advogam analistas, associações juvenis e jovens estudantes, sustentando que os jovens parlamentares não são produtivos.

Numa altura em que se aproxima o período eleitoral, agendado para Outubro que se avizinha, a massa juvenil, que representa amaioria da população moçambicana, é chamada a posicionar-se em relação aos processos políticos, para além dos sistemas de gestão pública do país.

Nesse âmbito, abrem-se muitos campos de debate e análise, entre eles na imprensa, para discutir o modo como os jovens podem influenciar as decisões políticas em Moçambique.

Facto curioso, é que os próprios jovens são manietados pelos “mais velhos” governantes para proferir discursos enganadores contra outros jovens, principalmente quando chegam épocas de campanhas e eleições políticas.

Segundo jovens de diversas sensibilidades, dentre os quais, o Analista, Venâncio Mondlane; o actor e ex-Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Gilberto Mendes; o jovem músico, Azagaia, entre outros, a juventude moçambicana está sendo alvo de manipulações ideológicas onde, por causa disso, os que podem decidir tomam como base disciplinas partidárias. Estes afirmaram ainda que “a nossa juventude é alienada e atrelada aos interesses do governo”.

Estas declarações foram avançadas, terça-feira última, em Maputo, durante um programa televisivo da privada STV que pretendia discutir “o papel dos jovens na influência das decisões políticas”, o qual foi marcado por desvios constantes do foco do tema, para além de se dar enfoque à defesas ideológicas sobretudo, partidárias e muitos tumultos.

Para Dalfino Guila, representante do CNJ, os jovens encontram-se fragilizados na sua participação, e, por exemplo, os representantes da juventude na casa do povo não são produtivos nem respondem aos interesses dos jovens.

Ainda sustentando esta ideia, Gilberto Mendes afirmou que o problema é falarem o politicamente correcto e não exigem nada.

Por sua vez, o jovem músico MC Roger, disse que a solução para a problemática que aflige a juventude é o resgate da auto-estima, que muitos jovens não possuem. Disse que os jovens devem procurar trabalhar e parar de reclamar.

Ainda no debate, um jovem fez o que muitos que exibiram capacidade de retórica não foram capazes de o fazer, que é apresentar acções concretas e projectos que podem tirar os jovens do actual cenário de desemprego. O referido jovem apresentou o projecto “Mudjoco” que resgata e insere socialmente ex-meninos de rua, aliás, ele apresentou-se como sendo menino da rua.

Venâncio Mondlane tentou dar uma solução ao debate, afirmando que “para mudarmos o actual cenário devemos erradicar as células partidárias nas instituições públicas”.

De salientar que, os participantes do “Debate da Nação” fugiram radicalmente do tema, mostraram a desorganização juvenil por discutirem eficácia partidária e alguns a proferirem insultos contra outros intervenientes, como o MC Roger, que insistentemente, o chamaram de boçal por almoçar ou jantar com o Presidente da Repúbica
- André Manhice.
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Acrescento: Não só a juventude moçambicana está em grande parte alienada, "presa" por conveniência e subserviente por obrigação ou "dívida" ao domínio do partido no poder, como tal "vírus" se espalha por todo o Moçambique, "infetando" a maioria da população pobre, política e socialmente inculta além de desinformada e desinteressada em todos os sentidos, sem outra opção melhor que a motive. E, "em terra de cegos, quem tem um olho é rei", sim senhor!

Engenheiro Daviz Simango - “Minha candidatura é por um Moçambique para todos”

Canal de Moçambique, Maputo, sexta-feira, 24 de Julho de 2009 - Daviz Simango já se inscreveu no CC – disse o presidente do MDM, momentos depois de apresentar sua candidatura à presidência da República, no Conselho Constitucional “Vamos priorizar a Habitação, Saúde, Educação, ajuda ao Antigos Combatentes, quer da Luta de Libertação Nacional, quer os da luta pela democracia”.

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, oficializou, ontem, na sede do Conselho Constitucional (CC), a sua candidatura à presidência da República. Entre outros requisitos exigidos por lei, Daviz Simango entregou 17.210 assinaturas de cidadãos que suportam a sua candidatura. A margem mínima é de 10 mil assinaturas, e 20 mil, no máximo.

No final do acto, disse aos jornalistas que massivamente acorreram para assistir ao acto de formalização da sua decisão, que se candidatava à Presidência da República por um Moçambique para todos.

“Acabamos de realizar um acto nobre. Pensamos que acabamos de depositar uma candidatura da nova geração, aglutinadora, de Moçambique para todos”, disse Daviz aos jornalistas que se acotovelavam para ouvir as suas primeiras declarações como candidato à presidência da República, oficialmente registado. Evitando falar de metas, o até agora segundo candidato oficialmente inscrito no CC, disse que os eleitores irão definir nas urnas quem irá presidir o País.

Quanto a ele, “a expectativa é trabalho, trabalho, até 28 de Outubro” data já marcada para a realização das 4.ªas Eleições Gerais e 1.ªas para as Assembleias Provinciais.

Como apelo aos moçambicanos, Daviz recomendou para todos se prepararem para votar, inscrevendo-se nos postos de recenseamento eleitoral na actualização do recenseamento que decorre e deverá terminar como previsto a 29 de Julho corrente, isto é na próxima 4.ª feira. “Independentemente das dificuldades que enfrentamos, quer das distâncias, seja das avarias das máquinas, vamo-nos recensear”, apelou o presidente do MDM, engenheiro Daviz Simango. Linhas gerais do Programa de governação Muito aberto às perguntas de jornalistas, Daviz Simango aceitou dar a conhecer as linhas gerais do seu programa de governação. “Vamos priorizar a Habitação, Saúde, Educação, ajuda ao Antigos Combatentes, quer da Luta de Libertação Nacional, quer os da luta pela democracia”.

“Nada impede que ele possa concorrer”, disse, por sua vez, ao CanalMoz, José Manuel de Sousa, mandatário de candidatura de Daviz. O esclarecimento surge pelo facto de haver quem equacionava a possibilidade de a Daviz Simango poder vir a ser vedada a possibilidade de se candidatar à presidência da República pelo facto de ser presidente do Município da Beira. “A Constituição da República não impede à candidatura de presidentes de municípios à presidência da República, mas é obvio que caso venha a vencer o escrutínio, terá que abandonar a direcção do Município”.

Há esperança para mudar a cena política... Instada pelo CanalMoz a comentar a sua passagem da Renamo para o MDM, Maria José Moreno, que foi chefe da Bancada da Renamo na Assembleia da República até início do corrente ano, e membro do partido liderado por Afonso Dhlakama a que também renunciou, disse que a sua atitude “revela a esperança na possível mudança da actual forma de se fazer política em Moçambique”.

“Há muita esperança para a mudança da actual cena política em Moçambique em que as cosias estão bipolarizadas, ou seja, em que até aqui vínhamos tendo dois partidos tidos como de maior expressão”, disse e acrescentou: “agora, com este partido, está aberto mais um espaço para um trabalho mais sério em prol dos moçambicanos.

O exemplo da Beira elucida que um povo decidido pode tomar decisão. E isso vai ser determinado no dia 28 de Outubro”.

O candidato que ontem se inscreveu no CC, é filho do histórico líder da Frelimo, Uria Simango, que se tornou no primeiro e único vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique. Foi ele quem substitui interinamente Eduardo Mondlane, da presidência do partido, quando este foi assassinado em 1969, em Dar-es-Salam, em circunstâncias ainda não devidamente esclarecidas, na Residencial da secretária de Janet Mondlane, a amercicana Betty King.

A literatura disponível diz que o pai de Daviz Simango foi assassinado pelos seus colegas da Frelimo comunista, devido à divergência de ideias quanto à condução dos destinos do País, depois da independência.

A tese do partido Frelimo, no entanto, é bem diferente. Sucede, porém, que até hoje não foi divulgado das investigações da Polícia tanzaniana sobre o sucedido.
- Borges Nhamirre e Emildo Sambo – CANALMOZ.

7/22/09

Blogosfera Moçambicana: Em Argel Eyuphuro e o “Tufo da Mafalala”, lado a lado com Manu Dibango

A banda Eyuphuro e o “Tufo da Mafalala” foram encarregues de abrir o concerto musical na noite de sexta-feira na esplanada Riadh el feth, palco principal do Festival Panafricano da Cultura, que decorre em Argel, capital da Argélia.

Durante quarenta e cinco minutos o Eyuphuro, no qual pontifica a diva da música macua, passeou a sua classe com o ritmo que lhe é característico, comunicando-se sempre com o público de forma natural como se de amigos de longa data se tratasse.

A condimentar, a dança do grupo “Tufo da Mafalala”, também arrancou ruidosos aplausos do público que questionava sobre a sua origem, ao mesmo tempo que comentava em francês “Ce bon, ce bon”, o mesmo que dizer “É bom”.

Terminada a performance dos moçambicanos, seguiu-se a presença do camaronês Manu Dibango, esse virtuoso do seu saxofone, naquilo que viria a ser o inicio de outras emoções, catapultadas pela sua performance de multi instrumentista e dono de uma voz singular.

Enfim, Manu Dibango fez jus a fama e terminou o espectáculo com o célebre Soul Makossa.

Em conferencia de imprensa concedida logo após a sua actuação, Manu Dibango, fez uma apreciação positiva a música africana, referindo que o continente negro tem boa música e bons interpretes, faltando apenas o intercâmbio entre os músicos para evitar a estagnação.

Sobre a musica de Moçambique, o “careca” disse ter gostado de partilhar o mesmo palco com o grupo o Eyuphuro, considerando que foi uma oportunidade para conhecer parte de Moçambique e do que faz na área cultural.

Manu Dibango fez um apelo a organização do Festival Panafricano para que não se espere mais 40 anos para a realização do próximo evento, impondo-se que o terceiro seja preparado para acontecer o mais breve possível.

A noite de sexta-feira não se limitou a música e a dança, pois foi também do cinema moçambicano, com a curta metragem “Hospedes da Noite” do realizador Licínio de Azevedo a ser projectada foi exibida numa das salas da capital argelina.

No ultimo dia do PANAF2009, segunda-feira, 20, os Eyuphuro e a cantora Pureza Wafino terão a responsabilidade de manter ou elevar o extraordinário nível de apresentação que lhes é peculiar, carimbando com o selo “Made In Mozambique” - com chave de ouro - a sua participação no festival em APC Kouba, um dos 25 espaços de exibição programados para este evento da festa da cultura africana.

Cinema africano perde público para música e exposições - Os apreciadores de arte e cultura africana não aderem à exibição dos filmes do Festival de Cinema Africano que decorre em Argel desde o passado dia 6 de Julho, inserido no PANAF 2009.

Em todas as salas preparadas para a exibição, na maioria dos casos a média dos espectadores é de 40 pessoas por sessão o que corresponde a 3% da capacidade de cada uma das salas.

O público queixa-se da falta de divulgação dos filmes, sua origem e história e locais de exibição. Do outro lado temos os realizadores que, perante esta realidade, se sentem frustrados, apontando as culpas para a organização que, acreditam, nada faz para reverter o cenário, limitando-se a observar o decorrer dos eventos.

Paralelamente às exibições realizou-se de 10 a 11 um Simpósio sobre o Cinema onde, de entre vários pontos, os cineastas e parceiros discutiram a problemática da promoção, financiamento e distribuição de filmes africanos.

Ao que tudo indica as recomendações saídas deste encontro levarão muito tempo para serem postas em prática.

Ao contrário do cinema, a música e exposições de arte, património material e imaterial, são os mais concorridos neste festival.

Apesar do calor intenso nesta parcela do deserto do Sahara o público não arreda o pé dos palcos e pavilhões apreciando o melhor da arte africana.
  • Post's anteriores deste blogue sobre música e cultura moçambicanas - Aqui!

Intervalo: Subjazz - bloom solo

YouTube - Solo from Subjazz´ full lenght performance "bloom". Premiered at Ridehuset, Akershus Festning - Oslo Norway, April 1st 2009In this video clip: Camilla Spidsøe Cohen.

Empresa chinesa quer mais área para explorar madeiras em Inhambane, Moçambique

(Clique na imagem para ampliar)

Simples e "inofensiva", aqui fica a nota:

Inhambane, Moçambique [ABN NEWS/Macauhub] - A empresa chinesa Oriental Overseas Mozambique poderá obter uma concessão para exploração florestal na província meridional de Inhambane, apurou a macauhub junto da direcção provincial de florestas e fauna bravia.

A Oriental Overseas pertence a dois empresários chineses e foi constituída em Abril de 2008.

A empresa opera fundamentalmente no sectores dos recursos florestais, comércio por grosso e actividades pesqueiras e mineiras.

A China tem estado envolvida em muitas áreas de interesse sócio-económico em Moçambique, sendo de destacar o sector madeireiro.
- ABN, 21/07/2009 22:20.

  • Alguns post's anteriores que referem o tema "desmatamento" - Aqui!

7/21/09

Ecos da imprensa Moçambicana - Prejuízos causados por desastres naturais ascendem a USD 370 milhões/ano

(Clique na imagem para ampliar - Imagem original daqui.)

Correio da Manhã, Ano XIII, Nº 3115, Maputo, terça-feira, 21/Julho/2009 - Prejuízos causados por desastres naturais ascendem a USD 370 milhões/ano, O CORRESPONDENTE A 6,1% DA PRODUÇÃO GLOBAL DE MOÇAMBIQUE - A degradação do meio ambiente causada por cheias, secas e ciclones tem provocado prejuízos estimados em cerca de 370 milhões de dólares norte americanos, em média anual. O valor corresponde a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), realçando, entretanto, que, apesar de a pressão sobre os recursos naturais ser baixa, “o país é fortemente vulnerável a mudanças climáticas, reflectindo-se no seu crescimento económico”.

Os actuais indicadores de crescimento económico usados por Moçambique, como as poupanças nacionais brutas, “negligenciam os efeitos económicos da degradação dos recursos naturais”, alerta a mesma agência, ajuntando que a abordagem da trajectória de desenvolvimento de Moçambique não é sustentável “pois as poupanças líquidas ajustadas revelam uma maior destruição da riqueza do que a sua acumulação, pondo em perigo o futuro crescimento e bem-estar da população”, no entender igualmente da AFD.

Para inverter o cenário, a Agência Francesa de Desenvolvimento aponta que vai desembolsar, até 2010, cerca de 16 milhões de euros, para apoiar programas governamentais relacionados com a conservação de áreas protegidas, de forma a “salvar” várias espécies ameaçadas devido ao impacto negativo das mudanças climáticas.

Os parques nacionais do Limpopo, em Gaza, e das Quirimbas, na província de Cabo Delgado, são algumas das áreas protegidas que deverão merecer a intervenção daquela agência do Governo da França.
- J. Ubisse.

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