8/09/09

Intimidação e violência contra Movimento Democrático de Moçambique em Manica!

A dois meses das eleições gerais aumenta intimidação e violência contra MDM em Manica - Maputo (Canalmoz) - Depois da decisão arbitrária da administradora de Sussundenga, Mariazinha Niquisse, de proibir a livre actuação de membros do MDM naquele distrito de Manica, surgem notícias de actos de violência e intimidação contra este partido de oposição ao governo da Frelimo.

De acordo com o delegado do MDM na província da Manica, Humberto Tobiasse Escova, “homens não identificados, agindo pela calada da noite têm agredido, ameaçado e intimidado membros e activistas do nosso partido em diversos pontos da província”.

Em conversa telefónica com a redacção do CanalMoz, Tobiasse Escova citou os casos de dois membros do partido liderado por Deviz Simango, identificados como Félix e Táxi, que foram “brutalmente espancados na região de Honde”.

Os agressores fugiram depois do acto, o qual é visto como tendo “motivações políticas”.

No Posto Administrativo do Save, Distrito de Machaze, a presidente da Liga Feminina do MDM a nível da Província de Manica, Sra. Elisa Uine, foi “agredida por um grupo de homens não identificados” quando levava a cabo actividades partidárias em preparação para a campanha eleitoral que se avizinha.

A casa do delegado do MDM em Macossa ficou destruída depois de elementos não identificados, agindo na calada da noite, terem ateado fogo ao telhado da habitação.

8/06/09

Buscando no tempo lá pelo Douro: Recordações da visita do Presidente da República General Ramalho Eanes

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...:
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Uma curiosa fotografia de um grande momento na história dos bombeiros da Régua, em que alguns fotógrafos são “apanhados” – ao centro destaca-se o Sr. Noel de Magalhães - a procurarem registar o acontecimento: a apresentação da guarda de honra do corpo activo pelo Comandante Carlos Cardoso dos Santos ao Presidente da Republica General, Ramalho Eanes que, no dia 14 de Setembro de 1980, presidiu à cerimónia da sessão solene do 24.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, realizado no Peso da Régua.

A organização deste Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses - que se realiza bianualmente para discutir os problemas e os anseios no associativismo e no voluntariado - pelos bombeiros da Régua é já uma das páginas mais brilhantes da história da Associação.

Deve recordar-se que, até aos nossos dias, foi a primeira Associação do distrito de Vila Real a assumir a responsabilidade de organizar uma reunião magna dos bombeiros portugueses. Uma decisão acertada da direcção presidida pelo Dr. Aires Querubim e do Comandante Carlos Cardoso dos Santos que contou com o apoio inexcedível de Rodrigo Félix, um homem que valorizava o passado glorioso dos bombeiros, presidente da direcção da Federação dos Bombeiros do distrito de Vila Real.

Com a realização do Congresso, a Associação e os bombeiros da Régua ganharam notoriedade e reconhecimento no país. Cumprindo e respeitando o espírito dos fundadores, afirmava-se neste momento como pioneira, activa e orgulhosa de um passado cheio de história e de um futuro cheio de ambição, ao comemorar nesse ano o aniversário dos seus 100.º anos de existência.

Os bombeiros portugueses fizeram uma festa na cidade da Régua que ganhou colorido, um movimento anormal e mais animação turística, num tempo em que escasseavam os hotéis, as residenciais e até os restaurantes para receber tantas pessoas. Conhecendo bem algumas das dificuldades da logística, o Presidente da Câmara, o socialista Renato Aguiar, desde o primeiro instante, apoiou e acarinhou com todos os meios possíveis a iniciativa para que o maior número de participantes ficasse pela cidade. Como a capacidade de alojamento era insuficiente o Regimento de Infantaria do Porto emprestou colchões pneumáticos e cobertores para as dormidas.

Os trabalhos do Congresso decorreram na plateia do velho Cine -Teatro Avenida que fica, ali mesmo, nas imediações do Quartel. A Missa Solene foi celebrada pelo Padre Vítor Melícias num altar montado no Largo Comendador Delfim Ferreira, em frente do Palácio da Justiça e teve a participação para os cânticos religiosos do magnifico Coro de Nossa Senhora do Socorro, superiormente dirigido pelo maestro José Armindo. A essa cerimónia religiosa fizeram-se representar todos os corpos de bombeiros nacionais, com os seus homens do comando nas filas da frente, como era o caso do grande Comandante Armando Cardoso Soares, da AHBV do Dafundo.

A população acompanhou e assistiu com bastante entusiasmo e interesse a todas as manifestações públicas dos bombeiros. As ruas da cidade encheram-se de pessoas para verem os desfiles dos soldados da paz e dos seus carros.

Os pormenores mais significativos da visita presidencial foram destacados na revista comemorativa, na crónica “Recordando a visita do Presidente da República General Ramalho Eanes”, assinada pelo saudoso jornalista Jaime Ferraz (foi um grande director do jornal reguense “Noticias do Douro”), que temos a honra de o lembrar:

“Quando o Congresso dos Bombeiros realizados nesta vila, de 10 a 14 de Setembro, tivemos a honra da presença do Primeiro Magistrado da Nação, General Ramalho Eanes que, além de presidir à sessão solene que todos devem estar recordados se realizou no Cine -Teatro Avenida no dia 14-9-80 bem como as outras solenidades, assistiu ao cortejo das corporações, numa tribuna, para o efeito erigida junto ao edifício da Casa dos Douro.


O Presidente da República, além da respectiva comitiva, fez-se acompanhar da sua esposa e sua presença no referido congresso foi umas das principais notas que se podem recordar e enaltecer.

Os bombeiros voluntários da Régua fizeram a respectiva guarda de honra com todo o seu corpo activo formado junto do Quartel, tendo depois o Presidente da República passado revista à Corporação, e felicitado o respectivo Comandante Carlos Cardoso dos Santos, pela forma como soube apresentar-se e que constituiu um dos pontos fulcrais da visita presidencial”.

Para a história, o acontecimento ficará ainda assinalado pelo aniversário dos 50 anos da Liga dos Bombeiros Portugueses. O Presidente da República, compreendendo o significado de tal data, reconheceu na Régua os seus valiosos serviços públicos, ao condecorar o seu estandarte com o Grau de Membro Honorário da Ordem Militar de Cristo.

As conclusões mais importantes do Congresso da Régua - que elegeu o Comandante Manuel de Almeida Manta para Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses - diziam respeito à protecção social ao bombeiro voluntário.

O assunto mereceu séria reflexão e, essa exigência considerada muito importante para a condição dos bombeiros, veio a ser aprovada numa deliberação que determinava para “no mais curto espaço de tempo possível, se elabore, discuta e faça aprovar um Estatuto Social do Bombeiro Voluntário como garante dos direitos e deveres de verdadeiros Soldados da Paz”.


Acontece que esse objectivo só veio a ser alcançado alguns anos mais tarde. Em primeiro lugar, com a criação de um Fundo de Socorro Social destinado ao auxilio imediato dos familiares dos bombeiros acidentados em serviço e à promoção de outras acções sociais, consagrado com a publicação da Portaria nº 237/87, de 28 de Março. E, logo de seguida, foi conseguido o pretendido Estatuto Social do Bombeiro, estatuído pela aprovação da Lei nº 21/87, de 20 de Junho.

A década dos anos 80 trouxe profundas e importantes mudanças para a organização institucional dos bombeiros. São reconhecidas várias reivindicações defendidas pelos bombeiros. O poder politico dá os primeiros sinais positivos ao estabelecer as bases administrativas do sector dos bombeiros com a instituição de um organismo denominado “Serviço Nacional de Bombeiros” (Lei nº10/98, de 10 de Março, o Dec.-Lei nº 212/80, de 9 de Junho e o Dec.-Lei nº418/80, de 29 de Setembro), para a presidência do qual era nomeado o Padre Vítor Melícias.

Algumas dessas transformações passaram nos debates do Congresso da Régua que analisado hoje nessa perspectiva, pode dizer-se que fez história ao marcar a viragem de um novo tempo na afirmação dos bombeiros portugueses, com algumas significativas conquistas. Essa circunstância deve ter contribuído para motivar a comparência de uma grande afluência de delegados – bombeiros e directores - no Cine -Teatro Avenida, para participarem nos trabalhos e intervirem nos debates dos assuntos mais preocupantes.

Não admira que, decorridos 19 anos, este 24.º Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses, que encerrou com a presença do Ministro da Administração Interna, Dr. Eurico de Melo, esteja vivo na memória de muitos dos seus protagonistas.

Mas, esta fotografia tem outro valor histórico. Ela mostra a fotografar este importante acontecimento, o Sr. Noel de Magalhães, um conhecido e distinto director dos bombeiros da Régua em vários elencos directivos ao longos de várias décadas, bisneto do 1º Comandante Manuel Maria de Magalhães, distinguido com o crachá de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, que nasceu em S. João da Pesqueira, em 12 de Outubro de 1921.

É um homem dos bons que deixa o seu nome ligado aos bombeiros da Régua e a “obras de bem fazer”. E, é para nós um artista: um fotografo amador de grande qualidade. Ele lega-nos para a posteridade as suas melhores imagens do nosso Douro, como alguém as definiu, repletas de “pureza e beleza da genuidade humana…sobretudo quando acontece o mistério da fé duriense, ou a transformação do suor em vinho, entre sorrisos dos rapazes e das mulheres, colhendo a novidade, que misturada com a alegria escorreu pelas pernas dos homens, em cada lagarada”.

Conta, na sua vida, 88 anos. Olhando-o de perto, nem parece ter tantos, felizmente! Temos a sorte de o conhecer e de com ele partilhar a amizade dos pequenos momentos do dia a dia. Ficamos eternamente mais ricos com o seu convívio.
Ainda bem… para nós e para os bombeiros da Régua.
- Peso da Régua, Julho de 2009, José Alfredo Almeida.


- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:

  • Memórias dos Bombeiros em Poiares com os Salesianos - Aqui!
  • As vidas que não se esquecem nos Bombeiros - Aqui!
  • Os bombeiros de escritório - Aqui!
  • Bombeiros Semi-Deuses - Aqui!
  • As "madrinhas" dos Bombeiros - Aqui!
  • A benção da Bandeira - Aqui!
  • Comandante Lourenço de Almeida Pinto Medeiros: Fidalgo e Cavaleiro dos Bombeiros da Régua - Aqui!
  • A força do voluntariado nos Bombeiros - Aqui!
  • A visita do Presidente da Républica Américo Tomás - Aqui!
  • Uma formatura dos Bombeiros de 1965 - Aqui!
  • O grande incêndio dos Paços do Concelho da Régua - Aqui!
  • 1º. de Maio de 1911 - Aqui!
  • Homens que caminham para a História dos bombeiros - Aqui!
  • Desfile dos veículos dos bombeiros portugueses - Aqui!
  • Os bombeiros no velho Cais Fluvial - Aqui!
  • O Padre Manuel Lacerda, Capelão dos Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • Os Bombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!

8/05/09

Mudando de assunto: Ilha de Moçambique... Conhece?

Histórica e bela, esquecida ao relento do tempo, inspira agora, entre ruínas altivas e por ruas estreitas onde se imaginam em "requichós" copiados das Índias, turistas, poetas e musas transportados a idílicos passeios e romances que o passado conta... ... E quanto Passado e História essa Ilha de Moçambique não tem para contar?... ...

Diz a Wikipédia - A Ilha de Moçambique é uma cidade insular situada na província de Nampula, na região norte de Moçambique, que deu o nome ao país do qual foi a primeira capital.

Devido à sua rica história, manifestada por um interessantíssimo património arquitetónico, a Ilha foi considerada pela UNESCO, em 1991 Património Mundial da Humanidade.

Actualmente, a cidade é um município, tendo um governo local eleito. De acordo com o censo de 1997, o município tem 42 407 habitantes, e destes 14 889 vivem na Ilha.

O seu nome, que muitos nativos dizem ser Muipiti, parece ser derivado de Mussa-Ben-Bique, ou Mussa Bin Bique, ou ainda Mussa Al Mbique, personagem sobre quem se sabe muito pouco, mas que deu o nome (na 2ª versão) a uma nova universidade, sediada em Nampula.

A Ilha tem cerca de 3 km de comprimento e 300-400 m de largura e está orientada no sentido nordeste-sudoeste à entrada da Baía de Mossuril, a uma latitude aproximada de 15º02’ S e longitude de 40º44’ E.

A costa oriental da Ilha estabelece com as ilhas irmãs de Goa e de Sena (também conhecida por Ilha das Cobras) a Baía de Moçambique. Estas ilhas, assim como a costa próxima, são de origem coralina.

Arquitectonicamente, a Ilha está dividida em duas partes, a "cidade de pedra" e a "cidade de macuti", a primeira com cerca de 400 edifícios, incluíndo os principais monumentos, e a segunda, na metade sul da ilha, com cerca de 1200 casas de construção precária. No entanto, muitas casas de pedra são igualmente cobertas com macuti.

A Ilha de Moçambique está ligada ao continente por uma ponte com cerca de 3 km de comprimento, construída nos anos 60(que nos consta estar a passar por processo de reforma).

Quando Vasco da Gama chegou, em 1498, a Ilha de Moçambique tornara-se uma povoação swahili de árabes e negros com seu xeque, subordinado ao sultão de Zanzibar e continuava a ser frequentada por árabes que prosseguiam o seu comércio de séculos com o Mar Vermelho, a Pérsia, a Índia e as ilhas do Índico.

Onde na Ilha é hoje o Palácio dos Capitães-Generais, fizeram os portugueses a Torre de São Gabriel no ano de 1507, data em que ocuparam a Ilha, construindo a pequena fortificação que tinha 15 homens a proteger a feitoria nela instalada.

A Capela de Nossa Senhora do Baluarte, construída em 1522 na extremidade norte da ilha, a mais próxima da Ilha de Goa, é o único exemplar de arquitectura manuelina em Moçambique.

Em 1558 principiou a construção da Fortaleza de S. Sebastião - totalmente com pedras que constituíam o balastro dos navios, algumas das quais ainda se vêem na praia próxima - que só terminou em 1620 e é a maior da África Austral. Esta fortaleza era muito importante, porque a Ilha tinha-se tornado o entreposto da permuta de panos e missangas da Índia por ouro, escravos, marfim e pau preto de África, e era da Ilha que partiam todas as viagens comerciais para Quelimane, Sofala, Inhambane e Lourenço Marques e os árabes não queriam perder os privilégios comerciais que tinham adquirido ao longo dos séculos.

Para além dos portugueses outros concorrentes europeus apareceram na corrida pelo controlo das rotas comerciais. Os franceses conseguiram assumir o papel de intermediários do negócio da escravatura para as ilhas do Índico, os ingleses começavam a controlar as rotas de navegação nesta região e s holandeses tentaram a ocupação da Ilha em 1607-1608 e, não o conseguindo, devastaram-na pelo fogo.

A reconstrução da vila foi difícil, uma vez que o governo colonial não existia senão para cobrar impostos e estava muito mais interessado nas terras de Sofala - na Zambézia tinham-se institucionalizado os Prazos da Coroa, e o desenvolvimento do comércio do ouro naquela região leva a que a Ilha perca a sua primazia. Então, os cristãos decidiram fundar na Ilha uma Santa Casa da Misericórdia que funcionaria como Câmara Municipal, para a defesa dos cidadãos e da terra, até 1763, ano em que a povoação passou a Vila. Esta viragem resultou da decisão do governo colonial em separar a colónia africana do Estado da Índia e criar uma Capitania Geral do Estado de Moçambique baseada na Ilha, em 1752.

A vila voltou a prosperar e, em 1810 é promovida a cidade. A exportação de escravos era o principal comércio da ilha, tal como a do Ibo mas a Independência do Brasil em 1822, que era o principal destino deste comércio, voltou a deixar a ilha no marasmo.

O golpe final foi a passagem da capital da colónia para Lourenço Marques, em 1898. Depois da abertura do porto de Nacala, em 1970, a ilha perdeu o que restava da sua importância estratégica e comercial.

  • Outros link's na Wikipédia - Aqui!

Segundo nos consta existe intenção com iniciativas já em andamento por parte do governo de Moçambique e com apoio internacional, para recuperação dessa magnífica ilha e de seu valioso património histórico. É muito bom que isso aconteça. Entretanto, a ilha já vai oferecendo condições modelares de hospedagem para quem a deseje visitar, como por exemplo a casa de hóspedes "Terraço das Quitandas".

8/04/09

Empregadores coreanos maltratam trabalhadores moçambicanos.



Acrescento: Lamentável... Entre tantas aberrações que vão desde a falta de higiene até à insegurança no manuseio de produtos químicos, é caricato, senão ultrajante, o "favor" que tal empresa faz, concedendo como algo generoso, "DOIS copos de leite semanais" aos trabalhadores moçambicanos. Infelizmente não é novidade esse tipo de comportamento por parte de coreanos e quejandos, já que, para baratear custos e inundar mercados com produtos em concorrência predatória, seus povos labutam e produzem muitas vezes, em seus próprios países, sob deplorável e desumano regime de escravidão. Escravidão que também exportam, tanto em termos humanos como de método.

Diário do País, Maputo, 4 de Agosto de 2009 - Trabalhadores moçambicanos empregues na empresa Topa Internacional, localizada no Município da Matola, província de Maputo, queixam-se de maus tratos perpetrados por empregadores coreanos.

Em causa, está o alegado não reajustamento do salário mínimo em vigor no país, o não pagamento do décimo terceiro mês, falta de equipamento de protecção, a não renovação do uniforme do trabalho, alimentação inadequada, maus tratos incluindo o uso de linguagem obscena, misturada com racismo a sabor de ódio, despedimento ilegal e falta do pagamento do subsídio de transporte.

Com vista a apurar parte das denúncias, a equipa de reportagem do Diário do País, escalou na manhã de ontem as fábricas “A’ e “B” desta empresa, onde observou dezenas de trabalhadores a operarem sem equipamento de protecção a manusear produtos químicos.

Trabalhadores abordados pela nossa reportagem, foram unânimes ao afirmar que estão agastados com a situação que se vive naquela empresa, realçando que “o proprietário da mesma se encontra fora do país há bastante tempo, ano passado não auferimos o décimo terceiro vencimento e muito menos o subsídio de transporte que vínhamos recebendo”.

No que toca à alimentação, os nossos interlocutores afirmaram que a empresa paga um valor igual a vinte meticais por dia para alimentação, valor insuficiente tendo em conta o custo de vida que se faz sentir no país.

Referiram que os vinte meticais que recebem como subsídio diário para alimentação não dá para
comprar uma refeição, realçando que “somos dados uma fatia de pão para o pequeno almoço diariamente”, disse uma das operárias para depois acrescentar que esta empresa prometeu dar um copo de leite duas vezes por semana o que não tem acontecido.

Quanto ao salário, os operários disseram que desde que houve um aumento salarial decretado pelo governo, o mesmo ainda não se fez sentir naquela empresa.

Director geral reage - Entretanto, o Director Geral desta empresa, Kihyoun Kim, disse em entrevista à nossa reportagem que o patronato tem envidado esforços no sentido de melhorar as condições de trabalho naquela empresa.

“Nós temos material de protecção como luvas, que infelizmente, os trabalhadores não as usam durante o trabalho”, disse Kim para depois acrescentar que em todas as segundas-feiras são distribuídos novos pares de luvas aos trabalhadores.

No que diz respeito ao aumento do salário mínimo, a fonte disse que o atraso verificado no ajustamento do mesmo deve-se às negociações que estão sendo feitas em parceria com o sindicato local e que depois vai se proceder com o pagamento dos retroactivos a partir do mês de Abril.

“Temos dado até este momento um valor de vinte meticais com vista subsidiar o almoço dos trabalhadores.”, disse a fonte.

Aliás, de acordo com a fonte, a alimentação era servida no recinto desta empresa, mas desde a altura em que o Ministério da Saúde fez uma inspecção, mandadou parar com esta actividade, devido as más condições de higiene.

A fonte refutou as acusações ninguém nesta empresa, muito menos meus empregados, tenho boas relações com eles, pese embora haja algumas divergências noutras situações”, disse Kim. Refira se que a Topa Internacional, localizada na Machava, existe há mais de 13 anos, opera este ano com mais 120 trabalhadores na produção de sacos.

Ainda a inauguração da ponte sobre o Zambeze na imprensa de Moçambique

Canalmoz, Ano 1 * N.º 8 * Maputo, segunda-feira, 03 de Agosto de 2009:

  • Inauguração da Ponte sobre o Zambeze - Houve tentativa de partidarização
    do evento
    (*):

Quelimane (Canalmoz) - Foi emocionante fazer a última travessia, de batelão, de Chimuara para Caia! Um momento emocionante e histórico, que não se repetirá! Fi-lo convicto de que milhares de moçambicanos gostariam de fazê-lo e não puderam, por varias razões! Senti que o fiz em nome deles! Recordo-me vivamente que o meu motorista, 24 horas antes desta última travessia, tivera que pagar 300,00 meticais a um funcionário do batelão, para poder atravessar com o camião, que vinha do Maputo!! Terá sido um dos últimos actos de corrupção de um funcionário zeloso para o seu bolso!

Foi emocionante ver cidadãos pacatos de Chimuara, Caia, e de outros cantos desta pérola do Índico a celebrarem a inauguração da ponte sobre o Zambeze! Valeu a pena ter feito mais de 20 horas, do trajecto Londres-Chimuara, para presentear o momento histórico em que o meu país ‘se unia’ de facto!

Foi emocionante fazer a última travessia de batelão e a primeira travessia Caia-Chimuara na ponte, minutos depois da inauguração! Uma sensação que não cabe nestas linhas e que ficará eternamente registada no meu coração!

Quando o meu neto, daqui a 50 anos, me perguntar onde estive no dia 1 de Agosto de 2009, quero dizer-lhe com orgulho que estive em Caia, na inauguração da ponte!

Foi emocionante ver dignitários de vários cantos do mundo testemunharem este momento histórico da epopeia da libertação do nosso povo! Emocionante foi ouvir a emoção do povo! Apertar a mão ao «zé ninguém», ao sem voz e sentir o alto sentido patriótico de milhares de moçambicanos!

Histórico e emocionantefoi ouvir os discursos de várias sensibilidades do nosso mosaico cultural! O representante da população de Chimuara, na sua mensagem, soube descrever o que ia, naquele momento, na alma do povo! Ouvir, do pódio, o vice-ministro dos negócios estrangeiros da Itália chamar a ponte, não de AEG, mas, sim, de Ponte Chimuara-Caia foi extraordinario!

Ouvir este dignitário partilhar connosco o momento em que ele e Chissano discutiram o sonho da ponte, em Roma, foi fenomenal! E ter a oportunidade de dizer, de viva voz, a este amigo de Moçambique e ao Embaixador deste país, que soube criar condições para que a paz voltasse a esta pátria, que o ‘seu discurso’ tinha sido o mais inclusivo de todos, foi um prazer redobrado! Foi uma sensação inigualável! Uma sensação que só se pode comparar com aquela que me invadiu a alma, no ‘Times Square’, em Nova Iorque, quando Obama venceu as eleições americanas de Novembro de 2009!

Foi gratificante viver estas emoções ao lado de amigos de longa data e, principalmente, ao lado do meu pai, pessoa a quem respeito e agradeço, pelos ensinamentos que me providenciou!

O único senão, a única mancha foi a tentativa de partidarização do evento, num país que se pretende democrático! E, diga-se de passagem, que a ausência do líder da oposição, independentemente das razões que a tenham motivado, foi uma nota negativa! Não se faz oposição ausentando-se, ou auto-excluindo-se!

Como nacionalista e patriota, senti vergonha quando um grupo, chamado AGUEBAS, vindo de Nampula, por sinal fundado e gerido por um grande amigo meu, ‘infiltrou-se’ no programa oficial, para cantar e dançar ‘Guebuzadas’! Aquele gesto neopatrimonialista tirou a estatura ‘Estatal’ da ocasião! Não esperava! Caiu mal! E, vindo de um amigo, não só caiu mal, como cheirou mal!

Felizmente pude expressar a minha opinião ao visado, pessoalmente! Para subir não é preciso baixar tanto!

Alguém, do Protocolo de Estado, deve fazer um curso sobre práticas diplomáticas! Se não tiverem quadros para tal, que peçam ao meu ex-docente de práticas diplomáticas, Julião Cuambe, para lhes dar uma reciclagem!

Tirando essa pequena mancha, deixo aqui registadas, para a posteridade e para a História, estas linhas.


Um abraço patriótico, de Chimuara, ao Prof. Dr. Carlos Castelo Branco, pela coragem e frontalidade!

Ao pseudo ‘jornalista da corte’ fica o meu singelo e patriótico desprezo! Que se reduza à propria insignificância! Senti a falta do Abdul Carimo Issa, um dos últimos anónimos e incansáveis lutadores para a construção da ponte! -Manuel de Araujo.
(*) Carta enviada pelo autor a nossa redacção. Título da responsabilidade do CanalMoz.

  • Entre Caia e Chimuara no Zambeze já se passa - Engrossa a lista de assinaturas contra nome de Guebuza na Ponte:

Maputo (Canalmoz) – Já está inaugurada a ponte sobre o rio Zambeze, e oficializada a polémica atribuição do nome do chefe do Estado ao empreendimento, mas cidadãos que não se conformam com a medida, continuam a subscrever a carta que se manifesta contra “o endeusamento e culto à personalidade” ao actual presidente da República.

Até ao fecho da edição de hoje do Canalmoz, aproximadamente duas centenas de moçambicanos haviam assinado a carta. A carta é da iniciativa do deputado da bancada da oposição Manuel de Araújo, que apresenta fortes argumentos para que à ponte sobre o Zambeze não fosse atribuído o nome do actual chefe do Estado.

O número de signatários da referida petição pode parecer insignificante, mas dado os meios usados para a sua difusão, argumenta-se que não se pode considerar poucas as pessoas que expressamente se opõem à atribuição do nome de Guebuza à ponte da “Unidade Nacional” ou simplesmente “Ponte do Zambeze”.

A carta está, até ao presente momento, apenas a circular através da Internet. Sabe-se que poucos moçambicanos têm acesso a este meio de comunicação. Entretanto, apurámos que os promotores da carta aventam a possibilidade da petição vir a circular em papel, onde os cidadãos que se opõem à atribuição do nome de Guebuza à ponte sobre o Zambeze, possam continuar a assinar a carta e deixar o número do seu documento de identificação. A seguir, segundo apurámos, já com assinaturas em número significativo, pretende-se que a carta seja submetida a órgãos de soberania, como é o caso da Assembleia da República, a manifestar a indignação pela “entronização de Guebuza” na ponte sobre o Zambeze. -Borges Nhamirre.

7/30/09

Apontamentos do Tito Xavier: Porto Amélia até 1975 - Piscina municipal

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Lívio Esteves Xavier, oficial da P.S.P. aposentado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo Presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.