8/19/09

Pemba representa o país nas Olimpíadas de Reggio Emília na Itália!

Transcrevo: A equipa de futsal da cidade de Pemba deixou segunda-feira o país para participar nas Olimpíadas da cidade italiana de Reggio Emília, gemelada, desde 1986, àquela cidade do norte de Moçambique.

A formação de Pemba é constituída por sete atletas. A caravana desportiva é chefiada pelo vereador da área do Desportivo junto do Conselho Municipal, Issa Tarmamade, tendo como técnico principal, Abubacar Ismail.

O presidente do município de Pemba, Sadique Yacub, disse na breve cerimónia cultural e religiosa, que serviu para a despedida dos atletas, que eles vão acima de tudo representar o país, pelo que cada manifestação de cada um deles deve condizer com o comportamento que gostamos que seja dos pembenses, mas sobretudo dos moçambicanos. “Levem Pemba no coração, mas sobretudo Moçambique, porque em cada gesto, vocês serão vistos como moçambicanos e nos tragam vitórias desportivas, mas também respeito por nós, muitas amizades, solidariedade e mais união com os outros povos”, disse Yacub. A humildade e espírito de entrega, para o presidente do município de Pemba, podem vir a ser responsáveis para uma maior prestação dos jovens que se vão digladiar com os outros de outras latitudes, sendo de uma cidade que é terceira maior baía do mundo e que faz parte do clube das mais belas a nível planetário.

Abubacar Ismail disse que o seu conjunto vai para vender cara qualquer eventual derrota e na esperança de que mais uma vez o torneio seja ganho pelos pembenses, como por duas vezes aconteceu, na mesma modalidade e cidade italiana.

É a quarta vez que a cidade de Pemba participa com a modalidade de futsal, nas Olimpíadas da cidade de Reggio Emília e em duas delas trouxe a medalha de ouro para o país.
- Maputo, Quarta-Feira, 19 de Agosto de 2009 :: Notícias.

  • Site oficial de Reggio Emília - Aqui!

Acrescento: Sucesso "jovens" de Pemba. Ficamos orgulhosos e comovidos por sentir que levam longe e com destaque o nome da sempre bela Pemba!

Porto Amélia até 1975: Apontamentos do Tito Xavier

Clique na imagem para ampliar. Fotografia propriedade de Tito Liívio Esteves Xavier, oficial da P. S. P. reformado, piloto de aviões e helicópteros em Cabo Delgado e antigo presidente da Câmara Municipal de Porto Amélia.

Moçambique na imprensa brasileira: Praias e uma pitada de vida selvagem...

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Salientamos esta reportagem de hoje no jornal "Estado de São Paulo" que reflete o quanto Moçambique e suas belezas geográficas vão sendo conhecidas e reconhecidas internacionalmente, mau grado todos os problemas sociais que afligem a jovem nação "do outro lado do mar".

Quem conhece é "apaixonado" daquele recanto que foi antiga colónia de Portugal até 1975 e quem não conhece não sabe o que perde...

Pena, repito aqui mais uma vez, que as companhias aéreas servindo os territórios brasileiro e moçambicano não estabeleçam vôos diretos para aquele que considero um dos paraísos naturais que o mundo globalizado ainda conserva e merece ser visitado. E sugere-se que as autoridades Moçambicanas levem a sério as carências que o setor turistíco moçambicano ainda enfrenta. Não basta ter bonitas praias... hà que investir forte em infraestruturas e cuidados ambientais, inibindo o crescimento desordenado das urbes, lixeiras a céu aberto, a falta de saneamento, etç., etç.:

"""PRAIAS E UMA PITADA DE VIDA SELVAGEM - Moçambique aposta nesse mix e na Copa de 2010 para atrair turistas: ... Mas é mesmo no litoral que está o diferencial turístico. São 2,5 mil quilômetros de praias paradisíacas e desertas.

Da espetacular Península de Pemba e sua arquitetura colonial até a praia do Tofo, em Inhambane, a 500 quilômetros da capital Maputo. Sem falar do arquipélago de Bazaruto, composto por cinco ilhas, das quais apenas duas são povoadas.

O acesso, os serviços e os preços, é verdade, não são muito convidativos. A passagem de barco de pesca para a ilha pode custar até US$ 60 (R$ 110) e a diária em um resort de luxo, cerca de US$ 500 (R$ 915).

SELEÇÃO BRASILEIRA - Bazaruto, Pemba e Tofo são alguns dos trunfos do governo moçambicano para pegar carona na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e atrair uma quantidade mais expressiva de visitantes - atualmente, o total é de 1,3 milhão de turistas por ano.

O país também gostaria de ser a casa da seleção brasileira na preparação para o Mundial. Essa decisão, porém, compete à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que escolhe as concentrações com critérios que vão além de praias paradisíacas e povo hospitaleiro.

A verdade é que Moçambique ainda sofre com a falta de estrutura. O país tem hoje apenas 17 mil vagas em hotéis, muitas de qualidade duvidosa. É preciso pensar no sistema de compensação: as belezas naturais superam tais deficiências.

Tampouco é fácil chegar a Maputo. A LAM, companhia aérea de Moçambique, é superinflacionada: a passagem de ida e volta para Johannesburgo custa aproximadamente R$ 200, mas são mais R$ 300 ou R$ 400 em taxas injustificáveis, apresentadas na forma de siglas.

De todo modo, Maputo é a porta de Moçambique. Antes de seguir viagem para o litoral, passe algumas horas ali para ver as casinhas de arquitetura colonial portuguesa e enlouquecer com o trânsito de carros velhos - embora as propagandas pelas paredes exibam apenas automóveis importados.

O mercado de peixes da capital também vale a parada: é possível comprar bacias de lagostas e camarões por preços inacreditavelmente baixos.

Até hoje, Moçambique sobrevive com a ajuda financeira internacional. Mas agora tenta se reerguer apostando no turismo, uma luz para a economia local. Tão intensa quanto o sol que nasce no horizonte do Oceano Índico...""

  • A matéria na íntegra - Aqui!

8/17/09

Retalhos da Página de Cabo Delgado...

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No tempo do Moçambique colonial, existia em Lourenço Marques-capital (hoje Maputo) e pertencente à Arquidiocese local, um jornal de forte penetração em todo o território chamado de "Diário".

Para estruturar e expandir essa penetração, o "Diário" possuía em cada província um correspondente que, além de congregar as notícias regionais em página específica, gerenciava assinaturas e a distribuição local. E tudo funcionava à perfeição com uma atualização quase diária, graças à DETA (Divisão de Exploração dos Transportes Aéreos de Moçambique) que transportava e fazia chegar os jornais a tempo e horas a todas as capitais provinciais. O avião ainda não aterrara e já estava Jaime Ferraz com seus ajudantes fiéis, lá pelo aeroporto de Porto Amélia à espera dos pacotes de jornais...

Jaime Ferraz Rodrigues Gabão, já citado neste blogue, era o correspondente do "Diário" para Cabo Delgado. Recordo como se hoje estivesse acontecendo, sua dedicação a esse "métier" das horas vagas, vendo-o, enquanto a "sociedade" local gastava merecidas horas de lazer lá pela praia do Wimbe, etç. e dando vazão a sua veia jornalistíca, passar horas a fio, em sábados, domingos e feriados, nos escritórios da então SAGAL (Sociedade Agrícola Algodoeira) onde trabalhava, teclando em máquina de escrever e organizando as matérias para a sua Página de Cabo Delgado e também para os lusitanos Primeiro de Janeiro e Notícias do Douro - Régua para onde enviava acontecimentos de destaque e suas famosas "Cartas de Longe".

Graças a um Amigo, deixo aqui, tentando recordar e homenagear o quanto se fazia, tantas vezes em caráter amador mas com amor e entrega às então Porto Amélia e Moçambique, em matéria de jornalismo, pequeno "retalho" da Página de Cabo Delgado do Diário de Lourenço Marques.

Recado de uma estudante moçambicana à mulher moçambicana!...

Gisela Sive é estudante moçambicana em Lisboa. Faz hoje 19 anos e escreveu esta mensagem:

Mulher Moçambicana,

Antes de mais, temos que nos interrogar sobre quem somos, o que somos e o que poderíamos ser!

Mulheres, amáveis, confiáveis, lindas, inteligentes, porém controladas como robôs, subestimadas, humilhadas e violadas pelos homens que nos juram fidelidade, amor eterno, e respeito… será isto amor?

A fidelidade onde é que se faz notar com a mesma infinita oficial e assumida poligamia?

Nesta mesma poligamia, onde é que será imposto o suposto respeito às mulheres?

Temos notado, não só nas zonas rurais, a implementação e desenvolvimento desta suposta cultura, cultura esta que podemos resumir em “traição assumida” em que depois de casados, o homem pode procurar uma outra mulher que se transformara em 2ª esposa, dividindo o mesmo tecto e marido com a anterior e a mesma que tem de estar pronta para receber mais quantas mulheres o marido quiser, com o objectivo de segurar o seu homem preservando o seu lar. Mas porque será que isto acontece?

Por amor? Ou respeito à cultura?

Há mulheres que se sujeitam, a isto alegando amor, mas como podemos acreditar que seja mesmo amor se, para amarmos o próximo, temos antes de amar-nos a nós próprios?

Se fosse amor, nada isto aconteceria, milhões de mulheres não padeceriam de doenças de transmissão sexual, cuja culpa é de cada uma, porque nos sujeitamos ao que nos é imposto pelos nossos maridos, noivos, namorados, que aceitamos que eles tenham uma “casa 2” (2ª casa, a forma como é chamada em Moçambique) e nós limitamo-nos a olhar e a perdoar mesmo que tenhamos o coração a sangrar por dentro…

Quem ama respeita, e cuida acima de tudo. Um homem, traindo uma mulher, demonstra desrespeito e desvalorização da própria mulher, não existe cuidado, pois sem fidelidade de que cuidado estaríamos a falar?

Como aceitamos ser dependentes, se a escravidão acabou há muito tempo, mas falta a parte mais importante, a nossa emancipação.

Não nos podemos sujeitar a tanta coisa torpe... Nós somos mais do que isso. E reparem que até o Ministro da Agricultura afirma de boca cheia “as mulheres são os tractores deste país”, será isto uma verdade?

A cada 30 segundos uma mulher moçambicana é agredida. Somos mal tratadas, subordinadas e expostas a situações inaceitáveis, e ao invés de procurarmos soluções, choramos, e perdoamo-los com o 1º ramo de flores que nos trás em seguida, por isso é que esta realidade nunca mudou até hoje, infelizmente.

Mas está na hora de nos darem o devido valor e não de olharem para nós como subordinadas e inferiores aos nossos companheiros (homens em geral), o género não exprime superioridade.

Está na hora de termos mais mulheres com Celina Simango, Luísa Diogo, Alice Mabote, Lurdes Mutola ou Joana Simeão.

Está na hora de acabar com estes preconceitos. Está na hora de nos emanciparmos, de lutarmos pela igualdade de direitos, de sermos mulheres batalhadoras e de não sermos mulheres submissas.

Queremos a igualdade!
Esta é a altura de dizer BASTA!

Nós somos importantes nesta sociedade, não como tractores ou máquinas agrícolas, mas sim como a chuva que rega e faz florir cada ramo que aqui se encontra, pois nos é que damos à luz cada vida que cá se encontra”.

Lisboa, 17 de Agosto de 2009
Gisela Sive - Estudante Moçambicana em Lisboa.

8/14/09

Agência de Notícias da AIDS lança portal em Moçambique

Amiga diz-me via net: "Aqui em Lichinga as pessoas morrem como tordos. Expectativa de vida = 33 anos".

Leio no novo portal lançado em Moçambique da Agência de Notícias de Resposta ao SIDA: "O Governo acabou com os Hospitais de Dia sem nos auscultar. Não somos cabritos que eles podem mudar de pasto - Júlio Mujojo, secretário nacional RENSIDA".

A doença continua ampliando tentáculos por todo o Moçambique. A população mais atingida, por ser maioria pobre também em recursos de informação e combate, não dispôe de meios para se expressar e protestar a nível internacional. E sofre calada, conformada, "morrendo como tordos" ou "cabritos abandonados no pasto"...

O alheamento das autoridades moçambicanas é notório e chocante. Preocupam-se mais com as próximas eleições e a perpetuação do rentável "poder". E a "novela da vida" dramática de milhares de moçambicanos que sonham viver mais de 33 anos e ainda, com a verdadeira, almejada e nunca alcançada indepêndência, vai continuando num quotidiano onde se "criam" factos e notícias "auspiciosas" que poderão render ou comprar "votos" nessa "novela" sem-fim...

Chegou em boa hora esse portal. Que seja independente, útil e tão cáustico para com os responsáveis (ou irresponsáveis) pela saúde do cidadão moçambicano, como o é essa maldosa ou maldita SIDA para com o povo humilde e pobre!


  • Agência de Notícias de Resposta ao SIDA - Aqui!


  • Alguns post's deste blog que, ao longo do tempo, vêm focando o dramático tema HIV/SIDA em Moçambique - Aqui!