8/31/09

Ronda pela imprensa moçambicana: Itália investe em Cabo Delgado na construção de uma fábrica de vestuário

Deverão arrancar, ainda este ano, as obras de construção de uma fábrica de vestuário na província nortenha moçambicana de Cabo Delgado, com capitais italianos – investimento de cerca de sessenta milhões de dólares norte-americanos.

O lançamento oficial do empreendimento deverá acontecer ao longo desta semana durante a visita a Moçambique do ministro italiano de Desenvolvimento Económico, Cláudio Scajola, que chega hoje mesmo, acompanhado do presidente do Instituto para o Comércio Externo, Umberto Vattani.

Scajola e Vattani estarão em Moçambique até quarta-feira à frente de pouco mais de 40 empresas italianas participantes na 45ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), cujas portas abrem oficialmente hoje à tarde, devendo encerrar dia seis de Setembro de 2009.

A visita daquele governante italiano a Moçambique irá culminar com a assinatura de vários acordos de cooperação entre os dois países e Scajola será recebido pela Primeira-Ministra, Luísa Diogo, e pelos ministros da Energia, Salvador Namburete, e da Indústria e Comércio, António Fernando.

As trocas comerciais entre os dois países rondam aproximadamente em cerca de 400 milhões de dólares norteamericanos, com ascendência para a Itália que importa equipamento agrícola, principalmente, enquanto Moçambique exporta para aquele país europeu lingotes de alumínio, da MOZAL.
- F. Saveca, Correio da Manhã, Ano XIII, Nº 3144, Maputo, Segunda-feira, 31/Agosto/2009.

8/27/09

Glória de Sant'Anna na conjunção da poesia moçambicana

(Clique na imagem para ampliar)

Eduardo Pitta, em crónica recente, escreveu sobre a relevância da poetisa Glória de Sant'Anna na expressão da verdadeira poesia Moçambicana. Por mencionar a saudosa poetisa do mar azul de Pemba, transcrevo o texto publicado no blogue "Da Literatura":

""Agora que o n.º 83 [Setembro] da LER já está na rua, aqui fica a crónica Ser ou Não Ser, que publiquei na minha coluna Heterodoxias, no n.º 82.

A morte recente de Glória de Sant’Anna pôs de novo em pauta a questão de saber o que significa ser um poeta moçambicano. A discussão vem do tempo em que tais formalismos eram motivo de querela. Tenho memória das polémicas entre Eugénio Lisboa e Rodrigues Júnior. Não me vou alongar, mas para que o leitor não perca o pé, fica dito que as teses e antologias de Alfredo Margarido e Luiz Forjaz Trigueiros eram fonte de atrabílis. Contra ambos, Lisboa foi curto e grosso: «Dizer aos nossos divulgadores metropolitanos que a poesia em Moçambique é outra coisa, que a poesia, mais simplesmente, é outra coisa; que se deixem disso, se o fenómeno literário os não interessa seriamente como literatura...» O inventário era sulfuroso.

Agora, na morte de Glória de Sant’Anna, jornais e agências telefonam a inquirir da sua importância “no contexto” da poesia moçambicana. Não sei, não estava lá, mas não estou a ver o Monde a perguntar pela importância da Duras “no contexto” da literatura indochinesa, ou o de Derrida “no contexto” da filosofia argelina. Aliás, ninguém indaga da importância de Fernando Gil e José Gil para a filosofia moçambicana!

Quer isto dizer que não há poetas moçambicanos? Claro que há. O que não faz sentido é meter tudo no mesmo saco. São indiscutíveis poetas moçambicanos Rui de Noronha (1909-1943), José Craveirinha (1922-2003), Poeta Nacional por aclamação e Prémio Camões em 1991, Noémia de Sousa (1926-2003), Rui Nogar (1932-1993), Virgílio de Lemos (n. 1929), Heliodoro Baptista (1944-2009), Jorge Viegas (n. 1947), Gulamo Khan (1952-1986), Luís Carlos Patraquim (n. 1953), Eduardo White (n. 1963) e outros. Verdade que Noémia de Sousa viveu em Lisboa a partir de 1951, que Virgílio de Lemos continua em Paris desde 1963 (os poemas anteriores ao exílio assinou-os com o pseudónimo de Duarte Galvão), e que Luís Carlos Patraquim deixou Moçambique em 1986.

Nada em comum com os primeiros expatriados: Salette Tavares (1922-1994), que veio para Lisboa em 1932; Alberto de Lacerda (1928-2007), que saiu de Moçambique em 1946 e viveu em Londres a partir de 1951; e Helder Macedo (n. 1935), que saiu de Moçambique em 1948 e vive em Londres desde 1960. Aliás, Londres tem sido um sorvedouro de moçambicanos: Rui Knopfli também lá viveu entre 1975 e 1997.

O busílis marca quem lá ficou até ao ano da independência. Isso acrescenta à lista uma série de nomes. Os mais conhecidos são Rui Knopfli (1932-1997), Glória de Sant’Anna (1925-2009), João Pedro Grabato Dias (1933-1994), que se desdobrou pelos heterónimos Frey Yoannes Garabatus e Mutimati Barnabé João — ficou célebre a ira de Samora Machel quando descobriu que o “guerrilheiro” que dava voz ao povo era, afinal, o seu amigo pintor António Quadros —; Sebastião Alba (1940-2000) e Lourenço de Carvalho (n. 1941). O embaraço da crítica é evidente. Como situar os pied noir do Império? Curiosamente, nunca vi a questão colocada relativamente a Angola. Mas Moçambique fica do outro lado do mundo.

Em Reflexões sobre o exílio (2001), Edward Said afirma que «Ver um poeta no exílio — ao contrário de ler a poesia do exílio — é ver as antinomias do exílio encarnadas e suportadas com uma intensidade sem par.» Se a isto juntarmos o que o mesmo Said disse antes de morrer, «ainda não fui capaz de compreender o que significa amar um país», temos o quadro em toda a sua crueza.Tendo como pátria declarada a língua portuguesa, à revelia da identidade nacional, Knopfli (natural de Inhambane) pagou caro a escolha de entender, como T. S. Eliot, que as literaturas pátrias compõem «uma ordem simultânea» (cf. The Sacred Wood, 1976). Sucede que a insistência nos rótulos — moçambicano, albicastrense, etc. — oblitera a totalidade da literatura. Não admira portanto a desorientação com Glória de Sant’Anna, voz ática que dos matos de Pemba fez a síntese de Sophia com Cecília Meireles.""

  • Outros link's deste blogue para "Glória de Sant'Anna" - Aqui!

Fim de noite: O meu País... também pode ser os nossos Países !!!

Poema "O meu País" recitado por João de Almeida Neto

8/26/09

TROVOADA NA SERRA - Um apontamento do último Administrador Colonial da Gorongosa.

Trovoada na Serra - Uma lição da História de Moçambique que deve ser lida com atenção e percebida pelos jovens moçambicanos de hoje:

""...Com efeito, revejo-me, menino e moço, na Quissanga e Porto Amélia, onde muito amei alguém que então tratava por "miúda"; revejo-me, brincalhão, nas praias de Uimbe e de Mecúfi; explorador nas florestas de Nangade...""
  • Leia em formato "pdf" Trovoada na Serra, na íntegra - Aqui!
Acrescento: Sugestionado por Amigo, transcrevo post do "Moçambique Para Todos" já publicado em 26/02/2007 mas sempre atual, onde, na ótica de JOSÉ DO ROSÁRIO ROSA, último administrador colonial e a última autoridade portuguesa no então Concelho da Gorongosa com sede em Vila Paiva de Andrada, nos relata detalhadamente, com ínicio em 1973 até à independência de Moçambique, a transição nada fácil, conturbada, dramática da Administração local para a Frelimo.
Lendo-se com tempo e atenção este trabalho do Administrador José do Rosário Rosa terminado em Novembro de 1995, poderemos entender um pouco da História recente de Moçambique, o drama e sacrífício de milhares de moçambicanos e portugueses envolvidos nessa já célebre "descolonização exemplar" que não assegurou mínimamente seus bens e vidas, entregou Moçambique por conveniência, fraqueza ou pressões internacionais a um único partido despreparado, quando outros movimentos pró independência exisitiam, além de podermos perceber melhor figuras e situações que nos trazem até ao atual Moçambique, inundado de contradições sociais e pobreza que envolvem a maioria da população não ligada, por várias formas, aos quadros do partido Frelimo ainda no poder.

8/25/09

Diversificando: Vinho do Porto cura gripe H1N1?...

Do Lusowine em Quinta, Agosto 20, 2009 - 05:28: Quando a gripe pneumónica atingiu a região do Douro, há um século atrás, os bombeiros da Régua recorreram a um "saboroso" desinfectante: o vinho do Porto, e o método parece ter resultado porque nenhum deles foi contagiado com aquela doença.
A história foi contada por um antigo bombeiro da Régua, António Guedes, que na década de sessenta publicou no jornal "Arrais"(Régua) as suas recordações, e relembrada hoje à Agência Lusa pelo presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Vila Real, Alfredo Almeida**.

António Guedes tinha 24 anos quando a pandemia da gripe espanhola atingiu o Douro, na Primavera de 1918. Na altura, segundo Alfredo Almeida, os bombeiros da Régua desempenharam um papel "importante no apoio sanitário aos infectados e viveram, sem alarmismos, os momentos mais críticos deste nefasto acontecimento".

Através daquele jornal, António Guedes contou que a sua corporação montou "um improvisado hospital na casa onde hoje está o Asilo Vasques Osório, o qual ficou sob a direcção do médico da nossa corporação, o senhor doutor Luís António de Sousa". "Ainda não existiam ambulâncias na corporação, e éramos nós bombeiros, que com macas portáteis, íamos buscar os doentes a suas casas e os transportávamos para o hospital, sublinhou.

No seu relato, Guedes frisa o facto de nenhum dos bombeiros se ter contagiado com aquela terrível doença, certamente devido à desinfecção a que eram sujeitos sempre que chegam com qualquer doente. "E recordo-me muito bem que, dessa desinfecção, constava um 'medicamento', um 'antibiótico' muito agradável, que era o vinho do Porto.

O primeiro gole seria para bochechar e deitar fora e o restante conteúdo do cálice (bem grande, por sinal) era para ingerir", salientou.

Alfredo Almeida disse desconhecer quantas pessoas a pneumónica vitimou no concelho do Peso da Régua, mas, referiu que de Norte a Sul do país, "terá implicado perto de 150 mil casos mortais". "A ser verdade, e não temos razões para duvidar, os efeitos do vinho do Porto, como poderoso desinfectante, talvez pelo seu teor alcoólico, terá resultado em 1918 como uma boa medida de prevenção ao vírus da gripe", sublinhou.

O padre Artur Gomes tinha apenas dois anos quando a sua aldeia, Vale Salgueiro (Mirandela), foi atingida pela gripe pneumónica e na sua memória guarda as histórias de "pavor" contadas pelas pessoas mais antigas."

A minha mãe falava muitas vezes dos muitos familiares que morreram por causa daquela gripe. Os meus pais sobreviveram, mas os seus pais morreram", salientou.

Artur Gomes lembrou que a sua aldeia não tinha médicos ou bombeiros, por isso mesmo diz que as pessoas recorriam aos remédios caseiros, como o chá da flor do sabugueiro.

Alfredo Almeida referiu que, há um século atrás, "se viveram tempos de alguma improvisação". Hoje os bombeiros da Régua já têm um plano de contingência mas, segundo o responsável, continuam a ter uma garrafeira onde existem, claro está, muitas garrafas de vinho do Porto.

"Não há razões para haver pânico. Estamos preparados com máscaras ou desinfectantes, com os meios necessários para e se a crise sanitária nos atingir", sublinhou.
- Fonte: Expresso.pt - Lusowine.

... E bastantes garrafas de Porto na adega dos Bombeiros da Régua, complementando os "meios" necessários, acrescento eu :))))

**José Alfredo Almeida, além de escrever para jornais da região do Douro/Régua, é colaborador do blogue "Escritos do Douro":

  • Morada: Peso da Régua.
  • 1987 – Licenciatura em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
  • Exerce a actividade de Licenciado em Direito, Jurista no Gabinete Técnico Local do Município do Peso da Régua, professor na Escola Secundária do Peso da Régua e na Escola Secundária de Resende, vereador em regime de permanência no Município do Peso da Régua tendo a cargo os Pelouros das Obras Particulares e Urbanismo, Desporto e Juventude, Abastecimento Económico e Assuntos Jurídicos.
    Como actividade Cívica é desde 1998 – Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua; Desde 2005 – Vogal da Direcção da Associação da Região do Douro p/Apoio a Deficientes; Desde 2006 – Presidente da Direcção da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real.
  • José Alfredo Almeida no "Escritos do Douro" - Aqui!
  • José Alfredo Almeida no Google - Aqui!
  • Portal dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua - Aqui!

8/24/09

Ronda pela net: Pemba e Matemo Island no programa "50 por 1" da TV Record

Pemba Beach e Matemo Island no programa "50 por 1" da TV Record-Brasil (Sábado, depois da meia-noite na Record e reprises também no sábado das 07:00 às 07:30 e das 20;30 às 21;30 na Record News):

A equipe do programa 50 por 1, apresentado por Alvaro Garnero, está produzindo dois programas na África: um em Moçambique e outro no Zimbábue.

Em Moçambique, Alvaro e sua equipe se hospedaram no Pemba Beach e no Indigo Bay, ambos da Rani Resorts.

O programa 50 por 1 mostra as 50 melhores experiências de viagens possíveis e hotéis como o Matemo Island, o Pemba Beach e o Singita Pamushana que são internacionalmente conhecidos pelas atividades, sofisticação e conforto que oferecem aos seus hóspedes.
O dia a dia das filmagens pode ser acompanhado pelo Twitter do programa 50 por 1.

Clique aqui e saiba mais sobre o Matemo Island e sobre o Pemba Beach.