9/02/09

Diversificando: Gastronomia e bons sabores de Moçambique


A pedido de diversos gulosos...

Sabia que:
- As bebidas tradicionais abundam em Moçambique e as diferentes regiões têm as suas bebidas predilectas.
Algumas das mais comuns são feitas usando-se o fruto do caju, do canhu, mandioca, manga, coco e cana-de-açúcar.
Normalmente os frutos são colhidos, lavados, deixam-se amadurecer completamente.
Depois abrem-se-lhes para retirar as sementes e as cascas e é tudo colocado num recipiente grande (como a bilha) para fermentar por um ou dois dias.
A mistura é depois coada, o liquido engarrafado, e está pronto para ser consumido.

- Maheu é um refresco servido normalmente em cerimónias ou como mata-bicho (pequeno almoço/café da manhã).
Junta-se um quilo de farinha de milho e três litros de água e deixa-se cozer por 20 minutos até fazer uma papa.
Deixa-se arrefecer num lugar escuro pelo menos durante 2 dias.
No terceiro dia acrescenta-se o açúcar a gosto e serve-se fresco.
O maheu é pesado, por isso não abuse para ter apetite para as outras delícias da festa.

-Piripiri: Para usar como tempero, o piripiri fresco e malaguetas devem ser cortados ao comprido e ao meio.
Remova os caules e sementes antes de cortá-los aos pedaços ou em fatias finas.
Lave sempre as mãos depois para evitar transmitir aos olhos os óleos do piripiri pois podem fazer mal.

- Você sabia?... que a mangueira começa a produzir fruta no sexto ano e depois produz mangas duas vezes por ano durante quarenta anos.

- ACHAR DE LIMÃO

Ingredientes:
1 kg de limão pequeno bem maduro
150 gr. de piripiri maduro e seco
2 colheres de sopa de sal

Preparação:
Lava-se a metade da quantidade de limão, corta-se em quatro partes sem deixar que seseparem.
Põem-se sal dentro do limão e mete-se num frasco com o piripiri.
Com a outra metade da quantidade de limão faz-se o sumo de limão e acrescenta-se no frasco contendo o limão cortado e piripiri.
Deixa-se ficar quatro dias em molho.
No quinto dia côa-se o piripiri (deixar escorrer bem o sumo) moem-se na “mbenga”, junta-se-lhe o sumo de limão e côa-se de novo para separar as sementes.
Junta-se o preparado (piripiri coado com limão) com o limão cortado ao meio e mete-se em frascos.
Depois de pronto deve-se expor ao sol durante alguns dias
O sal deve ser suficiente, pois assim o achar conserva-se durante mais tempo.

- CARIL DE CAMARÃO EM ANANÁS

Ingredientes:
750 gr de camarão fresco, cozido e sem as veias
Sumo de um limão
2 colheres de sopa de óleo
l cebola cortada
l colher de sopa de coentro cortado
2 tomates cortados
2 colheres de chá de pó de caril(curry)
1 chávena de caldo de peixe
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de farinha de trigo
2 ananases pequenos

Preparação:
Numa panela refogue a cebola em óleo e adicione o tomate, coentro e o pó de caril.
Cozinhe durante cinco minutos.
Adicione o caldo e o camarão salpicado com sumo de limão e deixe ferver em lume brando durante quinze minutos.
Misture a manteiga e a farinha de trigo e adicione esta mistura ao camarão aos poucos para engrossar o molho até se tornar macio.
Deixe cozer por mais alguns minutos e retire do lume.
Corte o ananás ao meio ao comprido e tire algumas partes da polpa.
Recheie os espaços ocos com a mistura de camarão e decore com coentro cortado e a casca de um limão torcida.

- CHAMUÇAS INDIANAS:

Ingredientes:
Água – 1 chávena
Alho – 5 dentes
Caril – 2 colheres de sopa
Cebola pequena – 2
Coentros – 2 colheres de chá
Farinha – 2 chávenas
"Garam masala" – 1 colher de sopa
Gengibre em pó – 1 colher de sopa
Manteiga – 5 colheres de sopa
Menta – 1 colher de sopa
Óleo – q.b.
Sal – 1 colher de chá
Sumo de limão – 1 colher de sopa
Vaca picada – 250grs.

Preparação:
Junte a farinha, o sal, a manteiga e a água numa tigela.
Amasse bem e deixe repousar enquanto prepara o recheio.
Aqueça a manteiga numa frigideira, junte metade da cebola picada, o gengibre ralado e o alho picado.
Deixe alourar, juntando depois o caril, o sal, o vinagre e a carne de vaca muito bem picadinha. Mexa bem, e deixe cozer em lume brando durante 10 a 15 minutos.
Adicione um pouco de água, no caso de secar demais.
Junte a este preparado o garam masala, as folhas de menta picadas e os coentros picados, mexendo bem. Retire do lume e deixe arrefecer.
Faça pequenas bolas com a massa e estenda-as e corte-as em forma de quadrados com mais ou menos 10 cm de lado, numa superfície coberta com farinha.
Deite uma colher de sopa de recheio no centro de cada quadrado de massa, dobrando-a, depois, em forma de triângulo.
Dobre as pontas, para que a chamuça não se abra ao fritar.
Aqueça bem o óleo e deixe aloirar as chamuças.
Ao retirar do óleo passe-as por papel absorvente, para que não fiquem muito gordurosas.

Tente fazer e... Bom apetite!
- In "O Cozinheiro" por Marielle Rowan.

9/01/09

Nunca é demais escutar: AZAGAIA e os "Combatentes da Fortuna"...

Azagaia - "Combatentes da Fortuna"
Conheçam: "Música de Moçambique online" - http://www.mozhits.com

8/31/09

Ronda pela imprensa moçambicana: Itália investe em Cabo Delgado na construção de uma fábrica de vestuário

Deverão arrancar, ainda este ano, as obras de construção de uma fábrica de vestuário na província nortenha moçambicana de Cabo Delgado, com capitais italianos – investimento de cerca de sessenta milhões de dólares norte-americanos.

O lançamento oficial do empreendimento deverá acontecer ao longo desta semana durante a visita a Moçambique do ministro italiano de Desenvolvimento Económico, Cláudio Scajola, que chega hoje mesmo, acompanhado do presidente do Instituto para o Comércio Externo, Umberto Vattani.

Scajola e Vattani estarão em Moçambique até quarta-feira à frente de pouco mais de 40 empresas italianas participantes na 45ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM), cujas portas abrem oficialmente hoje à tarde, devendo encerrar dia seis de Setembro de 2009.

A visita daquele governante italiano a Moçambique irá culminar com a assinatura de vários acordos de cooperação entre os dois países e Scajola será recebido pela Primeira-Ministra, Luísa Diogo, e pelos ministros da Energia, Salvador Namburete, e da Indústria e Comércio, António Fernando.

As trocas comerciais entre os dois países rondam aproximadamente em cerca de 400 milhões de dólares norteamericanos, com ascendência para a Itália que importa equipamento agrícola, principalmente, enquanto Moçambique exporta para aquele país europeu lingotes de alumínio, da MOZAL.
- F. Saveca, Correio da Manhã, Ano XIII, Nº 3144, Maputo, Segunda-feira, 31/Agosto/2009.

8/27/09

Glória de Sant'Anna na conjunção da poesia moçambicana

(Clique na imagem para ampliar)

Eduardo Pitta, em crónica recente, escreveu sobre a relevância da poetisa Glória de Sant'Anna na expressão da verdadeira poesia Moçambicana. Por mencionar a saudosa poetisa do mar azul de Pemba, transcrevo o texto publicado no blogue "Da Literatura":

""Agora que o n.º 83 [Setembro] da LER já está na rua, aqui fica a crónica Ser ou Não Ser, que publiquei na minha coluna Heterodoxias, no n.º 82.

A morte recente de Glória de Sant’Anna pôs de novo em pauta a questão de saber o que significa ser um poeta moçambicano. A discussão vem do tempo em que tais formalismos eram motivo de querela. Tenho memória das polémicas entre Eugénio Lisboa e Rodrigues Júnior. Não me vou alongar, mas para que o leitor não perca o pé, fica dito que as teses e antologias de Alfredo Margarido e Luiz Forjaz Trigueiros eram fonte de atrabílis. Contra ambos, Lisboa foi curto e grosso: «Dizer aos nossos divulgadores metropolitanos que a poesia em Moçambique é outra coisa, que a poesia, mais simplesmente, é outra coisa; que se deixem disso, se o fenómeno literário os não interessa seriamente como literatura...» O inventário era sulfuroso.

Agora, na morte de Glória de Sant’Anna, jornais e agências telefonam a inquirir da sua importância “no contexto” da poesia moçambicana. Não sei, não estava lá, mas não estou a ver o Monde a perguntar pela importância da Duras “no contexto” da literatura indochinesa, ou o de Derrida “no contexto” da filosofia argelina. Aliás, ninguém indaga da importância de Fernando Gil e José Gil para a filosofia moçambicana!

Quer isto dizer que não há poetas moçambicanos? Claro que há. O que não faz sentido é meter tudo no mesmo saco. São indiscutíveis poetas moçambicanos Rui de Noronha (1909-1943), José Craveirinha (1922-2003), Poeta Nacional por aclamação e Prémio Camões em 1991, Noémia de Sousa (1926-2003), Rui Nogar (1932-1993), Virgílio de Lemos (n. 1929), Heliodoro Baptista (1944-2009), Jorge Viegas (n. 1947), Gulamo Khan (1952-1986), Luís Carlos Patraquim (n. 1953), Eduardo White (n. 1963) e outros. Verdade que Noémia de Sousa viveu em Lisboa a partir de 1951, que Virgílio de Lemos continua em Paris desde 1963 (os poemas anteriores ao exílio assinou-os com o pseudónimo de Duarte Galvão), e que Luís Carlos Patraquim deixou Moçambique em 1986.

Nada em comum com os primeiros expatriados: Salette Tavares (1922-1994), que veio para Lisboa em 1932; Alberto de Lacerda (1928-2007), que saiu de Moçambique em 1946 e viveu em Londres a partir de 1951; e Helder Macedo (n. 1935), que saiu de Moçambique em 1948 e vive em Londres desde 1960. Aliás, Londres tem sido um sorvedouro de moçambicanos: Rui Knopfli também lá viveu entre 1975 e 1997.

O busílis marca quem lá ficou até ao ano da independência. Isso acrescenta à lista uma série de nomes. Os mais conhecidos são Rui Knopfli (1932-1997), Glória de Sant’Anna (1925-2009), João Pedro Grabato Dias (1933-1994), que se desdobrou pelos heterónimos Frey Yoannes Garabatus e Mutimati Barnabé João — ficou célebre a ira de Samora Machel quando descobriu que o “guerrilheiro” que dava voz ao povo era, afinal, o seu amigo pintor António Quadros —; Sebastião Alba (1940-2000) e Lourenço de Carvalho (n. 1941). O embaraço da crítica é evidente. Como situar os pied noir do Império? Curiosamente, nunca vi a questão colocada relativamente a Angola. Mas Moçambique fica do outro lado do mundo.

Em Reflexões sobre o exílio (2001), Edward Said afirma que «Ver um poeta no exílio — ao contrário de ler a poesia do exílio — é ver as antinomias do exílio encarnadas e suportadas com uma intensidade sem par.» Se a isto juntarmos o que o mesmo Said disse antes de morrer, «ainda não fui capaz de compreender o que significa amar um país», temos o quadro em toda a sua crueza.Tendo como pátria declarada a língua portuguesa, à revelia da identidade nacional, Knopfli (natural de Inhambane) pagou caro a escolha de entender, como T. S. Eliot, que as literaturas pátrias compõem «uma ordem simultânea» (cf. The Sacred Wood, 1976). Sucede que a insistência nos rótulos — moçambicano, albicastrense, etc. — oblitera a totalidade da literatura. Não admira portanto a desorientação com Glória de Sant’Anna, voz ática que dos matos de Pemba fez a síntese de Sophia com Cecília Meireles.""

  • Outros link's deste blogue para "Glória de Sant'Anna" - Aqui!

Fim de noite: O meu País... também pode ser os nossos Países !!!

Poema "O meu País" recitado por João de Almeida Neto

8/26/09

TROVOADA NA SERRA - Um apontamento do último Administrador Colonial da Gorongosa.

Trovoada na Serra - Uma lição da História de Moçambique que deve ser lida com atenção e percebida pelos jovens moçambicanos de hoje:

""...Com efeito, revejo-me, menino e moço, na Quissanga e Porto Amélia, onde muito amei alguém que então tratava por "miúda"; revejo-me, brincalhão, nas praias de Uimbe e de Mecúfi; explorador nas florestas de Nangade...""
  • Leia em formato "pdf" Trovoada na Serra, na íntegra - Aqui!
Acrescento: Sugestionado por Amigo, transcrevo post do "Moçambique Para Todos" já publicado em 26/02/2007 mas sempre atual, onde, na ótica de JOSÉ DO ROSÁRIO ROSA, último administrador colonial e a última autoridade portuguesa no então Concelho da Gorongosa com sede em Vila Paiva de Andrada, nos relata detalhadamente, com ínicio em 1973 até à independência de Moçambique, a transição nada fácil, conturbada, dramática da Administração local para a Frelimo.
Lendo-se com tempo e atenção este trabalho do Administrador José do Rosário Rosa terminado em Novembro de 1995, poderemos entender um pouco da História recente de Moçambique, o drama e sacrífício de milhares de moçambicanos e portugueses envolvidos nessa já célebre "descolonização exemplar" que não assegurou mínimamente seus bens e vidas, entregou Moçambique por conveniência, fraqueza ou pressões internacionais a um único partido despreparado, quando outros movimentos pró independência exisitiam, além de podermos perceber melhor figuras e situações que nos trazem até ao atual Moçambique, inundado de contradições sociais e pobreza que envolvem a maioria da população não ligada, por várias formas, aos quadros do partido Frelimo ainda no poder.