10/19/09

Na província de Cabo Delgado: Cólera faz 2 óbitos em menos de uma semana

CanalMoz, Ano 1 * N.º 60, Maputo, Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 - (Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar, Porta 4, Maputo; email:  canal@tvcabo.co.mz) - Na província de Cabo Delgado Cólera faz 2 óbitos em menos de uma semana - A cólera volta a atacar no país, depois de em Junho o Ministério da Saúde ter desactivado os centros de emergências de atendimento a esta doença. Registaram-se 2 óbitos de um total de 187 pessoas internadas na província de Cabo Delegado. As zonas mais afectadas nesta província são os distritos de Montepuez onde se registaram 166 casos e na Mocimboa da Praia, em que as unidades sanitárias locais registaram 21 casos. A informação foi avançada na sexta-feira última pelo porta-voz do Ministério da Saúde, Leonardo Chavane.

Segundo a mesma fonte a eclosão desta doença nesta província do pais, tem como causa principal, o problemático saneamento do meio, má disponibilização de água e descuidos com higiene individual a que a população desta província está sujeita.

Segundo a fonte, há casos de diarreia principalmente nas zonas rurais, onde as condições de higiene não são bem observadas.

Em Junho foram registados em todo país cerca de 19064 casos e 64 óbitos.

Até final de Junho passado, a província de Zambézia liderava os casos desta epidemia que volta assolar o país um pouco por todo o lado.

Leonardo Chavane, director nacional adjunto da saúde pública, revelou-se indignado porque, segundo ele, na província de Cabo Delgado ainda prevalece receio por parte a população em aceitar ou aderir à sensibilização que se faz sobre a prevenção de cólera. A fonte disse que há um grupo de indivíduos nesta província nortenha que se dedica a desinformar a população e salientou que o mesmo grupo tem inviabilizado a campanha de sensibilização de luta contra cólera.

Tratamento
Para uma primeira fase de tratamento, o Ministério da Saúde diz ter disponíveis medicamentos para tratar 30 mil pacientes com embrião colérico.

Os medicamentos, apenas se encontram nas unidades sanitárias públicas e só podem ser disponibilizados aos doentes mediante uma receita médica autorizada pelo médico, refere o MISAU. (António Frades) 2009-10-19 06:10:00.

A África está à venda...


Análise de Clovis Rossi da Folha de São Paulo/Brasil, 16/10/09:

- Está para ser fechado um acordo pelo qual a República do Congo -- ou Congo-Brazzaville -- arrendará a uma empresa sul-africana, a Agri SA, o equivalente a um terço de seu território, exatamente 10 milhões de hectares.

A Agri representa cerca de 70 mil agricultores e empresas sul-africanas, que ficarão com o direito a livre acesso às terras por um período incrivelmente longo, de até 90 anos, em troca de uma injeção de recursos que o governo local, em tese, aplicará nas zonas afetadas pela operação.

Um bom negócio para o desenvolvimento da África, o continente esquecido? Pode ser mas pode ser também um passo adiante no que Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, o braço da ONU para agricultura e alimentação, chama de "neocolonialismo".

A operação no Congo faz parte do que o jargão internacional batizou de "land grabing", "tomada de terras", denunciada em um relatório divulgado meses atrás pela própria FAO mais o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola e um centro britânico de pesquisas, o Instituto Internacional para o Ambiente e o Desenvolvimento.

O documento aponta, já no título, as duas possibilidades contidas nesse tipo de operação: chama-se "Tomada de Terras ou Oportunidade de Desenvolvimento?".

O texto informa que "países africanos estão entregando vastos pedaços de terra cultivável para outros países e investidores quase de graça, com os únicos benefícios consistindo em vagas promessas de empregos e infraestrutura".

A única diferença entre o "land grabing" na República do Congo e em outros países africanos está na nacionalidade dos investidores. No Congo, são da própria África. Nos países investigados pelo relatório da FAO e associadas (Etiópia, Gana, Mali, Madagascar e Sudão), são países ricos como a Arábia Saudita e a Coreia do Sul, temerosos por sua segurança alimentar. Mas a grande compradora de terras é a China, que busca, além de segurança alimentar, a exploração de minérios.

O relatório da FAO diz que, nos últimos cinco anos, cerca de 2,5 milhões de hectares foram entregues a estrangeiros, o que equivale à metade da terra arável do Reino Unido. Mas há uma outra estimativa, feita por Peter Brabeck, presidente da Nestlé, que eleva o total a 15 milhões de hectares, ou meia Itália, distribuídos por África, Ásia e América Latina.

O Brasil aparece na ponta africana da equação. O site Mother Jones, de temas ambientais e de desenvolvimento, visitou Massingir, no fundão de Moçambique, onde está em preparação um projeto de US$ 500 milhões, que promete empregar duas mil pessoas e usar aproximadamente 75 mil acres de terra para plantar cana-de-açúcar e produzir etanol, em usina com tecnologia brasileira -- o tipo de projeto que é a menina dos olhos do presidente Lula.

De novo, o projeto, conhecido como ProCana, apresenta a possibilidade de transformar para melhor a vida de milhares de africanos pobres ou de "pôr em risco o parque transnacional [vizinho] e outros importantes projetos de conservação", escreve Adam Welz, o enviado de "Mother Jones".

Tudo o que a diplomacia brasileira dispensa é a materialização do segundo cenário.

Eleições Moçambicanas: Últimas notícias...


- CanalMoz, Ano 1 * N.º 60 * Maputo, Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 (Director: Fernando Veloso * Editor: João Chamusse Sede: Av. Samora Machel n.º 11 - Prédio Fonte Azul, 2º Andar , Porta 4, Maputo - http://www.canalmoz.com/ * e-mails: fveloso@tvcabo.co.mz * canal@tvcabo.co.mz). 
- Daviz Simango arrasou Ilha de Moçambique - Nampula (Canalmoz) – O candidato presidencial pelo Movimento Democrático de Moçambique, MDM, trabalhou no último fim-de-semana na primeira capital de Moçambique, na cidade da Ilha de Moçambique, na província de Nampula, onde para além de ter orientado um comício, desfilou em caravana por algumas artérias daquela urbe.

Na manhã de sábado, concretamente, Daviz Simango, desfilou pela principal artéria da Ilha de Moçambique e, pelo caminho a dentro, pedia aos eleitores daquela cidade insular um voto de cada um deles no próximo dia 28 de Outubro corrente, como condição una de verem melhoradas as suas condições de vida.

O engenheiro Simango, que concorre a Ponta Vermelha, pediu aos jovens para que reconheçam o papel deles no desenvolvimento e mudança do país.“Nós os jovens é que somos o garante desta pátria, por isso votem em mim, Daviz Simango, que represento a nova geração e um Moçambique para todos”.

Contudo, o candidato mais jovem justificou que quer dirigir o país porque só com ele é que “teremos um Moçambique para todos” e, não só, “vamos viver um país de Direito e de Justiça, onde a distribuição da riqueza no território nacional será de forma equilibrada”, ou seja, “ nenhuma região ganhará mais do que a outra”.

Para os jovens, Daviz Simang deixou claro que 1% do PIB, Produto Interno Bruto, será aplicado na melhoria das condições habitacionais dos mesmos. “Vamos de ter uma habitação melhor, através do 1% do PIB que vou dedicar a construção de casas para os jovens”, prometeu.

Feitas as promessas na parte insular da Ilha de Moçambique, Daviz e comitiva rumaram para outros destinos, destacando-se uma outra paragem do lado do continente, no Lumbo, onde habita parte significativa dos ilhéus. (Aunício da Silva)

- Na cidade de Maputo Frelimo destrói material de partidos da oposição - Maputo – Sensivelmente dez dias é o tempo que nos separa do fim da campanha eleitoral. O partido Frelimo está a jogar tudo e todos, e abusando do facto de estar no Poder. Usa todos os trunfos em sua posse, designadamente a complacência das autoridades para tentar vencer as eleições de 28 de Outubro próximo.

Num acto massivo sem precedentes, em clara violação da Lei Eleitoral, uma missão daquela formação política, maioritariamente, composta por jovens do sexo masculino, no Cemitério São Francisco Xavier, vulgarmente conhecido como paragem da Ronil, começou a colar panfletos do seu partido e do seu candidato Armando Emílio Guebuza no muro. Só que ao invés de simplesmente colar os panfletos da Frelimo e de Armando Guebuza, os jovens rasgaram tudo quanto era material de outros partidos da oposição. Quando não rasgavam, apenas sobrepunham. Colavam por cima os seus panfletos... (notícia completa).

- DIÁRIO DE NOTÍCIAS, Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009 – Edição 1495 (Editor: Paulo Machava -cell: 826388700 - Redacção e Administração: Rua Frei Amaro de Tomaz, Nº77, R/C– Maputo - Moçambique - E-mail: diariodenoticias@tvcabo.co.mz)
- Sociedade Civil defende revisão de composição e funções da CNE - (Maputo) Organizações da Sociedade Civil (OSC) comprometem-se a envidar todos os seus esforços e contribuírem com todos os meios ao seu alcance para que o processo eleitoral em curso no país, tendo em vista os pleitos agendados para 28 deste mês, decorra em paz e serenidade.

Por outro lado, as OSC prometem apoiar todas as medidas que sejam tomadas para garantir a transparência, liberdade e justeza do processo eleitoral. Estas decisões saíram de uma reunião de reflexão sobre o processoparticiparam representantes de 17 organizações da sociedade civil. “Entendemos que é imperativa a acção de todos e de cada um na preservação da paz, da serenidade e das liberdades e direitos individuais, como alicerces fundamentais da harmonia social, democracia, bem estar e da prosperidade da Nação moçambicana”, diz o comunicado.

Assim, estas organizações instam os seus membros e a sociedade moçambicana a cultivarem o pluralismo de ideias e o respeito e tolerância mútuos, a respeitarem as diferenças e a diversidade, bem como a evitarem todas as atitudes que possam constituir causa de exclusão, tensão ou violência.

No encontro, as 17 organizações reflectiram sobre o momento político actual e, sobretudo, as responsabilidades e tarefas que cabem à sociedade civil. Nessa reflexão, as organizações concluíram haver necessidade “premente” de se iniciar um processo de reflexão profunda sobre o sistema eleitoral em Moçambique, bem como fazer uma revisão sobre a lei eleitoral e respectivos regulamentos e normas. Por outro lado, defendem que a composição e funções da Comissão Nacional de Eleições (CNE) devem ser igualmente revistas.

No referido comunicado, as mesmas sublinham que o processo de revisão da lei eleitoral, bem como da composição e funções da CNE, deverá envolver, ser assumido e dirigido pela sociedade civil. “Entendemos que o processo eleitoral toca na vida e diz respeito a todos os cidadãos e, por isso, a iniciativa e direcção da revisão não deve ser deixada apenas aos partidos políticos ou as futuras comissões da Assembleia da República (Parlamento). Para tal, as organizações da Sociedade Civil irão negociar e estabelecer um programa específico de actividades”, refere o comunicado.

O encontro de reflexão sobre o processo eleitoral em Moçambique contou com a participação de Centrode Estudos Estratégicos e Internacional do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), Grupo Moçambicano da Divida, Justa Paz, Conferencia Episcopal (Igreja Católica), Associação de Estudantes Finalistas e Universitários de Moçambique, Link (Forum de ONG’s), Movimento de Luta contra a Pobreza Absoluta, Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Universidade São Tomas de Moçambique, WLSA-Moçambique, Instituto de Estudos Sociais e Económicos, Organização dos Trabalhadores Moçambicanos, MISAMoçambique, Conselho Superior de Comunicação Social, Cruzeiro do Sul-Centro de Investigação e Instituto Holandês pata a Democracia Multipartidária. (Redacção).

- Eleições 2009 - Boletim sobre o processo político em Moçambique - Número 16, 18 de Outubro de 2009 (http://www.eleicoes2009.cip.org.mz/; Editor: Joseph Hanlon - j.hanlon@open.ac.uk; Editor Adjunto: Adriano Nuvunga; Assistente da Pesquisa: Tânia Frechauth; Publicado por CIP, Centro de Integridade Pública, e AWEPA, Parlamentares Europeus para a Africa; O material pode ser reproduzido livremente, mencionando a fonte; Para assinar em Português: http://tinyurl.com/mz-pt-sub).
- O CC rejeitou a reclamação do MDM - O CC rejeitou a reclamação do MDM sobre a decisão da CNE de “excluir, ou declerar nulas ou rejeitar ilegalmente as listas de candidatos às eleições provinciais” alegando extemporaneidade da reclamação. É que, segundo o CC, o MDM submeteu a sua reclamação a 21 de Setembro de 2009 quando já passavam dez (10) dias depois de a CNE ter publicado as listas de candidatura, a 6 de Setembro.

Por lei, o MDM tinha 5 dias úteis para apresentar a sua reclamação. Sucede, no entanto, que a apesar de as listas para as eleições provinciais ostentarem a data de 6 de Setembro, não foram tornadas públicas nesta data. No dia 6 de Setembro, a CNE publicou apenas as listas de candidatos para as eleições legislativas e somente na semana seguinte afixou as listas para as eleições provinciais na vitrina do STAE. (Acordão 24/CC/2009 de 2 de Outubro de 09).

- Incidentes de campanha em resumo

Violência:
- Manhiça, Província de Maputo: os autores do espancamento dos sete membros e simpatizantes do partido MDM, no dia 30 de Setembro, na zona de Tavira, serão julgados pelo tribunal distrital da Manhiça, no dia 21 do mês corrente.

- Moatize, Tete: grupos de choque do partido Frelimo, em Zobué, distrito de Moatize, inviabilizaram o comício do partido MDM, no dia 10 de Outubro. Tudo aconteceu quando o grupo de choque chegou ao local onde o MDM realizava o seu comício cantando, dançando e tocando batucadas e, por fim, atiraram pedras contras os simpatizantes do MDM.

- Moatize, Tete: quatro membros do partido MDM, foram detidos na tarde do dia 11 de Outubro, indiciados de destruição do material propagandístico do partido Renamo e Frelimo na vila sede Moatize.

- Moatize, Tete: dia 14 de Outubro, duas cidadãs membros e simpatizantes do partido MDM, Sandra Domingos e Ângela Rafael Joaquim, encontram-se encarceradas no comando distrital de Moatize, desde dia 12 de Outubro, acusadas de destruir material propagandístico do partido Frelimo na vila sede de Zobué. De referir que as acusadas têm bebés por amamentar.

- Machanga, Sofala: Frelimo e MDM envolvem-se escaramuças, no bairro Chigogoro, no dia 17. Tudo começou quando o grupo cheque da Frelimo destruiu material de campanha do MDM e os do MDM reagiram. Daí houve pedradas e dois membros da Frelimo ficaram feridos.

- Maxixe, Inhambane: membros da OJM, destruíram material propagandístico do partido Renamo e do MDM no dia 13 de Outubro na zona de Chambone.

- Mabalane, Gaza: vogal da comissão distrital de eleições e membro do partido Renamo, Américo Daniel, foi espancado na tarde do dia 13 de Outubro por um grupo de membros e simpatizantes do partido Frelimo na sua residência na zona 3. No fim, afixaram panfletos do partido Frelimo.

- Chókwé, Gaza: um jovem do partido MDM, (Movimento Democrático de Moçambique) que pediu anonimato diz ter sido vítima de ameaças de morte caso não aderisse ao movimento de campanha da Frelimo.

- Buzi, Sofala: candidato a membro da Assembleia Provincial por parte do partido Frelimo, Herculano Dzidzi, está a beneficiar da segunda formação como membro da assembleia de voto desde o dia 13 de Outubro do mês corrente.

- Murrumbala, Zambézia: grupos de choque do partido Frelimo, chefiados pelo secretário distrital, Zeca Makulo, espancaram um membro do PDD, Carlitos Davane, na localidade de Boroma, Posto Administrativo da sede de Murrumbala, no dia12 de Outubro.
 
Uso de Meios do Estado:
- Pemba, Cabo Delgado: o partido Frelimo está a usar viaturas do estado que não são conhecidas na Cidade de Pemba na sua campanha eleitoral. Os carros em causa foram trazidos de Maputo para a Província. Um Land Rover de modelo Discovery com a chapa de matrícula MMQ-56-48 pertencente ao Ministerio da Agricultura está a ser usada desde o início da campanha. O facto foi confirmado pelo motorista que trouxe a viatura de Maputo e assegurou que há outras tantas viaturas nesta situação.

- Cahora, Bassa, Tete: o partido Frelimo no dia 15 de Outubro, usou uma viatura Ford dupla cabine da Administração do distrito de Cahora Bassa, não foi possível identificar a sua chapa de matricula uma vez que continha panfletos propagandísticos daquela formação politica.

- Mabalane, Gaza: o partido Frelimo na sua campanha eleitoral usa viatura da Educação uma Nissan Hardbody de cor branca com chapa de inscrição MMS 14-06.

- Muchanga, Sofala: partido Frelimo na sua campanha, no dia 17 de Outubro, na vila sede de Muchanga usou uma viatura Toyota Hilux, cor branca, MLV 06-44 pertencente a direcção da Agricultura. A mesma viatura havia sido colada panfletos do partido Frelimo na porta direita do lado do motorista.

10/17/09

DIA DA CIDADE DE PEMBA - Domingo 18/10

''Extr. da publicação PEMBA, SUA GENTE, MITOS E A HISTÓRIA-1850 a 1960, de Luis Alvarinho, que também se baseou em documentação do Arquivo Hist. de Moçambique, B.O. e Boletim da C. do Niassa, entre outros:

- O embrião que veio dar origem à actual cidade de Pemba, data de 1857, como parcela da Colónia 8 de Dezembro, fundada por Jerónimo Romero e dissolvida 5 anos depois por diversos problemas de organização e adaptação dos colonos
  • - Porto Amélia ascende a vila por portaria de 19 de Dezembro de 1934.
  • - É elevada à categoria de cidade em 1958 pelo decreto-lei de 18 de Outubro-G.G. da Província.''.
PEMBA DE ONTEM E DE HOJE
Por Carlos Lopes Bento para o ForEver PEMBA
 
Ao comemorar-se mais um aniversário da elevação de Pemba a cidade, aproveito a ocasião para saudar todos os seus habitantes e respectivas autoridades e visualizar algumas imagens do meu Album, que lembram um pouco da História recente desta bela urbe, do norte de Moçambique.
 



 (Clique nas imagens para ampliar)
 
Para a cidade de Pemba e suas Gentes votos de um futuro próspero e pacífico.
- Portugal, Lisboa, 18 de Outubro de 2009, Carlos Lopes Bento.

Intervalo: Balance - Sara Tavares!


10/16/09

Moçambique/Eleições: Os "Donos do Poder" - Urnas para eleições são fornecidas por empresa do candidato Guebuza


Empresa de candidato Guebuza fornece urnas à CNE para as eleições do próximo dia 28 - A Tipografia Académica, de que o candidato da Frelimo, Armando Guebuza, é accionista, é quem vai fornecer as urnas que serão usadas na votação em todos os 128 distritos do País. Isto significa que a firma se responsabilizará por fornecer urnas a 12 694 assembleias de voto, para as eleições de 28 de Outubro.
Este dado está a provocar curiosidade e imensos comentários na praça, aproveitando alguns para salientar que tudo isto surge na ressaca da deliberação do Conselho Constitucional quanto à exclusão de alguns partidos e candidatos às presidenciais que se viram assim impedidos de irem a sufrágio e participarem nas eleições que se avizinham. Não bastando esta novidade, comenta-se o cúmulo da CNE, que se diz legalista, não obedecer à lei, ou seja, ao Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro, que fixa a necessidade de se proceder a concurso publico sempre que se trate de aquisições de bens e serviços para as instituições do Estado.

A CNE é Estado e não obedeceu a concurso público para apurar o fornecedor das urnas e ainda para mais adjudicou o fornecimento das urnas a uma empresa que tem negócios com um dos candidatos.

Por via desta adjudicação clandestina o candidato Armando Guebuza está na boca de muita gente da oposição que diz que já não pode haver dúvidas que Guebuza tem mãos sobre os membros da Comissão Nacional das Eleições (CNE), particularmente o seu presidente, João Leopoldo da Costa. “Neste negócio são curiosos os métodos utilizados pela CNE na selecção da Tipografia Académica”, comenta um cidadão na Beira.
 
“A princípio julgávamos que teria sido por meio de concurso público, mas após verificarmos no diário Notícias, de maior circulação nacional, nada consta. Não conseguimos chegar aos métodos que a CNE terá seguido para o apuramento da Académica, entre várias empresas nacionais da área”, refere a fonte da oposição que por não ser da direcção do seu partido nos pede anonimato.

“Se antes poderia se afastar qualquer suspeita de falta de independência da CNE em relação a Guebuza, esta é uma mancha negra sobre o véu branco, expondo-se alguma cumplicidade entre João Leopoldo da Costa e Armando Guebuza no tocante a orquestração do , tal como é recorrente afirmar-se”.

“Este escrutínio, está já à partida claramente viciado”, são outras das observações que registámos de cidadãos que pedem já que quem está a observar estas eleições, registe.

O cidadão Armando Guebuza, que é actualmente o chefe de Estado e concorre à sua própria sucessão, tem um império empresarial onde se arrolam pouco mais de 30 empresas. Detém participações na Académica. Intervindo assim no fornecimento de bens e serviços à CNE através da participação na Tipografia Académica, também proprietária do Diário de Moçambique, um jornal diário editado na Beira, capital da província de Sofala, centro de Moçambique.

Segundo o Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro, um dos procedimentos a seguir para se encontrar os fornecedores de meios para o Estado é por concurso público, conforme o seu artigo 1, nº 1, conjugado com artigo 2 no seu nº 1. Não se sabe quando foi aberto o tal concurso, isso está a suscitar enormes desconfianças sobre os métodos seguidos pela CNE. Que procedimentos terão norteado a CNE a escolher a firma do actual chefe de Estado e concorrente a estas eleições? A credibilização deste processo está em causa. Não será que as urnas já vão aparecer nas assembleias de voto, selada e já com votos lá dentro? Não será que é por isso que a lei eleitoral agora prevê que o que conta nos escrutínios são agora os votos nas urnas e não o número de eleitores? São tudo questões que estas desconfianças estão a suscitar no eleitorado, irritado com tudo o que se está a registar de controverso nestas eleições.

Como diz o artigo 88, nº 1 alínea b) do Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro , o concurso limitado pode ocorrer quando o fornecimento de bens e prestação de serviço não seja superior a 875 mil meticais. Será que pelo fornecimento de urnas a 12.694 assembleias de voto não será gasto um valor superior? Porque a CNE não divulgou nenhuma quantia a volta desta “bolada”, se bem que a norma assim o diz? Portanto, olhando para o artigo 56 do Decreto nº 54/2005, de 13 de Dezembro, em caso de concurso limitado, seria o Ministério das Finanças a fornecer o nome de empresas elegíveis a este tipo de concurso. Mas aparentemente não foi seguido o método que a lei prevê.

Não é reconhecida à Tipografia Académica experiência ou vocação para uma actividade específica em questão, como é o caso do fornecimento de urnas para eleições. Rafik Sidat administrador da referida empresa é também membro do Comité Central do Partido Frelimo. É um dos proprietários da Tipografia Académica e figura ligada à administração do Diário de Moçambique que se publica na Beira). É ainda o secretário para Administração e Finanças da Frelimo.

A mesma situação aplica-se a SOTUX, uma Sociedade Internacional de Comércio de Bens, do empresário Álvaro Massingue, que deverá fornecer cabines de voto e candeeiros. De Massingue sabe-se que tinha acumulado a dívida de USD 650 000 em crédito mal parados no Banco Austral. E a Sotux USD 383 000. Não há informação actualizada sobre a situação do crédito malparado desta empresa à banca, mas o que se sabe é que Massingue é um empresário próspero com conexões dentro dos clãs mais poderosos da República de Moçambique.

Segundo o que o Canalmoz apurou, os boletins de voto e os demais materiais de trabalho da mesa de assembleia de voto serão entregues às Comissões Provinciais de Eleições a 18 de Outubro, portanto, 10 dias antes da votação. Os produtores do material são as empresas moçambicanas Sotux e Académica e as empresas sul-africanas Lithotech e Uniprint. A Sotux fornece cabines de voto e candeeiros e a Académica fornece as urnas de voto. Os restantes materiais são fornecidos pelas empresas sul-africanas. À excepção dos boletins de voto para as eleições presidenciais, os boletins de voto para as eleições legislativas e provinciais são diferentes de província para província, porque, nem todos os partidos políticos concorrem em todos os círculos eleitorais.

O material será empacotado de acordo com as necessidades de cada província e transportado, em camiões, para as província respectivas.
- (Adelino Timóteo) – CANALMOZ – 16.10.2009.