quinta-feira, 24 de novembro de 2005

Mocimboa da Praia...ainda ! - XI

O quotidiano difícil de Mocímboa da Praia.

...executivo acusado de politizar ajuda - 24/11/2005

Maputo – O executivo da vila de Mocímboa da Praia (MP), norte de Moçambique, é acusado de estar a politizar a ajuda, destinada às vítimas dos sangrentos acontecimentos de Setembro, que causaram pelo menos 12 mortos.
Pelo menos 50 pessoas, foram igualmente feridas e igual número de casas destruídas nos confrontos, que se seguiram à violência política, de 5 e 6 de Setembro, envolvendo apoiantes da Renamo e da Frelimo e a polícia.
“Após o conflito sangrento de 5 e 6 de Setembro, a vila da Mocímboa da Praia recebeu muita ajuda de várias instituições que não está a ser distribuída de forma igual aos afectados”, denunciou um destacado membro da Renamo, Pedro Santos, substituto do delegado distrital, em declarações ao mediaFAX.
O delegado da Renamo Correia Suleimane, continua detido na vila da Mocímboa de Praia, juntamente com outras três dezenas de membros e simpatizantes, da maior força da oposição do país.
Curiosamente, a maioria dos afectados - mais de 500 pessoas - que sofreram duramente os efeitos das confrontações do início de Setembro, são membros ou simpatizantes da Renamo. Mas, existem duas figuras relevantes da vila de MP, Amadeu Pedro Francisco, edil de MP e Momade Sumail, primeiro-secretário do partido Frelimo local, cujas residências foram vandalizadas.
"Muitos membros da Renamo que, ao longo do conflito, perderam suas casas, ainda não receberam o devido apoio”, explicou Santos.
"Temos famílias inteiras, que continuam ao relento, por estarem a ser discriminadas na distribuição da ajuda. Não existe transparência na gestão e distribuição da doação", acusa Santos.
O apoio recebido destinado à reconstrução da vida das populações afectadas, está a ser gerido pela administração local de MP.
“Temos mais de 20 famílias alojadas em casa do delegado distrital da Renamo, que ainda não receberam nenhum donativo”, disse o delegado substituto, Pedro Santos.
A ajuda compreende material de construção, bens alimentares, artigos de uso doméstico e insumos agrícolas.
Uma parte da ajuda, cerca de 50 milhões de Meticais foi desembolsada por um operador madeireiro, a MITI, e por diversas outras organizações, incluindo de caridade.
A MITI também cedeu as suas viaturas para fazer distribuição da ajuda.
“O governo está a politizar os recursos doados, beneficiando apenas os membros da Frelimo, em prejuízo dos militantes da Renamo”, acusou a fonte, apelando a quem de direito para corrigir o actual quadro.
Confrontado pelo mediaFAX, o novo administrador do distrito de Mocímboa da Praia, Arcanjo Cassia, negou à acusação, alegando tratar-se duma estratégia política da Renamo para denegrir a imagem do governo local.
“Isso não é verdade, a Renamo quer manchar imagem do nosso governo para favorecer os seus interesses políticos na vila”, defendeu Cassia, que substitui no cargo Enrique Ndudu que, em Agosto, foi transferido para o distrito de Ancuabe no centro da província de Cabo Delgado. A distribuição da ajuda está a decorrer “normalmente” e mais de 90 famílias, sem casas, já beneficiaram de apoio".
“A distribuição do material proveniente das doações ocorre normalmente e não concordo que haja falta de transparência nesta matéria”, repetiu Cassia, diante da acusação da Renamo.
“O processo de ajuda às comunidades afectadas, foi iniciado a 7 de Novembro e já beneficiou 97 famílias”, explicou o administrador de Mocímboa da Praia.
O ambiente em M.P, dois meses após o conflito sangrento, ainda não é pacífico, envolvendo os dois maiores partidos do xadrez político, Frelimo, no poder, e Renamo na oposição.
Vivem no interior vila de MP, pelo menos 20 mil pessoas, na sua maioria de origem muçulmana, que têm a pesca como a sua base principal de actividade.
(Miguel Munguambe/redacção)
Via"MediaFax" edição 3.415 de 24/11/05 - e-mail: mediafax@tvcabo.co.mz

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