sábado, 5 de maio de 2007

Recados da velha de Quissanga.


Depois de no ano passado ter ouvido a máxima, em Litandacua, aldeia pertencente ao posto administrativo de Chai, distrito de Macomia, um popular a dizer ao governador Lázaro Mathe, que se o Governo não resolvesse o problema dos elefantes, na próxima visita que se reunisse com eles.
Depois de parecer que o conflito entre os animais bravios e o Homem estava a ter solução, numa altura em que o governo decidiu intervir com mais força na gestão do Parque Nacional das Quirimbas, colocando lá um seu membro, que veio a ficar acima da administração do parque.
Depois de relatórios desencontrados entre o parque, o Governo provincial e outras fontes não menos importantes, depois de tudo isso, uma mulher se levantou surpreendeu o Presidente da República ao colocar a sua versão dos factos, uma versão muito diferente do que o chefe sabia, conforme ele mesmo confessou.
A velha voltou a culpar os elefantes da fome que pode flagelar este ano o distrito de Quissanga e por extensão o Parque Nacional das Quirimbas, fazendo outra extensão, chegou a culpar o Governo, que acha, na sua opinião, que o elefante é mais importante que as pessoas.
Disse que não acreditava em nenhuma outra coisa, senão num jogo em que as populações saem sempre a perder. Quis saber da importância dos elefantes que numa noite destroem todo o esforço de um ano, depois ninguém reage em defesa dos camponeses.
Propôs que, a serem muito importantes os elefantes, que o Parque Nacional das Quirimbas abrisse suas machambas, mais grandes que aquelas que estão em blocos para permitir que os elefantes comessem nelas, distraindo-os, assim, a não irem atacar as dos populares.
Seria uma espécie de cordão para defender as machambas dos camponeses, se bem que se acha muito importante a coabitação com os elefantes. Seria o refeitório dos elefantes, que seria muito recheado, com comida à fartura e assim nunca teriam a ideia de ir às pequenas machambas, entretanto a base de sobrevivência de todos os residentes de Quissanga.
Virando-se para o turismo, disse a mesma coisa. Que não estava a ver senão um jogo em que basta que os “grandes” não sofram, não interessa que a comunidade sofra. Falou do facto de que ha áreas onde não se pode pescar, sabendo que a pesca é, para muitos a única actividade para o sustento de famílias.
Ela disse ter andado em todas as ilhas turísticas, Quilálea, Matemo, Medjumbe, entre outras, hoje todas “compradas” e não encontrou nada que lhe satisfaça, porque esse turismo de que se fala “afinal é chegar, construiu uma barraca, fazer casas de bambu e pau-a-pique, logo é turismo! Estão-nos a enganar! E quando eles forem embora o que é que vão deixar, se a casa de paus na mesma semana vai cair. Estão nos a enganar! O Governo sabe, é um jogo!
Pedro Nacuo - Maputo, Sábado, 5 de Maio de 2007:: Notícias

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