segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Palma, em Cabo Delgado declara guerra aos animais...

POR VENTURA ALGUÉM JÁ INDAGOU OU TENTOU PESQUISAR O PORQUÊ DE OS ANIMAIS DA SELVA, NOMEADAMENTE OS ELEFANTES AFRICANOS, EXERCENDO SEU INSTINTO NATURAL DE SOBREVIVÊNCIA, PASSAREM A DESTRUIR AS CULTURAS AGRICOLAS E A HOSTILIZAR O SER HUMANO ?
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Palma - Cabo Delgado: Conflito Homem/animal ganha níveis calamitosos - Pedro Nacuo, Maputo, Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2008:: Notícias
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Cerca de 370 hectares de culturas diversas, entre as quais extensas áreas de palmar, cajueiros, mapira, mandioca e arroz, foram destruídas em Palma por elefantes e outros animais bravios, deixando sem sustento 836 famílias.
A acção dos animais naquele distrito setentrional está a tomar níveis de uma calamidade natural e o Governo distrital ainda não possui nenhum plano para socorrer as vítimas, embora reconheça que o conflito representa um dos mais persistentes problemas, que trava o bem-estar dos habitantes daquele ponto da província de Cabo Delgado.
Numa visita efectuada semana finda à Palma, constatou-se extensas áreas de palmar e de cajueiros destruídos, assemelhando-se à acção de um ciclone, sobretudo no posto administrativo de Quionga, com destaque para a sede e as aldeias de Namoto e Quirinde, onde famílias estão de braços cruzados depois da razia das suas culturas, provocada pelos animais bravios.
O elefante é apontado como sendo o mais destruidor.
Amade Issa, um dos residentes da sede do posto administrativo de Quionga, perdeu 310 coqueiros e 210 cajueiros. Trata-se de um dos cidadãos que representa apenas uma das 836 famílias estimadas pelo Governo distrital.
A vítima não esconde a sua total insatisfação, sobretudo por as autoridades não se mostrarem capazes de resolver o conflito nem de minorar a situação calamitosa em que se encontram as pessoas depois de verem os seus produtos arrasados pelos paquidermes.
“Eu estou a falar de 310 coqueiros, 10 hectares e 210 cajueiros meus que foram deitados abaixo por elefantes. Os animais destruíram ainda machambas de mapira e de mandioca. Não sei o que darei à minha família, composta por duas esposas e treze filhos”, disse.
Neste momento, conforme o nosso entrevistado, a população residente nas três regiões citadas vive de peditórios ou recorre à outras formas para conseguir algo para comer na vizinha Tanzânia.
O chefe do posto de Quionga, Francisco Kawawa, disse ter caminhado as preocupações ao distrito e as autoridades de Palma falam da estratégia local que consiste na criação de uma unidade de caçadores locais a ser estabelecida naquele ponto e ainda sobre algumas medidas tradicionais.
Kawawa confirmou que os elefantes atacam todos os dias a acrescentou que as estruturas já perderem a contagem das áreas cultivadas e que foram destruídas.
“O resultado imediato é a fome que enfrentaremos este ano, pois todo o esforço dos camponeses foi em vão. Localmente, a solução passa pela criação de uma unidade de caçadores e pelo recurso a métodos tradicionais, mas receamos que não sejam eficientes”, disse.
O chefe do posto ajuntou que os ataques agravaram-se em 2007, falando-se de muitos grupos de elefantes, embora sublinhe que os maiores estragos são responsabilizados a um paquiderme solitário.
Palma situa-se no extremo do país, junto à fronteira com a Tanzania, na zona de Cabo Delgado, que deu o nome àquela província e tem na agricultura como o principal sustento dos seus habitantes.

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