terça-feira, 8 de janeiro de 2008

SAÚDE em Portugal - Como não é a digníssima Mãe deles que precisa do serviço de urgências hospitalares...II

(Imagem original daqui)
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Resumo de uma sexta-feira (dia 4-janeiro-2008) à noite no hospital do Lordelo em Vila Real - Portugal - Europa - Primeiro Mundo, ou "flagrantes da vida real" de um hospital em Portugal:
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Cena Primeira - Porque fecharam as emergências hospitalares na cidade da Régua, chega uma ambulância daquela cidade a Vila Real - Hospital do Lordelo, com uma Mãe de 83 anos (que não é a digníssima Mãe do Senhor Sócrates nem de nenhum ministro) doente, vomitando, passando mal e que precisa de cuidados hospitalares.
Embora a Mãe (que não é a digníssima Mãe do Senhor Sócrates nem de nenhum ministro) tenha de ser internada, não há quartos vagos nem macas disponíveis.
É atendida na própria maca da ambulância, no corredor da emergência onde fica retida, isolada dos familiares que a acompanham impedidos de ficar a seu lado por normas internas do hospital.
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Cena Segunda - Outras ambulâncias chegam continuamente ao hospital do Lordelo em Vila Real, vindos de outras cidades do norte de Portugal que ficaram, por determinação do governo, sem os serviços de emergência.
Os doentes vão-se acumulando nos corredores da emergência.
São atendidos, consoante surge disponibilidade de escassos, perante a demanda, enfermeiros e médicos de plantão que tentam superar sem resultado o caos em que está sendo lançado o serviço de saúde em Portugal.
E vão ficando a Mãe de 83 anos (que não é a digníssima Mãe do senhor Sócrates nem de nenhum ministro) e os doentes, por lá, jogados nos corredores da emergência do hospital do Lordelo de Vila Real, aguardando a demorada vez de receberem cuidados médicos, um quarto que vague, uma cama na enfermaria que fique disponível ou uma maca do próprio hospital que não aparece.
Não fossem as macas das próprias ambulâncias em que chegaram, teriam de ficar deitados no chão dos corredores do hospital.
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Cena Terceira - Sete longas horas depois, já de madrugada, chegam finalmente os exames (análises) da Mãe (que não é a digníssima Mãe do senhor Sócrates...etç., etç.) confirmando, acreditem, a necessidade de internação no corredor do hospital, já que não há disponibilidade de quartos nem enfermarias vagas.
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Cena Quarta - Os familiares são aconselhados a voltar para casa na Régua, porque não lhes é permitido o acesso à Mãe (que não é a digníssima Mãe do Senhor Sócrates...etç., etç.) deitada com seus 83 anos, numa maca há mais de sete horas e "internada" num corredor do hospital do Lordelo em Vila Real na madrugada do dia 5 de janeiro de 2008 - sábado.
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Cena Quinta - Sábado, dia 5 de janeiro de 2008 -Em casa na Régua, preocupados, cansados e sem dormir, às 10 horas da manhã, os familiares da Mãe (que não é a digníssima Mãe do senhor Sócrates...etç. etç.) são avisados (porque telefonaram para o hospital) que podem voltar a Vila Real para buscar a paciente já em alta do hospital do Lordelo em Vila Real.
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Cena Sexta - Correm para Vila Real, que fica a uns 25 Kms. da Régua e providenciam o regresso da Mãe (que não é a digníssima Mãe do senhor Sócrates...etç., etç.) ao aconchego do lar e da Família na Régua, transportando-a penosamente em carro comum particular, porque se pretendessem utilizar uma ambulância dos serviços hospitalares, adquirida pelo governo do senhor Sócrates com recursos monetários dos impostos que o cidadão comum paga, teriam de "contribuir" com a taxa obrigatória de trinta e poucos euros...
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Cena Final - Felizmente a Mãe (que não é a digníssima Mãe do senhor Sócrates...etç., etç.) melhorou e está a recuperar as energias em casa, acarinhada por filho e netos.
E continua tentando viver, preocupada e preocupando-nos com a possibilidade de vivenciar tão lamentável experiência em nova emergência de saúde que a obrigue a ficar internada, deitada numa maca, num corredor frio de qualquer hospital distante da Régua, em sua pátria - Portugal!
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E acrescento
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O sangue transmontano é assim, rijo, estóico, teimoso.
Não quer morrer.
Resiste, luta, mesmo abandonado criminosamente por quem é eleito para melhorar a qualidade de vida da nação portuguesa, mesmo na humildade de suas possibilidades económicas que não lhe permitem usufruir nem ingressar no lucrativo mercado privado de saúde, mesmo quando grande parte da mídia lusitana se cala e aceita servil as aberrações que vão acontecendo no país Portugal.
É inaceitável o que está a acontecer em Portugal.
Para não dizer vergonhoso.
As "cenas" que coloco acima, são reais, aconteceram, estão a acontecer diáriamente e vão-se ampliando gravemente por todo o Portugal.
A saúde da nação portuguesa, principalmente da população humilde, pobre está a ser jogada na lama.
Não é um bem de consumo como outro qualquer.
Está agregada á vida humana e a qualidade dessa vida depende da facilidade de acesso, dos predicados dos serviços de saúde e, fundamentalmente, de infraestruturas modernas, funcionais, que se multipliquem apetrechadas de equipamentos novos e profissionais atualizados, dedicados, competentes, com espírito de missão.
A necessidade de serviços de saúde cresce na mesma proporção das privações sofridas no tempo pelo cidadão português (e não só) e quanto menor foi a possibilidade de acesso a cuidados de saúde ao longo da vida.
Não se pode ECONOMIZAR em saúde. Principalmente com a saúde da NAÇÃO.
Isso de dizer que “quem quiser saúde que a pague” não só contraria o que se encontra estabelecido na Constituição da República Portuguesa que dispõe “que todos têm direito à protecção da saúde” (artº 64, nº1), e não apenas aqueles que têm dinheiro para a pagar, sendo este direito garantido “através do serviço nacional de saúde universal e geral…tendencialmente gratuito” (artº 64, nº2, alínea a da Constituição da República).
Repetindo, o principio de “quem quiser saúde que a pague” que alguns defendem é não só contrário ao que estabelece a nossa Constituição mas também ao respeito que deverão merecer o ser humano e as Mães, Irmãos, Família, Amigos e conterrâneos de todos nós!
E também porque a maioria da Nação Portuguesa não aufere salário nem prerrogativas de ministro que permitam suportar o custo de consultas médicas e serviços de saúde privados...de primeiro-mundo!
Há que criar, inaugurar cada vez mais e mais Unidades de Saúde. Fechar, encerrar Unidades de Saúde demonstra escassez de clarividência e crueldade social!
  • Visite aqui a cidade de Peso da Régua, a cidade que ficou sem Hospital por determinação do Governo - aqui !

9 comentários:

Anônimo disse...

Um escandalo. Continuamos na "cauda" da Europa. Afastam os serviços de saúde dos portugueses quando deveria ser o contrário. Não sei o que se passa na cabeça desses 'inteligentes'. Quem vai ganhar com tudo isso são as clinicas e consultórios particulares que se encherão de pacientes sem outra alternativa por perto. Bom negócio para os medicos já que o governo ajuda e fomenta assim o 'comercio da saude'.

Timotio de França

Mayra disse...

O mesmo , apenas trocando o nome das cidades, posso dizer da situação da saúde no Brasil!

Saúde publica?
- Agoniza doente!!!!!!

Mayra

Artur, o Buda disse...

Um ratigo muito bem feito. A situação da saúde em Portugal é de por os cabelos em pé !

Parece que para o Sr. Sócrates, que não é o filho daquela mãe, precisa do orçamento destas urgêrncias que fecha para abrir clinicas de aborto.

Vivemos mesmo num mundo estranho, virado dos pés a cabeça...

Artur, o Buda

Anônimo disse...

Aproveito a oportunidade e informo que vou montar consultorio na Regua em breve para atender a população do Distrito. A primeira consulta é de borla:

MÉDICO TRADICIONAL
DR. MVAKI (Do leste de África)
Especializado em:
Tratamento de doenças crónicas tais como: tuberculose,diabete,
esterilidade, impotência sexual, faz conceber gravidez, recuperação de
amor perdido, problemas relacionados com azar, maus espíritos, dá sorte
nos negócios, recupera bens roubados ou aldrabados e muito mais.
Contacte na Av. Maguiguana Nº 23545 r/c
(Alto Maé perto da Igraja da Munhuana) Cel: 972 5875400 - Maputo
Atendo emergências hospitalares.

Em breve em Portugal - Douro e Trás-os-Montes.

Obrigado pelo espaço.

Anônimo disse...

Para este artigo um simples comentário:

"(que não é a digníssima Mãe do Senhor Sócrates nem de nenhum ministro)" DIZ TUDO.

Esses têm BONS HOSPITAIS em Lisboa.
Por que não fechar tudo o resto????

Tudo isto é triste, mas é o nosso fado.

Um abraço
GuiGerreira

Anônimo disse...

É, sobretudo, nas terras do interior de Portugal que a sanha do Sr. Ministro (entenda-se todo o Governo) mais se faz sentir. As mesmas regiões que eles e outros correlegionários políticos dizem estarem em processo de desertificação!
Quem os entende? Na Saúde, mas também noutras áreas, quando todos sabemos que é o Zé quem aperta o cinto para combater o déficit, enquanto o Estado continua a esbanjar em projectos e obras faraónicas (de preferência no Litoral). Nas obras e nas mordomias dos políticos e gestores afins.
Portugal está doente. E o Povo anestesiado.

Ainda assim, saúde Jaime!

Branquinho

Mende disse...

OLÁ SOU DO BRASIL E ADMIRADOR DE TODA ÁFRICA PRINCIPALMENTE MOÇAMBIQUE E ANGOLA. TAMBEM TENHO UMA PÁGINA E SERÁ UM PRAZER COLOCAR O LINK DO "FOREVER PEMBA" SE ESTIVER INTERESSADO EM COLOCAR UM DOS MEUS NO SEU TENHO A SEGUINTE URL:

http://lucianomende.blogspot.com/

(ESTADOS DO BRASIL)

ATENCIOSAMENTE.....LUCIANO MENDE

Anônimo disse...

Esse senhor e seus comparsas ficarão na História lembrados com o vergonhoso cognome de "OS COVEIROS DE PORTUGAL".
Tenho dito.
Passem bem se puderem aguentar o "cheiro" nauseabundo que a política emana.

Timotio

Anônimo disse...

infelizmente a situação da Régua, este foi apenas um caso , ou melhor mais um caso e muitos como este vão repetir se sucessivamente........ Nós só queremos as nossas urgências ABERTAS

UM CIDADAO DA RÈGUA