segunda-feira, 10 de maio de 2010

Retalhos: De Porto Amélia a Pemba - O Dr. Talhante

DR. MANUEL DOS SANTOS TALHANTE - Não sem uma certa dose de emoção, descobri ontem no “Bar da Tininha” as fotos ali colocadas pelo Carlos Araújo. Nelas revi velhos amigos e conhecidos. Alguns, infelizmente, já não estão entre nós.

Hoje, por mensagem do Nelito Loureiro, colocada no mesmo local, soube com pesar que mais um passou a fazer parte deste último grupo. Foi o Dr. Manuel Talhante, ex-director da Escola Comercial Jerónimo Romero de P. Amélia e, por caprichos do destino que aqui não vêm a propósito, também meu professor de Português.

Totalmente diferente do seu antecessor, sobretudo no convívio, não tardou que granjeasse a aceitação e estima de toda a massa estudantil. Foi, naquela época, algo de novo a que não estávamos habituados, nas relações professor/aluno. Bem haja, Doutor!

Como se de um filme se tratasse, desfila a memória deste personagem franzino de corpo mas grande nas recordações, boas ou más, que deixou em todos os que com ele conviveram.

A existirem, deixo de lado as más para quem e se as tiver. Das outras, permito-me recordar duas que julgo pertencerem a toda uma geração:

- Com certa frequência, organizávamos uns bailaricos. Hoje em casa deste, amanhã na garagem daquele, segundo a disponibilidade e paciência de uns e outros. Como em todo o bailarico, em todas as épocas e locais, também nos nossos se formava por vezes um ou outro par mais “atrevidote”.

Era fatal!... Mal se apercebia (e até parece que “tinha faro”…), lá ia ele (Dr. Talhante) buscar alguma das senhoras presentes, de preferência a que mais mal dançasse, para vir “obrigar” à troca de par, desfazendo o idílio apenas iniciado e, por vezes, tão penado…

- Peripécia que também ficou célebre foi a ocorrida na placa do aeroporto, em dia de chegada de uma alta individualidade.

O aeroporto era um mar de gente. Autoridades, povo das mais diversas condições do mais cotado ao mais anónimo. Encasacados uns, fardados outros, pessoal da Escola, do Colégio, da MP (Mocidade Portuguesa). Havia de tudo com fartura…

A certa altura, um enxame resolve atacar tudo e todos, com especial incidência a cabeça do dr Talhante, cuja protecção capilar era bastante frágil. Gerada a confusão, logo houve quem “aproveitasse para uma vingançazita”, prodigalizando-lhe alguns mimos servindo-se dos bonés usados pela MP.

Sendo estes providos de fivelas, fácil é adivinhar as marcas ainda visíveis alguns dias depois…
- António Coelho - Luxemburgo, 08/11/2001.

(Transferência de arquivos do sitio "Pemba" que será desativado em breve)

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