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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A Ilha de Moçambique, a História que se perde e a inutilidade da UNESCO!

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Num já distante dia de 1957, depois de quase trinta dias de viagem pelo oceano que me separava de Lisboa e do Portugal de minhas raízes, desembarcamos do navio "Pátria" (Companhia Colonial de Navegação[1]) tomando uma lancha que nos deixou na sempre inesquecível e bela Ilha de Moçambique, ponto de abrigo e descanso até à próxima etapa da viagem rumo à então Porto Amélia colonial, hoje Pemba.

Inesquecíveis o calor africano que não conheciamos, o sorriso do povo ilhéu, as "capulanas", os "cófiós"[2], os "requichós"[3] e tudo quanto era "novidade" para quem vinha de pequeno burgo provinciano do Douro lusitano. Tudo isso está gravado em minha memória e foi recebido por mim, criança à época, como abraço paternal, hospitaleiro, também como lição única de cultura, de história representada no valioso tesouro arquitétónico que a colonização deixou nesse magnífico "cofre" da História Luso-Moçambicana que é a Ilha de Moçambique.

Hoje constato, ao ler o que me chega pela internet, que a Ilha de Moçambique corre mais uma vez perigo de submergir e desaparecer nas brumas da irresponsabilidade de quem gere Moçambique e do alheamento de orgãos como a UNESCO, que se afirmam preocupados com a cultura no Mundo mas ... "paga 3000 ou 4000 contos (15.000 ou 20.000 euros) por mês aos funcionários de topo" e não disponibiliza, por exemplo, "200 ou 300 contos (1000 ou 1500 euros) para restaurar um edifício na Ilha de Moçambique"....

Lamentável... E o texto do Jornal de Notícias de hoje:

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Património Mundial: UNESCO como está "não serve para nada".
Historiador Pedro Dias. - Coimbra, 30 Jan (Lusa) - O catedrático Pedro Dias, conselheiro científico para as "Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo", disse hoje que a UNESCO "é um sorvedouro de dinheiro" e deverá ser extinta se não adoptar outro modo de funcionamento.

"A UNESCO, como está, não serve para nada. Devemos fazer um esforço para que haja uma inversão do seu funcionamento", declarou Pedro Dias à agência Lusa.

Ao admitir que Portugal deveria "repensar a sua presença" na organização, recordou que, devido ao peso alegadamente excessivo das "despesas de funcionamento", em prejuízo dos resultados, países como os Estados Unidos e o Reino Unido estiveram afastados "um longo período".

Na sua opinião, "no limite, a manter-se como está, não se perderia nada com a própria extinção" da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), com sede em Paris, França.

Na última década, Pedro Dias trabalhou durante cinco anos como investigador do projecto ACALAPI, com que a UNESCO pretende estudar e aprofundar as relações do Mundo Árabe com a América.

Confirmou na altura uma ideia que já tinha de anteriores contactos com aquela estrutura das Nações Unidas: "é uma organização autofágica e gastadora de dinheiro, cujos funcionários fazem muitas viagens pelo mundo sem quaisquer resultados".

"O dinheiro que é investido em obras é apenas uma percentagem ínfima das despesas administrativas e de funcionamento, com muitas estadias e viagens de avião em primeira classe", acusou.

Pedro Dias disse que a UNESCO "paga 3000 ou 4000 contos (15.000 ou 20.000 euros) por mês aos funcionários de topo" e não disponibiliza, por exemplo, "200 ou 300 contos (1000 ou 1500 euros) para restaurar um edifício na Ilha de Moçambique".

Situada na província de Nampula, norte de Moçambique, a Ilha de Moçambique dispõe de um importante património arquitectónico, tendo sido classificada pela UNESCO, em 1991, como Património Mundial da Humanidade.

"Há projectos há muitos anos e não se faz lá nada. Não se prega um prego numa parede, nem se caia uma casa", denunciou o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Entre outros cargos, Pedro Dias ocupou o de director-geral do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, de 2004 a 2005, ano em que foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Na quinta-feira, a New 7 Wonders Portugal (N7WP) anunciou ter escolhido Pedro Dias, especialista na área do Património, História de Arte e Cultura Lusófona, para conselheiro científico do concurso "Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo".
- In Jornal de Notícias, 30/01/2009, CSS. Lusa.

1 - A Companhia Colonial de Navegação -- CCN -- foi criada em 1922 pela Sociedade Agrícola de Ganda, Companhia do Amboim de Angola e Ed. Guedes Lda. para explorar o serviço de ligações marítimas entre a Metrópole e as suas colónias, principalmente as africanas.
Em Fevereiro de 1974, a CCN juntou-se à Empresa Insulana de Navegação para formar a Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos (CPTM).

2 - Cofió: um adorno pitoresco, caído em desuso na década de sessenta - era o cofió, um barrete vermelho em forma de tronco de cone [vê-se muito em filmes com cenas passados no Cairo] que a tropa indígena usava quando fazia serviço de sentinela. Os brancos nascidos ou não nas colónias não o usavam - aqui.

3 - "Requichós": pequenos veículos de duas rodas com origem na India, puxados por nativos da Ilha de Moçambique.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Brasil - Portugal e o respeito pela História - Portugal vai cuidar de arquitetura na Bahia.

(Clique na imagem para ampliar - imagem original daqui)
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Um belo exemplo de respeito pelo Passado e pela História. Formulamos votos que as intenções se transformem em fatos:
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A presença de Portugal no Brasil deixou marcas ainda visivelmente determinantes na paisagem de várias cidades. Esses e outros sítios em diversos países e mesmo em outros continentes que não o europeu fazem parte da história daquele país, que agora está disposto a inventariar, conservar e reabilitar o patrimônio com influência portuguesa espalhado pelo mundo.
A notícia foi veiculada na última semana em Lisboa, depois de ter sido anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado.
Salvador, que tem vários monumentos construídos durante o período colonial – muitos deles precisando ser restaurados – deverá ser beneficiada. O secretário municipal de Relações Internacionais, Leonel Leal, foi procurado por A TARDE para comentar a iniciativa, mas está em uma feira imobiliária, na Espanha, e o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leonardo Falangola, estava em Brasília.
Dos 17 bens considerados patrimônio da humanidade pela Unesco no Brasil, pelo menos sete têm origem portuguesa. São eles os centros de Ouro Preto e Diamantina e o Santuário de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas, em Minas Gerais, Olinda, em Pernambuco, São Luís do Maranhão e Goiás Velho. Estes integram o programa de inventariação, conservação e reabilitação.
“Muito alvissareiro. Eles (o governo) falam especialmente dos centros tombados e, é claro, são sítios que têm toda a afinidade com Portugal. Salvador foi construída à imagem e semelhança da Cidade do Porto. Tem uma citação de que a cidade estava sendo construída para ser uma nova Lisboa – ela foi intencionalmente construída como espelho de uma cidade portuguesa”, animou-se a coordenadora do Setor de Cultura da Unesco, Jurema Machado. Dentre outros, ela mencionou o Santuário de Matosinhos, que é “análogo ao de Braga, com os outros sacrossantos, que conduz para o topo”. A coordenadora lembra que será a primeira experiência de recuperação do patrimônio brasileiro com o governo português e que todos esses sítios têm uma demanda por conservação. Disse, também, que não se pode esperar que sejam recursos capazes de transformar esses lugares. “Não se espera que sejam recursos muito vultosos. As informações são muito preliminares por enquanto. Não sabemos se a ajuda será em projeto, se será para execução. O ministro fala que seria um programa de longo prazo. Então, certamente será uma linha de atuação do governo português”, analisou. De acordo com Jurema Machado, só havia cooperação portuguesa com a iniciativa privada, a exemplo das ações da Fundação Ricardo Espírito Santo, no Museu do Aleijadinho, em Ouro Preto e na Igreja do Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro.
Mary Weinstein, de A Tarde (Bahia) - 13/04/2008