10/21/05

HIV - Campanha em Moçambique.

HIV em Moçambique - Campanhas devem aliar informação à cultura.

Presidente moçambicano admitiu falhas na luta contra a sida no país.
O presidente moçambicano defendeu ontem a necessidade de se reformularem os conteúdos das mensagens nas campanhas de luta contra a sida em Moçambique e a sua adequação aos comportamentos das diferentes comunidades do país.
“As campanhas de prevenção revelam as suas próprias limitações”, admitiu Armando Guebuza na abertura do VII curso de formação pan-africano sobre o programa de controlo, prevenção e tratamento contra o HIV, que arrancou em Maputo.
“A informação e a educação quando não são articuladas com o conhecimento, tradição e cultura das populações aparentam não surtir os efeitos desejados na redução das taxas de prevalência da doença”, sublinhou.
Infectados 19 por cento de adultos.
Dados oficiais indicam que 16 por cento da população adulta de Moçambique (entre os 15 e 49 anos) está infectada pelo HIV.
De acordo com os mesmos dados, 95 por cento dos casos de infecção resultam de relações sexuais desprotegidas.
Para reverter a situação, Guebuza considerou pertinente a unificação de esforços, recursos e capacidades para reforçar a prevenção, tratamento e mitigação dos efeitos da sida no país.

FOME - Hipocrisia internacional...

...por Paulo Leite, de Washington, DC

Se alguém ainda precisava de provas do lastimável estado em que se encontram as chamadas “instituições multilaterais” – quer dizer, quem não tinha prestado atenção, por exemplo, ao escândalo petróleo x comida ou às ridículas nomeações de países como Cuba e Líbia para presidir a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas – agora não tem mais desculpas.
A comemoração dos 60 anos da FAO (agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) foi marcada por alguns dos mais eloqüentes episódios de hipocrisia e alienação da realidade já vistos.
Para começar, temos a entrega ao nosso presidente Lula da Silva da maior distinção outorgada pela FAO, a Medalha de Mérito Agrícola.
Segundo o diretor-geral da organização, o senegalês Jacques Diouf, Lula é “uma das figuras de maior destaque na luta global contra a fome”.
Para Diouf, “a determinação do governo brasileiro em combater a fome inspirou outras nações a livrar o mundo da fome e da pobreza.”
O pior é que o diretor da FAO provavelmente acredita no que disse.
No mundo de faz-de-conta dos burocratas internacionais, o simples fato de Lula ter anunciado seu “Fome Zero” ao iniciar o governo já é suficiente para merecer um prêmio.
Não importa que o programa tenha sido mais ficção do que realidade.
No modo de pensar dessa gente, o que vale é a retórica.
Creio que já citei por aqui o radialista Rush Limbaugh, que sempre observa que “a esquerda quer ser julgada por suas boas intenções, nunca pelos resultados práticos de suas ações”.
Apenas como parêntese, noto que nosso presidente aproveitou a ocasião para mais uma de suas piadinhas cada vez mais sem graça.
Ao receber a condecoração, disse: “agora finalmente eu tenho um diploma.”
Desculpe, presidente, se não estou rindo.
Se os acontecimentos da festa de aniversário da FAO tivessem se resumido à medalha de Lula, um bocejo seria boa resposta.
Mais uma reunião de dignatários e funcionários internacionais, paga com nossos impostos, claro.
Duro, mesmo, foi ver na tal reunião figurinhas carimbadas como Hugo Chávez e, acredite se quiser, Robert Mugabe, o presidente (ditador, na verdade) do Zimbábue.
Convidar Mugabe a uma reunião sobre alimentação é como convidar a turma do PT para uma reunião sobre o combate à corrupção.
Quando se viu frente ao microfone, Mugabe fez exatamente aquilo que se poderia esperar: começou a acusar a tudo e a todos, para jogar o mais longe dele mesmo qualquer culpa sobre a fome que muitos passam em seu outrora próspero país.
No tempo em que ainda se chamava Rodésia, o país agora governado por Robert Mugabe era uma potência agrícola.
Ao assumir o poder, Mugabe começou uma campanha de intimidação (violenta, em muitos casos) dos fazendeiros brancos, tomou a maioria das fazendas e distribuiu entre seus amigos e correligionários.
Os novos donos, evidentemente, tinham “conhecimento zero” de agricultura.
O resultado não surpreende a ninguém.
A fome que boa parte da população do Zimbábue hoje passa é consequência direta das “reformas” de Mugabe.
O “presidente” africano, sem ter como se defender, partiu para o ataque.
George W. Bush e Tony Blair, que nada têm a ver com a fome no Zimbábue, foram os alvos escolhidos.
Mugabe comparou os líderes dos Estados Unidos e Grã-Bretanha a Hitler e Mussolini.
Bush e Blair, segundo ele, são “terroristas” que formaram uma “aliança sinistra” para “dominar o mundo”.
Diz a Folha Online, citando agências humanitárias, que 5 milhões de pessoas no Zimbábue vão precisar de ajuda neste ano para poder comer.
Uma vez mais, é preciso lembrar que se não fosse por Mugabe o país ainda seria um exportador de alimentos.
A estridência de Robert Mugabe pode fazer sucesso entre a platéia esquerdista de uma conferência das Nações Unidas.
Mas entre adultos responsáveis deveria suscitar indignação.
Se os países do mundo estivessem realmente empenhados em acabar com a fome, como quer fazer crer o diretor-geral da FAO, jamais teriam deixado Mugabe passar pela porta da organização, quanto mais colocado um microfone à sua disposição.
Publicado em 19/10/2005 .