8/22/08

ANTÓNIO SIBA SIBA MACUACUA - Assassinado em 2001 e injustiçado até 2007 - Parte 2.

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Vontade política trava investigação do caso Siba-Siba.
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falta de vontade política minou a investigação do assassinato de António Siba-Siba Macuacua, morto na sede do extinto Banco Austral, em Agosto de 2001, quando se preparava para entregar a ABSA, o relatório de contas mal paradas, que envolve alguns devedores, pertencentes, supostamente, a Frelimo.
Volvidos sete anos após o assassinato do Presidente do Conselho da Administração daquela instituição bancária, função que assumia, interinamente, a Procuradoria Geral da Repúblicas, PGR, decidiu reabrir o “caso Siba Siba”, com o objectivo de encontrar o autor e o mandante da morte do jovem economista. As investigações da PGR recomeçaram com a audição de alguns declarantes, acção que, para alguns analistas, não passa de simples atirar areia aos olhos do povo, pois, as investigações não vão trazer novidades que possam conduzir ao esclarecimento deste assassinato e, deste modo, fazer-se a justiça.
“Com a reabertura do “caso Siba Siba”, gostaria que a justiça fosse feita, mas tenho dúvidas que isso aconteça, pois, a prior, me pareceu que houve falta de vontade política para o esclarecimento deste assassinato”, quem assim afirma é Venâncio Mondlane, analista, em declarações num canal televisivo.
Para melhor elucidar sua alocução, Mondlane explica que, logo após o assassinato de Siba-Siba, houve acções que minaram as investigações em torno do crime. Citou, como exemplo, o exame pericial, processo que foi feito por uma instituição estrangeira, peritos sul-africanos.
“A perícia feita pelos sul-africanos poderia ter sido feita pela Polícia de Investigação Criminal, PIC, que, no caso vertente, foi proibida. Tudo leva a crer que não havia interesse para se chegar à verdade mais cedo”.
A PIC, dirigida, na altura, por António Frangulius, que assumia o cargo de director, iniciou com as investigações, mas, de repente, as mesmas foram interrompidas, devido a falta de meios. Consta que o poder político não quis alocar meios para que Frangulius e sua equipa continuassem com o trabalho de busca de elementos que pudessem esclarecer o assassinato de Siba-Siba.
“A investigação não poderia ter sido interrompida. Volvidos sete anos, os elementos que existem são residuais, não há nada que possa conduzir ao esclarecimento deste crime”, afirma Mondlane, explicando que, num processo como este, a investigação deve ser mais alargada. “A base da investigação não pode ser restrita, só aos devedores do Banco Austral, mas sim, alargada, pois, Siba-Siba era um funcionário do Banco Central”.
Na mesma diapasão, Eduardo Namburete acredita que a reabertura do “caso Sib- Siba”, não vai trazer algo de novo, mas sim, o facto constitui “um teatro para entreter os doadores que pressionam para que o mesmo seja esclarecido”.
“No meu entender, a reabertura deste caso é uma forma encontrada para o encerrar, formalmente, e não para trazer os autores do crime ao conhecimento público”, disse, frisando que a pressão exercida pelos doadores é boa, dai a motivação da PGR em reabrir o dossier Siba Siba Macuacua.
“É um teatro que estamos a assistir, pois, no fim das investigações, não vamos conhecer quem encomendou a morte de Siba-Siba. E se isso acontecesse, seria bom para o bem da justiça moçambicana, pois, iria ressarcir a família do malogrado”.
O ex-director da PIC, António Frangulius, reconheceu, publicamente, que, durante as investigações do “caso Siba-Siba”, houve interferências. “O processo todo teve obstrução, para além de que a PIC não é autónoma e, quando se está neste tipo de dependência, há dificuldades de toda natureza. A mim, disseram-me que havia exiguidade de meios”.
Frangulius sublinhou, ainda, que a investigação levada a cabo pelos peritos sul-africanos não ajudou em nada à polícia moçambicana. “Eu tive algumas fricções, pois, negava a vinda deles, que não passou de perca de tempo. Foi uma vinda ilegal e contraproducente, pois, o que vieram fazer é o que poderíamos ter feito. No corrimão das escadas do banco, havia um arrastamento da mão de Siba Siba, e , essa investigação foi feita pela PIC”.
Segundo explicou, a investigação tem uma séria de itens que depois “morreram” na praia, por falta de meios. “Eu, era director da PIC, e Zainadine estava à frente das investigações, mas teve bolsa de pós-graduação em Direitos Humanos e a investigação foi interrompida.
Passam, agora, sete anos, a PIC tem que ser objectiva”, terminou Frangulius.
- Redacção A TribunaFax, Maputo, quinta-feira 21 de Agosto de 2008, N° 785.
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ÁGUA - O petróleo do futuro...

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Quando um país importa produtos de outros países, é importante ter consciência do impacto gerado sobre os recursos de água nas regiões em que estes produtos foram produzidos.
-Stuart Orr.
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Cerca de 2.500 representantes de 140 países participam desde segunda-feira na Semana Internacional da Água, na capital da Suécia, Estocolmo, numa conferência cujo lema é "Progresso e Perspectivas sobre Água: Para um Mundo mais limpo e saudável, com especial atenção ao saneamento".
Segundo os organizadores da conferência, mais de 2,5 biliões de pessoas ainda sofrem com a falta de acesso a condições básicas de saneamento em todo o mundo.
Em cada ano, 1,4 milhão de crianças morrem de doenças relacionadas à falta de saneamento básico.
A ameaça imposta pelas más condições sanitárias é, segundo os organizadores, um dos maiores problemas ambientais da actualidade.
Nos Estados Unidos cada pessoa utiliza diriamente 400 litros de água, na Europa 300 litros, enquanto nos países em vias de desenvolvimento apenas 10 litros.
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Maiores importadores.
O relatório da Organização Mundial para o Ambiente, WWF, aponta o Brasil como líder de um ranking de países importadores de água virtual agrícola – a água usada em plantações para a produção de alimentos, bebidas e roupas.
O relatório foi apresentado esta quarta-feira na Semana Internacional da Água, que reúne cerca de 2 500 representantes de 140 países, na capital da Suécia, Estocolmo.
O autor do estudo e especialista do WWF no mapeamento mundial da água, Stuart Orr, diz que o Brasil lidera o ranking por que importa mais produtos que consomem água para serem produzidos (como cereais e vestuário) do que exporta.
Segundo o relatório, o Brasil exporta 91 biliões de m3 de água agrícola virtual por ano e importa 199 biliões de m3 – o que representa uma importação líquida de 107 bilhões de m3 a cada ano.
Em segundo lugar no ranking do WWF está o México (com uma importação líquida de 84 biliões de m3 por ano , seguido do Japão (83 biliões de m3), China (78 biliões de m3), Itália (50 biliões de m3) e Grã-Bretanha (40 biliões de m3).
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Impacto.
"Quando um país importa produtos de outros países, é importante ter consciência do impacto gerado sobre os recursos de água nas regiões em que estes produtos foram produzidos", disse Orr à BBC Brasil.
"Por exemplo, uma camisa produzida com algodão cultivado no Paquistão ou no Uzbequistão requer 2,7 mil litros de água numa região que já apresenta sinais de escassez", afirmou.
O especialista do WWF ressaltou a importância de que o Brasil, assim como os demais países, levem em consideração o impacto gerado pelas suas importações nos recursos de água das nações que exportam os produtos.
"Se um produto é produzido numa região ameaçada, há duas alternativas: ou discutir formas de melhorar o gerenciamento local da água, ou mudar de fornecedor. O que não podemos fazer é exportar os nossos problemas para outros países e consumir água de regiões ameaçadas", afirmou.
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Grã-Bretanha.
O relatório de Orr concentrou-se na Grã-Bretanha, que é hoje o sexto maior importador de água virtual.
Segundo Orr, cada pessoa na Grã-Bretanha consome nas tarefas diárias uma média de 150 litros de água por dia. Este total, porém, chega a 4 645 l de água per capita por dia quando se leva em conta a água "virtual" consumida na produção de alimentos, roupas e outros produtos.
Apenas 38% do total de água consumida na Grã-Bretanha vem dos seus próprios rios, lagos e reservas, conforme o WWF.
O restante vem de recursos de vários países, utilizados para irrigar e processar alimentos e fibras que as pessoas consomem na Grã-Bretanha.
"O que nos preocupa particularmente é que enormes quantidades destes produtos são cultivadas em regiões mais secas do mundo, onde os recursos da água ou já estão ameaçados ou muito provavelmente estarão sob ameaça no futuro próximo", diz o relatório.
Para produzir apenas um tomate no Marrocos, segundo o estudo, são necessários 13 litros de água. Levados em conta todos os ingredientes, uma chávena de café representa 140 litros de água.
Os especialistas reunidos em Estocolmo falam da água como "o novo petróleo" – um recurso limitado, que já está se esgotando em diversas áreas e que se tornará cada vez mais caro, promovendo um impacto crítico nos preços ao consumidor.
A conferência, organizada pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI), tem como tema central este ano o saneamento – "Progresso e perspectivas sobre a água: por um mundo limpo e saudável, com especial atenção ao saneamento".
Segundo os organizadores da conferência, mais de 2,5 biliões de pessoas ainda sofrem com a falta de acesso a condições básicas de saneamento em todo o mundo.
Em cada ano, 1,4 milhão de crianças morrem de doenças relacionadas à falta de saneamento básico.
A ameaça imposta pelas más condições sanitárias é, segundo os organizadores, um dos maiores problemas ambientais da actualidade.
- BBC para África, 21 Agosto, 2008 - Publicado em 12:54 GMT.