10/02/08

Moçambique - Cabo Delgado: Empresas chinesas pilham madeira...

Empresas chinesas pilham madeira em Moçambique!
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Cinquenta e dois contentores com 900 metros cúbicos de madeira que ia ser ilegalmente exportada para a China foram apreendidos esta semana, na província moçambicana de Cabo Delgado.

Maputo - Cinquenta e dois contentores com 900 metros cúbicos de madeira que ia ser ilegalmente exportada para a China foram apreendidos esta semana, na província moçambicana de Cabo Delgado (norte), anunciou hoje a Autoridade Tributária. Em comunicado, a Autoridade Tributária de Moçambique, que inclui o serviço aduaneiro, indica que a madeira é do tipo pau-ferro, uma espécie rara no país, e seria exportada em toros e sem ser processada, quando foi confiscada no porto do município da Mocímboa da Praia.

"Por se tratar de tentativa de exportação ilegal de madeira, o processo está neste momento a seguir os trâmites legais na Delegação Aduaneira de Mocímboa da Praia", refere a nota de imprensa da Autoridade Tributária de Moçambique.

A lei moçambicana proíbe a exportação de madeira em toro não processada, recorda a Autoridade Tributária, que adianta que a mercadoria apreendia pertence a uma firma denominada TM Internacional.

O abate clandestino e indiscriminado de madeira em Moçambique levado a cabo por empresas chinesas tem sido recorrentemente noticiado pela imprensa local e apontado por organizações ambientais como uma das principais causas da desflorestação no país (calcula-se que sejam perdidos anualmente 219 mil hectares de floresta em Moçambique).

Nos principais portos do país têm também sido apreendidas com regularidade quantidades significativas de madeira em toros (que, por não ser processada localmente, não traz qualquer benefício para a indústria local ou para a população), abatida ilegalmente por empresas chinesas. Em Janeiro do ano passado, 47 contentores com madeira em toros de uma empresa chinesa designada MOFID foram também apreendidos pelas autoridades na província de Cabo Delgado. Mais tarde, em Outubro, as autoridades da província de Nampula (norte) anunciaram a apreensão de 531 contentores com 11 mil metros cúbicos de madeira avaliados em 3,5 milhões de euros, que iam ser ilegalmente exportados para a China. Em Janeiro deste ano, sete camiões com cerca de 70 toneladas de madeira pau-preto foram confiscados na província de Nampula quando se dirigiam ao Porto de Nacala, de onde a mercadoria seria exportada para China. Na província da Zambézia (centro), dois funcionários da Direcção da Agricultura local foram detidos em Julho deste ano, por alegado envolvimento num esquema de exportação ilegal de 30 contentores de madeira, em 2007.

O Governo moçambicano estima em 30 milhões de dólares anuais as receitas provenientes da exportação de madeira .
- África21 Digital - 02/10/08 - Download da matéria em PDF

10/01/08

Ecos da imprensa lusa: A influência "trágica" do partido Comunista Português no processo de descolonização.

A "História" vai sendo feita...
O "Expresso", em tema que espelha a palestra dada terça-feira, em Maputo, pelo historiador português José Pacheco Pereira, diz:

PCP foi "tragédia" no processo de descolonização.
Para Pacheco Pereira, "a herança, quer do colonialismo, quer do PCP, enquanto partido comunista nas colónias portuguesas, é de facto trágica".

A intervenção do PCP em Portugal e junto dos movimentos independentistas nas ex-colónias portuguesas em África foi "trágica" para a história recente desses países, considerou terça-feira, em Maputo, o historiador português José Pacheco Pereira.
Numa palestra subordinada ao tema "As relações dos movimentos de libertação com a oposição portuguesa", Pacheco Pereira defendeu ainda que um debate desapaixonado sobre a história recente pressupõe a emergência de uma "nova geração" e a abertura dos arquivos do PCP e de partidos como a FRELIMO (Moçambique) e MPLA (Angola).
"Se o PCP não tivesse o papel que teve em Portugal o caso de Angola, por exemplo, teria sido muito diferente porque o acordo inicial em Angola é assinado com três movimentos e a independência é feita por um, com tropas cubanas", disse Pacheco Pereira, acrescentando:
"Em Moçambique, a FRELIMO comportou-se como um partido único realizando toda uma série de violências que criaram o caldo de cultura para o conflito civil que houve mais tarde com a RENAMO e praticamente destruiu Moçambique".
Para Pacheco Pereira, "a herança, quer do colonialismo, quer do PCP enquanto partido comunista nas colónias portuguesas é de facto trágica".
"Como aconteceu em muitos sítios, em África destruiu infra-estruturas, fez com que em muitos desses países as pessoas ficassem mais pobres do que eram no tempo do colonialismo", disse o historiador.
Para Pacheco Pereira, autor de uma biografia em vários volumes do falecido dirigente comunista Álvaro Cunhal, a acção do PCP no pós-independência, designadamente enquanto instrumento da extinta União Soviética, influenciou ainda as guerras civis que posteriormente assolaram e arruinaram as ex-colónias africanas de Portugal.
"Uma das heranças que o PCP e a União Soviética deixaram, em muitos aspectos trágica, foram partidos e regimes comunistas. Basta olhar para a bandeira de Angola, para a bandeira de Moçambique para ver a simbologia comunista, uma versão da foice e do martelo", sublinhou.
Pacheco Pereira considerou não ser ainda possível "tirar uma conclusão" sobre a acção do PCP em Portugal no período que se seguiu ao 25 de Abril - se a simples tomada do poder para instauração de um regime do tipo comunista, se a criação de agitação que acelerasse, em condições favoráveis para Moscovo, a entrega das possessões ultramarinas, se ambas.
"Não se pode ainda tirar uma conclusão, mas penso que alguns quadros do PCP objectivamente quiseram tomar o poder em Portugal. Não estou a dizer que fosse essa a orientação da União Soviética", observou Pacheco Pereira, referindo que o PCP teve "enorme importância na génese dos movimentos de libertação", embora essa importância não tenha sido "a mesma para Angola, Guiné ou Moçambique".
Por outro lado, acrescentou, em 1953, os estudantes africanos ligados ao PCP, que mais tarde protagonizaram as lutas pela independência dos respectivos países, fizeram um "movimento de ruptura" recusando ser "apenas uma parte de um movimento português".
- Expresso, 10:30 Quarta-feira, 1 de Out de 2008.