10/13/08

Assinado em Pemba contrato para a pesquisa e produção de petróleo nas áreas 3 e 6 do Bloco do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

Companhia malaia vai prospectar petróleo na Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.

O governo moçambicano e a companhia petrolífera Petronas Carigali, Limitada da Malásia assinaram sexta-feira, em Pemba, um contrato de concessão para a pesquisa e produção de petróleo nas áreas 3 e 6 do Bloco do Rovuma, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

O jornal Notícias refere que o Rovuma constitui uma das bacias menos estudadas do ponto de vista de ocorrência de hidrocarbonetos, muito embora se suspeite que pelas características geológicas que apresenta possa ter recursos petrolíferos consideráveis.

A entrada da Petronas na região, segue-se às operações das companhias canadiana Artumas Group, da norueguesa Hidro, da americana Anadarko e da italiana ENI.

O jornal Notícias refere ainda que entre 2006 e 2009 "serão investidos em operações petrolíferas na Bacia do Rovuma, pouco mais de 300 milhões de dólares norte-americanos".

O presidente do Instituto de Petróleos, Arsénio Mabote, reconheceu ao jornal do Maputo que ainda são poucos os estudos realizados na Bacia do Rovuma mas admitiu que a zona tem grandes potencialidades.

“Temos, por exemplo, a ocorrência na zona, de hidrocarbonetos à superfície, naturalmente que isso dita por parte das empresas, grande expectativa não só em termos de ocorrência de petróleo, mas também de gás natural. Sabemos que do outro lado da fronteira, mais concretamente na Tanzania, há ocorrência de gás natural em Navibay e Songo-Songo que já está em produção”, referiu Mabote.

O presidente do Instituto de Petróleos considera que "estes elementos todos levam a admitir que a Bacia do Rovuma, do lado de Moçambique, também tenha bastante interesse, o que quer dizerque existem condições para a ocorrência de gás natural ou petróleo na Bacia do Rovuma".

Arsénio Mabote assinalou, no entanto, que "só as perfurações a realizar nos próximos anos poderão determinar com clareza a ocorrência ou não de petróleo".
- In Macauhub - 13/10/08.

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10/12/08

Moçambique - Solução inovadora, barata, corajosa e bem-sucedida traz saúde para o povo.

Li hà momentos no Diário de Notícias de Lisboa:
Técnicos de cirurgia são vigorosa arma de luta em Moçambique. Apesar da pobreza que ali persiste, o segundo maior país lusófono de África dá passos decisivos no combate à doença, aproximando-se das metas definidas pelos organismos internacionais para o sector. As doenças materno-infantis têm regredido graças à melhoria dos cuidados de saúde.
"Quando as pessoas estão a morrer e não há médicos, o que é que se pode fazer?

"Esta pergunta, feita, um dia, por uma alta figura da saúde, em Moçambique, é a resposta a quem questiona a solução encontrada em 1982. Uma solução inovadora, barata, corajosa e bem-sucedida, a da formação de técnicos de cirurgia.

Em 1982, debatendo-se com os problemas da guerra e com um enorme caudal de dificuldades na área da saúde, Moçambique teve uma ideia controversa: formar técnicos de cirurgia, homens e mulheres que, mesmo sem formação académica, fossem capazes de se fixar nas zonas rurais e começar a melhorar a grave situação da mulher, na gravidez e no parto.

A solução moçambicana pode ser controversa mas, com as pessoas a morrer e sem médicos para as atender, era preciso fazer alguma coisa, e Moçambique, "de uma forma corajosa, inovadora e barata", agiu, como disse Margareth Chan, directora-geral da OMS, numa entrevista à produtora que recentemente realizou e transmitiu, pela rede pública da televisão americana, um programa de choque, com o significativo título de Birth of a Surgeon ("Nascimento de Um Cirurgião").

O documentário, feito pela Wide Angle, produtora de programas educativos, provocou forte reacção nos Estados Unidos e os telespectadores emocionaram-se com a história pessoal de Emília Cumbane, uma parteira de Maputo, treinada para praticar actos cirúrgicos (cesarianas e histerectomias, por exemplo) e que afirma adorar essa sua profissão, "que produz pessoas".

Não faltam, claro, as vozes críticas de quem entende que os técnicos de cirurgia não têm preparação académica, nem formação prática, para realizar intervenções e prevenir ou resolver complicações. De forma directa, Margareth Chan entrou no debate e, numa entrevista à mesma produtora, Wide Angle, citou o dirigente moçambicano na pergunta que abre este texto, reconhecendo o mérito destas soluções, práticas, corajosas, baratas, inovadoras e… que ajudam realmente a reduzir a dimensão do problema. A considerável redução da taxa de mortalidade materna e os números contidos em estudos científicos já publicados provam que a solução funciona e indicam o que é essencial - que a face da saúde em África pode estar já a mudar.

A experiência moçambicana foi já profundamente estudada e os resultados de, pelo menos, cinco estudos científicos, realizados em 1996, 1999 e 2007, muito animadores. Para além da constante redução da taxa de mortalidade materna, há outras situações que têm sido sublinhadas: de uma forma geral, as intervenções feitas por técnicos de cirurgia não diferem das que são realizadas por pessoal especializado e, ao contrário do que acontece com os médicos, os técnicos fixam-se nos locais e, num balanço feito cinco anos depois do início do processo, verificou-se que nenhum médico colocado num determinado hospital permanecia nele, mas que, pelo contrário, uma considerável maioria de técnicos nele se conserva em funções.
- In Diário de Notícias, 12/10/08.