1/19/09

Ecos da imprensa lusa - Quando as Verdades de D. Policarpo incomodam...

Recentemente Dom Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, comentou e alertou em entrevista, para as diferenças profundas existentes entre as sociedades católica e muçulmana e os cuidados a ter quando acontecem casamentos de jovens com essas crenças religiosas.

Não hostilizou, simplesmente alertou com franqueza direta e simples para os problemas inevitáveis consequentes nessas uniões matrimoniais quase sempre "contratadas" pelos pais ou familiares onde, inúmeras vezes a submissão, escravidão, humilhação da mulher e até maus-tratos e o poder de vida ou morte são normais e permitidos. Os exemplos de insucesso, funestos, tristes, de quem se aventura nesse tipo de relacionamento mais íntimo, são sobejamente conhecidos, divulgados e até relatados em filmes e literatura especializada. E as raras excepções de algum sucesso acontecem quando os "protagonistas" abandonam a duras penas e contrariando as famílias, em sua vida conjugal, as diferenças culturais, o radicalismo islâmico ou o fervor religioso católico.

Pois, de imediato, se levantaram as habituais "vozes" convenientes dos arautos cínicos e inconformados da demagogia que gosta de "aparecer" e parecer verdade, "malhando" com espalhafato burlesco o lúcido D. Policarpo, como "escudeiros" defensores de um mundo irreal, fictício perante a realidadade e a intolerância violenta, radical a que diariamente assistimos por esse mundo afora, desde a Sérvia, Kosovo até ao Médio-Oriente, Israel, Palestina, etç., sempre com justificativas religiosas de intolerância inaceitáveis e atos que beiram a selvajaria, sempre legitimados, incentivados por lideres fanáticos, desumanos.

Mas, felizmente, nem todas as "vozes" rezam pela mesma cartilha do "politicamente correto" ou dos defensores dos direitos do absurdo que só aparecem quando "a barriga que dói" é a "dos outros"... Li no Expresso de hoje e transcrevo o seguinte texto de autoria de Henrique Monteiro, onde se fala também de Cabo Delgado em Moçambique e do relacionamento tantas vezes amigável entre pessoas de crenças e raças diferentes, com quem tive a felicidade de conviver pacificamente em minha infância/adolescência africanas, amizades essas que conservo até hoje apesar de nossas "diferenças" religiosas:

""Três histórias simples para enquadrar uma mais complicada: Um dia, num país islâmico, há mais de 20 anos, o guia, motorista e tradutor que me acompanhava convidou-me para ir a sua casa. Disse-me mal daquele regime teocrático e - como grande prova de confiança em mim - pediu à mulher que me mostrasse o cabelo, o que ela, timidamente fez, como se na nossa cultura não fosse a coisa mais trivial do mundo ver o cabelo de uma mulher. É que as mulheres daquele país, por lei - lei do Estado, não só lei religiosa -, só podem mostrar o cabelo aos pais, filhos e maridos.

Um dia, em Maputo, um muçulmano meu amigo, oriundo de Cabo Delgado, no Norte do país, insistiu para que jantasse com ele. O meu amigo bebeu álcool (embora muito pouco e mesmo assim sob o olhar reprovador da mulher, que não usava véu).

A conversa foi sobre temas diversos e poderia ter sido a mesma com um casal católico ou judeu.

Há cerca de 20 anos, o Expresso no âmbito de um inquérito que fez a Jorge Sampaio (e no qual colaborei) perguntou-lhe o que faria ele se um dos seus filhos se casasse com um negro. Ele respondeu que jamais se oporia, mas que aproveitaria a oportunidade para chamar a atenção desse filho para as prováveis diferenças culturais que iria encontrar.

Estas três histórias vêm a propósito da quantidade de palavras, a meu ver erradas, que se disseram acerca de uma intervenção do cardeal-patriarca de Lisboa. D. José Policarpo referia-se ao cuidado - "cautela", disse ele - que as jovens portuguesas devem ter ao casar com um muçulmano.

Reparem que ele não disse que elas não se deviam casar, ou que qualquer casamento seria infeliz. Disse apenas que deviam ter cautela. Ou, de outro modo, disse o mesmo que Jorge Sampaio, ou o que diria qualquer pessoa sensata - chamou a atenção para o provável choque cultural.

Encheram-se páginas de mulheres casadas com muçulmanos e que são felizes. Bebo à sua saúde.

Se são felizes, fizeram bem em casar-se com os homens que desejaram. Mas há milhões de páginas negras de vil submissão, humilhação e maus-tratos físicos - que são legais (sublinhe-se esta palavra 300 vezes) - em certos países islâmicos, como a Arábia Saudita, para dar um exemplo.

Cautela, pois, como diz o cardeal-patriarca.

A chicotada, a chapada, a impossibilidade de sair de casa, o repúdio puro e simples pode esperar a mulher incauta.

Isto é desconhecido? Não!

É mentira? Não!

É racista? Não!

É uma afirmação verdadeira, mas daquelas verdades que ninguém quer que se digam.

Estas verdades estragam as construções e engenharias sociais em que se baseia a nossa cultura.

Por isso preferimos raciocinar sobre construções a fazê-lo sobre a realidade para assim construirmos um mundo de fantasia. Na presente edição em banca, pode ler-se uma reportagem sobre alguns casamentos entre muçulmanos e portuguesas.

Como se fica a perceber, a realidade é, por vezes, perversa.
- Henrique Monteiro - Expresso, Lisboa - 19/01/2009.

1/18/09

Caminhos da India... Para os noveleiros(as) desse lado do mar!

Do grupo de relacionamentos "Bar da Tininha - Multiply":

Estreia na Globo-Brasil a nova novela "Caminhos da Índia", escrita por Glória Perez e dirigida por Marcos Schechtman. Muito embora não seja "chegado" em novelas, trago aqui o tema levando em conta tudo que muitos de nós, participantes do bar da Tininha, vivenciamos e absorvemos desta cultura antiga e repleta de personalidade tradicional das Indias na então Porto Amélia hoje Pemba, convivendo com bons amigos e famílias de origem indiana, inclusivé nos bancos escolares, amigos esses que o são até aos dias de hoje, embora espalhados pelo mundo uns, outros ainda por Moçambique, África do Sul e na própria índia. Para eles também este texto. E para que possamos relembrar por comparação, os inúmeros filmes a que assistiamos no cinema da nossa cidade nos idos anos 60/70.

O player do ForEver PEMBA disponibiliza desde já para audição o tema musical principal da novela (novela que acreditamos também será lançada em breve no recanto luso) "Kajra Re" (Alisha Chinai-Bunty Aur Babli)... E que será um sucesso nas rádios certamente e muito em breve. Para o escutar, embora o player funcione automático, é só clicar no titulo colocado com a posição "1" entre outras "novidades"ali incluidas da cada dia mais internacional e de qualidade música indiana.

E segundo dizem, "já corre por cá o boato que Glória Perez, além de irritar diversos outros escritores por estar convocando todos os grandes atores da emissora, inclusive os que ainda estão no elencos de outras novelas, fez uma cópia da novela O Clone escrita por ela em 2001.

Segundo o "Estadão"(Brasil) deste domingo, um amor impossível e um casamento prometido realizado, a princípio, sem amor compõem o enredo inicial da trama de Glória Perez. A mocinha é Maya (Juliana Paes) e seu par é Bahuan (Márcio Garcia). O marido prometido é Raj (Rodrigo Lombardi) que, por fim, se apaixonará por Maya. Faz-se aí o triângulo amoroso da vez.

Qualquer semelhança com O Clone (2001) não é coincidência. Caminho das Índias traz de volta elementos clássicos do universo novelesco de Glória Perez e explora personagens e situações que o público adora por serem bem executados. Com a nova novela, pode-se dizer que a autora realiza uma trilogia que começou em 1995, com Explode Coração. As três novelas apresentam, como trama central, um triângulo amoroso e a impossibilidade de um amor por causa de diferenças culturais.

Isso não significa que Caminho das Índias não seja original. Ela simplesmente carrega a marca registrada da autora - assim como Manoel Carlos sempre leva o Leblon e suas Helenas à casa dos espectadores e Walcyr Carrasco usa, em suas melhores tramas, a comédia pastelão e o núcleo rural marcante."

Sinopse de Caminhos da Índia:

A trama gira em torno de um amor proibido entre os indianos Maya e Bahuan, entre encontros e desencontros aparece Raj e assim se formará um triângulo amoroso.

Personagens:

-> Maya (Juliana Paes) é uma moça alegre que pertence à uma família de comerciantes. Apaixona-se por Bahuan e terá um filho.

-> Bahuan (Márcio Garcia) estudou nos EUA mas pertence a classe baixa da Índia, sendo muito humilhado quando criança. Torna-se sócio da empresa Cadore.

-> Raj (Rodrigo Lombardi) é o sonho dos pais para casar-se com Maya e obter a empresa Cadore.

-> Opash (Tony Ramos) é um indiano orgulhoso, defensor do sistema de castas utilizado na Índia.

-> Komal (Ricardo Tozzi) é irmão de Maya, rapaz muito sério, que ao longo da novela terá que se casar e mudará seu comportamento.

-> Sura (Cléo Pires) será casada com Amitab (Danton Mello) e mãe de Anusha. Ela será a grande rival de Maya.

->Tarso (Bruno Gagliasso) sofre de esquizofrenia.

-> Zeca (Duda Nagle) um garoto rico que arruma briga com todo mundo, mas é sempre defendido por seu pai, o personagem de Antônio Calloni.

-> As personagens de Marjorie Estiano, Letícia Sabatella e Malu Mader serão vilãs.

Elenco:
Lima Duarte, Laura Cardoso, Christiane Torloni, Alexandre Borges, Mara Manzan, Humberto Martins, Ísis Valverde, Caio Blat, Glória Pires, Osmar Prado, Stênio Garcia, José de Abreu, Vera Fischer e Cláudia Jimenez.

A Trilha Sonora e o Resumo dos Capítulos de Caminhos da Índia serão divulgados durante o decorrer da novela.

  • Página Oficial da novela - aqui!

O video do tema musical

(Evite sobreposição de sons "desligando" o player em funcionamento que se localiza no menu deste blogue, lado direito)

Aqui fica portanto a "novidade"... Esperamos a "ficção" contribua mais uma vez para "resguardar" e "amparar" o "povo" perante a "realidade" tantas vezes árdua e injusta do quotidiano.