4/24/09

Pemba: Uma crónica sobre quadros & mais quadros...

... Ou, como diriam em terras de Vera Cruz, A farra dos Quadros!!!

- Com a devida vénia a Pedro Nacuo:

EXTRAS - Quadros.
Na quarta-feira, estive mais uma vez no nosso minúsculo mas bonito e acolhedor aeroporto de Pemba, não para cumprir um dos rituais em pequenas cidades, que é exactamente ir ao aeroporto, porque é lá onde parece que vemos uma outra realidade, no aeroporto experimenta-se um outro ambiente e lá se encontram e reencontram pessoas para recordar velhas amizades ou fazer novas. Desta vez era para acompanhar uma colega de serviço, por sinal minha chefe.

Mas o aeroporto da quarta-feira passada tinha outra particularidade: estava cheio de pessoas de Cabo Delgado, vestidas da mesma maneira, cor e a falar a mesma linguagem, para além de emprestar ao ambiente aquele frenesim que quando o partido maioritário está encontrado deixa mostrar.Eram quadros do partido no poder, que iam a Maputo reunir-se para e falar de como (de novo) vão ganhar as eleições que se avizinham e fartei-me de apresentar à minha chefe aqueles de quem provavelmente tivesse ouvido alguma vez falar, que vinham de todos os pontos da província e de Pemba.

São tantos assim, os quadros que a Frelimo tem?

Esta pergunta, apresentada em jeito de brincadeira, chamou a resposta de um amigo, depois que o avião levantou o voo, que também brincou dizendo que “a maioria é ardósia”. A seguir convidou-me a ler o “notícias” da semana anterior, para ir à publicidade onde se convocavam assembleias gerais de algumas empresas. Apontou uma página onde havia anúncios assinados pelos presidentes dos Conselhos da Administração ou de Mesa da Assembleia. Eram irmãos, pelo menos em três anúncios.

Um aparecia em dois como presidente de Mesa da Assembleia Geral e outro numa só. E disse mais: estes são presidentes de mais de nove empresas, em Moçambique, quer seja do Conselho da Administração quer seja dos Conselhos Fiscais ou outros órgãos sociais, para além de serem muitas vezes directores e permanentemente representantes do povo na magna casa, onde também chefiam comissões. Estes é que são quadros deste país!

O meu confidente diz que quadros são aqueles ministros que, perante uma situação em que qualquer um dos colegas deixa de o ser, são chamados a acumular as pastas, que as juntam com as outras atribuições socioeconómicas e políticas que já têm desde muito tempo. Na opinião do meu contrário, não são tantos quadros assim, como os que vimos na quarta-feira!...

Diz que não há quadros que cheguem ao número de 112 que vimos a embarcar para uma reunião de todo o país e pediu-me que não confundisse um encontro de camaradas com uma reunião de quadros, porque “ num país os quadros são poucos, os outros são ardósias” e eles são definidos conforme as conveniências.

Diz que não seria num país cheio de quadros em que numa mesma pessoa cabe: a presidência do Conselho da Administração duma empresa pública, a direcção duma empresa pública, a direcção duma instituição do Estado, a chefia duma Comissão Parlamentar, a presidência de um Conselho Fiscal, a presidência duma modalidade desportiva e a presidência duma organização de conterrâneos…

Não é num país cheio de quadros onde hoje se é PCA duma determinada empresa pública e que terminado o mandato, fica-se de férias… até uma nova nomeação, desta feita, de novo PCA doutra empresa pública. A isso chama-se, falta de quadros!

É falta de quadros indicar dirigente político, na terra, quem dá aulas, umas vezes no Marte outras vezes no Neptuno e estudante no Urano. E se terra significar Moçambique, aí teremos muito poucos ainda, se bem que, são muito poucos os deputados que são apenas políticos. Eles são muita coisa junta. Há muito subemprego no país, visto que cada um ganha por teoricamente fazer muita coisa, mas não rende em nenhuma delas o mínimo aceitável. Ganha-se por se ser oficial na reserva, por ser antigo combatente, por ser deputado, por ser presidente do conselho de administração, director duma empresa, adjunto em outras quatro empresas, financeiro de mais uma, assessor duma determinada firma, consultor numa ONG, presidente do Conselho Fiscal em mais outra associação. Tudo isso numa mesma pessoa, que volta e meia tem a papelada a tramitar visando a criação de mais empresas e sociedades. Esses, sim, são quadros, que conseguem fazer tudo o que seria feito por todos!
- Pedro Nacuo, Abril de 2009:: Notícias.

Buscando no tempo, lá pelo Douro: Os bombeiros no Cais Fluvial da Régua.

(Clique na imagem para ampliar)

Em atenção aos "vareiros" que nos lêm e visitam por esse mundo virtual afora, alguns post's irei trazendo de um outro blogue ("Escritos do Douro") onde se fala do Douro em Portugal, da cidade de Peso da Régua, de sua história e cultura, de personagens que marcam e dão exemplo e de outras coisas mais que não só da "vinha e do vinho do Porto", de Pemba e Moçambique...

Nesta excelente imagem, de meados de 1980, vê-se uma instrução de alguns elementos do Corpo de bombeiros do Peso da Régua, junto à margem do rio Douro, no cais fluvial (sem a actual recuperação feita pelo ainda Instituto de Navegabilidade do Douro, presidido pelo saudoso Eng. Mário Ferreira) em exercícios de manobras, com as bombas e as mangueiras, ligadas a dois veículos de combate aos fogos urbanos.

“Voluntários por opção, mas profissionais na acção” é o que se pede a todos os bombeiros. Entre os bombeiros, é comum dizer-se que só “salva quem sabe”.

Em sociedades, cada vez com maiores riscos e perigos, os bombeiros precisam de ter melhores conhecimentos técnicos, mais formação, cursos de matérias específicas, completados com frequentes exercícios de instrução.

Os bombeiros voluntários estão actualmente sujeitos à avaliação do desempenho das actividades que prestam nesta área da protecção civil e do socorro, com as estruturas operacionais cada vez mais qualificadas, competentes e responsáveis, orientadas por objectivos de qualidade.

Destaca-se nesta foto, o emblemático Chevrolet, modelo Viking 60, com um motor de 4637 cm³, de 8 cilindros, baptizado na Associação com o nome de S. Faustino, sendo mais conhecido por o “Nevoeiro” (assim designado pela razão de a bomba ao lançar a água fazer uma espécie de nuvem).Este veículo de origem americana transporta no seu interior dez bombeiros e está equipado com depósito de água de 1.800 litro, material de incêndios e uma potente bomba Darley. Adquirido à General Motors de Portugal, Lda., em Novembro de 1960, pela avultada quantia de 397 contos, com comparticipação do Estado, era considerado, como então se dizia, “um carro que não encontra hoje similar no país.”

Ainda hoje, se a completar os seus 50 anos de actividade nos bombeiros, esse pronto-socorro tem todas as condições para prestar qualquer serviço de combate ao fogos urbanos, (precisamos da ajuda de um benemérito para a sua reparação de chapa e nova pintura, será que alguém nos pode ajudar?) como nos seus velhos tempos, o das memórias da nossa infância, quando o contemplávamos ao vê-lo passar em alta velocidade, com a sirene a tocar e luzes a assinalar sua urgência.

Para se valorizar a importância da formação dos bombeiros reproduzimos um artigo (ligeiramente adaptado) da autoria do nosso amigo Eng. Álvaro Ribeiro, Comandante dos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca, de Vila Real, onde aponta estas ideias:

“Ao longo dos tempos os Corpos de Bombeiros procuram dar respostas às necessidades das populações. Primeiro, com exclusiva participação no combate aos incêndios urbanos e industriais, socorros a náufragos, depois na área da saúde na vertente de transporte de doentes e na emergência pré-hospitalar e, no inicio da década de 80, como responsáveis directos pelo combates aos fogos florestais.
A mobilização dos efectivos operacionais era feitas pelas badaladas dos sinos das igrejas, posteriormente passou-se aos silvos das sirenes e hoje já se utiliza os meios de SMS e outros.
A velha figura do quarteleiro deu lugar a operadores de central de comunicações e aos motoristas que garantem o serviço de saúde e/ou incêndios.
A tecnologia entra facilmente na área da protecção e socorro. São por isso necessários conhecimentos profundos e treinos para manusear equipamentos, alguns com elevada sofisticação.
A sociedade exige um serviço profissional, independentemente de quem o faz, se é sapador ou voluntário. Para dar resposta a uma sociedade que vive com a informação a todos os instantes, é preciso dispôs de tempo para a formação, treino regular e participar nas actividades operacionais e de representação.”
- Peso da Régua, Abril de 2009, José Alfredo Almeida.

- Outros textos publicados neste blogue sobre os Bombeiros Voluntários de Peso da Régua e sua História:
  • O Padre Manuel Lacerda, capelão do Bombeiros do Peso da Régua - Aqui!
  • A Ordem Militar de Cristo - Uma grande condecoração para os Bombeiros de Peso da Régua - Aqui!
  • OsBombeiros no Largo da Estação - Aqui!
  • A Tragédia de Riobom - Aqui!
  • Manuel Maria de Magalhães: O Primeiro Comandante... - Aqui!
  • A Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A cheia do rio Douro de 1962 - Aqui!
  • O Baptismo do Marçal - Aqui!
  • Um discurso do Dr. Camilo de Araújo Correia - Aqui!
  • Um momento alto da vida do comandante Carlos dos Santos (1959-1990) - Aqui!
  • Os Bombeiros do Peso da Régua e... o seu menino - Aqui!
  • Os Bombeiros da Régua em Coimbra, 1940-50 - Aqui!
  • Os Bombeiros da Velha Guarda do Peso da Régua - Aqui!

- Link's:

  • Portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua (no Sapo) - Aqui!
  • Novo portal dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • Exposição Virtual dos Bombeiros Voluntários de Peso da Régua - Aqui!
  • A Peso da Régua de nossas raízes - Aqui!