10/29/09

Ronda pela imprensa portuguesa: O PREGADOR!


Ronda pela imprensa lusa - opinião:

Evidentemente que Saramago tem um problema pessoal mal resolvido com a religião. Isso é tão claro que dispensa a interpretação psicanalítica dos seus comportamentos. Aliás, um dos muitos problemas de Saramago é julgar-se o próprio Deus. E não admitir concorrência. Nobel, ainda por cima, sente que o Mundo se deveria prostrar perante o seu génio. É um narciso universal a quem tudo deve ser consentido, mesmo o insulto grotesco e ignaro.

O mundo de Saramago é um mundo sem Pátrias nem Religiões. É um mundo centrado na sua pessoa e alimentado pela sua obra. É um mundo que assenta nas premissas extremas do capitalismo. Se para vender um produto tiver de matar a mãe, mate-se a mãe e venda-se o produto. É o que Saramago faz. Insulta e vilipendia para vender. Confortado no seu "auto-exílio" em Lanzarote que lhe garante direitos de autor sem encargos fiscais. O mundo de Saramago é, neste contexto, um mundo sombrio de ódios de estimação e de perseguições infrenes.

Mas é também um mundo inconsequente. Rejeitou a Pátria porque um dia a Pátria o não reconheceu. Mas dela colhe homenagens e recebe fundações. A sua vaidade não lhe permite resistir à idolatria. E gosta mais de si próprio do que a coerência e a decência deveriam admitir.

Por tudo isto, é-me absolutamente indiferente a leitura que Saramago faz da Bíblia. Sei, como todos, que a idade ou agudiza os defeitos ou acentua as virtudes. No caso de Saramago refinou os primeiros. Não gosto do homem. Estou no meu direito. Embora a Bíblia me recomende tolerância, respeito e misericórdia. Prometo que tentarei alcançar esses "maus costumes".
- O Pregador é de autoria de José Luis Seixas, in O Destak, 21/10/2009.

Tenente-coronel Brandão Ferreira: Guerra colonial... Guerra justa?

Brandão Ferreira: Três décadas depois da guerra colonial, a sociedade portuguesa encontre-se dividida em relação à mesma. «A descolonização enfraqueceu o país». O Tenente-coronel Brandão Ferreira no livro «Em Nome da Pátria» questiona se o portugueses travaram uma «guerra justa».
Trinta anos volvidos sobre o fim da guerra colonial, Brandão Ferreira questiona no livro «Em Nome da Pátria» se os portugueses travaram uma «Guerra justa» e se tinham o direito de a fazer e conclui que a descolonização enfraqueceu o país.

O livro, com quase 600 páginas, é lançado quarta-feira, na Academia Militar, em Lisboa, pela Publicações D. Quixote.

No prefácio, o professor universitário Adriano Moreira recorda que «foi o elo militar o definitivamente atingido pela fadiga, e a decisão, do centro do poder que deslizou para as bases, foi a de colocar um ponto final na guerra, logo com o apoio ao regime político mas inevitavelmente com o efeito colateral de colocar um ponto final no conceito estratégico secular».

Para Brandão Ferreira, não é surpreendente que, três décadas depois de terminada a guerra colonial (1961-1975), «a nossa sociedade se encontre completamente dividida em relação àquilo que se passou e à verdadeira interpretação a dar aos complexos acontecimentos então vividos».

No entender do autor, impõe-se «conseguir um conjunto elaborado de conhecimento que permita que a nação portuguesa caminhe para um futuro assente em bases sólidas e verdadeiras e não sobre falsos postulados».

O tenente-coronel piloto-aviador Brandão Ferreira, 56 anos, é um militar de transição entre dois regimes políticos. Estava ainda na Academia Militar quando ocorreu o 25 de Abril de 1974 e seguiu depois para os Estados Unidos.

Esteve 27 anos na Força Aérea e foi adido de Defesa na Guiné-Bissau, Senegal e Guiné-Conacri. Nunca combateu na guerra colonial mas os valores que professa no livro (Pátria, um Portugal do Minho a Timor) são os dessa época.

Os seus princípios parecem inabaláveis: «Por aquilo que é secundário, negoceia-se; pelo que é importante, combate-se; pelo que é fundamental, morre-se».

No seu entender, com a descolonização, os portugueses perderam «liberdade estratégica» e ficaram «enfraquecidos e divididos como comunidade».

Apesar de declarar que não pretende impor «uma linha de pensamento único» mas sim reflectir sobre o tema, Brandão Ferreira opina que «Portugal fez uma guerra justa e, além disso, tinha toda a razão do seu lado».

Admite, contudo, que «a guerra é sobretudo uma luta de vontades».

O militar culpa Marcelo Caetano («uma pessoa de bem», com «grandes qualidades intelectuais») de nada ter feito «para contrariar eficazmente» aqueles que então começaram a defender a independência das ex-colónias.

No livro, Brandão Ferreira rejeita Nega que a guerra fosse insustentável, nomeadamente devido ao número de baixas portuguesas: «A verdade é que, por ano, morria mais gente nas estradas de Portugal Continental do que nas três frentes de luta em África», sustenta.

«Será mais digno combater no Afeganistão que no Estado português da Índia? No Líbano que em Angola? Na Bósnia que na Guiné-Bissau? No Kosovo, que em Moçambique? São estes os novos ventos da história?», pergunta.
- In IOLDiário, 26/10/09.