2/25/06

Quase sem palavras...ou imagens de uma viagem ! (4)



Com suas bonitas praias e amplos calçadões, moderna infra-estrutura hoteleira, população amigável e vida noturna trepidante, Fortaleza tornou-se uma das principais portas de entrada do turismo do Nordeste Brasileiro.
Agraciada com um sol forte que esquenta suas belezas pela maior parte do ano, a cidade vem atraindo cada vez mais visitantes, de todas as partes do Brasil de do mundo.
Lamentavelmente e a par dos extremos sociais que chocam o visitante, parte desse turismo é “desviado” quase que explicitamente para os prazeres do sexo fácil onde a pobreza de jovens se transforma em exploração, estímulo e incremento para o denominado turismo-sexual. Que deveria ser combatido, punido com rigor e exemplarmente.
Fortaleza é cheia de contrastes.
Não existe meio termo.
A extrema pobreza contrasta com a opulência e luxo de edifícios imponentes que dividem as ruas com casas coloniais.
Jangadas rústicas deslizam pelos mares, não distantes de lanchas modernas.
Shopping center's oferecem opções de lojas de grife, ao passo que o Mercado Central expõe o que há de melhor no artesanato local.
Crianças pobres circulam em torno a carros importados de luxo oferecendo sacos de castanha de caju, tapioca e roletes de cana de açúcar, geralmente a preços baixíssimos.
E a mendicidade é notória e chocante.
Visitamos também o Centro de Fortaleza que era composto de casarões em total estado de abandono.
Entretanto, e depois de projeto de restauração e pelos resultados visíveis acreditamos que este é um dos locais mais bonitos de Fortaleza.
Ali encontramos o "Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura", uma construção arrojada,de paredes brancas e tetos vermelhos, misturando com ousadia, imaginação e criatividade que abriga um museu antropológico, dedicado a preservar a cultura dos índios que habitavam - e ainda o fazem - o Ceará.
Há também um pequeno museu de História Natural e o Memorial da Cultura Cearense, que oferece exposições itinerantes.
Os funcionários, muito atenciosos, não poupam explicações sobre os mais variados itens representativos das mais diversas facetas da cultura local.
Com tudo isso e muito mais que aqui não cabe, a Fortaleza hospitaleira também deixou saudades em alguns dias que ali permanecemos e que já vivenciavam o rufar dos tambores deste carnaval.

2/23/06

Quase sem palavras...ou imagens de uma viagem ! (3)



Idealizando do outro lado do mar, África...
Separam-nos três horas e meia de avião de Cabo Verde...!!!


No município de Paraipaba, a 124 Kms. de Fortaleza, Lagoinha é um dos cartões postais do Ceará.
Procurada por inúmeros turistas de fora mas também pela população local e dos arredores num turismo interno desenfreado e sem as noções de asseio básicas e ecológicamente corretas, a praia -paradisíaca- está à mercê do lixo, coberta de caroços de pitomba, vasilhames, cocos e outros elementos.
Pela praia transitam livremente e em altas velocidades, todo tipo de veículos: pick-ups abarrotadas de gente, motocicletas, 4x4, buggies, etç.
Inacreditável, mas verdade !
E, tudo isso nos entristece e desilude pois, baseados num falso progresso e desenvolvimento turístico, estão poluindo aquelas águas e destruindo Lagoinha!

2/22/06

Quase sem palavras...ou imagens de uma viagem ! (2)


Praia do Futuro - Um lugar para ir à praia em Fortaleza.
Distante 8 kms. do centro da cidade de Fortaleza, oferece vários quilômetros de praias assim como alguns restaurantes típicos, chamados "barracas de praia", na construção das quais é utilizada a palha de carnaúba.
A vizinhança, entretanto, é triste: prédios abandonados, hotéis falidos, favelas, mas a área de praia em si é boa. Afinal uma das características de Fortaleza onde a extrema pobreza se defronta com a maior ostentação e beleza natural.
Entretanto, nas barracas você não vai perceber tais contrastes, devido à deliciosa brisa do mar e aos acepipes locais regados a cerveja bem gelada.

2/21/06

Quase sem palavras...ou imagens de uma viagem !



Arranjo em estrofes, do capítulo inicial de Iracema - de José de Alencar (escritor do Ceará), por Soares Feitosa:

Verdes mares bravios de minha terra natal,
onde canta a jandaia
nas frondes da carnaúba;
verdes mares, que brilhais
como líquida esmeralda
aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias
ensombradas de coqueiros.

Serenai, verdes mares e alisai
docemente a vaga impetuosa,
para que o barco do aventureiro manso
resvale à flor das águas.

Onde vai a afouta jangada,
que deixa rápida
a costa cearense, aberta
ao fresco terral a grande vela?
.................. ........... ..... ...

Além,
muito além
daquela serra que ainda azula
no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema,
a virgem
dos lábios de mel,
que tinha os cabelos
mais negros
que a asa da graúna
e mais longos
que seu talhe de palmeira.

O favo do jati não era
doce como seu sorriso;
nem a baunilha recendia
no bosque como seu hálito
perfumado.

Mais rápida que a ema
selvagem, a morena virgem
corria o sertão e as matas
do Ipu, onde
campeava sua guerreira tribo,
da grande nação tabajara.
O pé, grácil e nu,
mal roçando,
alisava
apenas a verde pelúcia
que vestia terra com as primeiras águas.

Um dia, ao pino o sol,
ela repousava em um claro
da floresta.
Banhava-lhe
o corpo a sombra da oiticica,
mais fresca do que o orvalho da noite.

Os ramos da acácia silvestre
esparziam flores sobre
os úmidos cabelos.

Escondidos na folhagem
os pássaros
ameigavam o canto.

Iracema saiu do banho; o aljôfar
d'água ainda a rorejava,
como à doce mangaba que corou
em manhã de chuva.

Enquanto repousa,
empluma das penas do gará as flechas
de seu arco e concerta
com o sabiá
da mata
pousado no galho próximo,
o canto agreste.

A graciosa ará, sua companheira
e amiga, brinca
junto dela.

Às vezes sobe aos ramos
da árvore e de lá chama
a virgem
pelo nome;
outras, remexe o uru
de palha matizada,
onde traz a selvagem seus perfumes;
os alvos fios de crautá,
as agulhas de juçara com que tece
a renda,
e as tintas
de que matiza o algodão.

Rumor suspeito
quebra
a doce harmonia
da sesta.

Ergue a virgem os olhos,
que o sol não deslumbra;
sua vista perturba-se.

Diante dela
e todo
a contemplá-la,
está
um guerreiro estranho,
se é guerreiro e não
algum mau espírito
da floresta.

Tem nas faces o branco
das areias que bordam o mar,
nos olhos
o azul triste das águas
profundas.
Ignotas armas
e ignotos tecidos cobrem-lhe
o corpo.

Foi rápido, como o olhar,
o gesto
de Iracema.
A flecha
embebida no arco
partiu.
Gostas de sangue borbulham
na face
do desconhecido.

De primeiro ímpeto,
a mão lesta caiu
sobre
a cruz da espada.

O moço guerreiro aprendeu
na religião de sua mãe, onde
a mulher
é símbolo
de ternura e amor.
Sofreu mais
d'alma do que da ferida.

O sentimento que ele pôs
nos olhos e no rosto
não o sei eu.

Porém a virgem lançou
de si o arco e auiruçaba, e correu
para o guerreiro, sentida
da mágoa que causara.

A mão que rápida ferira,
estancou mais rápida
e compassiva
o sangue que gotejava.

Depois Iracema quebrou a flecha homicida;
deu a haste ao desconhecido,
guardando consigo
a ponta farpada.
O guerreiro falou:

— Quebras comigo a flecha da paz

— Quem te ensinou, guerreiro branco,
a linguagem de meus irmãos?

Donde a estas matas,
que nunca viram
outro guerreiro como tu?

— Venho de bem longe,
filha das florestas.
Venho das terras
que teus irmãos já possuíram,
e hoje têm os meus.

— Bem vindo seja o estrangeiro
aos campos dos tabajaras,
senhores das aldeias, e à cabana
de Araquém,
pai de Iracema.

2/11/06

Pemba - A Baixa



Mais fotos em Bar da Tininha MSN :
http://groups.msn.com/Pemba-BardaTininha/shoebox.msnw .

2/09/06

GUSTAVO DIAS - Homenagem e saudade...


Gustavo Dias é Pai de Judith (Dite), Marília (Lita), João (Johny), Orlando, José Maria, Filomena, Júlio e Víctor.
E Irmão de D. Judith Carrilho.
Trabalhava, quando Moçambique era colónia de Portugal, na Câmara Municipal de Pemba (Chefe de Secretaria) e era o Presidente da Associação Desportiva de Pemba (Clube Pemba).
Nasceu no Ibo, a 28 de Maio de 1922.
Faleceu em 8 de Fevereiro de 2006, cerca das 9h da manhã, com uma paragem cardíaca, em Lisboa.
Fica a imensa saudade deste Amigo quase Família !!!
Jaime Luis Gabão