4/26/06

Cabo Delgado exporta 70 milhões USD.

As exportações de Cabo Delgado durante o ano passado totalizaram perto de 70 milhões de dólares, segundo dados facultados pela Direcção Provincial da Indústria e Comércio daquela parcela do país. De acordo com aquela instituição, esta receita significa um crescimento em cerca de 30 milhões de dólares norte-americanos face ao exercício económico de 2004, altura em que as exportações de Cabo Delgado atingiram 40 milhões USD. As receitas de 2005 foram resultado da exportação de 75 mil toneladas de produtos diversos, onde as madeiras (com 22 milhões USD) lideram o ranking, seguidas pelo algodão em fibra (U$ 11 milhões), camarão (2.200 mil USD), entre outros.
A seguir a estes três produtos está a castanha de caju, mármore, grafite, semente de algodão, gergelim, milho, mapira, cujas receitas não são claramente especificadas pela fonte em alusão. Contudo, temos a registar as classe dos "outros" produtos, que totalizaram uma receita de exportações calculadas em mais de 34 milhões de dólares. O incremento registado nas exportações de Cabo Delgado, que saem através dos portos de Pemba e Mocímboa da Praia (na província) e Nacala (em Nampula), deveu-se, fundamentalmente, à contribuição abonatória das madeiras, algodão em fibra, castanha de caju, bem como da classe dos "outros" produtos. Assim, a receita das madeiras subiu de 15 milhões de dólares registados em 2004 para 22 milhões em 2005, logo, uma subida de cerca de sete milhões de dólares. Este crescimento, de aproximadamente sete milhões de dólares, aproxima-se às exportações globais da província de Manica, que se estima em cerca de oito milhões de dólares. Por seu turno, o algodão em fibra subiu de nove milhões para 11 milhões em 2004 e 2005, respectivamente. Enquanto isso, o camarão, uma das relíquias de Cabo Delgado conheceu um considerável nível de crescimento, ao passar de 900 mil USD para 2.200 mil no período em análise. O retrocesso registou-se na castanha de caju, incluindo a processada. Este produto arrecadou cerca de 460 mil USD em 2004, receita que veio a baixar para 147 mil dólares o ano transacto. Sabe-se que a ex-metrópole - Portugal, a África do Sul, Tailândia, China e outros, são os principais mercados importadores dos produtos produzidos na nortenha província de Cabo Delgado.

4/22/06

Cabo Delgado volta ao cultivo de algodão .

Os distritos de Chiúre, Ancuabe, Quissanga, Meluco e Macomia poderão voltar ao cultivo intensivo do algodão, assim que a anunciada fábrica de descaroçamento for instalada, ou na região de Metoro, distrito de Ancuabe, ou em Chiúre, segundo esperam os produtores e respectivos directores distritais.
A nossa Reportagem colheu a sensibilidade que os produtores têm sobre o "dossier" que fala da instalação de uma fábrica de descaroçamento do algodão, em princípio em Metoro, Ancuabe, tendo como denominador comum a ideia de que porá fim ao monopólio pela PLEXUS, entretanto instalada na zona sul, em Montepuez, sem, porém, capacidade de cobrir o resto da província que igualmente é potencial produtor do chamado "ouro branco".
António Maurício Aiane é supervisor da rede de extensão rural e nos revelou que havia uma coordenação entre os directores distritais visando estudar a necessidade da existência de mais uma fábrica em Cabo-Delgado.
"A ideia é muito bem-vinda, desde que esteja no território de Chiúre, porque, do ponto de vista de história, Chiúre já fez algodão, já teve um fábrica em Ocua, há razões para isso, pois a produção existe".
A região de Chiúre, que estava concessionada à SODAN, de quem recaía a responsabilidade de fomentar aquela cultura, passou a ser também cobiçada pela PLEXUS, que foi socorrer aquela empresa da falência que então se anunciava.
"Foi encarregada a PLEXUS, através de um memorando de entendimento entre os dois, mas não quer dizer que tenha sido concessionada, por isso pode se considerar uma área por explorar. Aliás mesmo na sua própria área de concessão a PLEXUS ainda não mostrou poder cobrir toda a região. Mais uma fábrica não seria demais".
António Aiane diz mesmo haver um défice de atendimento e cobertura da província por parte de empresas concessionárias ou fomentadoras do cultivo do algodão, razão pela qual as populações, a pouco e pouco, estão a abraçar uma outra cultura de rendimento, o gergelim.
"Mas esta terra é rica em algodão, só que as populações já não acreditam nestas empresas que menos dia mais dia desistem, nem no que a PLEXUS possa fazer.
A ideia de uma outra fábrica vai impulsionar o regresso dos tempos bons do algodão", diz Aiane. Por seu turno, Dinis Rafael, director distrital da Agricultura em Ancuabe, afirma que a instalação de mais uma fábrica em Cabo Delgado, não é problema principalmente na zona em que se prevê que venha a ser instalada.
"Há quem não produza algodão por falta dessa fábrica. O meu distrito, situando-se na área em que tal se pretende, acolhe com muito entusiasmo a ideia, porque pode vir a ser um grande incentivo. Está a faltar! Devia ser amanhã e a população diz o mesmo", afirma Dinis Rafael, tendo em conta que o problema , grosso modo, situa-se não tanto na produção do algodão, mas sobretudo na comercialização, seria bom que os novos empreendedores utilizassem as duas modalidades, nomeadamente o fomento e a produção empresarial.
"Porquê não haver competição no sector algodoeiro, se em toda as actividades económicas, e não só, no nosso país há concorrência? Não queremos eliminar um deles, mas sim que se abra a possibilidade de competir para o bem de todos".
José Severino Schereiber é um agricultor que insiste em, a cada campanha, voltar a produzir algodão na região de Ancuabe.
Ele acolhe com satisfação a projectada segunda fábrica, porque, no seu entender, alguma injustiça que vem da PLEXUS poderia parar.
"Desta forma o concessionário, único, não estaria aqui a brincar connosco, o que sozinho está a fazer. Faz o que lhe apetece, celebra contractos que depois não honra, principalmente nos financiamentos e assistência técnica. Para conseguir um técnico tem que ser à responsabilidade do agricultor, enquanto eles têm muitos", lamenta Schereiber.
Este agricultor fez neste ano 55 hectares de algodão, nas áreas sob a concessão da PLEXUS, depois de um financiamento de 14 milhões de meticais que, conforme ele, resultaram de um empenho pessoal.
"Consegui com o meu dinheiro e outro retirado fora, nomeadamente da GAPI, que tanto me ajudou. Penso que, pelo menos dinheiro para pagar o empréstimo vai sair".
José Schereiber, devido a problemas climatéricos, nesta campanha viu-se obrigado a fazer seis sementeiras na sua área, localizada a 296 quilómetros da sede do distrito de Ancuabe, em Moteja Cocora.
"Queremos mais fábricas, mais concessionárias, para que, como privados, escolhamos a quem vender, conforme cumpre ou não, os compromissos. Uma liberalização é que pode incrementar o cultivo do algodão, de contrário, os discursos políticos sobre o combate à pobreza, não estão a dizer nada".
Estes problemas, conforme a fonte, fazem com que, ano após ano, a produção do algodão esteja a abaixar, como exemplificam as quatro campanhas em que ele participou.
Na primeira campanha 2000/2001, eu produzi 42 toneladas, a seguir, 22 toneladas, em 2002/2003, baixei para 40.250 toneladas e na última consegui 37 toneladas. Não sei o que espero desta que ainda não terminou”.
O distrito de Meluco, outro potencial produtor de algodão, em Cabo Delgado, está quém das suas capacidades de produção.
Desde a crise criada nos anos 97/98, da produção que não foi comprada pelo grupo "Sir Motors", nunca chegou a reanimar-se.
Na campanha passada, segundo dados colhidos do Instituto Nacional do Algodão, sediado em Montepuez, só pôde produzir 65 toneladas.
Os produtores esperam que com a instalação de mais uma fábrica possam ter motivos que lhes obriguem a acreditar na seriedade da cultura do algodão, visto que desde os já referidos tempos da "Sir Motors" nunca mais voltaram a encontrar um parceiro sério.
Em Quissanga, muito concretamente no posto administrativo de Mahate, onde já funcionou uma fábrica de nomeada, antes pertença da então Sagal, e mais de 20 anos depois recuperada pela então Mocotex, as opiniões sobre instalação de uma nova indústria fora daquele distrito dividem-se.
Por um lado há quem pense, como Murraquilha Omar, que em vez de procurar um outro lugar, mais importante seria reabilitar a que já existe e assim a unidade consumiria a produção dos restantes distritos da região que se pensa vir a ser abrangida pelo empreendimento que se prevê venha a instalar-se em Metoro, distrito de Ancuabe.
"Querem tirar-nos a única indústria que tínhamos no distrito, que fazia com que esta região fosse menos pobre, que dava vida a esta parte, também de Moçambique, querem enriquecer Chiúre e Ancuabe, quando já não são as mesmas dos outros tempos, partindo, sobretudo, do facto de que a cultura pelos camponeses ali residentes baixou drasticamente.
O outro factor a desfavor são as vias de acesso em relação aos pontos de produção e exportação do algodão.
Quissanga, apesar de se localizar muito perto do Porto de Pemba, cerca de 180 quilómetros, a estrada que liga estes dois pontos só permite que esta distância seja feita em mais de três horas e em condições precárias.
O mesmo se diz de Macomia e Ancuabe, sem falar dos cerca de 80 quilómetros que seriam , no mínimo, necessários galgar ao encontro de Meluco, sem entrar para as zonas de produção daquele distrito.

4/20/06

Cabo Delgado : Há mudanças na Saúde.


A DIRECTORA Provincial da Saúde em Cabo Delgado, Leila Monteiro, disse estar satisfeita com a maneira como os trabalhadores do seu sector aderem ao processo de mudanças em curso, no que respeita à luta contra comportamentos negativos de alguns, no sentido de humanizar o atendimento dos doentes e seus acompanhantes, bem como no combate a cobranças ilícitas.
"Nos últimos 12 meses vimos o nosso crescimento, mas a SIDA continua a alastrar-se e assume-se já não como um problema de saúde pública, mas uma séria ameaça ao desenvolvimento, pondo à prova a nossa capacidade de resposta", referiu. Monteiro falava na abertura do XXVI Conselho Coordenador, de quatro dias, através do qual a Direcção Provincial coordena, planifica e controla o desenvolvimento dos programas de Saúde e actividades a diversos níveis, com vista à aplicação da política da Saúde. Paralelamente, far-se-á uma prestação de contas das actividades realizadas no ano passado, assim como uma reflexão sobre alguns problemas considerados candentes, para além de definir prioridades de acção para 2006. "Entre os temas que merecem a nossa atenção, destacamos os novos rumos para a promoção da saúde na prevenção de doenças, prioridades na área de nutrição, novas direcções na luta contra a tuberculose e malária, estratégias de redução da mortalidade materna e do recém-nascido, retomada das actividades de saneamento do meio e controlo da higiene de água e alimentos", enumerou. As mudanças que ocorrem em todo o país, a nível do reatamento da ligação entre as unidades sanitárias e as comunidades por elas servidas e a criação dos chamados conselhos de base, no Hospital Provincial de Pemba, ao mesmo tempo que se estão a dar os primeiros passos visando a melhoria da higiene e limpeza nos estabelecimentos hospitalares, são, na opinião da directora da Saúde, os grandes ganhos do período que separa o anterior e este Conselho Coordenador. Entretanto, é ponto assente que a província se destacou na realização da campanha nacional de vacinação, tendo conseguido atingir 627559 crianças contra o sarampo e 404399 em relação à poliomielite, resultando numa taxa de cobertura de 94 e 116 por cento, respectivamente. "Foi um sucesso, mercê da dedicação, organização e abnegação dos trabalhadores da Saúde, aliado ao apoio maciço do Governo provincial e, em larga medida, ao auxílio generoso dos nossos parceiros de cooperação", qualificou Leila Monteiro. Para o resto, segundo aquele membro do Executivo de Lázaro Mathe, tudo deve girar à volta da luta que acredita venha a ser prolongada, contra a pobreza, que exigirá sempre muita coragem, paciência, perseverança e determinação.

4/19/06

Moçambique - Projecto de biodiversidade com novo alento no norte.


ESTÃO já em execução os programas de planeamento espacial e implementação de microprojectos de desenvolvimento nas comunidades abrangidas pelo projecto de biodiversidade marinha e costeira que abrange as províncias de Nampula e Cabo Delgado. A iniciativa contempla ainda o desenvolvimento de áreas de conservação dos recursos pesqueiros e faunísticos, por forma a deter os riscos de degradação do meio ambiente naquelas regiões do país.
Maputo, Quarta-Feira, 19 de Abril de 2006:: Notícias
Na província de Nampula, o projecto estava inicialmente virado para os distritos de Mossouril e Nacala-Porto, mas, por imposição do Banco Mundial, organismo financiador, a libertação dos fundos só podia ser feita após a constituição de associações comunitárias legalmente reconhecidas.
De acordo com o director substituto da Coordenação da Acção Ambiental em Nampula, Mussa Amade, nas comunidades rurais as pessoas dificilmente têm documentos de identificação pessoal, sem o que se torna difícil conseguir movimentar qualquer expediente junto das instituições, tanto para o registo de associações como para a obtenção de apoios financeiros.
E, porque muitas pessoas não possuem esta documentação, foi difícil legalizar as associações que, entretanto, foram sendo criadas no âmbito do projecto.
Para nosso interlocutor, depois que esta barreira foi ultrapassada após a visita efectuada pela missão do Banco Mundial às zonas abrangidas e constatada a realidade no terreno, o projecto que terminava em Outubro passado foi prorrogado por mais quinze meses, isto é até Dezembro do ano em curso.
Desde aquela data, foram identificadas três áreas de actuação, contrariamente às cinco inicialmente propostas, por forma a concentrar todas as atenções na produção de acções palpáveis, nomeadamente a criação de uma área de conservação, o planeamento e ordenamento do território, além do alívio da pobreza nas comunidades através de micro-projectos de desenvolvimento comunitário.
Face a este novo cenário, foi recomendado o alargamento do projecto para mais dois distritos da província, nomeadamente a Ilha de Moçambique e Nacala-a-Velha.
De acordo com Mussa Amade, além das quatro associações, cuja existência foi já formalizada, foram aprovados dez micro-projectos comunitários orçados em um bilião e oitocentos milhões de contos, valor que pode vir a aumentar com o esperado desembolso de mais dinheiro que vai ser depositado directamente nas contas bancárias das associações.
Com os fundos recebidos, algumas associações como a de Mossouril, construíram barcos de pesca enquanto outras recebiam "kits" de material pesqueiro, numa clara intenção de prover os seus membros de recursos para aliviarem a pressão.
O projecto de biodiversidade marinha e pesqueira foi concebido em 2001 para ser executado em quatro distritos das províncias de Cabo Delgado e Nampula, nomeadamente Palma, Mocímboa da Praia, Mossouril e Nacala-Porto, envolvendo um montante na ordem de nove milhões de dólares americanos.

4/11/06

Carta da bahia e do territorio de Pemba na costa oriental de Africa, [Lisboa], 1860.



Um documento histórico da Biblioteca Nacional a analisar aqui:
http://purl.pt/3338

4/09/06

Comando de Agrupamento 2972


Assim diz o JPT no seu "MaSchamba" e eu confirmo:
Ex-soldados.
É um fenómeno interessante o das recorrentes viagens de antigos militares portugueses a Moçambique, as saudades que ficaram apesar dos maus momentos da guerra.
O revisitar do horror, mas também do algo que ficou do país (e da juventude?).
A ele voltarei em breve, a propósito de livros e de ecos por cá.
Por agora nota de um blog dedicado a essa vertente: o Comando de Agrupamento 2972.