7/08/06

Pemba - Processos disciplinares para juízes acusados de extorsão por português.

O Conselho Superior de Magistratura Judicial de Moçambique (CSMJ) abriu processos disciplinares a dois juízes de Pemba, província de Cabo Delgado, no norte do país, acusados de extorsão pelo empresário português Amadeu Oliveira.
Segundo disse o vice-presidente do Tribunal Supremo de Moçambique, Luís Sacramento, nomeado em Outubro de 2005 pelo CSMJ para presidir a um inquérito aos dois juízes, a sua comissão já entregou ao CSMJ os resultados das averiguações e que este órgão abriu acções contra os dois juízes.
"O inquérito foi concluído e os resultados foram entregues ao órgão que mandou averiguar, o CSMJ, que na sequência instaurou processos disciplinares cujos resultados só o CSMJ os pode divulgar através dos seus canais próprios", sublinhou Sacramento.
Em Outubro de 2005, Amadeu Oliveira acusou o juiz presidente do Tribunal Provincial de Cabo Delgado, Carlos Niquice, e uma magistrada afecta à mesma instância judicial, Hirondina Pamule, de lhe terem cobrado cerca de oito mil dólares pela sua libertação após ser detido durante 12 dias, entre Agosto e Setembro de 2005, por alegada burla.
Na origem da detenção de Amadeu Oliveira estiveram queixas de vários empresários locais que se declararam burlados pelo português, na sua qualidade de sócio-gerente da Macaloe, uma das mais importantes serrações do norte de Moçambique.
Na qualidade de órgão de disciplina da magistratura judicial moçambicana, o CSMJ pode aplicar, entre outras sanções, a pena de demissão, reforma antecipada, suspensão e expulsão.
NOTÍCIAS LUSÓFONAS - 07.07.2006 - Via Moçambique para todos.

7/07/06

EPULA (Chuva)



EPULA
à chuva do caju

reboando a galope
vestida de trovões
e de sedas azuis
sobre o matope

não é

esta chuvinha fina
que se deixa cair como cristais
sobre todas as faces
e
não tem a força
dos grandes densos matos

em que se grita EPULA
e em que se ri
com o corpo molhado

Glória de Sant'Anna - Do Livro Algures no Tempo (edição da autora)

7/06/06

Três irmãs ficam paralíticas depois do parto



Ocorreu em Pemba, capital provincial de Cabo Delgado: três irmãs da família Burai ficaram paralíticas após o parto.
A notícia foi veiculada pela pública TVM (televisão de Moçambique).
Uma fonte médica em Pemba, capital da nortenha província de Cabo Delgado, diz não encontrar explicação para o facto, mas acredita que as irmãs sofram de uma doença hereditária, afastando, deste modo, informações que circulam na praça local segundo as quais se trata de feitiço que se abateu nas três irmãs.
Como o azar não vem só, as irmãs foram abandonadas pelos maridos que se furtaram das suas responsabilidades sociais e familiares, e, assim, elas optaram por retornar à casa dos seus progenitores, engrossando a família que, segundo informações, é constituída por vinte e uma pessoas, entre adultos e crianças, sustentando-se de uma módica quantia de um milhão de meticais, ou 100,00 Mtn novos, auferidos pelo chefe da família que labuta num complexo hoteleiro como mainato.
AIM e DN - 06/07/06

7/04/06

Newsletter do ForEver PEMBA.

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Carlos Lopes Bento: Um estudioso do Arquipélago das Quirimbas (Moçambique) e das Mouriscas (Portugal).


Quem é Carlos Lopes Bento ?
Carlos Lopes Bento, nasceu em 1933, na aldeia de Mouriscas/Abrantes/Ribatejo/Portugal.

FORMAÇÃO ACADÉMICA
-4ª classe na Escola Primária de Mouriscas.
-2º.ano e 5º ano liceais no Colégio Infante de Sagres, em Mouriscas.
-7º.ano liceal no Instituto de Santo António, em Castelo Branco.
-Doutorado em Ciências Sociais, Especialidade História dos Factos Sociais, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade Técnica de Lisboa.
-Licenciado em Ciências Antropológicas e Etnológicas pelo mesmo Instituto.
-Diplomado com o Curso Superior de Administração Ultramarina pelo antigo Instituto Superior de Estudos Ultramarinos.

ACTIVIDADE PROFISSIONAL E CIENTÍFICA
Viveu em Moçambique, por motivos profissionais, de 1961 até l974, onde desempenhou funções na Administração Civil, como Administrador de Concelho e Presidente de Câmara, e realizou pesquisa documental e trabalho de campo entre os povos makhwa de Murrupula e Mogincual, makonde de Mueda e mwani das Ilhas de Querimba e Pemba(Porto Amélia).
Antropólogo, Professor Universitário e Investigador em vários projectos de natureza sócio-politíca e de desenvolvimento em Portugal Continental e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, designadamente, " A Reconversão da Pesca Artesanal, entre os rios Tejo e Sado- AspectosHumanos", comparticipado pela JNICT. Nos últimos anos coordenou o Projecto de I&D «A cozinha Tradicional na área do Pinhal Interior e do Vale do Tejo, num Processo de Mudança – Estudo Exploratório(meados do século xx).
Membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, onde exerceu cargos de presidência, nas secções de Etnografia, Antropologia e História e, actualmente, faz parte dos seus Órgãos Directivos, e de vários centros de investigação ligados a África, onde tem apresentado dezenas de Comunicações.
Participação em muitas dezenas de eventos científicos- congressos, seminários, mesas redondas, ligados a temáticas da sua especialidade.

ÁREAS CIENTÍFICAS DE INTERESSE
Actualmente, interessa-se pela Antropologia Africana -ritos de passagem, alimentação e contactos de cultura-, e no domínio da Antropologia Portuguesa pela cultura alimentar tradicional e pelos problemas relacionados com a mudança em comunidades rurais e piscatórias e em organizações empresariais, particularmente, turísticas e hoteleiras.

PUBLICAÇÕES
Entre a múltipla colaboração dispersa por livros e publicações periódicas, realçam-se os seguintes artigos publicados ou em prelo:
"A Póvoa do Varzim e o seu Passado - A sua Comunidade de Pesca no Limiar do Séc. XX"(1978);
"Pescadores e Artes de Pesca - Aspectos da Actividade Piscatória nos rios de Lisboa e de Setúbal"(1978 e 1979); “Achegas para o Estudo da Economia Alimentar em Portugal"(1979); "Problemas Eco-Sociais e a Reconversão da Pesca Artesanal"( 1980);"Práticas costumeiras dos Wamwani do Ibo. A cerimónia da akika"( 1981); "O Trabalho de Campo na Antropologia e o Desenvolvimento" (1982); "Problemas dos Países em Transição - Algumas considerações sobre a posse e a exploração na terra da Madeira e suas implicações"(1982); "O Desenvolvimento das Pescas nas Costas do Algarve-Achegas para o Estudo do seu Passado"(1984); "A Historiografia e a Antropologia em África"(1984):T; "A Cozinha dos Wamwani das Ilhas de Querimba / Moçambique”(1984); "Moinhos e Azenhas em Mouriscas"(1985); "O casamento (arusi) entre Wamwani das Ilhas Querimba-A escolha da noiva e o pedido do casamento"( 1985); "As Potencialidades das Fontes Históricas na Pesquisa Antropológica"(1986); "O Desenvolvimento das Pescas nas Costas do Algarve-Achegas para o Estudo do seu Passado. Breves Considerações Finais"(1986); "A Pesca do rio Tejo. Os Avieiros: Que Padrões de Cultura? Que Factores de Mudança Sócio-Cultural? Que Futuro?"(1987); "O Desenvolvimento das Pescas nas Costas do Algarve- Achegas para o Estudo do seu Passado.- Ambiente, Tecnologia e Qualidade de Vida"(1988); "A Posição Geo-Política e Estratégica das Ilhas de Querimba. As Fortificações de Alguns dos seus Portos de Escala"(1989); "La Femme Mwani e la Famille. Étude Quantitatif des Quelques Comportements des Femmas de l’île d’Ibo»(1990); "As Companhas de Ceifeiros Ribatejanos no Alto Alentejo-Uma Forma de Organização Social Extinta"(1991); "O 1º Pré-censo de Moçambique-A Relação Geral de População de 1798 das Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado"(1991); "Uma Experiência de Desenvolvimento Comunitário na Ilha do Ibo/Moçambique entre 1969 e 1972"(1992); "Os Prazos da Coroa nas Ilhas de Querimba e a sua Importância na Consolidação do Domínio Colonial Português(1997)"; "Ambiente, Cultura e Navegação nas Ilhas de Querimba: Embarcações, Marinheiros e Artes de Navegar"(1998); "A Administração Colonial Portuguesa em Moçambique-Um Comando Militar em Mogincual, entre 1886 e 1921"(1999); "Situação Colonial nas Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado- Senhorios, Mercadores e Escravos"(Resumo da Tese de doutoramento)(2000); "Contactos de Cultura Pós- Gâmica na Costa Oriental de África. O Estudo de um Caso Concreto”(2000);"Quem Defende os Interesses dos Pequenos Agricultores do Alto Ribatejo?(2001); “A Ilha do Ibo: Gentes e Culturas-Ritos de Passagem”(2001);"Mouriscas: Terra Pobre, Gente Nobre.(2002); “A Antropologia da Alimentação em Portugal.- Um estudo concreto”(2003); “A Cozinha Tradicional na Área do Pinhal e o Desenvolvimento Regional -O Maranho como Prato Emblemático num Processo de Mudança”(2003); “A possessão em Moçambique-O Curandeiro N´kanga entre os Wamwuani do Ibo(1969-74)”(2003); “As Ilhas de Querimba em Imagens”(2004); “A Antoponímia de Mouriscas, entre 1860 e 1910”(2005).

Alguns de seus trabalhos poderão ser encontrados na net nestes endereços:

- Memórias das Ilhas de Querimba - http://br.geocities.com/bentocarlosbr/

- As Ilhas de Querimba ou de Cabo Delgado

http://br.geocities.com/quirimbaspemba/capaeindice.htm

- Quirimbas "O Paraíso" - http://br.geocities.com/quirimbaspemba/

- Conhecer melhor Mouriscas - http://memmouriscas.blogs.sapo.pt/

- Memórias e História de Mouriscas

http://artefactosmouriscas.blogs.sapo.pt/

Moçambique - Sete províncias favorecem eclosão da gripe das aves.


As províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Nampula, Zambézia, Cabo Delgado e Niassa são as que maior risco correm da eclosão da gripe das aves devido às suas condições naturais (existência de terras húmidas) que favorecem as visitas das aves migratórias que podem ser portadoras da estirpe que provoca a doença e por se apresentarem com maiores concentrações de aves domésticas. O Governo moçambicano assumiu já a responsabilidade de prevenção e combate, com a aprovação em Abril pelo Conselho de Ministros do plano nacional de contingência.

O Ministro da Saúde, Paulo Ivo Garrido, chamou, ontem, a Imprensa para falar dos passos que estão a ser dados pelo comité multissectorial envolvendo o seu ministério e da Agricultura, estando-se já num estágio muito avançado da criação de bases em todo o país para dar resposta a uma possível eclosão da gripe das aves.
Conforme disse o ministro, importa neste momento preparar a sociedade de modo a saber identificar os principais sinais da aparição da doença e a agressividade do seu impacto económico, através da difusão das informações precisas sobre as medidas de prevenção sem criar pânico entre a população.
"Existe uma grande preocupação do Governo no que diz respeito à velocidade da evolução da doença nos últimos meses do ano passado e princípios deste ano.
Há uma progressão da doença a um ritmo acelerado em África, partindo de norte a sul e, devido a isso, tomamos a decisão de estabelecimento de um plano nacional de contingência para que em caso de eclosão o país esteja preparado para identificar o mais rapidamente possível a doença e tomar as medidas de combate em tempo útil.
Para isso, é preciso que toda a sociedade esteja munida de informação mais detalhada e clara sobre esta doença, tendo sido indicados os ministérios da Saúde e da Agricultura para prepararam o plano que deve orientar todas as acções", disse Garrido, para quem todos os intervenientes têm um papel importante para a difusão de informações que devem ser mais esclarecedoras para evitar o alastramento da doença.
Acrescentou que vão arrancar brevemente acções de formação em todas as províncias focalizadas para os líderes de opinião que possam influenciar as comunidades para tomarem em consideração as mensagens difundidas sobre a gripe das aves, para que o público conheça os passos a seguir em caso de identificação de qualquer sinal.
"O primeiro sinal que deverá ser tomado em consideração é o aparecimento de muitas aves mortas em pouco tempo, o que se pode considerar anormal.
Nestas circunstâncias, a comunidade deve informar com a maior brevidade possível as autoridades da Agricultura ou da Saúde mais próximas, que deverão tomar as medidas já predefinidas na estratégia nacional de contingência.
Já temos material contendo a informação e para a sua divulgação contamos com todos os intervenientes, sobretudo a comunicação social", disse.
Fazem parte das medidas a serem tomadas o isolamento da área onde for identificada a doença e posteriormente o abate de todas as aves que se encontrarem num raio de 3,5 quilómetros e limitar a movimentação das aves num raio de dez quilómetros durante um período de um mês.

Maputo, Terça-Feira, 4 de Julho de 2006:: Notícias