5/03/07

Haxixe de Quissanga apreendido em 1997 está a ser incinerado agora...


Estão em incineração desde a tarde de ontem, nos fornos da Cerâmica de Maputo, as 12 toneladas de haxixe e 800kg de “cannabis sativa”, vulgo soruma, que desde 1998 permaneciam armazenadas nas instalações do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) na cidade de Maputo. A droga foi apreendida em 1997 no distrito de Quissanga, província de Cabo Delgado e, por razões de segurança, acabou sendo transportada para a capital do país.
João Carlos da Conceição, director da indústria escolhida para levar a cabo o trabalho, explicou à Imprensa que o processo durará sete dias e, para o efeito, dez homens foram destacados. Aliás, conforme explicou, esta incineração não vai fugir muito da que foi realizada em finais de Janeiro último, quando, usando processo idêntico e mesmos dias, foram incineradas 15 toneladas de droga apreendida nas águas de Bazaruto, província de Inhambane, e que havia sido apreendida em 2003.
Problemas financeiros, conforme justificou João Honwana, director do Laboratório de Criminalistíca no Comando-Geral da PRM, foi a razão que ditou o atraso de sete anos para a destruição da droga de Quissanga. O Governo disponibilizou 300 mil meticais para cobrir todas as despesas.
Durante a manhã de ontem as atenções estiveram viradas para a retirada dos embrulhos que constituíam o revestimento do produto, com destaque para a camada anti-água. Concluído este passo, seguiu-se o de jogar ao lume.
De acordo com a Polícia, durante o tempo em que a droga estiver a queimar a guarnição do local será feita por agentes da Força de Intervenção Rápida, isto com vista a evitar que algo de anormal aconteça.
Com relação a este processo, 23 indivíduos foram julgados e condenados a penas de prisão maior pelo seu envolvimento no tráfico das 12 toneladas de haxixe e 800 gramas de soruma.
Maputo, Quinta-Feira, 3 de Maio de 2007:: Notícias

4/28/07

Wazimbo - "Nwahulwana" - Assim canta Moçambique...

Para saborear neste final-de-semana:


(Para não dar sobreposição de sons, não se esqueça de "desligar" o Rádio Moçambique no lado direito do menu deste blogue.)

4/26/07

Faleceu o João Paulo do Conjunto Académico...


Li no "Beira Meu Amor" e transcrevo com pesar.
Que seu espírito nos cante lá do alto:
(link's com a voz + sons de João Paulo e Conjunto Académico postados na net pelo "Malhanga")

E assim escreve hoje 0 Manuel Palhares:
""Acabei de saber, agora, da morte do João Paulo!
Telefonei ao meu amigo Rui Brazão, um dos elementos do Conjunto Académico, o qual me disse estar o caixão a entrar, nesse momento, no cemitério onde o João Paulo vai ficar. Deixamos, portanto, a conversa para logo à noite. Queria saber pormenores, pois nem sequer sabia que o João Paulo estivesse doente.
Que pena que eu sinto pela sua partida. Era, na altura em que o conheci, um jovem cheio de talento, alegre, mas reservado, quase tímido. Recordo duas das suas passagens pela Beira, de estar com ele em Lisboa e, pela última vez, na Madeira. Fui sempre sabendo dele pelo Rui...
Obrigado João Paulo, por tantas horas de boa música que porporcionaste a muitos jovens portugueses da nossa geração, não esquecendo aqueles que cumpriam o serviço militar no ultramar português e a quem, tu e os teus colegas de conjunto, suavizaram as saudades de casa.
Adeus amigo!
Manuel Palhares
Odivelas, 25 de Abril de 2007.""

4/19/07

Em Pemba: Governo entrega pesquisa e exploração de petróleo "on shore" no norte.



Maputo, 18/04 - O Governo moçambicano assina hoje o contrato de concessão para a pesquisa e produção de petróleo na área "on shore" do Bloco do Rovuma (norte), que será entregue às empresas Artumas Moçambique Petróleo e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos. A cerimónia de assinatura dos contratos, em que participa a ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias, terá lugar em Pemba, província de Cabo Delgado (norte). As autoridades moçambicanas têm dado conta da existência de fortes indícios de presença de petróleo na bacia do Rovuma (rio que separa Moçambique da Tanzânia, no norte do país) e no delta do Zambeze (centro). "Do ponto de vista geológico, há potencial para ocorrência de petróleo", disse recentemente o presidente do Instituto Nacional de Petróleo (PCA), Arsénio Mabote, indicando que a existência no país de hidrocarbonetos associados ao petróleo, como o gás e o carvão mineral, criam a expectativa de que é também possível encontrar crude nas águas moçambicanas. A possibilidade de existência em Moçambique de reservas petrolíferas passíveis de exploração comercial tem, de resto, atraído ao país algumas das principais empresas do ramo. Companhias como a Norsk Hydro (Noruega), Anadarko Petroleum Corporation (Estados Unidos), ENI (Itália) e Petronas (Malásia) têm estado activas na prospecção de petróleo no país. A Galp Energia, através ENI (accionista de referência da empresa, com 33,34 por cento do capital), poderá também entrar na exploração de blocos ganhos pela empresa italiana em Moçambique. Na corrida está também a petrolífera Petrobras, que em Outubro do ano passado firmou com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH, estatal) um acordo para a exploração de petróleo e gás natural em Moçambique, com a intenção de iniciar a exploração nos primeiros meses deste ano.A empresa brasileira já actua num bloco de exploração em Moçambique, em parceria com a Petronas (Malásia), na produção de hidrocarbonetos na foz do rio Zambeze. A companhia petrolífera malaia deverá, entretanto, começar no primeiro semestre deste ano a sua fase II de pesquisas de petróleo no Delta do Zambeze, estando prevista a realização de um furo "off shore" com um custo de 20 a 25 milhões de dólares (14,6 a 18,3 milhões de euros). A Norsk Hydro, por seu turno, manifestou recentemente o desejo de prosseguir com as actividades de pesquisa e prospecção de petróleo na bacia do rio Rovuma, embora sem confirmar a existência de crude no país. Por divulgar está ainda o relatório de impacto ambiental do projecto de levantamento sísmico "off shore" na bacia do Rovuma, tendo o Governo prometido a divulgação do documento até Maio. A zona em prospecção é descrita pelos especialistas como muito sensível por se situar no Parque Nacional das Quirimbas, constituído pelo arquipélago com o mesmo nome, uma cadeia de 28 ilhas habitadas, onde residem algumas espécies marinhas protegidas e é uma das mais importantes zonas turísticas de Moçambique.
Angola Press - 18/04/07

4/16/07

Aniversário do bispo emérito de Porto Amélia-Pemba, D. José dos Santos Garcia.


D. José dos Santos Garcia comemora 94 anos hoje, 16 de Abril de 2007.
Nascido a 16 de Abril de 1913, D. José dos Santos Garcia, Bispo Emérito de Pemba, comemora hoje (16 de Abril de 2007) na sua terra natal, Aldeia do Souto o seu 94 aniversário. D. José é membro da Sociedade Missionária, trabalhou enquanto jovem Padre nos seminários de Portugal, foi um grande obreiro da Missão do Mutuáli, Diocese de Nampula, onde construiu a Igreja, internatos masculino e feminino e centro de saúde. Nomeado Bispo de Porto Amélia, hoje Pemba, em 1957, promoveu uma bem planeada pastoral em que eram prioridades a formação do clero, dos leigos e de religiosas moçambicanas. Para isso criou os Seminários, a Escola de Professores Catequistas e a primeira congregação religiosa de Moçambique, Filhas do Coração Imaculado de Maria. Promoveu a evangelização e dotou as missões de esmerada estrutura. Sofreu com a divisão da sua diocese nos tempos da luta pela independência quando não podia visitar todos os cristãos. Voltando a Portugal em 1974, colaborou com a Diocese da Guarda naquilo que lhe foi pedido e ele faz questão de destacar as aulas de missionologia aos seminaristas. D. António Santos, actual Bispo da Guarda, reconhece que "é difícil fazer registo completo dos valiosos serviços prestados a esta Diocese". Depois dos 85 anos dedicou-se a reformar a Igreja e as capelas da sua terra natal, Aldeia do Souto e a escrever livros: Alicerce e Construção duma Igreja Africana, Diário do Mutuáli, Evangelização de Cabo Delgado e Notas para a História da Paróquia de Aldeia do Souto. Este dois últimos foram oferecidos aos amigos no dia da festa dos 90 anos. Além de reflexões pessoais, os três primeiros são documentos para história da Igreja em Moçambique."
Memórias de Bispo-Pai Natal
D. António Santos (Bispo da Guarda) cita alguns episódios narrados na primeira pelo aniversariante, por ocasião das visitas pastorais, apresentando-os como exemplo da "simplicidade e simpatia" do grande "Bispo Missionário". "O primeiro deu-se em Orjais, pelo ano de 1975. Fui lá com D. Policarpo e cheguei dez minutos antes. Subi a escadaria da casa do pároco onde, a meio, estavam dois pequenos que iam ser crismados. Um disse: o senhor é que nos vai crismar? Ao que respondi: posso ser ou não! O outro observou: o senhor com essa batina, essa faixa vermelha, essa cruz e esse chapeuzinho está mesmo porreirinho..." O segundo caso que o aniversariante costuma relatar ocorreu em 1988. "Uma jovem foi crismada no Fundão e quando chegou a casa disse à mãe: mãe, sabes quem me crismou? Foi o Pai Natal! A senhora viu-me passar a pé, saiu de casa e veio contar-me a história".
Dados recolhidos do portal de Porto Améla-Pemba:

Nota - D. José dos Santos Garcia ainda é vivo, conta com 94 anos e está com uma memória previlegiada. e sempre bem disposto. Quem o quiser visitar poderá encontrá-lo na Aldeia do Souto (entre a Guarda e Belmonte) sua terra Natal. Grande contador de histórias fala com muita saudade das gentes de Pemba e de outras localidades por onde passou por terras de Moçambique.

4/14/07

Quando...desconfiar não é mau!


No segundo semestre de 1998, uma parte das 12 toneladas de haxixe, então apreendidas (ou encontradas?) em Quissanga em Agosto do ano anterior, seguia, num barco propositadamente preparado para Maputo onde hipoteticamente iria ser destruído. Pouco antes, um grupo de seis agentes da PRM tinha sido preparado para proteger a mercadoria ruim, como forma de evitar que seguisse outros caminhos.
A esse grupo de polícias se havia, inclusive, distribuído dinheiro para as respectivas ajudas de custo, tanto para a viagem como para a sua permanência em Maputo, donde deveriam regressar depois da missão cumprida.
A última hora receberam ordens para não seguirem viagem e mesmo assim, o dinheiro das ajudas de custo ficou com eles. Deixou-se que ficasse de contas que viajaram e foi um passo para eles que, afinal, iriam para uma missão espinhosa pela qualidade da mercadoria a proteger.
Nunca mais se soube quem levava a mercadoria, se chegou a Maputo, muito menos se chegou a ser destruída, como seria lícito. Não houve nenhuma informação, quer dizer, nenhuma comunicação (mesmo que anti-social) chegou a noticiar a incineração do haxixe de Quissanga.
O haxixe de Quissanga foi notícia quando foi encontrado nas matas de Quiongo, em Quissanga, quando se detiveram pessoas, quando começaram as investigações, outras detenções e quando se fez o julgamento em Abril de 1998. Deixou de ser notícia quando era necessário sair e chegar (se chegou...onde?).
Ora, isso dá para desconfiar. Também dá para desconfiar o que estamos a fazer com os apoios que damos aos infortunados em virtude das cheias e inundações do vale do Zambeze, do ciclone Fávio e, já muito recentemente, das vítimas das quatro causas identificadas pela Comissão de Inquérito encarregue de investigar os acontecimentos do paiol de Mahlazine.
Um movimento nacional de apoio aos nossos compatriotas nasceu e foi correspondido, fazendo-nos lembrar os tempos em que nos sentíamos orgulhosos por sermos moçambicanos, em que as diferenças eram mínimas, por isso cada um sentia a dor do outro. Ainda bem que estamos a voltar a isso!
Em Cabo Delgado, um comerciante doou de uma só vez mais de 12 toneladas de produtos alimentares, realizaram-se espectáculos musicais e desportivos para a colecta de bens e dinheiro, jornalistas contribuíram, confissões religiosas...
O mesmo, pelo que deixam ouvir os órgãos de comunicação social, aconteceu em todo o país, exactamente porque os moçambicanos estão cada vez mais (re)unidos, sobretudo em momentos de dor e sofrimento.
Acompanhamento da Imprensa
Ora, em cada acto de colecta e recepção dos diversos tipos de apoio, sempre foi chamada a Imprensa. Em todos actos, ainda que fosse para dar um cheque de 2.500,00MT, sempre se chamou a Imprensa para testemunhar e publicitar o acto. Talvez por isso o gesto humanitário se alastrou muito rapidamente para todos os cantos deste país.
Todavia, a Imprensa não aparece, não testemunha, é quando os produtos colectados seguem o destino. Não estamos a ouvir notícias de que em determinada região o que foi colectado está a seguir viagem. Não estamos a ver ou ouvir reportagens sobre o descarregamento desses produtos no local onde os necessitados se encontram.
Do jeito “este camião vem da província de Niassa, traz a contribuição daquela província para apoio aos infortunados acomodados neste centro de Chupanga”, por exemplo, ou “passou por aqui um camião, proveniente de Cabo Delgado, carregado de produtos que aquela província nortenha colectou em apoio às vítimas...”.
Não estamos a saber quem são as pessoas que a partir de uma determinada região acompanham o lote de apoio até ao destino. Entregou a quem, como se sentiram os destinatários, onde está acondicionado e como é que de facto estão lá os nossos concidadãos.
Gostaria que um dia ouvisse, lesse, ou visse televisionado algo como isto: o chefe da equipa que transportou os bens doados pela província “Y” já regressou. Ele conta como foi a viagem e outros aspectos da missão humanitária que lhe levou a aceitar tamanha responsabilidade.
“Sim, obrigado pela oportunidade que me dá. A nossa viagem, como sabe, levávamos três camiões de 40 toneladas cada. Partimos daqui pelas quatro horas do dia “x”, pernoitámos na região “z” e logo pela madrugada partimos, mas antes de fazermos 80 quilómetros o camião que ia à frente teve uma ligeira avaria. Depois de resolvido o problema, o mesmo fica enterrado”, etc, etc...”
É dizer: a Imprensa não acompanhou o processo até ao fim e, em consequência, não sabe se o que noticiou no primeiro dia teve seguimento ou não. Como tal, aqueles que contribuíram ainda não sabem se o seu apoio chegou ao destinatário ou não. E isso não dá lugar para desconfianças? Se desconfiar não é mau!
PEDRO NACUO - Maputo, Sábado, 14 de Abril de 2007:: Notícias