6/12/07

Moçambique está a liberalizar o espaço aéreo...

Maputo, Moçambique, 11 Jun 07 - O governo de Moçambique está a liberalizar o seu espaço aéreo gradualmente embora não à velocidade desejada, afirmou na passada quarta-feira em Maputo o ministro moçambicano dos Transportes e Comunicações, António Munguambe. O ministro, que falava numa conferência organizada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique sobre a importância da liberalização do espaço aéreo, recordou que a companhia aérea Air Corridor obteve uma licença em 2004 depois do monopólio das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) sobre a rota doméstica Maputo-Beira-Quelimane-Nampula-Pemba ter sido revogado. Contudo, a LAM é a única transportadora moçambicana autorizada a voar a lucrativa rota Maputo-Joanesburgo, nos termos de um acordo entre as autoridades da África do Sul e de Moçambique. Munguambe disse que a liberalização do espaço aéreo está a processar-se em fases a fim de evitar o colapso das companhias aéreas nacionais, que causaria desemprego entre outras consequências. Mas admitiu ser altura de abrir os céus ao mercado da aviação civil e sugeriu que as companhias aéreas de Moçambique deveriam procurar estabelecer parcerias estratégicas com outras companhias regionais a fim de oferecerem melhores serviços. O ministro disse ainda que há condições em Moçambique para o aparecimento de uma terceira companhia aérea uma vez que as duas existentes não dão resposta à procura.
(macauhub)

6/11/07

PEMBA - FALECEU O ENFERMEIRO NAPICA...

Faleceu o enfermeiro Napica (Simão do Rosário Napica) como era conhecido.
Quem, entre antigos e atuais residentes de Porto Amélia/Pemba não se lembra dele?
Todos sabemos da sua dedicação como enfermeiro que cuidou de muitos de nós.
Jamais esquecerei quantas vezes, no hospital ou em casa, corria com seu ar alegre para nos dar umas injeções que levavam embora a febre incómoda ou fazer curativos de ferimentos causados por nossas peraltices de moleques ou de mordida de cachorros que atormentavamos pelos quintais de nossas casas...
Era também anestesista. Esteve na MCT (Missão de Combate às Tripamosomíases – missão da mosca-do-sono) antes de fazer concurso para anestesista tendo sido um dos melhores.
E participou de várias cirurgias que minha Estimada Mãe fez no hospital da então Porto Amélia...
Vejo-o ainda, passando amiude, zeloso e preocupado, no quarto de minha Mãe para verificar como ela estava...
E deslocando-se a nossa casa, desinteressadamente, como enfermeiro, visita e verdadeiro Amigo, para cuidar de muitos e nós.
Depois da independência de Moçambique foi Presidente do Conselho Executivo de Pemba.
Uma das suas últimas acções em prol do desenvolvimento da cidade e de toda a província foi a luta pela instalação da Universidade em Pemba.
Negociou por todos os cantos, pediu apoio a todos os pembenses que podiam ter alguma influência na decisão e finalmente conseguiu.
Hoje existe a Faculdade de Turismo um curso de informática, da Universidade Católica em Pemba. É interessante saber que ele fez na prática “recolha de assinaturas”, quando foi para angariar apoio para a instalação do ensino superior em Pemba.
Idealiza-se fazer-se um abaixo assinado para que exista em Pemba uma rua com o nome do Napica.
Ele merece ! E estamos à disposição para colaborar.
Paz a sua Alma.
(Informação cedida na parte do falecimento e de sua atividade como chefe da edilidade de Pemba por J. Z. C. em 11/06/07)
Jaime Luis Gabão

6/10/07

QUIRIMBAS - The most of Mozambique...

Cabo Delgado, Pemba, Quirimbas e Moçambique na mídia turística internacional:
(Para o caso de encontrar dificuldades em ler o texto em inglês, traduza para a língua portuguesa este blogue clicando no tradutor que se encontra do lado direito do "menu" ou "colando" o texto neste endereço http://babelfish.altavista.com/)
"Independent.ie" - African dawn: Make the most of Mozambique:
Wednesday June 06 2007
A visit to Mozambique is a chance to kayak among mangroves, dive the reefs and chill out in luxury. Kate Humble does it all – at the same time as being a responsible tourist
Sulkily, the woman repeated herself: "We don't advise our members to go to Mozambique." I could feel my grip tightening on the counter. "I know," I said, "but if we do go, can you tell us whether we can buy fuel anywhere, or whether we should take it with us?"
"We don't advise..."
It was December 1994. South Africa had just had its first democratic elections, Namibia had recently gained its independence, and Mozambique was emerging cautiously from a long and bloody civil war. My husband Ludo and I had decided to celebrate the changing face of Southern Africa by driving a loop from Cape Town, through Namibia, Zimbabwe, Mozambique and Swaziland. It was a straightforward enough journey, complicated only by the fact that our vehicle was an ancient Ford Cortina with a gearstick that would suddenly detach itself from the rest of the car, usually when changing between third and fourth.
However, when we reached Mutare, the last big town in Zimbabwe before crossing the border into Mozambique, it wasn't just the woman in the AA office who tried to dissuade us from going.
We heard horror stories about the roads, ambushes, corrupt policemen, no fuel and no food. "And whatever you do," warned everyone we spoke to, "don't go to the north. There are mines everywhere and you'll need something a lot better than that wreck if you're going to make it."
We didn't go to the north, but we did drive across the border to Beira and then turned south to Maputo and out into Swaziland. The roads weren't great, fuel and food were hard to find, but we weren't ambushed or ripped off. The car broke down three times, and on each occasion we were rescued by obliging locals who, with ingenuity and a few rusty spanners, managed to get it going again.
Mozambique was a country clearly on its knees. Buildings and infrastructure were crumbling, and much of the depleted population was maimed, hungry and desperately poor. But none of that took away from the fact that Mozambique, particularly its coastline and the numerous islands that dotted the channel, was beautiful. And unspoilt. And ripe for exploitation: already there were places springing up along the coast, built mainly by South Africans hoping to make a quick buck. Soon that southern half of the coastline was awash with resorts, hotels and hostels – and attention turned to the north. Mines were cleared, roads improved and the important port of Pemba became the new boom-town.
The Quirimbas archipelago, with islands that tick every tropical paradise cliché – coconut palms, icing-sugar sand, turquoise sea – has now become the place to go for barefoot luxury and sky-high prices. But has this influx of foreign investment and tourist dollars done much to improve the lot of ordinary Mozambicans? The answer, sadly, is probably no.
Building anything in Mozambique takes more time and money than many anticipate, and more projects have failed than succeeded. To include any sort of social responsibility, or provision to give something tangible back to the local population, is something that few investors include in their business plans, overwhelmed as they are by the enormity of getting everything else done. But there are exceptions to this rule, including a 6ft 4in South African man called Kevin Record.
Record spent 18 months exploring the northern Mozambique coast in 1995 and 1996. He based himself on Ibo Island, once the capital of northern Mozambique, and, like Lamu in Kenya, and Zanzibar, an important trading post between Arabia and India. At its peak, as many as 13,000 people lived on Ibo. The town boasted large private houses, hotels, and elaborate administration buildings festooned with pillars, shutters and curly ironwork, and with formal gardens in their midst. A decline began in the early 1900s, and by the middle of the century the town was all but abandoned. Today's inhabitants mostly live in mud-and-thatch houses on the outskirts; the once-grand houses have been left to rot.
A decade ago, Record and his English-born wife, Fiona, took a huge punt and decided to buy four dilapidated properties on the seafront and restore them. One was beyond repair and had to be demolished, two had been finished when we arrived, and the third was nearing completion.
The completed houses sit side by side overlooking the sea, resplendent in fresh whitewash, with bougainvillea beginning to creep up their walls. Inside, there are no zebra-skin rugs or oversized wooden giraffes to be seen. Instead, there are V C fabrics and artefacts from India, reclaiming the connection between Ibo and its former trading partner. But most of the heavy wooden furniture at Ibo Island Lodge has been made by local carpenters. Indeed, local skills and labour were intrinsic to the restoration programme; the Records didn't just want to breathe life back into the buildings, they wanted to give work, opportunities, life back to the people of Ibo. Many who worked on the construction continue to work at the lodge, though the management is mostly from over the border in Zimbabwe.
We sat on the veranda outside our room, lazing away the hottest hours until it became cool enough to go out. Ibo Island is an unusual African destination. It has no beaches and no game. What it does have are mangroves, birds and history.
We explored the mangroves by kayak, paddling out at low tide to find the skeleton of an elephant that had perished many years before, its bones trapped by tangled roots and thick, black mud. We watched egrets, herons and bitterns skulking in the shadows, stalking the small fish that crowded among the roots. Out in the open channel, paddling into the wind, we envied the fishermen in their tiny dugouts as they zipped through the choppy water with the help of sails improvised from plastic sheeting.
The highlight of the island is the town itself. I can't think of another place in Africa remotely like it. It has that air of romantic dilapidation that Zanzibar Town possessed until it was lost among crowds of bikini-clad Italians and fumes from 1,000 mopeds. Here we had the streets almost to ourselves, and could wander among the faded grandeur, finding beautifully carved doors, delicately chiselled lintels, the remains of tiles and rich paintwork, and even ivory inlay in wooden panels.
We climbed the stairs of one of the town's three old forts and stood on the parapet, looking down at the sea. Walking on, through an open area of grassland, where people grazed their cattle, and woodland kingfishers darted between the mango trees, we found a house covered in cowrie shells. Apparently, the woman who had lived there was so devoted to her often-absent husband that she would cement a shell on to the house to mark every day he was away. Beyond the cowrie house stands another fort, the biggest of the three, its rooms empty and echoing. Squatting on stools inside the doorway, men were bent low over benches, clutching tweezers and soldering irons. Ibo's silversmiths were once famous, their designs influenced by trading links with the East. Now, with the island's economy based on fishing and farming, mostly at subsistence level, it's hard to see how the tradition can survive.
Tourism could be the answer. Record has invited silversmiths to use a workshop at the lodge. We went with him to watch the painstaking process of turning tarnished wire into necklaces and bracelets of lace-like complexity and delicacy. The silversmiths melt down old silver coins and turn them into wire, but the supply is dwindling. "Perhaps," mused Record, " guests could bring an old silver teaspoon with them and get a piece of jewellery made." It would certainly be a unique reminder of a unique place – and might ensure the futures of Ibo's silversmiths.
From Ibo Island, it is an hour by boat to another lodge, also within the Quirimbas National Park, but this one is on the northern coast of mainland Mozambique. Built on the edge of a 2km crescent of untouched beach, it is a wonderful location – but it was the nearby village of Guludo that made it perfect for Amy Carter and Neal Allcock. This British couple wanted to take the idea of tourism supporting a local community further still.
"Responsible tourism" has become something of a buzz-phrase recently, taking over from the once ubiquitous "eco-tourism". Having stayed in a number of places purporting to be eco-lodges, and finding that they can be anything but, I wanted to find out whether a place built apparently with the intention of reducing poverty really did deliver – not just to local people but to those who, like me, are hoping for a peaceful, relaxing holiday.
The inhabitants of Guludo, like almost all rural communities in Mozambique, live hand-to-mouth, eating only what they catch or grow; few children get a chance to go to school; poverty, it seems, is inescapable. Carter and Allcock hoped that the lodge they were planning would change the long-term future of the village for the better. Stuck hundreds of miles to the south of Guludo in the Mozambican port city of Pemba, wrangling over legalities, licences, bewildering paperwork and spiralling costs, there must have been many times when their courage began to fail them, but the result is a beautiful place to stay – and a resource that has revitalised the area.
The bar, dining area and kitchen of the lodge are built from local materials, in the style of the village houses. They sit on a sandbank which rises up from the beach, cooled by sea breezes and shaded by palms. The rooms are spaced out beyond, overlooking the beach. Huge mosquito-net tents sit under triangular thatched roofs, giving a feeling of openness and privacy at the same time. Local wood, fabrics and crafts have been used as much as possible to furnish the rooms; and there are real touches of ingenuity, like shower-heads made from coconut shells.
A path leads down the bank to the beach, which curves away as far as the eye can see in both directions. Between July and October, humpback whales pass through the bay during their annual migration. Beneath the surface, reefs and drop-offs make for great diving and the opportunity to swim, as we did, in the company of octopus, lionfish and whitetip reef sharks.
What makes this place so different from other barefoot luxury beach-resorts on the African coast is the opportunity to get an insight into the lives of local people. Visiting the village with Carter, it soon became clear that she knew everyone and that everyone knew – and loved – her.
Fifty-five villagers work at the lodge. Their uniforms, which they designed themselves, were made by the local tailor; he is nicknamed Deze Nove, meaning 19, because he has 10 toes but only nine fingers. All the fish eaten at the lodge is bought from village fishermen, and guests can go fishing with them to learn their techniques. Village women come to the lodge for those who want their hair braided, or a local facial using the pounded root that the woman smear on their faces to protect their skin from the sun and keep it soft.
Carter has set up a charity that is part-funded by the profits from her lodge. We saw the new well, drilled and managed by a village committee, and funded by the charity. We visited the site, under three huge mango trees, where a new primary school and community centre will be built to replace the roofless building that currently serves the village's students.
School was clearly far from the thoughts of the group of young boys that we later saw dancing and singing in front of their proud parents. We were invited to join this celebration to mark the return of the newly circumcised boys from their month-long exile in the bush, and their transition into manhood. I asked one of the men if, like some other African tribes, the boys had to remain silent during circumcision and not cry or even whimper. " No," he smiled. "It really hurts. You scream and scream."
At the mosque, we were put to work helping a group of women and children armed with machetes and rakes to clear waist-high grass and weeds from the compound. "Where are the men?" we asked. "They should be doing all this heavy work." The women laughed. "We do it better."
The lodge has begun to change people's lives for the better. But did that make for a good holiday for worn-out Westerners? For Ludo and myself, the lodge was the perfect mix of comfort and simplicity. Five days of diving and reading, eating and lazing, in a place that felt so far from the bustle of the modern world, made us both feel we'd been away for a month. But the thing that set it apart was spending time in the village and seeing how our holiday was helping change the lives of the people who lived there.
Two British couples, who arrived a couple of days after us, had the foresight to ask Carter if there was anything useful they could bring with them. She'd suggested reading glasses, and so they'd had a whip-round among their myopic friends. Over dinner, they described their village visit and the joy of an old woman who put on a pair of cast-off spectacles and discovered, for the first time in years, that she could see clearly. It moved them to tears, and made this a holiday they'd never forget.
These days, you need not fret about taking fuel to northern Mozambique. A silver teaspoon and a pair of reading glasses will make all the difference.
Kate Humble presents 'Springwatch' on BBC2
Traveller's guide
Getting there
There are no direct flights between the UK and Mozambique. The main routes to the capital, Maputo, are with TAP Portugal (0845 601 0932;
www.flytap.com) via Lisbon or South African Airways (0870 747 1111; www.flysaa.com) via Johannesburg.
The Quirimbas Archipelago can also be accessed via Dar es Salaam in Tanzania, which is served by British Airways (0870 850 9850;
www.ba.com). From Dar es Salaam and Maputo, Linhas Aereas de Mocambique (00 351 217 803 910 ; www.lam.co.mz) flies to Pemba. Both Guludo Beach Lodge and Ibo Island Lodge can arrange air transfers from Pemba.
The writer travelled with Mozambique Odyssey (020-7471 8780;
www.mozambiqueodyssey.com), which can organise a similar 10-night trip from €4,251. The price includes return BA flights to Dar es Salaam, seven nights' full board at Guludo, two nights' full board at Ibo, one night's B&B at the Royal Palm in Dar es Salaam, and transfers.
To reduce the impact on the environment, you can buy an "offset" from Equiclimate (0845 456 0170;
www.ebico.co.uk); or Pure (020-7382 7815; www.puretrust.org.uk).
Staying there
Guludo Beach Lodge, Quirimbas National Park (01323 766655;
www.bespokeexperience.com). Doubles from US$410 (€495), full board. Five per cent of this goes to SERF, a charity working to reduce poverty in Mozambican villages.
Ibo Island Lodge, Quirimbas Archipelago (00 27 21 702 0285 ;
www.iboisland.com). Doubles from US$590 (€328), full board, and including daily beach transfers and one guided historical island tour.
More information
British passport-holders require a visa to enter Mozambique. These can be obtained from the High Commission of the Republic of Mozambique, 21 Fitzroy Square, London W1T 6EL (020-7383 3800;
www.mozambiquehc.org.uk). The cost of a single-entry, 90-day stay tourist visa is €58.
The Mozambique Tourism Board: 00 258 21 307 320 ;
www.futur.org.mz

6/09/07

PEMBA - Moçambique - Imagens para o final de semana...

6/06/07

Ferroviário de Pemba sonha com Moçambola.

Antoninho Muchanga, um dos elementos do quadro técnico do clube de Desportos da Maxaquene, está a treinar, desde a presente temporada, o Ferroviário de Pemba, da província de Cabo Delgado, que participa no Campeonato Nacional de Futebol da Divisão de Honra da Zona Norte.
A sua equipa ocupa neste momento a segunda posição, com seis pontos, e surge como uma das fortes candidatas a subida de divisão. Antoninho aceitou assumir o comando técnico do Ferroviário de Pemba como um desafio à sua nova carreira e acredita que com o apoio de todos os elementos do departamento e massa associativa poderá alcançar os seus objectivos de assegurar o regresso dos “locomotivas” de Pemba à ribalta do futebol nacional.
“É um novo desafio na minha vida. Apesar das dificuldades existentes relacionadas com meios de trabalho, estou satisfeito pela oportunidade e confiança que me foram depositadas. Estou a tentar construir uma equipa com capacidade para discutir o apuramento. Sei que a tarefa não se afigura fácil, mas tenho fé no que faço”, disse o nosso interlocutor.
A procissão vai ainda no adro. O tempo é de reflexão sobre a estratégia a adoptar para as diversas adversidades decorrentes da competição. As arbitragens são para já um verdadeiro obstáculo para o Ferroviário de Pemba.
“Temos que ser mais equipa para superar as múltiplas adversidades. Não há movimentações de árbitros e estes têm sempre a tendência de dar uma mãozinha às equipas caseiras. É uma situação complicada que urge uma intervenção de quem de direito. Mas vamos continuar a trabalhar com rigor para a materialização dos nossos objectivos”, disse Antoninho.
O novo timoneiro do Ferroviário de Pemba não deixa de elogiar os seus jogadores. Diz que há uma boa matéria-prima humana por explorar na província de Cabo Delgado, tendo citado o nome de Dula, um avançado com excelentes qualidades técnicas e uma boa compleição física.
“É um jogador com um bom porte físico: 1,90 metro de altura. Sabe jogar muito bem na área. Fui a Montepuez buscar um bom médio de nome Sídio. É um pulmão na zona intermediária do Ferroviário, tal como Tchitcho que já representou os “locomotivas” de Nampula. Portanto, temos aqui muitos bons valores que precisam de um trabalho profundo para se afirmarem”, explicou Antoninho.
Num outro desenvolvimento, Antoninho disse que a Associação Desportiva de Pemba tem quatro jovens talentos que não aceita ceder ao Ferroviário de Pemba. “Pretendíamos reforçar ainda mais a nossa equipa. São jogadores com uma boa margem de progressão mas os dirigentes da Associação Desportiva de Pemba não aceitam negocia-los. Preciso de mais avançados para garantir o equilíbrio na equipa. Estamos perante valores que necessitam de um melhor enquadramento”, confessou.
Afirmou que o Ferroviário tem condições mínimas de trabalho, tendo apontado a falta de campo para treinos como um dos maiores obstáculos para a realização cabal dos seus planos.
“É complicado trabalhar nestas condições. Quando cá cheguei tive que reestruturar o departamento de futebol para o torna-lo mais funcional. Há outros aspectos que devem ser melhorados para que o Ferroviário possa ser um clube cada vez mais respeitável na província. O ambiente de trabalho é animador”, disse o nosso entrevistado.
Maputo, Quarta-Feira, 6 de Junho de 2007:: Notícias

6/05/07

PEMBA - SUA GENTE, MITOS E A HISTÓRIA - Parte 2

(Continuação daqui)
II.
A BAIA DE PEMBA
A baía de Pemba, a 13o 00’ Sul e 40o 30’ Este da costa de África, é vulgarmente considerada a terceira maior do mundo, sendo a primeira a de Guanabara no Brasil seguida da de Sidney na Austrália.
As suas águas ondeando tons, ora azuis ora verdes, apresentam-se mansas em dias de bom sol e agradável tempo mas também escarpadas, rugindo de encontro aos rochedos ou regalando pela areia quando os ventos sopram furiosos do Sul.
Este ventos mais conhecidos na região por “kussi” originam, não raras vezes centros depressionários bastante fortes do tipo tropical que arrasam quase por completo a cidade.
O mais antigo temporal que a documentação disponível nos pôde recordar data de 18 de Dezembro de 1904 que causou vários danos assim como levou ao afundamento um pequeno vapor e um iate. É feita referência nessa altura à falta de faróis ao largo da baía, sendo o único o da ponta Said Ali que, para além de ter somente 6 milhas de alcance e não 9 como indicavam as cartas de então, não era aconselhável aos navios que passassem no alto mar.
Outro grande temporal devasta Pemba em 1914, destruindo pratica­mente todas as habitações e provocando grandes embaraços aos serviços da Companhia. (1)
Estes ciclones assolam de tempos a tempos a região de Pemba, tendo o mais recente ocorrido em 1987.
Em sua extensão a baía de Pemba atinge os valores de 9 milhas de Norte a Sul e 6 de Leste a Oeste, perfazendo um perímetro de 28 a 30 milhas.
Mas não só por isso ela goza de tal fama como também pela pro­fundidade do canal de acesso e do porto, com sondas que variam entre 60-70 metros na entrada e 10-40 na parte média, para atingir os 25 metros no fundeadouro junto ao cais diminuindo em direcção á costa.
A sua entrada é, pois, franca a qualquer tempo e hora, podendo nela penetrar à vontade navios até cerca de 6 metros de calado. No entanto, devido a alguns perigos isolados formados por rochas e bancos de coral, é necessária a pilotagem para os navios de alto mar.
A boca de entrada a partir da qual é feita a pilotagem é delimitada a Norte pela ponta Said Ali e a Sul pela ponta Romero, havendo actualmente farolins em ambos os lados.
Desaguam na baía alguns pequenos rios sendo o maior o Meridi cuja foz desemboca nas proximidades do baixo Mueve.
A baía de Pemba constitui, sem dúvida, um porto natural bastante seguro e, apesar de tudo, abrigado dos temporais regionais, tendo sido qualificado por Elton - Cônsul britânico em Moçambique a finais de 1890 - como "O melhor desde Lourenço Marques a Zanzibar”.
Alguns autores supõem que a baía de Pemba possa ter tido uma origem vulcânica, baseando-se no facto de ali se encontrar com abundância a "pedra pomes" própria de rocha vulcanizada. Mas a sua constituição calcária e não basáltica vem a contradizer tal suposição.
Das origens do nome pouco mais se sabe do que as escassas informações recolhidas da tradição oral, algumas das quais baseadas em lendas, e deve tomar-se em consideração que a designação de Pemba para nome da região não foi a única ao longo dos tempos.
Em anos muito recuados da nossa história a baía de Pemba era frequentada apenas por alguns pescadores malgaches e swahilis que em suas pequenas lanchas e pangaios arrecadavam o alimento sem nunca ali se fixarem.
Conta então uma antiga lenda que por essa altura uma de tais embarcações apanhadas por um temporal naufragou tendo como sobrevivente uma mulher que se viu obrigada a procurar algum refúgio nas proximidades da baía.
A mulher importante (“nuno” em língua local ) conseguiu sobreviver e montar ali a sua guarita. Naturalmente conotada a "Nuno" pelos pescadores como "mensageira divina" demonstrando que a zona poderia ser perfeitamente habitada, ela fê-los seguir o seu exemplo.
Nasce a zona de Nuno pelo qual foi conhecido por longos anos o actual bairro do Paquitequete. Mais tarde viria a anexar-se a esta designação a expressão “pampira” (no sitio da borracha) em virtude da grande quantidade da árvore da borracha que no local nascia espontaneamente.
A região servida pela baía de Pemba foi também já conhecida por Mambe expressão que pode simultaneamente significar quantidade e longitude.
Embora certos autores relacionem “mambe” à baía de Pemba, a região a que a administração colonial designa por esse nome se situa mais a norte, no distrito de Macomia.
Uma outra tradição oral refere que um europeu, em data também não precisa, proveniente de Zanzibar faz desembarcar na baía os indí­genas que o acompanhavam e, estes, vendo-se assaltados por grandes enxames de moscas gritavam dizendo “pembe” que em swahhili si­gnifica mosca.
Teria sido mambe, pembe ou outra a origem da expressão "Pemba" no território moçambicano (2), certo é que ela figura nas primeiras cartas inglesas como "Pembe Bay”.

III.
A "FORMOSA" E OUTRAS PRAIAS
Na enseada do Imbo ao longo da reentrância de 2,5 milhas para Oeste da ponta Maunhane estendem-se as praias mais límpidas de areia bastante fina e solta umas vezes branca outras vezes negra, alter­nando zonas com rochedos e outras completamente descobertas.
De fronte de quase todas elas existem áreas de corais de diversa variedade visíveis mesmo a olho nu.
A principal praia é a de Wimbi ou a "Formosa", nome por que era conhecida pêlos portugueses, povoada de coqueiros da índia e é a mais procurada pelo turismo na zona dada a sua serenidade, contras­tando ali o suave sibilar das ondas com o movimento de restaurantes bastante frequentados.
A praia do Wimbi está localizada a cerca de 6 quilómetros do centro da cidade em direcção à ponta Maunhane e é mais usada para o recreio desde 1950, altura em que os portugueses iniciaram a sua urbanização.

IV.
A GENTE E A SOCIEDADE
A população de Pemba é bastante heterogénea, tendo para lá emi­grado do interior os macuas, os ngonis ou mafites e os macondes. Do litoral, os nguja do Tanganica, os sacalaves do Madagáscar e os mujojos das Comores. A civilização europeia, particularmente a trazida pelos portugueses é também notória, já que ali a colonização assimilou grande parte da população, mesmo a não mista.
Nas regiões circunvizinhas à cidade de Pemba existiam já antes da ocupação pelos portugueses algumas povoações chefiadas por ré­gulos, sendo o principal o sultão Mugabo, seguido de outros como o Said Ali, Mutica, Macesse e o Mugona.
O Governador de Cabo Delgado que, em em 1857 foi incumbido de ocupar a região e aí formar uma colónia, faz especial referência ao "velho" Mutica que, à excepção dos outros, falava ainda a língua portuguesa e muito contribuirá para o sucesso das negociações.
Fortemente swahilizados estes régulos que se expressavam e escre­viam geralmente em árabe, edificaram sociedades semi-feudais cuja autonomia se manteve ao longo dos tempos, até mesmo hoje, con­tinuando a exercer grande influência e poder no seio da população, cujo principal credo é o maometanismo mesclado de antigas tradições fetichistas como em quase todas as regiões da província.
A estas autoridades de relações amigáveis e até mesmo honestas com outros povos em certas alturas, também não lhes faltaram momentos de agitação e saque.
Já em 1843 o cheique Macesse, que chefiava a região actualmente conhecida por Pemba-Metuge, revolta-se contra a submissão aos portugueses, expulsando a companhia militar portuguesa estacionada num navio à entrada da baía de Pemba. Como corolário do desenrolar destes acontecimentos o cheique Macesse devolve a bandeira por­tuguesa às autoridades coloniais nas mãos do ajudante de Arimba, José F. Carrilho e recusando-se a pagar qualquer espécie de tributo.
Salientam-se também as investidas feitas pelos régulos Mugabo, Said Ali e outros contra caravanas europeias no circuito de Quissanga, obrigando-as a uma rota que levaria a mercadoria antes para Porto Amélia.
Se por um lado isto viria a abrir um caminho para o desenvolvimento de Porto Amélia a finais do século XIX, não menos verdade é que o facto veio a onerar bastante o processo de embarque e desembarque da carga já que Quissanga comunicando mais directamente com o "medo" era o principal porto exportador de então para o comércio e tráfico “ajaua-meto”.
A maior parte dos régulos antes da segunda década do nosso século se submetiam, na cintura de Pemba, ao régulo Mugabo, cujas terras confinavam com as da "coroa do medo", estas chefiadas pelo pode­roso maravi Mualia, ora submetido ora sublevado aos portugueses.
O quadro etnológico da população de Pemba remonta-se principal­mente à fusão do grupo macua com castas muani, penetrados res­pectivamente a partir de Murrébue e Quissanga.
Embora de diferentes origens as populações de Pemba se subordi­navam ao régulo Muária também de origem maravi.
O regulado Muária nasce cerca de inícios dos anos de 1880 quando famílias como Heri e Bachir pertencentes ao mesmo clã atingindo a região do medo avançam em direcção ao litoral pela rota Chiúre/ Mecufi/Murrébue.
De acordo com a "rainha" Muamba Omar Ussofo mais conhecida por Nhanicuto e descendente dos Muária, a dinastia se inicia com um tal Heri l na região de Changa (Murrébue) nas terras do régulo Nampuipui.
À morte de Heri l sucede ao trono Heri II que, para não defrontar o régulo Nampuipui que lhe fizera guerra acusando-o de ocupação ilícita das suas terras e compromisso com os portugueses, foge e refugia-se em Pemba na área da Maringanha. Parte do clã seguiu para Quissanga.
O successor de Heri II foi Remane Bachir que viajando para a África do Sul, como era seu hábito levando consigo voluntários (de acordo com a fonte ) que para lá queriam ir viver, foi chamado para assumir o cargo e é nessa altura adoptado o cognome de "Muária" para o regulado que agora começava.
Muitas vezes se fala de Muária como tendo alguma relação de parentesco, de clã ou mesmo qualquer outra com o regulo Muália, o que é negado por Muamba Ussofo, mas pode sobreviver a ideia de auto-identificação com o poderoso e conterrâneo maravi das terras do medo.
Amad Ali, avô do régulo Remane Bachir, descobre a zona de Marindima em Pemba e mobiliza a sua família e a gente de Changa para a habitar, o que veio a acontecer.
No entanto, fugitivos aos ataques dos ngonis, que lançavam as suas investidas com armas de fogo e azagaias a partir do ponto da colina que cai a pique na região de Marindima, bem como pelo facto de ali não haver água potável, a população deixa a zona e vai fixar-se junto às lagoas de Natite.
É então que Remane Bachir manda limpar as áreas de Nuno e Ingonane para ser habitada colocando lá como chefes dois familiares seus, nomeadamente as rainhas Nhanicuto e Nhacoto.
Enquanto isto o régulo Remane Bachir Muária entrega o Wimbi ao chefe Namacoma e a região compreendida entre o Nanhimbe e Maringanha ao seu irmão capitão-mor Tagir Bachir.
Anra Bachir sucede a Remane no regulado Muária e tendo este morrido fica como sucessor o seu sobrinho Fadili Adi, seguindo-se - lhe o seu irmão Anli Mugola.
Durante o reinado de Anli Mugola, este entregou a zona do Cariacó ao chefe Amada Muária, já na década de 60 do nosso século, que ao ser preso pela Pide é substituído por Abdul Latifo Ncuo.
Para além das já citadas rainhas o Paquitequete teve ao longo dos tempos ate à independência de Moçambique outros chefes, no­meadamente Mussa Amad, Pira Anlaue, Said N’Ttondo, entre outros.
Das relações com as autoridades coloniais que, mesmo antes de ocupar a região mandavam anualmente um encarregado de cobrança do imposto, a velha Omar Ossofo relata que quando chegava tal enviado eram içadas três bandeiras portuguesas: uma na praia junto à ponta Romero, a outra à frente da residência do régulo Remane e a terceira no quintal deste.
A população para não pagar o imposto abandonava as suas casas e internava-se mais para o interior e o funcionário da administração colonial em acto de vingança queimava todas as residências, obri­gando a população a construir alpendres provisórios após a sua retirada.
Em língua macua “marapata” significa alpendre ou algo provisório, alcunha que a população deu ao dito funcionário.
Nessa altura a designação de Pemba limitava-se somente a uma pequena área, próximo à ponta Miranembo, onde o governador colonial Jerónimo Romero havia instalado o "Estabelecimento da Baia" e construído um fortim que a população de Muária usou como refúgio nas razias que os sacalaves levaram a cabo.
Embora fora dos parâmetros deste estudo mas para dar uma ideia mais ampla da distribuição territorial do regulado Muária podemos acrescentar que dados de 1970 indicam que o régulo Ntondo, ocupava em Porto Amélia uma área de 1.042 km2 (Paquitequete), seguido do propriamente chamado Muária em Natite com 264 km2, Namacoma no Wimbi com 504 km2, o Piripiri no Gingone chefiando uma área de 8 km2 e o Nansure do Cariacó a Changa com 230 km2. (3)
Considerando por outro lado que os portugueses recrutavam na região do medo os carregadores para as suas caravanas é óbvio que muitos deles em Pemba se foram fixando, o mesmo sucedendo à gente migrada das regiões costeiras.
Os conflitos tribais que sempre existiram entre ambas as etnias (e para um período mais curto também com os macondes) eram compensados pelas trocas comerciais, sobretudo o contrabando e tráfico de toda a espécie.
Apesar de Pemba ser zona costeira, provida de uma enorme baía, muito pouca gente se dedica hoje à pesca, absorvendo o sector pes­queiro apenas cerca de 200 pescadores (dados de 1987) que em suas casquinhas, lanchas e algumas pequenas embarcações fazem não mais que uma produção anual de 150 toneladas de pescado. É também verdade que a intensiva exploração ao longo dos tempos dentro e ao largo da baía, tornaram os recursos marinhos mais escassos.
De marinho típico é, por aquelas bandas, verem-se, nas vazantes das águas com bastante afluxo no período das marés vivas, mulheres, homens e até mesmo crianças de tenra idade ora cercando peixe muidinho com finas malhas ora apanhando conchas ou moluscos comestíveis.
Tão típico é isto quanto o prazer de encontros amigáveis na praia ao nascer e ao pôr do sol, nem que seja sob o pretexto da necessidade de defecar na praia (por tradição), ali se juntam grupos de pessoas em animadas conversas (e quem sabe não mais?) por várias horas.
Grande parte da população dedica-se no entanto à pequena indústria artesanal e a outras ocupações liberais e informais bem como ao comércio, não deixando de praticar um pouco de agricultura para subsistência, com especial incidência no milho, mapira, mandioca e mexoeira.
O comércio ambulante vem ganhando dimensões cada vez maiores e os mercados provêm essencialmente do tráfico swahili com quem qualquer negociante mantém fortes laços.
Pemba, este pequeno satélite e entreposto swahili de tempos remo­tos, conserva ainda suas antigas tradições e hábitos assimilados das gentes do Tanganica. A preferência em artigos do mercado oriental e a quase generalização da língua swahili, embora misturado com o idioma macua e a língua portuguesa, é também realidade.
O “Sungura”, dança importada da Tanzânia, diverte todos os dias e durante toda a noite a população dos bairros periféricos.
Dessa gente não há quem falte, pois aliado ao divertimento algum namorisco poderá, eventualmente, acontecer.
Os três ou quatro conjuntos musicais que actuam em simultâneo nos principais bairros de caniço expressam-se em língua swahili. Os dançarinos os acompanham.
O "mini na kissikia swahili" (eu compreendo swahili) liga uns e outros numa libertação e fruição de mais um dia passado.
As comunidades de maior influência árabe-swahili, muito dedicadas ao comércio com a Tanzânia, localizam-se em ambas as extremida­des: Maringanha ao Sul e o Paquitequete ao Norte.
Contava há poucos anos um velho auxiliar de faroleiro uma interes­sante e peculiar história sobre a origem do nome Maringanha já que a explicação nos conduz a um facto de que a gente de Maunhane jamais viria a esquecer: trata-se da construção de poços de água, um dos mitos de mau agouro ameaçador de morte a quem o construísse.
O facto deu-se após o ciclone de 1914 quando, já reconstruída a povoação de Maunhane, o faroleiro Heliodoro José Carrilho inaugura os poços (por ele próprio mandados construir) gritando o lema: “Muringana?”, que em língua local significa "estão completos?" ao que a população respondia em uníssono "Ti ringana”, que nada mais é do que a confirmação.
Será que por popularização como indicava a fonte e deturpação da expressão "mu ringana" viria a resultar Maringanha?
As cartas no entanto designam de ponta "Maunhane" à região e não é de admirar já que localmente a expressão significa "no sítio dos macacos" dado que em tempos parece ter sido ali o local por eles preferido.
Ainda hoje muitas vezes se vêem macaquitos a vaguear pela Ma­ringanha saltitando por entre o sombreiro das casuarinas e coqueiros junto ao farol como que apreciando as centenas de mulheres que na vazante avançam pelo mar em busca de marisco, o "caril" diário.
Trata-se principalmente da apanha de certas conchas com carne comestível mas pouco ou nada comercializável por se tratar quase de um dever tradicional de toda a mulher e suas crianças procurar moluscos e pequenos crustáceos tanto para seu sustento como até por simples ocupação do tempo e desporto.
Para além da pesca artesanal a população da Maringanha dedica-se também à pequena agricultura bem como à fermentação alcoólica do caju. Aqui a amêndoa deste fruto é no geral consumida quer verde quer torrada depois de seca ou mesmo, em ambos os casos, também utilizados na culinária.
Na outra extremidade de Pemba encontramos o Paquitequete que apesar de desenvolver um forte comércio swahili alberga por outro lado famosos artesãos e gastrónomos ensinados no Ibo e trazidos para ali aquando da transferência da sede da administração da Com­panhia do Niassa.
Ourives trabalhando a prata das moedas portugesas antigas e o ouro das libras estrelinas que ainda vão aparecendo, arrancado às relíquias de algumas poucas “sinharas” (senhoras) ainda vivas apesar de velhinhas, que em seus quintais confeccionam para venda famosos doces, compotas, diversos bolos doces e salgados bem ainda como achares de variado tipo.
O Paquitequete está quase separado da cidade por uma lângua que seca quando a maré vaza mas repleta de água na enchente e, nessas ocasiões, não falta “negociozinho” aos miúdos das casquinhas ganhan­do algumas coroas aos que desejem encurtar o caminho caso estejam em ambas as extremidades já que a ponte se situa quase no extremo sul deste enorme bairro.
O nome de Paquitequete provém da expressão "pá hitequete” que significa por um lado "no sítio do hitequete" ou melhor uma planta que cresce toda emaranhada muito comum ali, por outro é aplicada à característica do próprio bairro com casitas todas muito juntinhas umas das outras formando um autêntico emaranhado.
Engloba ele junto ao mar as áreas de Cofungo na ponta Mepira, seguindo-se em direcção à ponta Romero as zonas conhecidas por Nazimogi, Paquitequete propriamente dito, Cumissete e Cuparata. Há a acrescentar ainda uma casta de mestiços do Ibo que se isolou um pouco mais para a costa a seguir a lângua, dando origem ao bairro da Cumilamba que galga um pouco a parte da escarpa Leste da cidade de Pemba.
Enquanto que na Maringanha a ponta é alcantilada e orlada por um recife de coral que cobre e descobre em Mepira ela è baixa e arenosa caindo a costa a pique sobre o mar.
Nas regiões centrais da península localizam-se os bairros semi-urbanizados de Ingonane, próximo à ponta Romero assim como o de Natite e Cariacó mais a sul onde vivem principalmente os novos artesãos, o pequeno operariado local e os potenciais produtores e negociantes de aguardente e outras bebidas tradicionais, tais como os fermentados de cereais ou farelos.
Estes bairros desenvolvem-se a partir da ponta Romero que é baixa e também orlada por recife de coral que cobre e descobre. Tem praias arenosas mas as ondas são no geral bastante violentas. A ponta Romero antes da ocupação pêlos portugueses era conhecida pelo nome Miranembo.
A tradição reza que ainda no tempo em que a região era floresta cerrada, albergando grandes manadas de elefantes certo dia enfurecidos avançam em direcção ao mar e o mais velho (o chefe) que seguia à frente não foi capaz de estancar na ponta o que o levou a precipitar-se por sobre as águas e dai engolido pelas ondas. De súbito os outros elefantes param e aterrorizados tomam rumo oposto fazendo uma retirada para o interior sem nunca mais por ali aparecerem.
Ora, localmente a expressão “umuiria” significa engolido e “nembo” o vocábulo elefante, ou seja o lugar onde foi engolido o elefante. Naturalmente, segundo a lenda, as duas expressões ter-se-iam fundido dando origem à palavra “umuirianembo”, posteriormente, “miranembo”.
Entre o Cariacó e a Maringanha encontram-se o Wimbe e o Nanhimbe (actual bairro Eduardo Mondlane) dedicando-se à agricultura de su­bsistência e à fermentação alcoólica do caju.
Já no cimo da colina podem-se ver, do levante ao poente, os bairros de Chuiba ou "Planalto dos Cajueiros", Gingone e Muxara, pratica­mente cobertos de cajueiros, e são os que mais comercializam a amêndoa do caju e se dedicam à fermentação alcoólica da respectiva maçã bem como à pequena agricultura.
O rochoso baixo de Nacole a 1,5 milhas para Sueste da Ponta Mepira, projecta ao longo das suas praias de Chibabuara onde, do ponto mais alto da cidade, a colina se faz cair abruptamente.
Outrora um esconderijo de larápios por possuir densa floresta, hoje a sua população é essencialmente constituída por pescadores que, apesar dos rumores de existência de um polvo gigante ali mesmo na baía, essa gente continua fazendo alguma pescaria sem qualquer receio.
No centro da península onde está instalada a cidade de Pemba, ergue-se a zona de cimento desde a Baixa ou "Cidade Velha" junto à qual foram construídas as primeiras casas de alvenaria por facilidades de acesso ao porto, estancando numa planície provida do melhor parque habitacional.
É também nesta zona onde se encontram o Governo e serviços públicos diversos, combinados com uma cadeia de estabelecimentos comerciais bem como um parque infantil onde funciona também uma creche.
O actual porto e ponte cais de Pemba na baixa estão localizados na região meridional da baía a 5 amarras para Sueste da ponta Mepira, com fundo de lodo. O fundeadouro pode alcançar-se a pouco mais de 80 metros, onde se encontra o molhe cais, dado que os fundos se aproximam bastante da terra.
Existem no porto diversas instalações para armazenamento de cargas e para serviços marítimos e aduaneiros. Está também apetrechado com um sistema para a contenção de combustíveis que, através de uma conduta de cerca de um quilómetro, são despejados para os depósitos da Petromoc próximos à povoação de Chibabuara.
A primeira obra efectuada na "Formosa" em Pemba data de 1958, quando as autoridades locais colocaram à disposição do município pouco mais de 29 contos para a construção de um pavilhão / balneário, a que os pembenses tanto se acostumaram para estacionar seus haveres e petiscos que traziam para divertidos piqueniques.
Esta obra foi concluída dois anos mais tarde com um subsídio adi­cional de cerca de 18 contos dispensados pelo Governo do Distrito para os custos de urbanização e arruamentos da praia do Wimbi, por forma a melhor ligá-la à cidade.
Em 1961 possuía já aquela praia duas pequenas habitações para quem quisesse passar lá alguma temporada e o exemplo foi seguido por alguns residentes das classes mais abastadas que ali começaram a montar suas próprias casas para repouso.
A mais exótica casa construída por essa altura na Formosa foi a do Governador do Distrito, hoje do Presidente da República, com arqui­tectura naval, projectando um navio – o “WIWIPI”, onde a residência se encontra instalada.
Assim, uma casa após outra a urbanização da praia do Wimbi se tornou realidade e sempre chamando a si mais gente.
A meados dos anos 60 funcionava já nesta praia o bar "Tininha", assim baptizado por ser também o nome mais popular da f ilha do proprietário que à morte de seu pai toma as rédeas da "embarcação" com grande prestígio e fama nada deixando esmorecer.
Em 1968 abriu na praia do Wimbi o Centro Náutico (hoje extinto) onde funcionava uma escola para velejo, natação e pesca desportiva.
Promovia este centro diversas actividades de recreio ao largo da baía, sendo de realçar as competições entre velejadores, almadiadores, caçadores submarinos e ao currico bem como interessantes con­cursos de construções na areia nas festividades do dia da cidade.
Em 1971, por ocasião de tais comemorações o Governador do Distrito de Cabo Delgado, concedeu um subsídio de 20 contos para a aqui­sição de um motor de popa para um barco destinado ao apoio da Escola de Vela que nesse mesmo ano começou a funcionar. Com idêntico objectivo algumas firmas locais contribuíram com 12.500 escudos.
Ainda a inícios dos anos 70 foi construída na praia do Wimbi o centro social do Aeroclube (agremiação também já extinta).
Para além da praia do Wimbi espalham-se pela cidade tantas outras sendo de realçar a de Natite de fronte às antigas instalações de processamento de peixe da “INOS" e em tempos a de Cumissete com bastante rocha, também conhecida por "praia dos pecados" (com excelentes rochas na escarpa em forma de sombreiro), mas hoje praticamente um porto de pesca bastante frequentado.
Junto ao cais, que igualmente não deixou de ser usada por gentes das regiões baixas encontra-se a praia de Marindima, ou popularmente da Sagal, em virtude de as instalações daquela empresa algodoeira colonial estarem ali situadas. Foi nesta praia, apesar de lodosa, que muitos jovens de Pemba aprenderam natação e disputaram diversos torneios da modalidade.
Na parte setentrional da baía, nas áreas dos régulos Macesse (Bandar) e Said Ali (Mussange), localizam-se também belas praias ainda não exploradas com fundeadouros propícios e o seu correcto apro­veitamento deixaria muito a lograr o desenvolvimento do turismo na região.
(Continua)